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2 Bakgrunn og teoretiske perspektiver

2.1 Kartlegging av kunnskapsstatus på feltet

2.1.2 Frivillighet i endring

Uma vez que se pode compreender o conceito de teoria, bem como evidenciar os critérios necessários para que se tenha, de fato, uma teoria, este tópico destina-se a explorar algumas questões adicionais, dentre elas os objetivos e funções de uma teoria, ressaltando algumas características peculiares. Destaque-se que, na seção 3.2, alguns desses aspectos já foram mencionados, porém não explorados detalhadamente.

De acordo com Lakatos e Marconi (1985, p. 117), “O objetivo das teorias é compreender e explicar os fenômenos de uma forma mais ampla, através da reconstrução conceitual das estruturas objetivas dos mesmos.” De forma semelhante, Martins (2004, p. 2) assevera: “A sistematização e busca de seguras explicações dos acontecimentos constituem objetivos das teorias.”

Num outro momento, Martins (2004, p. 4) enumera e discute três funções de uma teoria, a saber:

- explicar: dizer por que, como e quando os fenômenos ocorrem (função mais importante, segundo o autor);

- sistematizar: dar ordem ao conhecimento sobre um fenômeno da realidade; e

- predizer: fazer inferências sobre o futuro, orientando como se vai manifestar ou ocorrer um determinado fenômeno, dadas certas condições.

Da leitura do texto de Kaplan (1975, p. 309), extrai-se que a teoria tem como funções sistematizar as coisas conhecidas, ou seja, dar sentido às coisas e atestar a verdade. Belkaoui (apud IUDÍCIBUS, 1996, p. 22), por sua vez, argumenta que a teoria tem como propósito “[...] explicar e predizer o comportamento do fenômeno [...]”

Analisando-se de forma conjunta as visões de Lakatos e Marconi (1985), Martins (2004), Kaplan (1975) e Belkaoui (apud IUDÍCIBUS, 1996), verifica-se certa confusão entre os termos funções e objetivos. Em Martins (2004), por exemplo, nota-se que o que o autor inclui em objetivos é a mesma coisa que relacionou como funções. Kaplan (1975) fala somente em funções, enquanto Belkaoui (apud IUDÍCIBUS, 1996) fala em propósitos e Lakatos e

Marconi (1985) em objetivos. Tendo em vista essa questão, neste Referencial Teórico consideram-se funções e objetivos da teoria como coisas semelhantes.

Tendo-se em conta que são corretas as visões dos autores citados, porém entendendo-se ser a relação de funções de Martins (2004) a mais completa, considera-se, portanto, que os objetivos e funções da teoria são a sistematização, a explicação e a predição.

Ainda nessa tentativa de entender as funções de uma teoria, encontrou-se em Parsons (apud BRUYNE et al., 1977, p. 102) que “A teoria não formula apenas o que sabemos, mas também nos diz o que queremos saber, isto é, nos dá as perguntas cuja resposta procuramos.” Mais adiante, O’Neil (apud BRUYNE et al., 1977, p. 102) complementa: “[...] elas dão um quadro coerente dos fatos conhecidos, indicam como são organizados e estruturados, explicam- nos, prevêem-nos e fornecem, assim, pontos de referência para a observação dos fatos novos.” (grifo deste autor). A função da teoria de indicar como os fenômenos são estruturados e organizados, conforme explorado por Bruyne et al. (1977), é o aspecto principal daquilo que se está buscando nesta tese com a ECBC.

Na mesma linha de raciocínio, Iudícibus (1996, p. 21) argumenta que “Uma teoria, em qualquer campo de estudos, deveria ser capaz de melhorar, sob um duplo aspecto, o entendimento de como funciona determinado fenômeno ou conjunto de fenômenos.” (grifo do original). Mais uma vez, se percebe que a idéia de buscar uma Teoria da Controladoria não está distante, pois o que se deseja encontra respaldo nas palavras de Iudícibus (1996). Em suma: a Teoria da Controladoria que se quer aqui dar o primeiro passo deve ajudar a entender como funciona o fenômeno Controladoria.

Ressalte-se que o “duplo aspecto” apresentado por Iudícibus (1996) refere-se às funções de uma teoria de explicar e predizer. O autor detalha isso (1996, p. 22) citando Watts e Zimmermann, para os quais, “[...] o objetivo da teoria contábil, pelo menos sob o enfoque denominado de positivo (a antítese do enfoque normativo) ou descritivo, é de explicar,

primeiro, e predizer, depois, a prática contábil [...]” (grifo do original).

Finalmente, Iudícibus (1996, p. 22) amarra: “Explicar a prática contábil significa providenciar razões para a prática observada. Predizer significa utilizar-se a teoria para antecipar ou pesquisar fenômenos contábeis não observados ainda, ou prever o comportamento dos já

observados anteriormente.” Nesse caso, faltou somente acrescentar a questão da função de sistematizar.

Ainda no tocante a essas duas funções da teoria, Matallo Jr. (in CARVALHO, 1994, p. 44) afirma: “Explicação e predição são ambos traços essenciais das teorias.” O autor ressalta que tais explicações e predições precisam ser universais, isto é, devem se aplicar a vários casos e não a situações específicas. Mais adiante (1994, p. 45), arremata dizendo que “[...] a causalidade expressa os traços de universalidade e preditividade das teorias na medida em que postula relações universais, necessárias e determinadas entre eventos.” Isso implica que a causalidade é fundamental nas teorias, uma vez que relaciona causa e efeito.

Goode e Hatt (1969, p. 13-18) discutem a interdependência entre teorias e fatos, e apresentam o papel daquela em relação a estes. Nesse sentido, segundo os autores, a teoria tem as seguintes funções:

- orientar para restringir a amplitude dos fatos a serem estudados em cada campo do conhecimento;

- servir como sistema de conceptualização e de classificação dos fatos;

- resumir sinteticamente o que já se sabe sobre o objeto de estudo, por meio de generalizações empíricas e de inter-relações entre afirmações comprovadas;

- baseando-se em fatos e relações já conhecidos, prever novos fatos e relações, pois resume os fatos já observados e estabelece uma uniformidade geral que ultrapassa as observações imediatas; e

- indicar os fatos e as relações que ainda não estão satisfatoriamente explicados e as áreas da realidade que demandam pesquisas.

Em suma, perante as discussões realizadas, as funções e objetivos da teoria, segundo a literatura são:

- sistematizar: compreender, conceituar, organizar, classificar e estruturar o conhecimento sobre um fenômeno da realidade;

- explicar: dizer por que, como e quando o fenômeno ocorre, ou seja, prover razões para o comportamento do fenômeno; explicar como funciona;

- predizer: fazer inferências sobre o futuro (antecipar), orientando como se vai manifestar ou ocorrer um determinado fenômeno, dadas certas condições.

Trazendo essa concepção de funções e objetivos para o contexto desta tese, tem-se que, para se chegar a uma Teoria de Controladoria, esta deverá sistematizar o conhecimento difundido sobre este tema e, também, fazer explicações disso. Esses pontos justificam a existência da ECBC (sistematização) e da pesquisa de campo que busca evidenciar como o fenômeno Controladoria acontece na prática, trazendo algumas explicações.

Ainda sobre isso, Martins (2004, p. 3) faz uma discussão relevante:

Quando, num dado setor, já foram conduzidas investigações que possibilitaram a construção de um sólido corpo de conhecimento em que se acham incluídas generalizações empíricas, as teorias surgem como a chave para a nossa compreensão dos fenômenos, explicando as regularidades previamente constatadas.

Considerando-se a visão de Martins (2004), e associando-a ao espectro desta pesquisa, poder- se-ia questionar se já é possível falar em uma Teoria da Controladoria, ou seja, se já existem generalizações suficientes para que se possa atingir uma Teoria da Controladoria, que se possa explicar, sistematizar e predizer. Entende-se, face ao material bibliográfico analisado, proveniente de livros, dissertações, teses e artigos, que há sim produção científica suficiente para, pelo menos, atingir-se parte de tal intento (sistematizar e explicar). Além disso, a investigação empírica conduzida nesta tese busca oferecer alguma contribuição para a construção do sólido corpo de conhecimento aludido por Martins (2004).

Ressalte-se que não está no escopo deste estudo trabalhar a questão da predição, pois a função “prever” da ciência ou do método científico ou mesmo da teoria não tem como ser levada a cabo porque, conforme explica Castro (1978, p. 16), “As possibilidades de previsão de fenômenos sociais são extremamente limitadas, em comparação com os sucessos já obtidos na compreensão da realidade.” Matallo Jr. (in CARVALHO, 1994, p. 53) corrobora discutindo que a previsibilidade (previsões) é algo difícil de conseguir nas ciências sociais.