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N ON -S ATURATED C ONDITIONS

7.3 QoS performance analysis

As entrevistas constituíram a principal técnica de recolha de dados. Tratou-se de entrevistas semi-estruturadas, realizadas individualmente, com o objectivo principal de caracterizar os principais conceitos imagem que os alunos têm sobre determinados conceitos matemáticos avançados. Neste sentido foram realizadas duas entrevistas a cada um dos quinze alunos participantes no estudo, com a duração de cerca de uma hora e quinze minutos cada uma. Os guiões das entrevistas são apresentados nos anexos 1 e 2.

A primeira entrevista decorreu durante o período de aulas, aproximadamente a meio do semestre lectivo e uma semana após a realização do primeiro momento de avaliação. Esta avaliação foi constituída por um teste de escolha múltipla para os alunos da licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores e para os de Ensino das Ciências da Natureza e por um teste escrito de resposta aberta para os alunos de Matemática. O guião desta primeira entrevista incide totalmente sobre o tema das sucessões sendo composto por 5 situações. Algumas destas situações são apoiadas por gráficos fornecidos pelo investigador, como forma

de minimizar o tempo dispendido no seu traçado e tendo em consideração que o seu uso não deverá alterar de forma significativa os conceitos imagem que estão em jogo durante a entrevista.

A segunda entrevista decorreu no final do semestre lectivo, tendo alguns alunos sido ainda entrevistados durante a última semana de aulas. Nesta altura os alunos que estavam sujeitos ao regime de aulas teórico-práticas tinham já realizado um segundo momento de avaliação, que correspondia a mais um teste de escolha múltipla, estando a preparar um terceiro do mesmo tipo, enquanto que os da licenciatura em Matemática estavam prestes a realizar um segundo teste de resposta aberta, tal como o primeiro. Nesta segunda entrevista o guião incide sobre as funções reais de variável real, dando especial destaque aos limites, derivadas e teoremas fundamentais do cálculo diferencial. Ele é constituído por 4 situações, algumas delas apoiadas por gráficos fornecidos pelo investigador, gráficos estes que só são utilizados quando se prevê que a sua introdução não vai alterar de forma significativa os conceitos imagem a caracterizar. Nalguns casos é mesmo solicitado inicialmente aos alunos que esbocem os seus próprios gráficos, não sendo neste caso fornecido aquele que estava na posse do investigador.

As entrevistas decorreram sempre num ambiente considerado acolhedor e propício para o efeito, contando apenas com a presença do investigador e do aluno a ser entrevistado. O período durante o qual decorria a entrevista era sempre marcado de acordo com a disponibilidade do aluno, normalmente durante o período lectivo onde estes não tinham nenhuma actividade curricular. A realização das entrevistas não pareceu causar ansiedade nos alunos, que foram capazes de falar com bastante facilidade, ainda que não tivessem a certeza de que estavam a dar uma resposta correcta ou a desenvolver um raciocínio coerente com a matemática que tinha sido ensinada. O investigador foi colocando questões que conduziram a uma participação dos alunos que procurou que estes explicitassem os seus raciocínios em voz alta, (thinking aloud) no sentido que lhe é dado por Schnotz e Ballstaedt (1998), sendo possível desta forma identificar a compreensão que eles têm sobre determinados objectos matemáticos. Por vezes podemos considerar estar perante experiências de ensino, onde o investigador procura buscar significado para as respostas dadas pelo aluno. Há uma intenção deliberada em ensinar determinados conteúdos que os alunos têm dificuldade em expressar para que se possa aceder aos processos e procedimentos que eles utilizam na construção desses conhecimentos.

A relação que se estabeleceu entre o investigador e os alunos tornou-se de tal forma aberta que por várias vezes os alunos utilizaram a situação de entrevista para esclarecer algumas das suas dúvidas sobre os conceitos tratados. Esta abordagem proporcionou ao

investigador uma fonte bastante rica no que se refere aos métodos e processos de raciocínio desenvolvidos por estes alunos. Neste tipo de situações o investigador, quando considera ter compreendido o tipo de raciocínio desenvolvido pelos alunos, acaba por completar ou esclarecer essas dúvidas, tendo em conta que os alunos se encontram numa fase de avaliação, proporcionando-lhe desta forma mais uma oportunidade para que possam clarificar o significado matemático dado a estes conceitos. Outra forma utilizada para ajudar a esclarecer este tipo de dúvidas foi, no final da entrevista, o investigador colocar-se ao dispor dos alunos para eventuais questões que estes tivessem interessados em colocar. Foram vários os alunos entrevistados que aproveitaram a situação para colocar dúvidas relativas aos temas abordados nas entrevistas, assim como outros referentes a outros temas que faziam parte do currículo da disciplina. Alguns destes alunos chegaram mesmo a solicitar a ajuda do investigador nos dias que antecederam a realização da prova de exame. Também foi possível constatar que por vezes alguns alunos conseguiam apresentar um conceito imagem mais completo quando são alvo de pequenas ajudas dadas pelo investigador. Esta abordagem explora os conhecimentos dos alunos no que Vygotsky denomina de zona de desenvolvimento proximal, onde o aluno consegue chegar ao conceito, que antes parecia afastado do seu domínio de conhecimento, através de uma pequena ajuda.

Todas as entrevistas foram audiogravadas, sendo posteriormente transcritas pelo investigador. As transcrições foram posteriormente anotadas com algumas notas de campo que foram sendo recolhidas durante as entrevistas, notas estas que não sendo captadas pela gravação de áudio (gestos, expressões faciais, outros símbolos não representados no papel) se revelaram importantes para compreender e completar as respostas dadas.