1. INNLEDNING
4.3 I NTERVJU
5.1.1 Prosjekt nr. 1
A empresa 1 é uma oficina de costura composta pela sociedade de duas participantes da incubadora da Escola Empreendedora de Corte e Costura da Fundação Jari.
Infraestrutura da Escola Empreendedora da Fundação Jari: Nas palavras da sócia
A: “Vou te dizer uma coisa, não tem lugar, estrutura, com todas as máquinas, como tem na fundação aqui nessa região. As máquinas são de primeira, tem todo tipo de máquina”.
A localidade também foi considerada adequada pela proximidade da residência da sócia A, que podia se deslocar a pé. Nas palavras dela, “se fosse mais distante, a condução até a fundação seria difícil, pelo custo da passagem de ônibus. Porém se é parte de um objetivo a gente não deixa”. A localização foi considerada adequada também pela sócia B, que podia se deslocar com uma condução de ônibus.
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Recrutamento e seleção: Ambas já realizavam outros cursos na Fundação Jari e
foram convidadas a participar da Escola Empreendedora de Corte e Costura. A sócia A iniciou a participação nos cursos da fundação por uma requisição do programa federal Bolsa Família, do qual era beneficiária por causa de uma das filhas. Já a sócia B estava desempregada e optou por conhecer os projetos da fundação.
Pré-incubação: O treinamento de corte e costura foi considerado ótimo e a percepção
foi de que resultou em um grande aprendizado. Na fala da sócia A: “geralmente, quando você vai para um curso, você só aprende o básico... você só vai aprender a peça, e para se aprimorar precisa da prática... e isso eles estão dando... de você fazer a prática... o desempenho depende só da pessoa querer crescer mesmo”. O curso foi realizado às segundas e quartas e já nesse período as sócias trabalhavam na incubadora todos os dias da semana. Nas palavras da sócia A: “o espaço já estava em nossas mãos. O grupo produtivo da incubadora veio acontecer em função dos grupos já organizados nos cursos anteriores”; “Havia as máquinas, que ficavam paradas por períodos, e a gente trabalhava”. A sócia A era responsável por algumas máquinas e pelo espaço.
Em relação à decisão de permanecer na incubadora ou entrar no mercado de trabalho, houve pessoas que fizeram a segunda opção. A sócia A disse que decidiu participar da incubadora por acreditar que seria possível construir a própria empresa. Nas palavras dela: “Eu acreditei que podia chegar a outro objetivo, que era esse que eu queria. As oportunidades para emprego fixo estão mais na cidade de São Paulo ou em algum outro local muito longe”. A sócia A tem família e preferiu abrir o próprio negócio para ficar mais perto do local de residência.
Primeiro e segundo ciclo de incubação: durante o período de incubação, foi recebido
apoio em relação ao cadastro de microempreendedor individual, assessoria contábil e tudo o que foi necessário para a abertura do negócio.
A planilha do Excel usada para precificar os produtos foi considerada boa, pois nela é possível visualizar todas as despesas, como custos com energia elétrica, aluguel e material. Ao final, com todos os dados preenchidos, a planilha apresenta o preço pelo qual a peça deve ser vendida.
Em relação às visitas aos fornecedores e clientes, as sócias acompanharam os coordenadores da fundação em algumas delas, pois havia um revezamento do grupo. Essa
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prática foi considerada boa por elas, pois recebiam orientações de como vender e negociar um produto.
A remuneração era dada por produção, cada costureira realizava uma etapa do trabalho e então era calculado o preço. Quem trabalhava mais ganhava mais, quem ficava menos tempo ganhava menos. Não havia uma regra da incubadora em relação ao tempo de trabalho, o horário era flexível. A sócia A coordenava o grupo e distribuía cada etapa do serviço e qual a remuneração. Nas palavras dela: “Mas a gente tem que saber lidar com todas essas dificuldades. A fundação ajudava a resolver os conflitos, intermediava. Os atritos aconteciam mais em relação à remuneração, quanto cada um vai ganhar... quem ganha mais, menos. Eu descrevia toda a etapa, fazia o cronograma, quantos minutos eram necessários para fazer cada etapa por peça, todo o planejamento da produção. Fazia uma média para saber quanto cada uma ia ganhar”.
As sócias formaram sua parceria por afinidade e pelo local de residência delas. O grupo ao qual pertenciam era composto de sete pessoas, que combinavam horário de trabalho, que normalmente era das 8h às 17h, exceto em alguns dias, em que uma ou outra não podia comparecer à incubadora. Estabelecer horário para o grupo viabilizava uma produção maior. Quando é possível, criar um grupo em que ocorre uma boa interação é um grande facilitador, pois durante o trabalho podem acontecer muitos atritos.
Em relação ao fundo de 10%, era realizado um caixa, que às vezes podia ser utilizado pela fundação para comprar material, sendo logo reposto. Como foi dito, esse valor é resgatado ao final da incubação. Toda a manutenção do espaço era realizada pela fundação, e isso estava incluído no preço de venda dos produtos.
Em relação às orientações e aos serviços prestados pela incubadora, no geral, as sócias consideraram ter aprendido grande parte do que é necessário saber para empreender e afirmaram que, enquanto se está dentro da incubadora, pode-se contar com a fundação sempre que houver qualquer coisa para aprender, como tempo para entregar um produto, realização de um produto em parceria com outras pessoas, negociação de novo prazo de entrega com os clientes, entre outros.
Como sugestão para melhorar o processo, elas acham necessário haver mais orientação sobre o trabalho em grupo. Nas palavras da sócia A: “Mesmo que o horário seja flexível, a pessoa tem que ter uma responsabilidade, que aquele horário ela tem que cumprir, porque com aquilo a gente faz um cronograma de entrega”. A sócia B sugeriu que houvesse uma regra a ser seguida em relação ao horário, para não comprometer a produção geral. Nas palavras dela: “Se você tem um produto para entregar, você tem que entregar. Se a pessoa
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começa a não vir no horário certo, compromete o cronograma. Isso sim, cada vez mais tem que trabalhar. Deixar o horário flexível prejudica o trabalho do grupo como um todo”.
De maneira geral, o forte da incubadora são as máquinas de primeira, a localização próxima à residência das participantes e as atitudes dos coordenadores para com as participantes. Nas palavras da sócia B: “A assistência deles é em tudo, em todas as etapas, desde a mão de obra, a parte jurídica, não deixam sem informação, é assistência mesmo”.
Em relação ao atendimento das expectativas anteriores à incubação, nas palavras da sócia A: “para mim foi até mais porque eu não fui lá por causa disso, mas para sair de dentro de casa mesmo. Eu não tinha o objetivo de chegar aqui. Meu objetivo era cumprir o que o Bolsa Família tinha mandado. Fui mudando minhas ideias, meu comportamento, fui criando”.
Sobre a permanência na incubadora, diz a sócia A: “É difícil chegar e precisa de persistência. No total foram cinco anos de fundação, desde os primeiros cursos na fundação. O apoio da família é necessário para conseguir concluir o ciclo de incubação. Porque na incubadora se ganha conforme a própria produção. Não é um salário fixo, às vezes em um mês se ganha bem, e em outro mês não. E aí você tem que ter persistência de estar lá dentro, se não... e o objetivo. É necessário ter objetivo e confiança nas pessoas que trabalham para a confecção do mesmo produto. O grupo [tem que] se formar com um objetivo inteiro. Cada uma fazer só sua própria produção não dá certo”.
Graduação: Na graduação, o fundo acumulado de 10% do valor das vendas durante o
período de incubação foi utilizado para comprar máquinas e deixar um capital de giro para a empresa, que foi instalada em um espaço alugado. Sobre o tempo incubado, nas palavras da sócia A: “Foi o tempo necessário. Ou você se acomoda lá, para ficar sempre lá, e não vai querer sair, ou você enfrenta. É o tempo necessário para você aprender. Ou você vai para o ramo de trabalhar fixo na firma ou você monta o seu [negócio]. É o tempo certo. Para mim foi. Eu sai com uma carga boa”.
Pós-incubação: O contato com a incubadora permaneceu após a graduação. Muitas
empresas clientes do atual processo da incubadora fazem pedidos de um mesmo produto em grande quantidade. Por esse motivo, as sócias operam, em alguns casos, em parceria com a fundação. Os pedidos são compartilhados com elas por causa do volume e por já terem empresa aberta, o que viabiliza a emissão de nota fiscal. O relacionamento se dá por meio do encaminhamento do pedido de produtos e da ajuda nas negociações com clientes e fornecedores, como na determinação do preço de venda do produto, na contabilidade e em
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assistências relacionadas à parte administrativa. Não é necessária mais a assistência em relação às técnicas de costura. Nas palavras da sócia A: “A gente ainda tá aprendendo. A gente deu o primeiro passo. Não faz nem um ano que saímos da incubadora, faz 10 meses. Quando a gente tem dúvida, a fundação ajuda. Quando precisa, pode utilizar as máquinas da fundação, sem custo”.
Resultado: O primeiro processo de incubação foi mais difícil, pois teve de conquistar
a confiança dos clientes. Era um grupo que estava começando, sem nota fiscal e sem empresa. Nas palavras da sócia A: “Agora já tem a porta aberta, o pessoal já acredita no projeto. Através do que a gente fez chegou a Petrobras para financiar o projeto de Corte e Costura. O nosso foi o mais difícil para entrar no mercado. Quando o primeiro jogo americano foi para o mercado, o pessoal acreditou que o projeto estava dando certo”.
Sobre o andamento do negócio atualmente, nas palavras da sócia A: “Agora eu negocio direto com a firma, já faço negócio direto com o fornecedor. Com o cliente também, diretamente... Não é fácil, não... eu não tinha muitas habilidades com as palavras, mas agora... aprendi muito na fundação. Eu era calada, agora que estou mudando aos poucos, aprendendo mesmo... Quando eu entrei, para eu falar uma palavra era difícil. Aí fui acostumando, ele foi levando a gente para falar, a gente aprende um pouquinho, vai gaguejando, mas aprende [risos]”.
Ambas as sócias são cadastradas como microempreendedor individual, e os produtos confeccionados são jogos americanos e uniformes industriais. O jogo americano foi estudado e trabalhado durante um ano para se chegar ao modelo comercializado atualmente. Nesse período foi verificado que o produto poderia chegar ao preço de venda e com tempo de produção possível para cumprir o prazo de entrega solicitado pelo cliente. A primeira estampa foi utilizada nos dois primeiros anos de produção e atualmente há outra estampa sendo utilizada. As vendas para os clientes acontecem mensalmente.
Nas palavras da sócia A: “No fim eu fiquei sem o Bolsa Família, mas não fiquei sem emprego [risos]. Aprendi e progredi. Através do Bolsa Família eu cheguei ao meu empreendimento”. Nas palavras da sócia B: “Hoje o negócio vai bem, tem as dificuldades, mas vai continuar, a gente vai trabalhando conforme a demanda. Tem cinco clientes e três fornecedores. A incubadora foi fundamental, a incubadora nos orientou muito em todas as partes, as etapas”.
Impacto: Nas palavras da sócia B: “eu sempre trabalhei para outras pessoas, sempre fui funcionária. O meu conhecimento está valendo hoje porque eu abri o meu próprio negócio.
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Eu tenho alguns conhecimentos e posso botar em prática dentro da minha empresa”. A renda da sócia B não melhorou em relação ao seu último emprego. O motivo de sua entrada na incubadora foi o desejo de conhecer o projeto e realizar o curso. Nessa época, ela estava desempregada.
Nas palavras da sócia A: “a renda mudou, melhorou. Primeiro eu não ajudava na família, o Bolsa Família é só um... Agora eu já tenho um salário. Esse ano a gente já está conseguindo tirar um salário todo mês. Isso já ajuda para dividir, comprar alimentação, pagar uma conta, comprar um vestido, uma roupa, um calçado para o filho, ajuda. A sensação de ter o próprio negócio é de ter muita dúvida, mas a sensação de ver que estamos conseguindo é boa. A família está começando a entender que eu estou ganhando, porque no início era difícil entender. Agora que eu estou ajudando, estão vendo que está progredindo. Estão entendendo que é uma firma, não é um bico”.
4.5. Empresa graduada 2
A empresa graduada 2 é composta de duas participantes, mãe e filha, que foram
chamadas de sócia C e sócia D, respectivamente, da incubadora da Escola Empreendedora de Corte e Costura da Fundação Jari. Atualmente, produzem capas para máquinas de lavar roupa. Já produziram bolsas de TNT para campanhas promocionais de lojas, porém não receberam mais pedidos dessas bolsas. A sócia C trabalhava como empregada doméstica e a sócia D estava desempregada (anteriormente, era atendente de uma empresa que fornecia serviço de guincho para automóveis). A sócia C concluiu o ensino fundamental II em 2014 e iniciará o ensino médio neste ano. A sócia D concluiu o ensino médio.
Infraestrutura da Escola Empreendedora da Fundação Jari: a infraestrutura
oferecida durante o curso foi considerada positiva pelas sócias. Durante o período de incubação, as sócias não ficavam com a chave da incubadora, pois havia outra pessoa no grupo responsável por isso. O deslocamento até o local da incubadora era realizado por meio de ônibus, uma forma de transporte rápida mas que não era de fácil acesso para as sócias, que precisavam caminhar até uma rodovia para pegar o ônibus. Ainda assim, as sócias afirmaram que, se a incubadora fosse em um local mais distante, teriam participado de todo o processo, pela oportunidade do aprendizado.
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Recrutamento e seleção: as sócias tomaram conhecimento do curso de corte e costura
por meio da leitura de um anúncio publicado em um jornal local. Elas se inscreveram, participaram de uma palestra explicativa sobre o curso e o possível processo de incubação e foram selecionadas para participar uma semana após o início do curso, devido à desistência de pessoas selecionadas primeiramente.
Pré-incubação: no curso de corte e costura as sócias aprenderam a manusear
diferentes tipos de máquinas de costura, uma vez que já possuíam conhecimento básico de costura. Durante o curso, muitos participantes conseguiram emprego em empresas locais e optaram por trabalhar como assalariado. As duas sócias optaram pela entrada no processo de incubação, porque já tinham a ideia de montar a própria empresa.
Primeiro e segundo ciclo de incubação: durante o período de produção na
incubadora, as sócias não possuíam cadastro de microempreendedor individual e recebiam o pagamento pela sua produção através de outra participante da incubadora que já possuía o cadastro. Durante o processo de incubação, por diversas vezes, receberam orientação dos profissionais da incubadora para regularizar o cadastro. Essa orientação foi considerada boa e bem explicativa e não restou dúvida sobre o processo de regularização do empreendimento. Todos os serviços recebidos foram considerados satisfatórios pelas participantes, e o fundo de 10% considerado bom. A sócia C acompanhou o gerente da incubadora em uma visita a um cliente e achou a oportunidade boa. A planilha de precificação também foi considerada um bom instrumento para definir o valor de venda do produto.
O conflito entre as participantes da incubadora foi citado como um ponto de observação, que deve ser melhorado em um processo futuro. Conflitos ocorriam devido à divisão do trabalho, que era sempre realizado em conjunto, e à carga horária escolhida pelas participantes, o que impactava a produção de todo o grupo. As reclamações atrapalhavam o ambiente de trabalho e a própria produtividade do grupo.
As sócias afirmaram que muitos participantes da incubadora saíram no meio do processo por terem recebido convites de empresas locais para trabalhar como assalariado.
Graduação: As sócias ainda não resgataram o fundo de 10% por decisão própria, e
sabem que o valor está guardado e disponível para resgate quando quiserem. Elas já possuíam três máquinas e adquiriram outras duas com a renda de um seguro recebido pela sócia C, devido a um acidente ocorrido com um dos filhos.
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Pós-incubação: As sócias não utilizam a planilha para precificação do produto
produzida pois não a consideram necessária no momento; o cálculo do valor de venda é realizado de maneira manual. Em relação à demanda, também recebem pedidos de trabalho da incubadora. O relacionamento com ela se mantém ativo, e, quando não há serviço, as sócias entram em contato com a incubadora para verificar se há pedidos que podem ser passados para elas.
Resultado: As sócias, atualmente, possuem três clientes. Um deles é a própria
incubadora, que compartilha com elas pedidos de seus atuais clientes; outro cliente solicita capas para máquinas de lavar roupa; e o terceiro ainda é potencial, estão em fase de negociação. As sócias ainda não fizeram cadastro como microempreendedor individual, pois possuem mais de três máquinas e têm de regularizar a empresa como microempresa. Porém, essa regularização implica obrigatoriamente a contratação de um contador, e os altos custos desse serviço fazem com que ainda estejam trabalhando na informalidade. Por diversas vezes, receberam a orientação dos profissionais da incubadora para regularizar o cadastro da empresa.
A demanda é considerada fraca e às vezes passam um mês sem que um único pedido seja feito. Mas as sócias consideram que costurar é um serviço que não falta e é uma opção para pessoas com mais de 40 anos de idade. O objetivo das sócias é consolidar a empresa, e não fechá-la.
Impacto: A renda obtida com a confecção de produtos é superior à renda que a sócia
C obtinha anteriormente como empregada doméstica. O horário flexível de trabalho foi considerado vantajoso pelas duas sócias, que afirmaram que, por terem o próprio negócio, a sócia C pode programar uma consulta médica, o que não era possível quando trabalhava como empregada doméstica. Para a sócia D, a renda também melhorou bastante.