2. MARCO TEÓRICO
2.5 E L PRÉSTAMO LINGÜÍSTICO
2.5.5 La integración de los préstamos lingüísticos
A partir de meados do século XX, assistiu-se, como já foi referido, a um progressivo afastamento dos leitores das revistas de interesse geral, à medida que a segmentação quer de temas quer de públicos se afirma e surgem revistas sobre interesses especiais e outras dirigidas a públicos específicos. Uma tendência que se mantém no início do século XXI. A newsmagazine é uma revista de interesse geral e o facto de ter de despertar a atenção dos seus leitores todas as semanas constitui um desafio acrescido em relação a outras publicações da mesma natureza, mas que
trabalham com uma periodicidade mensal – é o caso da versão portuguesa do título
francês Courrier Internacional, que agrega os melhores artigos jornalísticos publicados em todo o mundo.
Na luta pela sobrevivência, a newsmagazine em papel tem vindo a sofrer mutações de conteúdo, já abordadas neste capítulo (abandono progressivo das hard
news e do noticiário internacional, crescimento das soft news), e também alterações
formais. Estas últimas, ultrapassam a apresentação de novos projetos gráficos, uma
119 estratégia de renovação do interesse que nos últimos anos se tornou mais regular, mas menos eficaz. O investimento em novos suportes consolidou-se e a presença das
revistas semanais de informação geral na Internet tornou-se “natural” e incontornável.
Para Sumner (2003), “apesar de as newsmagazines – tal como a maior parte das
revistas – ainda continuarem a lutar para tornar lucrativas as suas edições web, os seus
sites oferecem de facto meios para providenciar conteúdo adicional aprofundado, desenvolvendo a lealdade do leitor através de conteúdo interativo, e atraindo novos subscritores”. Para além dos sites, atualizados 24 horas por dia, sete dias por semana, as publicações também já não dispensam plataformas como os telemóveis, IPads e
tablets.
Nos últimos anos, as newsmagazines passaram também a marcar presença nas redes sociais. Em cada website, para além da possibilidade de assinar feeds RSS, há links para (pelo menos) o Facebook, Google+ e Twitter, prolongando o contacto com a revista. Outra estratégia são as newsletters eletrónicas gratuitas enviadas a quem as queira subscrever, sejam ou não assinantes da newsmagazine em papel, a troco da indicação dos dados pessoais básicos, como nome, morada e data de nascimento. As newsmagazines internacionais disponibilizam uma enorme variedade de newsletters
(no caso da francesa L’Express são 25), quer generalistas quer especializadas nas mais
variadas áreas, como desporto ou negócios. A periodicidade também varia e pode ir da bidiária à semanal.
Consequência da entrega ao admirável mundo atual, as referências ao universo digital invadiram as newsmagazines. Primeiro, timidamente, através da referência ao endereço eletrónico do site, que passou a ser um dos elementos obrigatórios na capa, mesmo que de forma discreta, em corpo de letra reduzido, perto do título ou dos cantos inferiores da publicação, na tentativa de não ofuscar a importância do que se
tem nas mãos – a versão original, em papel. Sobre este aspeto, registe-se a tendência
recente de dispensar o início do endereço, deixando cair o www. É o caso, por exemplo, da The Economist, que na capa refere apenas Economist.com e da Time que indica time.com, há vários anos. Esta parte inicial do endereço eletrónico deixou efetivamente de ser necessária digitar para aceder aos sites, mas muitas publicações insistem em mantê-la, provavelmente com receio de que, sem a ausência à referência
120 das iniciais da World Wide Web, apenas a terminação do domínio antecedida por ponto não seja o suficiente para os leitores identificarem a indicação como o endereço eletrónico da publicação. Newsmagazines confiantes, que acompanham as evoluções tecnológicas e primam pela modernidade, atualizaram os endereços na capa. A The
Economist aproveitou-a, até, de forma inteligente, colocando um E maiúsculo inicial,
que permite de igual forma o acesso ao site, reforçando o destaque ao nome da revista, mesmo sem o The inicial. A Time, ao optar pela minúscula é mais tímida: retira o www, mas mantém a minúscula que remete para os endereços online tal como são conhecidos pela generalidades das pessoas. Em Portugal, Visão e Sábado, mesmo depois dos redesenhos gráficos mais recentes mantêm a referência www na capa.
Já nas páginas interiores das revistas, grande parte das peças jornalísticas remetem para mais desenvolvimentos, seja de texto, imagens ou vídeo, disponíveis no
site respetivo, através de referências finais “que atuam como uma espécie de ponte
entre os mundos do papel e do digital” (Cardoso, 2010: 9). Existem também alterações mais subtis. O redesenho gráfico da Time, lançado a 16 de março de 2007, renomeou como “Inbox” a secção de cartas ao diretor, numa tentativa de apreensão de um universo que ultrapassa o papel.
A 19 de agosto de 2013, a mera referência à caixa de entrada das mensagens
de correio eletrónico deixou de ser suficiente para a Time, e a designação “Inbox” deu
lugar a “Conversation” (conversa). Uma clara influência da importância das redes sociais e uma forma de mostrar interatividade entre leitores e revista, um dos trunfos que pertence à Internet. Por outro lado, desde a reforma gráfica de 2007, a arrumação do sumário da Time remete para a organização de uma página web, com uma coluna central mais larga encimada por uma imagem, por baixo da qual se encontram três, quatro títulos que se referem às peças principais, ladeada por duas colunas paralelas, mais estreitas, semelhantes a barras de navegação, com vários títulos que, tal como os
links online, conduzem ao interior da revista.
Entre as newsmagazines nacionais, a Visão também usa o termo “Inbox”, mas
em sentido ainda mais figurado, associando-o à sua secção inicial (“Radar”), numa
página que reúne factos e citações de várias fontes, incluindo de outros títulos de jornais e revistas. Ainda na secção “Radar”, numa página com o título “janela
121 indiscreta”, insere-se semanalmente um pequeno espaço intitulado “Twitário”, que comenta de forma breve e irónica três factos da atualidade, usando um design que o aproxima visualmente dos tweets da rede social Twitter. Para além disso, na secção de correio do leitor, a Visão remete para o seu site, visao.sapo.pt, destacando um tema em foco na versão online e mostrando uma pequena infografia intitulada “o mais visto”, que enumera as três notícias com maior número de visualizações. Abaixo, surge ainda “o mais comentado”, com a indicação do título da peça online que foi alvo de mais comentários por parte dos cibernautas. Na última revisão gráfica, em 2013, que assinalou os 20 anos da publicação, a Visão acrescentou mais referências às novas plataformas, introduzindo no rodapé do sumário, que se situa na primeira página útil da revista (a 3), uma publicitação à versão iPad e Android do título e o endereço para a página de Facebook, que também não dispensa as iniciais www.
A Sábado, por seu turno, dedicava, na íntegra, a página 12 à publicitação de
conteúdos da revista online. O espaço chamava-se “www.sabado.pt” e em cabeçalho
elencava, acompanhado de pequenos ícones, dez valências disponíveis na versão digital: blogue, vídeo, áudio, texto, infografia, música, links, fotografia, ilustração e comentários. Na página, destacava um vídeo através de um texto mas longo e mais quatro temas através de textos breves, que podiam remeter para os mais variados materiais (fotografias, textos, outros vídeos) disponíveis online. Com a reforma gráfica introduzida em maio de 2014, o espaço “www.sabado.pt” reduziu-se e mudou-se para o rodapé do sumário (p. 3), num espaço retangular claramente identificado, que, além da referência às peças mais lidas no site, acrescenta informações sobre downloads
disponíveis para plataformas móveis – uma fusão que agrega numa única página os
“links” para os conteúdos disponíveis em todos os tipos de suporte, estruturalmente semelhante à página de sumário da Visão.
Se as versões em papel das newsmagazines se deixaram contaminar pela sua representação digital, o contrário também é verdade. Uma das tentativas recentes é a diferenciação de acesso aos conteúdos, mostrando apenas um lead da peça online e remetendo o resto do texto para a versão em papel. Por outro lado, olhando para a orgânica dos sites, verifica-se que, para além da coerência obrigatória em termos de design com a versão em papel, a maioria das secções dos sites das newsmagazines
122 corresponde às designações utilizadas na publicação (Mundo, Sociedade, Cultura),
numa mera lógica de transposição entre suportes. O caso da L’Express, em particular,
é ainda mais exemplar da sobrevivência do velho no novo, como já foi referido neste capítulo (cf. II.3.3). Sublinhando a natureza informativa das newsmagazines e a sua proximidade com a imprensa diária, a secção de abertura quer do site da
newsmagazine francesa quer das suas newsletters chama-se “À La Une”, ou seja, na
Primeira Página.
Síntese
Neste segundo capítulo, traçou-se uma historiografia do conceito de newsmagazine, discutindo-se os primórdios deste género de imprensa, que alguns autores fazem recuar até ao século XVII. Analisou-se o nascimento e o percurso da revista americana Time, consensualmente reconhecida como a fundadora do conceito moderno de newsmagazine, em 1923. Em foco esteve também a Newsweek, que em 2014 protagonizou um inesperado regresso ao papel, depois do abandono deste suporte em dezembro de 2012. Analisaram-se, também, as newsmagazines europeias
The Economist, Der Spiegel e L’Express, representativas da diversidade de
configurações que este tipo de revista adotou, todas com um passado ligado a jornais, fator comum à maioria das newsmagazines do velho continente. A especificidade da newsmagazine, que reúne características do jornal e da revista, foi outro enfoque
deste capítulo, propondo-se o termo “jorvista” como o mais adequado à
representação da natureza da revista semanal de informação geral. No final do capítulo, exploraram-se as mutações de conteúdo das newsmagazines, com o abandono progressivo das hard news e aproximação às soft news, e as alterações formais que têm vindo a adotar para dar resposta aos desafios colocados pela Internet, redes sociais e plataformas móveis. O próximo capítulo dedica-se à capa de revista e à de newsmagazine, em particular.
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