5 Utfordringer knyttet til å holde på frivillige
5.1 Hvem er de frivillige?
Quando se estuda a literatura sobre o que é uma teoria, verifica-se que há vários termos que, muitas vezes, são confundidos com o termo teoria. Alguns exemplos são: doutrina, quadro teórico, paradigmas, conceitos, modelos, dentre outros. Rudner (1976, p. 51), inclusive, assevera que “Uma característica impressionante da literatura da ciência social é estar copiosamente temperada com formulações não-teóricas.” Diante disso, este tópico visa apresentar definições que possam levar ao entendimento do conceito de cada uma dessas expressões, bem como compará-las com o conceito de teoria.
Ademais, entende-se que este tópico é relevante porque há de se considerar a dificuldade em se colocar em prática as características de uma teoria em ciências sociais. Dito de outra forma, significa que, quando um conjunto de elementos não puder ser enquadrado como teoria, talvez
possa ser como doutrina, ou paradigma, quadro teórico ou mesmo um conjunto de conceitos. Nesse sentido, Matallo Jr. (in CARVALHO, 1994, p. 59) explica:
Na verdade, a própria idéia de teoria é colocada em xeque se pensarmos que não podemos formular qualquer explicação em ciências sociais que tenha como base uma linguagem unívoca, não contextual. Podemos dizer que, em vez de teorias, temos conjuntos de postulados básicos que orientam a pesquisa, como diria Merton, aliados aos procedimentos de seleção dos fatos e descrição reconstrutiva dos fenômenos. É preciso deixar claro que não há uma lógica ou um método para selecionar os fatos relevantes para a explicação e nem tampouco um método de reconstrução histórico-social.
Iniciando-se pelo termo conceito, encontra-se em Merton (apud BRUYNE et al., 1977, p. 116) que “[...] um jogo de conceitos não constitui uma teoria.” Bruyne et al. (1977, p. 116) explicam que “Estes [os conceitos] podem figurar numa teoria que se definirá essencialmente pelas ligações formais que ligam esses conceitos entre si em proposições [...]” De forma semelhante, Matallo Jr. (in CARVALHO, 1994, p. 23) explicita:
Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos, de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos “fechadas” de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos.
Como se pode depreender da visão de Bruyne et al. (1977) e Matallo Jr. (1994), os conceitos são parte integrante de uma teoria, mas não a teoria em si. Esses vão auxiliar a teoria no cumprimento de seus propósitos de sistematizar, explicar e predizer. Por essa razão, concorda- se com Kaplan (1975, p. 56), quando, lembrando Kant, afirma: “A elaboração de conceitos e a construção de teorias caminham, pois lado a lado [...]” Portanto, conceitos e teorias são coisas distintas, porém complementares.
No que toca à expressão quadro-teórico, Bunge (1980, p. 160) afirma:
Um quadro teórico (ou contexto) é um conjunto de proposições referentes a um mesmo domínio (p. ex., sociedades humanas) contendo certos conceitos (p. ex., os de classe social e anomia) que constituem um grupo homogêneo, no sentido de que todos eles se referem ao mesmo domínio.
Comparando-se o que diz Bunge (1980) com o que se discutiu na seção sobre o que é uma teoria, verifica-se que essa última é algo muito mais abrangente que aquele primeiro. Isso se nota pelo fato de que, enquanto o quadro-teórico se refere apenas ao conjunto de proposições pertinentes a um mesmo domínio, a teoria prega que essas proposições devem estar logicamente/dedutivamente sistematizadas, devem exprimir relações entre variáveis e visa,
em suma, sistematizar, explicar e predizer fenômenos e seus comportamentos. Assim, deduz- se que quadro-teórico e teoria são coisas diferentes.
Kuhn (2000, p. 13), por sua vez, apresenta o conceito de paradigma que, em alguns casos, pode ser confundido com a idéia de teoria. Para ele, os paradigmas são “[...] realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.”
Ainda que um paradigma trate da questão das realizações científicas, ele não pode ser considerado uma teoria, porque se limita a fornecer problemas e soluções, mas não explicação, predição e sistematização, como é o caso da teoria. No entendimento deste autor, o paradigma fornece subsídios à elaboração de uma teoria. Ele é, segundo Matallo Jr. (in CARVALHO, 1994, p. 27), a forma de Kuhn enxergar a ciência. Portanto, muito mais uma concepção do que uma teoria propriamente dita.
Outro termo que não deve ser igualado à teoria é doutrina. Bunge (1980, p. 161-162) apresenta a diferenciação entre essas da seguinte forma: “Uma mera doutrina [...] é menos precisa que uma teoria. Por conseguinte suas predições, se ela estiver em condições de fazê- las, são imprecisas. Logo, os dados empíricos não podem decidir sobre seu valor de verdade.” E continua:
Isso não impede que uma doutrina possa ter valor heurístico, por exemplo ao ajudar a classificar determinadas variáveis ou a dirigir a atenção para elas, que de outro modo passariam inadvertidas. [...] Precisamente por não ser comprovável empiricamente, uma mera doutrina não pode aspirar à categoria de teoria científica verdadeira ou sequer de simples teoria.
Aceitam-se os argumentos de Bunge (1980) e, portanto, considera-se que doutrina e teoria são coisas distintas.
Martins (2004), além do conceito de teoria, discute o conceito de modelo. Segundo o autor, um modelo:
- é um “[...] conjunto de conhecimentos sobre a estrutura e/ou comportamento de um sistema com a finalidade de explicar e prever, de acordo com teorias científicas bem formuladas, as propriedades do sistema.” (2004, p. 1);
- “[...] busca a especificação da natureza e a importância de relações entre variáveis, constructos, fatores etc. que possam oferecer, com base em teorias científicas, explicações e explanações de um dado sistema.” (2004, p. 1);
- “[...] caracteriza as idéias fundamentais da teoria com auxílio de conceitos com os quais já estamos familiarizados, antes da elaboração da teoria.” (2004, p. 4);
- “[...] é a teoria do sistema.” (2004, p. 1); - “[...] é um elemento da teoria.” (2004, p. 4).
Assim como Martins (2004), Rudner (1976, p. 44) entende que “Os termos ‘modelo’ e ‘teoria’ compartilham uma melancólica falta de uniformidade nos vocabulários de cientistas e outros que versam temas científicos.” Segundo esse último (1976, p. 45), “[...] um modelo para uma teoria consiste numa interpretação alternativa do mesmo cálculo, do qual a própria teoria é uma interpretação.”
Portanto, aceitando-se os pontos de vista de Martins (2004) e Rudner (1976), deduz-se que o modelo é uma parte da teoria e não uma teoria propriamente dita.