2. Method
2.3.1 The qualitative part – the interviews
A Constituição Brasileira promulgada em 1988 pode ser caracterizada como o grande referencial para a estruturação da área de saúde ambiental. Em diversos trechos ela ressalta a relação saúde-ambiente, como segue (BRASIL, 1998):
O Art. 200, do Capítulo II, seção II, da Saúde que define as atribuições do Sistema Único de Saúde:
IV - participar da formulação de políticas e da execução das ações de saneamento básico;
VI – fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano;
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
O art. 225 do capítulo VI, do meio ambiente que estabelece que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-lo e protegê-lo para as presentes e futuras gerações.
A importância do tema é explicitada também na Lei nº. 6938 de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente e cria o SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) e estabelece os mecanismos e instrumentos capazes de conferir ao meio ambiente uma maior proteção, incorporando em seus princípios, a preocupação com a qualidade ambiental e a saúde.
A Lei no. 8.080 de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde e a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes, trata em diversos trechos da questão da saúde ambiental. Além de incorporar as atribuições do Sistema Único de Saúde definidas na Constituição quanto à questão de saúde e ambiente, essa lei estabelece a necessidade: 1) da integração, em nível executivo, das ações de saúde e saneamento; 2) da articulação de políticas e programas a cargo das comissões intersetoriais e dentre outras, as atividades de saneamento e meio ambiente; 3) do acompanhamento, avaliação e divulgação do nível de saúde da população e das condições ambientais; 4) de participar da definição de mecanismos de controle, com órgãos afins, de agravos sobre o meio ambiente, ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana; 5) do município colaborar na fiscalização das agressões ao meio ambiente, que tenham repercussão sobre a saúde humana, e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, para controlá-las (BRASIL, 1990).
A busca do desenvolvimento de ações integradas não é nova no Brasil e tem se refletido em diversos programas e projetos, especialmente naqueles desenvolvidos pela
Fundação Nacional de Saúde9 (FUNASA), que integram saúde e saneamento, na promoção da saúde e controle de doenças transmitidas por vetores.
Na década de 70, o Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento (PIASS), vinculado ao Ministério da Saúde, e instituído pelo Decreto-Presidencial de nº 78.307, de 24 de agosto de 1976, com prioridade para atenção às zonas rurais e pequenas comunidades, também considerava necessário o conhecimento da realidade do entorno e das condições de moradia e de saneamento, para a elaboração do diagnóstico de saúde da comunidade. Na década de 80, o Projeto Nacional de Saneamento Rural (PNSR) desenvolvido pelos Ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Urbano e do Planejamento já apontava como importante a necessidade do desenvolvimento de indicadores de saúde e de ambiente, bem como da integração intersetorial para a melhoria da saúde da população rural e de pequenas comunidades.
Segundo Borja (2001), no entanto, foi em 1995 que, pela primeira vez, o governo brasileiro preparou o documento intitulado Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável como a contribuição brasileira à Conferência Pan- Americana sobre Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável (COPASAD) realizada pela OPAS/OMS, em Washington (BRASIL, Ministério da Saúde, 1995). Dentre outros objetivos, o Plano destacava:
- A implementação do conceito de desenvolvimento sustentável para maior equidade na distribuição dos benefícios entre presentes gerações, sem comprometimento as gerações futuras.
- Fazer valer os direitos do cidadão em termos de saúde e ambiente.
- Buscar convergência de ações entre saúde, ambiente e desenvolvimento sustentável, aplicando os princípios de universalização, equidade e integralidade.
- Promover a utilização racional, sustentável e democrática dos recursos naturais.
- Estimular a produção, a divulgação e a disponibilidade de informações gerenciais pelos órgãos governamentais responsáveis pelas áreas de saúde e ambiente, de forma a facilitar o acesso e garantir a contribuição e participação da sociedade, no que se refere ao processo decisório nessas áreas.
A estruturação da vigilância em saúde ambiental tem vínculos com as atribuições do SUS, estabelecidas na Constituição de 1988, com a Lei no. 8.080/90 e com o Plano
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Criada em 1942, como Serviço Especial de Saúde Pública foi transformada em fundação por força da lei 3.750, de 11 de abril de1960. Perdeu o termo Especial de seu nome em função do decreto-lei 904, de 1 de outubro de 1969 e transformada em Fundação Nacional de Saúde pelo Decreto n° 100 de abril de 1991.
Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável. O Sistema Nacional de Vigilância em Saúde foi concretizado a partir de 1998, com a implantação do Projeto de Vigilância em Saúde no SUS (VIGISUS), sob a coordenação da FUNASA e definiu as bases para a implementação dessa vigilância.
Algumas atividades características de vigilância em saúde ambiental davam-se no âmbito da vigilância epidemiológica que foi estruturada no Brasil pela Lei no. 6.259/75 e que estabelece a atribuição do Ministério da Saúde de coordenar as ações relacionadas ao controle das doenças transmissíveis. O decreto nº. 78.231 de agosto de 1976, regulamentou esta lei, instituindo o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e da Notificação Compulsória de Doenças, em todo o território nacional (BRASIL, 1976).
No entanto, é no âmbito da vigilância sanitária que a visão ambiental é mais fortemente estabelecida. Segundo a Portaria no 1.565/94, a Vigilância Sanitária é o “conjunto de ações que entre outras, sejam capazes de exercer a fiscalização e controle sobre o meio ambiente e os fatores que interferem na sua qualidade, abrangendo os processos e ambiente de trabalho, habitação e o lazer”. No seu art. 6º, a Portaria estabelece que sejam considerados campos da Vigilância Sanitária a:
I - Proteção do ambiente e defesa do desenvolvimento sustentado; II - Saneamento básico;
III - Alimentos, água e bebidas para consumo humano. (BRASIL, 1994)
A Portaria no 125/99 atribui ao Centro Nacional de Epidemiologia da FUNASA (CENEPI) a coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde, que tem como objetivo:
Promover e disseminar o uso da metodologia epidemiológica em todos os níveis do Sistema Único de Saúde – SUS, visando o estabelecimento de sistema de informação e análises que permitam o monitoramento do quadro sanitário do país e subsidiem a formulação, implementação e avaliação das ações de prevenção e controle de doenças e agravos, a definição de prioridades e a organização dos serviços e ações de saúde (BRASIL, 1999).
Na FUNASA, o CENEPI respondia pela gestão dos sistemas de informação em saúde, do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE), do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental (SNVA) e coordenava a Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública.
O Ministério da Saúde ao instituir um sistema de vigilância em saúde ambiental, (artigo 92º da Portaria nº 410, de 10 de agosto de 2000) também estabeleceu o conceito de saúde ambiental:
Art. 92º. Parágrafo Único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por vigilância ambiental como o conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos e das doenças ou agravos, em especial a relativas a vetores, reservatórios e hospedeiros, animais peçonhentos, qualidade da água para consumo humano, contaminantes ambientais, desastres naturais, acidentes com produtos perigosos, saneamento básico, disposição de dejetos humanos e animais e condições habitacionais. (BRASIL, 2001)
Segundo Maciel Filho et al (1999), uma das primeiras aplicações do modelo FPSEEA, na área de saúde, foi observada em 1998, com o Ministério da Saúde (MS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para a implementação de uma agenda conjunta de construção de indicadores de saúde ambiental em apoio à estruturação de uma área de vigilância em saúde ambiental, que, articulada com as ações de vigilância epidemiológica e sanitária, iria compor a vigilância em saúde, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Tal proposta foi resultado de recomendações de uma oficina de trabalho realizada em março de 1998 durante o IV Congresso Brasileiro de Epidemiologia (EPIRIO-98) que contou com a participação de consultores e especialistas das áreas de saúde e ambiente dos três níveis de governo.
Entre os anos de 1998 e 2003, ocorreu o processo de consolidação da estruturação da área de Vigilância em Saúde Ambiental sob o marco da Vigilância em Saúde no Brasil. Em 2003 a estrutura do CENEPI e sua atribuição com relação a vigilância em saúde passaram a fazer parte da nova estrutura do Ministério da Saúde, formando a Secretaria de Vigilância em Saúde
Segundo Carneiro et al (2005), o Ministério da Saúde entendeu que através do modelo FPSEEA, poderiam ser integradas as análises dos efeitos dos riscos ambientais ao desenvolvimento e implementação de processos decisórios, políticas públicas e práticas de gerenciamento de riscos.
Com a construção dos indicadores, atualmente já estão implantados, entre outros, o programa de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (VIGIAGUA) e o Sistema de Informação para a Vigilância da Qualidade da Água para Consumo
Humano (SISAGUA), na Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS, 2006). Esse Sistema realiza coleta e análise de dados nos diferentes níveis de governo, que constituem subsídios importantes para a formulação e avaliação de políticas públicas de saneamento ambiental. Para os demais fatores do ambiente, como os relacionados à poluição atmosférica, solos contaminados, substâncias químicas, desastres e acidentes com produtos perigosos, o Ministério da Saúde está utilizando a metodologia para a construção de indicadores de saúde ambiental no processo de construção de seu modelo de atuação e marco lógico de ação, definição de bases de dados e sistemas de informação.
Em 2006, a CGVAM divulgou o primeiro folder sobre Indicadores de saúde ambiental, utilizando a princípio a metodologia PEIR, face às dificuldades de se obter os indicadores para exposição, além de outros dados desagregados referentes aos estados e regiões do país.
- A experiência da CGVAM
A CGVAM promoveu diversas experiências de capacitação e instrumentalização do setor saúde, em todo o Brasil, com a utilização do modelo FPSEEA de construção de indicadores de saúde ambiental. Entre essas, cabe destacar: os Cursos Básicos de Vigilância Ambiental em Saúde (CBVA) promovidos no período 2000-2004, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Norte e Pará; e as Oficinas de Atenção Primária Ambiental em Saúde (APA), realizadas em 2003, em conjunto com a organização não governamental Verdejar Proteção Ambiental e Humanismo, no Rio de Janeiro, e em articulação com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), na formação de técnicos em saúde comunitária.
O Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde (CBVA), estruturado nos mesmos moldes do Curso Básico de Vigilância Epidemiológica (CBVE)10, foi parte de uma estratégia de estruturação das gerências e equipes de coordenação das atividades de vigilância em saúde ambiental, no âmbito das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Realizado com metodologia participativa, o curso era dividido em quatro módulos, sendo que o segundo deles tratava especificamente da construção de indicadores e bases
de dados. Nesse módulo, adotou-se o modelo FPSEEA de construção de indicadores de saúde ambiental, da OMS,
[...] pela necessidade e importância de se trabalhar com indicadores que estão disponíveis fora da área da saúde e são determinantes para compreender as interfaces saúde/ambiente. Sendo esta uma área de estudo e avaliação bastante nova, são importantes que se ampliem as possibilidades de interdisciplinaridade na construção de novos indicadores, em especial quando se tem como meta a produção de indicadores que proporcionem condições de um desenvolvimento sustentável da área de saúde e, dessa forma, auxiliem o monitoramento das ações implementadas e a gestão política do setor (BRASIL, 2001, p. 91).
O CBVA, segundo Domingues (2004), constituiu um projeto institucional de formação e instrumentalização da rede oficial de saúde em técnicas de apoio às discussões sobre as questões ambientais que afetam a saúde, introduzindo novos conhecimentos em apoio à compreensão das relações entre ambiente e saúde.
As oficinas de Atenção Primária Ambiental (APA) constituíram um dos instrumentos para aplicação da Vigilância Ambiental em Saúde, no âmbito local e no contexto da Atenção Básica à Saúde. Essa estratégia, proposta pela OPAS, preconizava o desenvolvimento de informação apropriada, de forma a propiciar a participação da comunidade nos processos de construção de espaços saudáveis. A utilização do modelo, por esses grupos, exigiu uma adaptação de terminologias e linguagem, bem como uma simplificação das análises que levam à construção de indicadores (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 1999).
No caso da formação de Técnicos em Saúde Comunitária, o modelo FPSEEA foi adaptado com a adição de elementos que contribuem com ações de planejamento (prazos e designação de responsáveis por cada ação proposta), frente aos problemas levantados (BRASIL, 2003).
Segundo CGVAM (2003), entre os principais efeitos na saúde, identificados por meio dessas experiências, estavam: problemas respiratórios, mentais, auditivos, cardíacos e a silicose. Como forças motrizes, foram apontadas: interesses econômicos empresariais e falta de uma política social adequada à situação local. Oliveira & Faria (2007) ressaltam que, embora incipientes, esses indicadores serviram de base para uma ampliação das discussões sobre saúde - meio ambiente, na direção de regiões e localidades. Em muitos casos, tornaram-se embrião de um sistema de indicadores local,
ajudando assim na promoção da saúde e na discussão das demandas de outros setores importantes na gestão integrada de saúde e ambiente.
- A experiência do Projeto FUNASA-OPAS na avaliação do impacto na saúde das ações de saneamento ambiental
Iniciada em 2001, esta experiência tem um caráter amplo, pois busca avaliar o impacto dos investimentos do governo federal na ampliação da infra-estrutura de água, melhorias sanitárias domiciliares e esgoto, nos municípios mais pobres do país. O projeto abrange cerca de 1800 municípios de 21 estados, beneficiando cerca de 1,5 milhões de famílias, no período 2001/2002 (BRASIL, ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2004).
Atualmente, o Ministério da Saúde (SVS e FUNASA) e a Representação da OPAS/OMS no Brasil, com a participação do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA) e da Universidade de Brasília (UnB), realizam a avaliação do impacto dos investimentos realizados pelo Projeto, em uma amostra de 26 municípios em 7 estados. Essa avaliação, onde é aplicado o modelo FPSEEA, abrange quatro eixos de atuação: a) Saneamento Ambiental (dimensões: Tecnológica, Sanitária, Gestão); b) Epidemiologia (dimensão: Epidemiológica); c) Antropologia (dimensão: Sociocultural); e, d) Economia da Saúde (dimensão: Econômica).
De acordo com a FUNASA (BRASIL, 2004), a estratégia utilizada na avaliação parte da definição de saneamento ambiental como um conjunto de ações voltadas para proporcionar níveis crescentes de salubridade ambiental à população, em determinado espaço geográfico. Tais ações, se adequadamente implementadas, podem produzir uma série de efeitos positivos, em termos de bem-estar e saúde. A matriz de causa e efeito é representada por uma cadeia intitulada Desenvolvimento - Meio Ambiente - Saúde, que revela o entendimento de que a saúde é o resultado da interação entre desenvolvimento e meio ambiente. Assim, por exemplo, as forças motrizes do desenvolvimento, representadas pela urbanização e a industrialização, geram pressões sobre o meio ambiente que deterioram o seu estado e expõem a população a riscos, que podem gerar efeitos negativos para a saúde humana.
- A experiência da FIOCRUZ - Sistema de Vigilância das Populações expostas ao Asbesto
Atualmente, encontra-se em andamento um programa de vigilância ocupacional e ambiental de populações expostas ao asbesto, conduzido pela FIOCRUZ/Ministério da Saúde, que prevê o cadastramento e acompanhamento de 20 a 25 mil pessoas expostas, nos diversos setores que manipulam ou manipularam o amianto, bem como da população exposta ambientalmente, ainda sem estimativa aproximada. Nesse programa, o modelo FPSEAA é utilizado em suporte à estruturação do sistema de vigilância.
Segundo Castro et al. (2003), a exposição ocupacional e ambiental à poeira de asbesto está associada a uma série de efeitos na saúde, que inclui: asbestose pulmonar, câncer de pulmão, câncer de pleura e peritôneo (mesotelioma), doenças pleurais benignas (placas, espessamentos e derrames pleurais) e a limitação crônica ao fluxo aéreo. A asbestose manifesta-se, normalmente, após um período de 10 a 15 anos de exposição; e câncer de pulmão e a mesotelioma, após 20 a 30 anos, o que dificulta o diagnóstico, embora exista uma nítida relação de dose-resposta entre exposição, asbestose e câncer de pulmão.
Na construção dos indicadores que compõem o sistema de vigilância da população exposta ao asbesto (QUADRO 8), foram consideradas as variáveis; pessoas ou grupos mais expostos; local onde estão situadas as fontes de poluição; freqüência, magnitude e duração da exposição; nível de absorção humana; cinética do poluente nos diversos compartimentos ambientais; condições meteorológicas, topográficas, hidrográficas e geológicas. O trabalho vem exigindo a utilização de abordagens interdisciplinares, onde cada disciplina ou campo do conhecimento oferece métodos ou técnicas específicas e complementares às outras, como também uma articulação, tanto com as comunidades envolvidas quanto entre os diversos setores públicos e privados e instituições sociais relacionados com as práticas da Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (CASTRO, 2004).
CAUSA INDICADOR AÇÃO INDICADOR FORÇA
MOTRIZ Incremento na indústria Incremento na construção civil Nº. de indústrias Nº. de casas construídas Banimento do
amianto/asbesto Nsem amianto º. de indústrias Nº. de casas sem amianto
Redução de importação
PRESSÕES Indústria do
amianto Taxa de consumo por ramo industrial Redução na compra de amianto/asbesto Casas com telhas e caixas d’água alternativas Taxa de consumo de amianto reduzida SITUAÇÃO Uso do
amianto Taxa de produtos com amianto Redução de produtos com amianto Nsem amianto º. de produtos
EXPOSIÇÃO Trabalhadores expostos Ntrabalhadores º. de expostos Normas de controle de saúde (RX, espirometria) Nº. de exames realizados e alterados EFEITO Câncer, mesotelioma, asbestose Taxa de morbidade Taxa de mortalidade Ações indenizatórias Reconhecimento previdenciário Taxas de benefícios
Quadro 8 - Indicadores do sistema de vigilância das populações expostas ao asbesto
Fonte: CASTRO, 2004.
- Outras iniciativas de construção de indicadores no Brasil
Além das iniciativas do setor Saúde, o IBGE publicou, em 2002 e 2004, os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, que integram informações sobre as dimensões social, ambiental, econômica e institucional do desenvolvimento. O trabalho de construção desses Indicadores não foi uma iniciativa isolada, mas surgiu do movimento internacional liderado pela Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CSD) das Nações Unidas, que reuniu, ao longo da década passada, governos nacionais, instituições acadêmicas, organizações não-governamentais, organizações do sistema das Nações Unidas e especialistas de todo o mundo, em torno do tema. Esse movimento, deflagrado a partir de 1992, pôs em marcha um programa de trabalho envolvendo estudos e intercâmbio de informação, com vistas a concretizar as disposições dos capítulos 8 e 40 da Agenda 21, que tratam da relação entre meio ambiente, desenvolvimento sustentável e informações para a tomada de decisões (BRASIL, 2004).
O trabalho do IBGE tomou como referência a metodologia e diretrizes apresentadas pela CDS/ONU no documento conhecido como Livro Azul11, assim como as recomendações adicionais que o sucederam, adaptando seu conteúdo às particularidades brasileiras.
Outra experiência significativa é a edição anual de Indicadores Básicos de Saúde (IDB), a partir de 1997, como resultado de um esforço conjunto da OPAS, Ministério da Saúde, IPEA, IBGE e Ministério da Previdência Social. O IDB é composto de dados demográficos, socioeconômicos, de mortalidade, de morbidade e fatores de risco, de recursos para a saúde e cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos serviços de