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2 Bakgrunn og teoretiske perspektiver

3.3 Innsamling av data

Semelhantemente ao que acontece com outras áreas das ciências sociais, a Controladoria não é fechada em torno de si mesma, até porque as ciências não têm existência isolada. Por essa razão, é importante entender quais interfaces existem entre o ramo do conhecimento Controladoria e outros campos do saber científico.

De acordo com Carvalho (1995, p. 57), a Controladoria tem suas bases em outras áreas do saber. Segundo ele, “[...] a despeito da forte ligação que muitos autores propõem com a Contabilidade Gerencial, o corpo de conhecimentos identificado com a Controladoria não advém, de forma exclusiva, de um campo de conhecimento determinado [...]” Isso ajuda a reforçar a importância deste tópico.

Assim, complementando a ECBC, as áreas do conhecimento que mais se correlacionam com a Controladoria são: Contabilidade, Administração, Economia, Direito, Estatística, Matemática, Psicologia e Sociologia. Cada um desses relacionamentos é mostrado na seqüência.

a) Contabilidade

Segundo Most (1987, p. 1), “Não existe uma definição satisfatória para a palavra ‘contabilidade’.” O autor fundamenta sua assertiva apresentando e discutindo definições, como, por exemplo, a do AICPA – American Institute of Certified Public Accountants: “Contabilidade é a arte de registrar, classificar e sumarizar, de maneira significativa e em termos monetários, transações e eventos que são, ao menos em parte, de caráter financeiro, e interpretar os resultados decorrentes.”

Ainda em Most (1987, p. 2), tem-se a definição da AAA – American Accounting Association: “Contabilidade é uma atividade de serviço. Sua função é prover informação quantitativa, principalmente de natureza financeira, sobre entidades econômicas, que seja útil ao processo de tomada de decisões econômicas e de escolhas entre cursos alternativos de ação.”

Analisando-se as discussões realizadas no manual da Fipecafi (2003, p. 48), encontra-se que “A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização.” Note-se que em nenhuma das definições, tanto nas citadas por Most (1987), quanto na da Fipecafi (2003), a Contabilidade é tratada como ciência, mas sim como uma técnica, dentro de uma perspectiva de aplicação prática dentro das entidades.

Tesche et al. (1991, p. 18), no entanto, colocam que a “Contabilidade é a ciência social que tem por objetivo o patrimônio de quaisquer entidades, em seus aspectos qualitativos e quantitativos, bem como as suas variações.”

A fim de reunir num único ponto de vista os diversos aspectos das definições apresentadas, este autor está considerando a seguinte definição: A Contabilidade é a ciência que estuda conceitos de identificação, classificação, mensuração e acumulação dos eventos econômicos realizados por uma organização, e que interferem em sua riqueza, com o fim de divulgar informações, de natureza monetária, financeira e econômica, sobre tais eventos para permitir decisões dos usuários das informações.

Adicionalmente, no entender de Peters (2004, p. xii), a Contabilidade é uma função primordial de controle empresarial e, portanto, da Controladoria. O autor é taxativo em afirmar que “A Contabilidade é o sistema informacional-base da Controladoria.” (2004, p. 2). E detalha (2004, p. 7): “A Contabilidade busca, probabilisticamente, minorar o grau de incerteza em relação à tomada de decisões, por meio de um sistema informacional que dá qualidade racional à tomada de decisão.”

A interface entre Controladoria e Contabilidade, portanto, encontra-se no fato de a segunda utilizar conceitos contábeis para identificar, classificar, registrar e sumarizar as transações e eventos decorrentes das operações realizadas por uma entidade. Essa sistemática vai produzir informações que serão utilizadas pela primeira para o controle do processo de gestão organizacional. Em outras palavras, significa que a Contabilidade fornece matéria-prima para a Controladoria.

Olhando essa questão por outro ângulo, significa que a interface se dá na medida em que, para fornecer bases teóricas para se produzir determinadas informações referentes a uma organização, como aquelas relativas ao processo orçamentário, a Controladoria busca na Contabilidade a linguagem e a teoria que definirá como registrar, mensurar, classificar e acumular os itens do orçamento. Na prática, implica que as informações produzidas pela Controladoria utilizam a linguagem contábil.

b) Administração

De acordo com Chiavenato (1993, p. 12), “A administração é uma ciência que estuda as organizações e as empresas com fins descritivos para compreender seu funcionamento, sua evolução, seu crescimento e seu comportamento.”

Ademais, considera-se que a administração estuda o patrimônio de uma organização sob o aspecto da gestão, ou seja, busca formas eficientes de gerir e manipular os diversos recursos utilizados pela entidade. Nesse sentido, a interface entre Controladoria e Administração está no fato de que os conceitos de gestão presentes nesta última são empregados pela primeira para balizar os fundamentos teóricos da qual se utilizará para o controle do processo de gestão organizacional.

Outro aspecto que evidencia a interface entre essas duas áreas é a concepção de que a Administração é uma área do saber que se ocupa, dentre outras coisas, da gestão dos recursos econômicos. A Controladoria, por sua vez, traz em seu bojo conceitos de mensuração, avaliação e controle de tais recursos, de forma que a gestão possa geri-los eficiente e eficazmente.

Por fim, recorrendo-se a Nakagawa (1993, p. 17), encontra-se o conceito de accountability que consiste na “[...] obrigação de se prestar contas dos resultados obtidos, em função das responsabilidades que decorrem de uma delegação de poder.” Sobre isso, a interface ocorre porque o processo de accountability, conceito advindo da Administração, é um elemento utilizado para realizar o controle do processo de gestão organizacional, controle este que está no escopo da definição de Controladoria. Ademais, quando se remete essa questão à perspectiva prática, verifica-se que a Controladoria tem participação direta e relevante na

accountability, evidenciando-se mais uma vez a relação próxima que existe entre essas duas

áreas de conhecimento.

c) Economia

Para Samuelson e Norddhaus (1999, p. 4), “A economia é o estudo da forma como as sociedades utilizam recursos escassos para produzir bens com valor e de como os distribuem entre os vários indivíduos.” De forma semelhante, porém mais detalhada, Morcillo e Troster (1994, p. 5) explicam que “A economia estuda a forma na qual os indivíduos fazem suas escolhas e decisões, para que os recursos disponíveis, sempre escassos, possam contribuir da melhor forma para satisfazer as necessidades individuais e coletivas da sociedade.”

Numa perspectiva diferenciada, Rossetti (2002, p. 31) afirma que à Economia “[...] compete o estudo da ação econômica do homem, envolvendo essencialmente o processo de produção, a geração e a apropriação da renda, o dispêndio e a acumulação.”

Tendo-se em conta as definições apresentadas, sintetiza-se, então, que a Economia se preocupa com a forma como os recursos são utilizados, os bens são produzidos e distribuídos, as necessidades são satisfeitas e a renda é formada e consumida. Nessa linha de raciocínio, entende-se que a interface entre Economia e Controladoria acontece quando esta última aporta em suas bases teóricas conceitos econômicos que permitem mensurar, monetária e economicamente, todos os processos antes referenciados. Assim, a Controladoria recorre à Economia para buscar, por exemplo, índices econômicos, os quais provocam impactos nos números estudados por ela.

Deste modo, além dos aspectos já mencionados, há uma interface entre Economia e Controladoria porque é da primeira que se extrai o conceito de valor econômico, elemento fundamental na avaliação dos ativos da empresa e na apuração de resultados, os quais são importantes para exercer o controle do processo de gestão organizacional. Vale lembrar as palavras de Mosimann e Fisch (1999, p. 102): “O resultado de uma transação reflete o conceito de renda econômica, afetando a riqueza da empresa e, conseqüentemente, fazendo parte do objeto de estudo da Controladoria.”

d) Direito

Segundo Reale (1983, p. 2), “O Direito é [...] um fato ou fenômeno social; não existe senão na sociedade e não pode ser concebido fora dela.” Mais adiante complementa: “[...] a Ciência do Direito abrange um conjunto de normas que exigem dos homens determinadas formas de conduta.” (1983, p. 15). E ainda: “A Ciência do Direito estuda o fenômeno jurídico tal como ele se concretiza no espaço e no tempo [...]” (1983, p. 17).

Lima (1960, p. 17), por sua vez, explica que “Direito é, pois, o conjunto de regras de organização e conduta que, consagradas, pelo Estado, se impõem coativamente, visando a disciplina da convivência social.”

Portanto, consoante às definições apresentadas, sintetiza-se que cabe ao Direito, tendo em vista os usos, costumes e valores da sociedade, fixar as normas que regulam os direitos e deveres individuais e sociais, englobando aí a regulação do comportamento dos homens em suas relações sociais.

Desse ponto de vista, entende-se que a interface entre Direito e Controladoria ocorre quando, na concepção, formulação e utilização de parte de suas bases teóricas, a Controladoria necessita levar em consideração as regras de conduta e organização emanadas do Direito. Isso significa, então, que ela tem que conhecer e respeitar as relações jurídicas nas quais a organização está inserida.

A título de ilustração, é mister afirmar que a Controladoria tem interface com, praticamente, todos os ramos da ciência jurídica, a saber: Direito Comercial, Direito do Trabalho, Direito Civil, Direito Mercantil, Direito Tributário, entre outros.

Alguns exemplos dessa interface são: as bases teóricas da Controladoria podem ser aplicadas tanto para entidades jurídicas quanto econômicas; o Direito, no entanto, preocupa-se com a entidade jurídica; no Direito se estabelecem princípios que norteiam o estabelecimento de regulamentos tributários pelos órgãos governamentais reguladores; a Controladoria, quando fornece bases teóricas para o desenvolvimento do planejamento tributário da organização, vale-se desses princípios advindos do Direito. Há muitos outros exemplos que comprovam essa interface, mas que, para não se estender demais, não serão apresentados.

e) Estatística

Na visão de Costa Neto (1977, p. 2), a Estatística é a “[...] ciência que se preocupa com a organização, descrição, análise e interpretação de dados experimentais.” Semelhantemente, Martins (2002a, p. 19) afirma que “[...] estatística é a ciência dos dados – uma ciência para o produtor e consumidor de informações numéricas. Ela envolve coleta, classificação, sumarização, organização, análise, e interpretação de dados.”

Já Dugé de Bernonville (1939, p. 42) assim define: “Estatística é um conjunto de métodos e processos quantitativos que serve para estudar e medir os fenômenos coletivos.”

Stevenson (1981, p. 2), por sua vez, explica que a Estatística compreende três áreas entrelaçadas: (i) a estatística descritiva, que utiliza números para descrever fatos, ou seja, compreende a descrição e resumo de dados; (ii) a teoria da probabilidade, que serve para analisar situações que envolvem o acaso e (iii) a inferência, que corresponde à análise e interpretação de dados amostrais.

Tendo-se em conta que a Controladoria fornece bases conceituais para se exercer o controle do processo de gestão organizacional, ela tem que recorrer à Estatística para buscar conceitos relativos à coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados que servirão para estudar e medir, quantitativamente, os fenômenos relacionados a tal controle.

No que tange às áreas da Estatística enumeradas por Stevenson (1981), alguns exemplos de interface são:

- a Controladoria se vale dos conceitos da estatística descritiva para tornar mais fácil o relato, o entendimento e a discussão de dados referentes ao controle do processo de gestão;

- ao se considerar que uma das atividades do processo de gestão é o planejamento das ações futuras, a teoria da probabilidade oferece conceitos necessários à formação das bases teóricas da Controladoria relacionadas com essa atividade;

- no conjunto de conhecimentos que forma a base conceitual da Controladoria estão inseridos conceitos de inferência, uma vez que algumas das atividades de controle do processo de gestão podem ser realizadas por meio de amostragem.

De forma complementar, como se verá na Perspectiva 2, dentre as diversas funções da Controladoria está a mensuração dos eventos econômicos realizados em uma organização. Como produto de tal ação, a Controladoria fornece informações, as quais, na maioria das vezes, possuem caráter quantitativo. Nesse caso, os conceitos e ferramentas proporcionados pela Ciência Estatística terão um papel fundamental no conjunto de bases teóricas da Controladoria.

Além disso, o arcabouço teórico da Controladoria fornece subsídios para que as entidades realizem estudos de alternativas de decisões em condições de risco e incerteza e para a organização de processos ou sistemas de avaliação de desempenho. Para tanto, ela se vale de conceitos e instrumentos advindos da Estatística.

f) Matemática

Segundo Herrmann Jr. (1970, p. 26), “As Ciências Matemáticas têm por objeto as quantidades consideradas abstratas e independentemente das coisas.”

A relação de interface que existe entre Matemática e Controladoria está no fornecimento, pela primeira, de conceitos relativos a símbolos, métodos e valores numéricos para a base conceitual da segunda, especialmente porque no controle do processo de gestão organizacional se faz uso de quantificações físicas e monetárias.

g) Psicologia

De acordo com Spector (2002, p. 5), a “Psicologia é a ciência do comportamento humano (e não-humano), da cognição, da emoção e da motivação”, ou seja, é a ciência que se ocupa em estudar o comportamento do homem, em termos de suas motivações, de seus valores e de seus estímulos.

Para se entender a interface entre Psicologia e Controladoria, é preciso enfatizar que as organizações – onde são aplicados os conceitos de controle – não possuem vontade própria, isto é, os objetivos de uma organização são, na verdade, os objetivos dos seres humanos que a integram. Sobre isso, Anthony e Govindarajan (2001, p. 87) afirmam que uma empresa não

tem objetivos. “A empresa é uma entidade artificial sem intelecto nem habilidade para tomada de decisões, ela própria.” Dito de outra forma, significa que a organização é um ser inanimado.

Portanto, ao arcabouço teórico que forma a Controladoria devem ser incluídos os conceitos necessários para se estudar o comportamento humano, visto que, quando tal arcabouço é colocado em prática, na forma de funções e atividades de Controladoria, essa estará o tempo todo se relacionando com seres humanos e, por isso, ela precisará entender como eles se comportam.

Em verdade, a interface ocorre em razão de dois pontos: os seres humanos que fazem parte da organização ou que com ela se relacionam tomam decisões a todo o momento e, portanto, é fundamental entender a forma como se decide; as decisões, uma vez tomadas, provocam efeito comportamental que vai influir na forma de controle do processo de gestão organizacional. Em razão desses dois elementos, a Controladoria recorre à Psicologia para inserir em suas bases conceituais elementos que norteiem o entendimento de como se decide e do efeito comportamental das respectivas decisões.

h) Sociologia

Buscando entender o que significa a Sociologia, encontrou-se em Delorenzo Neto (1981, p. 11) que “A Sociologia estuda as formas fundamentais da convivência humana, tais como: contatos sociais, distância social, isolamento, individualização, cooperação, competição, controle, divisão do trabalho e integração social.” O autor complementa que a sociedade, a qual corresponde à soma das formas de convivência humana, é o objeto de estudo da Sociologia.

Horton e Hunt (apud BERNARDES, 1984, p. 18) afirmam que “A Sociologia concentra-se no estudo do conjunto de formas grupais da convivência humana.” Já o jurista Miguel Reale (1983, p. 19) explica que “[...] a Sociologia tem por fim o estudo do fato social na sua estrutura e funcionalidade, para saber, em suma, como os grupos humanos se organizam e se desenvolvem, em função dos múltiplos fatores que atuam sobre as formas de convivência.”

Tendo-se em conta que a Controladoria, quando vista de uma perspectiva prática, é desenvolvida no contexto das organizações, é importante ressaltar que “A Sociologia aplicada à Administração é o ramo da Sociologia que estuda a estrutura e a dinâmica dos sistemas sociais denominados empresas”, conforme assevera Delorenzo Neto (1981, p. 17).

Nessa linha de raciocínio, Guerreiro (1989, p. 171) afirma que um dos seis subsistemas que integram o sistema empresa é o subsistema social, o qual, segundo ele, “[...] diz respeito ao conjunto de pessoas da organização, bem como ao amplo espectro de características e variáveis associadas aos indivíduos.” Entende-se que é na consideração, pela Controladoria, do subsistema social que se dá fortemente a interface com a Sociologia.

Em suma, depreende-se, então, que a Sociologia se ocupa do estudo da sociedade e suas formas de se organizar, ou seja, se ocupa das relações sociais e da organização estrutural. Dentro desse escopo, tem-se que a Controladoria é um expediente do qual diversos grupos sociais se utilizam para se comunicar. Para exemplificar, tome-se o caso de que os seres humanos se reúnem em empresas para trocar recursos dos mais diversos tipos. Em suas relações de troca, as empresas precisam de informações sobre o desempenho umas das outras para que se sintam seguras nas negociações. Assim, a Controladoria, que fornece bases teóricas para a produção de tais informações, precisa ir à Sociologia para entender como a sociedade se organiza e poder oferecer seus subsídios à luz dessa forma de organização.

De forma complementar, destaca-se que dentro de uma entidade se estabelecem relações de autoridade, responsabilidade e poder. Há também processos de centralização e descentralização de funções. Esses aspectos estão relacionados com o processo de gestão organizacional, bem como ao processo de controlá-lo. Na verdade, a Sociologia se ocupa em estudar as formas de convivência que as organizações adotam.

Assim sendo, além de estar envolvida como participante dessas relações, a Controladoria também irá fornecer subsídios teóricos para que elas aconteçam. Dessa forma, há uma estreita relação entre Controladoria e Sociologia.