2. MARCO TEÓRICO
2.3 E L LENGUAJE JUVENIL
2.3.2 Estudios sobre el lenguaje juvenil
Lançada a 17 de Fevereiro de 1933, uma sexta-feira, a News-Week nasce com o objetivo de discutir com a Time o mercado das newsmagazines. Começa logo por se antecipar na saída para as bancas, uma vez que a Time saía à segunda-feira, dia da semana que a Newsweek também acabaria por adotar, passando a concorrer de forma direta. Outra estratégia foi o preço de 10 cêntimos, menos cinco cêntimos que o título de Henry Luce. A revista foi criada pelo inglês Thomas John Cardell Martyn, que tinha sido editor de internacional da Time, de 1923 a 1925. Com uma equipa de 22 pessoas, quase um terço dos elementos fundadores da primeira newsmagazine, Martyn prometeu aos investidores 50 mil exemplares de circulação.
Licenciado em Oxford e veterano da força aérea britânica durante a I Guerra Mundial, Thomas Martyn começa a carreira jornalística na Time, por um acaso do destino, como conta David E. Sumner (2010: 84). Martyn estava de férias em casa do amigo J. Franklin Carter quando este foi contactado por Henry Luce para integrar a equipa fundadora da Time. Mas como Carter tinha acabado de aceitar um emprego novo, recomendou Thomas Martyn a Luce, que o contratou sem sequer o conhecer, convencido que era um profissional experiente (Sumner, 2003). O editor de internacional foi ganhar 60 dólares por semana, tornando-se o elemento da redação mais bem pago.
Em 1925, a Time, com o objetivo de reduzir custos, muda-se de Nova Iorque para Cleveland, onde se manteve durante alguns anos. Hadden e Luce recusam-se a pagar as despesas inerentes à mudança de localização e Thomas Martyn, que era
89 casado, tinha dois filhos e acabara de comprar casa, acaba por apresentar a demissão (Sumner, 2003). Trabalhou durante alguns anos no The New York Times, mas acabou
por deixar o jornal para angariar financiadores para a ideia que acalentava – o
lançamento de uma nova newsmagazine. Em 1933, reunira 2,25 milhões de dólares, oriundos de 120 investidores que acreditavam no projeto. Martyn anunciava uma revista apostada numa “atitude sóbria em relação a todas as questões que envolvam o gosto e a ética”, redigida num “inglês simples, sem afetações” (Sumner, 2010: 84).
Conhecendo por dentro a publicação concorrente, Thomas Martyn pretendia criar um título que repetisse o êxito da fórmula newsmagazine, mas sem as falhas mais
vezes apontadas à Time – falta de separação entre factos e opinião; desprezo pela
objetividade e pela imparcialidade. Esta estratégia levou a que os primeiros
responsáveis pela redação da News-Week “injetassem menos opinião nas suas
colunas” (Emery e Emery, 1988: 388). Apesar disso, quando se apresenta no mercado, a News-Week tem um projeto gráfico e editorial quase idêntico ao da Time, pois a verdade é que também não havia mais revistas do género onde ir beber inspirações.
Martyn escolhe Samuel T. Williamson para dirigir a revista e a primeira capa exibe sete fotografias, cada uma delas representativa do principal assunto que marcara os dias da semana noticiosa. Em termos de grafismo da capa, usa também o vermelho, mas como fundo da barra em cabeçalho onde se acomoda o título, dispensando quaisquer molduras, a imagem de marca da Time. O resultado diferencia-a da capa com um tema e uma imagem, trabalhada pela
newsmagazine pioneira e justifica-se pelo facto
de a revista se apresentar como “a revista de
notícias ilustrada83” (Angeletti e Oliva, 2002: 53).
83 As características, contudo, eram as de uma newsmagazine, nunca se tendo aproximado do modelo da revista semanal ilustrada de informação.
Figura 5: Sete imagens na capa, uma para
cada dia da semana, marcavam a diferença da capa da News-Week
90 Quando o primeiro número é publicado, Thomas Martyn envia um exemplar a Henry Luce, com uma nota em que escreve: “sentirás algum grau de satisfação em
saber que um antigo homem da Time está a competir contigo… Na mais amigável das
bases”. Luce responde de forma educada, desejando “uma longa e útil vida” à revista (Sumner, 2010: 84). A rivalidade entre os dois títulos manteve-se sempre e, para Jim
Kelly, que foi Editor-Chefe84 da Time, no mundo da imprensa “nenhuma foi mais
intensa”. Explica Kelly, que “não era apenas a luta por anunciantes e subscritores. Era pessoal: as equipas das duas revistas eram escolhidas entre o mesmo conjunto de
candidatos e, em alguns casos, dentro da mesma família”. Jim Kelly dá como exemplo a
crítica musical da Time, Annalyn Swan, cujo marido, Mark Stevens, era crítico de arte na Newsweek (Kelly e Thomas, 2012: 14).
Para além da rivalidade entre jornalistas, as duas newsmagazines ocuparam, durante largos anos, edifícios em Manhattan separados por uma distância de três quarteirões. Evan Thomas, editor durante vários anos da revista fundada por Martyn, corrobora o que Kelly conta. “A mudança de um repórter, jornalista ou editor da Time para a Newsweek era encarada como uma deserção da Guerra Fria. Em 1986, quando
deixei a Time, onde escrevia na secção “Nação”, para me tornar chefe do escritório da
Newsweek de Washington, foram-me dadas 24 horas para esvaziar o gabinete, e Henry
Grunwald, o editor chefe da Time Inc., recusou-se a apertar-me a mão” (Kelly e
Thomas, 2012: 14).
A fórmula originária usada pela News-Week para construir a capa, apesar de inovadora, revelou-se confusa para os leitores e foi abandonada cerca de um ano após o lançamento da revista (Sumner, 2003). A News-Week perdeu dinheiro durante os primeiros quatro anos, esgotando o capital inicial que permitira o seu arranque. Thomas Martyn tinha calculado mal o montante necessário para lançar e manter em circulação uma newsmagazine. Em 1937, acaba por declarar falência (Sumner, 2010: 84). A história do título só não termina aqui, porque nesse ano a News-Week funde-se com a Today, outra revista noticiosa que também dava prejuízo, mas que tinha a apoiá-la as fortunas das famílias Astor e Harriman, proprietárias do título. Thomas Martyn vende a sua participação na empresa, abandona a direção e com ele parte
91 Samuel Williamson. Quem substitui este último à frente dos destinos da redação é o experiente Malcolm Muir, que tinha sido presidente da editora McGraw-Hill.
Muir reformula a publicação, retira o hífen do título e nasce, assim, a
Newsweek. Introduz novas secções e acrescenta na capa um subtítulo: “a revista do
significado das notícias”, procurando sublinhar a mais valia em relação à Time, que se definia no subtítulo como “a revista semanal de
notícias”. O grafismo da capa aproxima-se do da Time, não só porque mantém o modelo de tema e imagem únicos, mas porque introduz uma fina moldura vermelha. A lógica cromática do logótipo inverte-se, passando o título da revista a surgir em letras vermelhas suspensas numa barra branca limitada a encarnado. Em rodapé, num retângulo branco de limites vermelhos, mais estreito, passa a surgir um comentário à imagem que faz a capa,
justificando o subtítulo introduzido – a
Newsweek dá significado às notícias e começa a
fazer esse trabalho desde a sua primeira página (a Time usava um dispositivo semelhante, mas apenas nas capas anuais que distinguiam personalidades). Para David E. Sumner, com estas alterações, “uma nova era teve início” (2010: 85) e a remodelada
Newsweek surge nas bancas a 4 de Outubro de 1937.
Apesar das promessas de diferenciação em relação à Time, a Newsweek não escapou às mais variadas críticas, que iam desde a ausência de personalidade, contrastando com o “Timestyle”, até à acusação de, por baixo de um aparente manto de imparcialidade, ser tão opinativa quanto a revista de Luce (Sumner, 2010: 85). Depois de lutar pela conquista de um lugar no mercado editorial durante os anos 40 e 50 do século XX, a consolidação do título acontece na transição para os anos 60. Entre 1950 e 1962, a circulação média sobe 80 por cento e atinge o milhão e meio de exemplares (Sumner, 2010: 85), culminando duas décadas de lucros contínuos (Sumner, 2003). No ano anterior, em 1961, a Newsweek tinha sido comprada pelo
92 grupo The Washington Post, por nove milhões de dólares. Philip Graham, que geria o diário do grupo, assume a direção da revista, escolhendo Osborn Elliott para chefiar a redação.
As grandes alterações na Newsweek surgem dois anos mais tarde, após a morte
de Philip Graham, em 1963. É nesse ano que Katharine85 Graham assume a presidência
do grupo que era propriedade do pai, Eugene Meyer, e que até então tinha sido gerido
pelo marido. A herdeira cria condições que permitem à Newsweek juntar “o talento e
o capital que precisava para competir com a Time” (Summer, 2010: 85). O orçamento
da redação sobe de 3,4 milhões de dólares para mais de 10 milhões de dólares no fim da década de 60. Sob a direção de Katharine Graham, a revista melhorou também o design gráfico e a capacidade de produção. O impensável aconteceu precisamente no fim dos anos 60, quando as receitas da Newsweek ultrapassaram as da Time durante alguns anos. A proeza, explica Sumner, foi alcançada “através do apelo a uma geração mais nova, liberal” e recorrendo a slogans “engenhosos” como “a newsmagazine que separa os factos da ficção” e “a newsmagazine mais citada” (Sumner, 2010: 85).
Mas estes bons resultados da Newsweek foram alcançados não só pela forma, como também pelo conteúdo. Osborn Elliott, “Oz”, como era conhecido, assumira a redação da newsmagazine aos 36 anos e soube rodear-se de uma equipa jovem, motivada e atenta. A Time, mais conservadora, acabou por ficar atrás da concorrente na cobertura de dois dos temas que mais marcaram a sociedade americana nos anos 60 do século passado: a guerra do Vietname e a luta pela igualdade racial. Tanto num caso como no outro, a Newsweek conseguiu antecipar melhor os acontecimentos e interpretar os factos com mais rigor (Sumner, 2003). Um dos grandes trunfos da newsmagazine durante a década de 60 foi também a proximidade de Katharine Graham com a Casa Branca, uma vez que era amiga pessoal de John Kennedy e de
Lyndon B. Johnson. No âmbito do estudo que culminou no livro Deciding what’s news,
Herbert Gans acompanhou a redação da Newsweek de maio a agosto de 1968 e refere que, à época, o título “era conhecido como a revista ‘quente’ da Madison Avenue,
aproximando-se da Time em publicidade e prestígio” (Gans, 1980: 74).
93 Osborn Elliott deixa a Newsweek em 1976, quatro anos após o lançamento da
Newsweek International, em 1972, a primeira newsmagazine internacional do mundo
em língua inglesa, batendo a Time nessa corrida. “Oz” chefiou a redação de 1961 a
1969 e, novamente, de 1972 a 1976. De 1969 a 1972, foi Ed Kosner quem esteve à frente dos destinos da revista. Segue-se um período de instabilidade, em termos de chefias, sublinhado por David E. Sumner: em doze anos, de 1972 a 1984, a Newsweek acaba por ter cinco diretores, alguns por períodos curtos de dois e três anos. A estabilidade chega em 1984, quando Richard Smith assume a direção editorial da
Newsweek, iniciando um período de acalmia, sem paralelo na história da revista, e
liderando com eficácia a redação durante 14 anos.
Em 1998, Richard Smith é promovido a presidente do conselho de administração do grupo Washington Post e Mark Whitaker substitui-o. A nomeação teve grande cobertura mediática, ao ponto de o editor se confessar “surpreendido pelo grau de focagem da imprensa no ângulo ‘primeiro afro-americano a editar uma newsmagazine’” (Whitaker, 2012: 30). É preciso esperar até 2013 para se registar um fenómeno semelhante no universo das newsmagazines, quando, como já foi referido, Nancy Gibbs é nomeada a primeira diretora da Time.
Foi Mark Whitaker quem supervisionou a cobertura do escândalo Monica Lewinsky e graças a esse trabalho arrecadou para a Newsweek mais um prémio na categoria de reportagem, atribuído em 1999. A revista começou a somar prémios nacionais em 1968, sob a batuta de “Oz”, tendo ao longo dos anos ganho em várias categorias, desde design, reportagem até aos de excelência, que reconhecem a qualidade da publicação no seu conjunto. Foi precisamente um prémio de excelência que Whitaker conquistou em 2002, ano da cobertura do 11 de Setembro. E dois anos
mais tarde, em 2004, repete a proeza de ganhar o prémio de “excelência geral”,
alcançando para o título o décimo galardão atribuído pela American Society of Magazine Editors.
Ao todo, foram quatro os prémios nacionais conquistados durante a direção de Whitaker, que sai em 2006 para a área de negócios online do grupo Washington Post. Nesse ano, os dados oficiais indicavam que a circulação média da Newsweek ultrapassava os quatro milhões de exemplares, contando com mais de 23 milhões de
94 leitores em todo o mundo. Era publicada em mais de 190 países, com quatro edições em inglês, três das quais internacionais (Europa, Ásia e América Latina) e sete edições em língua estrangeira (a chinesa lançada em junho de 2004). Jon Meachman, que entrara em 1995 para a Newsweek e se tornara editor três anos mais tarde é o sucessor de Mark Whitaker.
Durante a direção de Meachman, fruto da crise da imprensa e do desenvolvimento da Internet, os problemas financeiros multiplicam-se. É introduzido um novo modelo gráfico em 2007, mas a ausência de resultados leva a revista a mudar de estratégia. Em maio de 2009, a Newsweek ousa mudar de conceito. Melhora o papel, reduz o espaço das notícias, aumenta o dos colunistas e aposta na opinião e na interpretação. Um mergulho no desconhecido, inspirado na The Economist, a única newsmagazine internacional que se mantinha em expansão. A revista aumenta o preço de capa de 4,95 para 5,95 dólares (de cerca de 3,7 para 4,5 euros), e decide perder leitores com o intuito de fixar um público mais pequeno, mas com recursos financeiros mais elevados que lhe permitisse captar mais publicidade e, assim, regressar aos lucros. É de referir que Johnson e Prijatel alertam para o facto de novos modelos gráficos não serem solução para problemas graves de uma revista, e que grandes alterações de design em poucos anos podem ser sintoma do início do fim de uma publicação (2007: 287).
Jon Meacham e Fareed Zakaria, o diretor da Newsweek Internacional, assinam no primeiro número recriado, a 25 de maio de 2009, um texto, em tom de editorial,
intitulado “Uma nova revista para um mundo em mudança”. A Newsweek sublinha o
seu afastamento dos princípios criados em 1923 por Briton Hadden e Henry Luce, afirmando “nós sabemos que já sabe quais são as notícias”, ou seja, a newsmagazine como resumo das notícias da semana, tal como tinha sido concebida, já não fazia sentido. É por isso que a nova revista, afirmam, vai apostar em “reportagens e artigos de opinião originais” com o objetivo de fazer o público “pensar de novas formas” (Meacham e Zakaria, 2009: 5). Para a primeira capa do novo modelo, a Newsweek escolhe uma entrevista íntima com Barak Obama, que revela o homem por trás do
95 como ficou claro (cf. II.1.1), é uma invenção que data de 1923 e tem como autores Hadden e Luce.
O novo conceito não surtiu os resultados desejados, mesmo associado a cortes na redação e nos meios. Em 2009 a Newsweek teve um prejuízo superior a 29 milhões de dólares, depois de no ano anterior se ter cifrado nos 16 milhões. Em 2010, a equipa da revista contava 150 elementos, uma redução de 30 por cento levada a cabo ao longo de quatro anos. A 5 de Maio, o Grupo Washington Post decide colocar a
Newsweek à venda. Donald E. Graham, presidente e diretor-executivo do Grupo, pede
desculpas aos trabalhadores da newsmagazine, por “não ter percebido a tempo e reagido da forma certa às mudanças” que abalaram a indústria dos média (Ahrens e Kurts, 2010). Quase meio século após o pai, Philip Graham, ter comprado o título, em 1961, a Newsweek corria o risco de encerrar, caso não surgisse um comprador.
A solução chega através de Sidney Harman, empresário de sucesso na área do equipamento áudio e filantropo que, aos 91 anos, decide comprar a Newsweek, que
classifica como “tesouro nacional” (Grove e Lauria, 2010). O preço simbólico pago em
agosto de 2010, um dólar, foi muito discutido pelos meios de comunicação social um pouco por todo o mundo, e demonstrava os problemas económicos vividos pelo título, com dívidas avultadas, assumidas por Harman com a compra. Com a entrada do empresário, Jon Meachman abandona o título, seguido por Fareed Zakaria, nome apontado como possível substituto.
Sem experiência editorial, Harman contacta o Daily Beast, jornal online dirigido e fundado por Tina Brown em parceria com Barry Diller, dono da IAC, empresa com vários negócios relacionados com a Internet. Brown aceita o desafio e, em novembro de 2010, as empresas fundem-se na The Newsweek Daily Beast Company. Os primeiros dias da nova empresa foram “pouco prometedores”, nas palavras da diretora. Tina Brown sublinha o facto de os jornalistas mais experientes e com nome firmado no mercado terem todos abandonado o título. Aos 77 anos, a revista encontrava-se à
deriva, “não havia editor executivo na Newsweek, nem editor noticioso, nem chefe de
gabinete de Washington”, ao mesmo tempo que os anunciantes tinham desaparecido (Brown, 2012: 4).
96 A redação da Newsweek, habituada a estar instalada em edifício próprio, numa
localização de luxo, viu-se confinada a um escritório dividido com o Daily Beast – de
um lado amontoava-se uma das equipas, do outro lado, a outra. “Elas eram tribos
separadas, segregadas, como se estivessem num jogo de futebol”, lembra Tina Brown (2012: 5). De acordo com a editora, foi a Primavera Árabe, movimento que se inicia em dezembro de 2010, que mobiliza esforços e desperta os jornalistas originários dos dois títulos para a necessidade de trabalharem como uma equipa única, de forma a providenciarem uma cobertura adequada à dimensão do fenómeno.
Três meses mais tarde, a 12 de abril de 2011, Sidney Harman morre aos 92 anos e a Newsweek em papel sobrevive-lhe pouco mais de um ano. A 31 de dezembro de 2012, a revista faz capa com uma fotografia aérea a preto e branco onde se visualiza, ao centro, o edifício sede da Newsweek durante a maior parte da vida da publicação. O título é claro: “#LastPrintIssue”, ou seja, “última edição impressa”, a palavra “print” a vermelho no meio de um bloco branco, construído como se fosse um tweet. A decisão de passar a publicar o quase octogenário título apenas online é classificada como inevitável por Tina Brown, uma alteração que “todos os nossos concorrentes terão de abraçar um dia com o mesmo fervor” (2012: 5). Para a editora, a Newsweek nada mais
faz do que antecipar-se, ser pioneira, e levar o “milhão e meio de leitores fiéis” a
descobrir um novo território, mantendo o “compromisso com um jornalismo da mais alta qualidade” (Brown, 2012: 5). A revista adota o título Newsweek Global e passa, assim, a ter uma edição internacional única, online.
Apesar do otimismo das palavras de Tina Brown, o casamento da Newsweek com o Daily Beast só duraria mais oito meses. Em agosto de 2013, o título fundado em 1933 é comprado pela IBT Media, um grupo de comunicação na área das publicações digitais. No espaço de poucos meses, o novo proprietário consegue triplicar as vizualizações da Newsweek na Internet e anuncia logo no final do ano a intenção de regressar a uma edição em papel no início de 2014. Contrariando todas as expetativas, e as previsões de Tina Brown feitas em dezembro de 2012, a Newsweek volta de facto às bancas a 7 de março de 2014, com uma capa polémica em que revela o suposto criador da moeda virtual bitcoin.
97 Com uma tiragem inicial de 70 mil exemplares e dirigida por Jim Impoco, a revista aposta num modelo de negócio “assente mais nas assinaturas e menos na publicidade, mais semelhante à revista britânica
The Economist e menos à Time” (Cordeiro, 2013),
ou seja, uma estratégia que se assemelha à última adotada antes da venda do título pelo Grupo Washington Post, em 2010. Retomando o raciocínio de David Abrahamson (2009: 2), explanado no Capítulo I (cf. I.9), a incapacidade de fixar um público fiel e bem definido de leitores pode ter sido uma das razões principais para o fim da Newsweek em papel, em dezembro de 2012. Em 2014, a revista apresenta-se declaradamente como
um produto de luxo86 e parte à conquista de
leitores – 100 mil é o objetivo para o primeiro ano
– que garantam a sua viabilidade. Comprada em banca, cada número custa agora 6,25 euros na Europa (contra os quatro euros e meio pagos pelo “último”, de dezembro de 2012), e oito dólares nos Estados Unidos. O futuro é incerto, mas o renascimento da
Newsweek deu esperança àqueles que acreditam na sobrevivência do jornalismo em
suporte papel.