1. INNLEDNING
3.6 A NSKAFFELSER
Neste capítulo serão apresentados o método e os procedimentos adotados nesta pesquisa para atingir o objetivo geral e os objetivos específicos propostos para este trabalho, que podem ser divididos em duas etapas.
Na primeira etapa, foi realizada uma pesquisa exploratória sobre o tema negócio social a partir do conhecimento da existência de bancos comunitários no Brasil e do Banco Grameen e também, por meio desse estudo, pela descoberta de um modelo de negócio cuja existência é benéfica especialmente para pessoas em condições vulneráveis.
Devido ao interesse nesse novo modelo de negócio, foi possível identificar uma das concepções de negócio social, a de Muhammad Yunus, e em seguida a outras perspectivas ao redor do mundo, além da constatação da imprecisão nas denominações dos negócios – o mesmo termo pode ser utilizado para se referir a negócios com características diferentes, e negócios com características iguais podem receber mais de um nome. Além disso, foi possível identificar, por meio de pesquisa em sites e artigos acadêmicos que abordam o tema do negócio social, que incubadoras de empresas no Brasil também criam seus próprios conceitos de negócio social e trabalham para desenvolver iniciativas sociais. São as chamadas incubadoras sociais.
Foi então iniciado um trabalho de levantamento de informações sobre as incubadoras de empresas. Com a exploração desses dois temas, surgiu a pergunta de partida: como se dá a atuação de incubadoras sociais de negócios inclusivos?
A partir dessas constatações e da pergunta de partida, delimitou-se a pesquisa bibliográfica e documental para a elaboração de um capítulo teórico sobre negócios inclusivos (e variações do termo) e de um capítulo sobre incubadoras de empresas, para serem utilizados como uma lente teórica para a condução do estudo empírico, conforme indicado por Creswell (2007 apud CRESWELL, 2010). Em seguida, estabeleceu-se a proposição da pesquisa: as práticas das incubadoras de empresas de base tecnológica e tradicional não são suficientes para as necessidades de uma incubadora social.
Na segunda etapa, foi realizada uma pesquisa empírica com a incubadora social da Escola Empreendedora de Corte e Costura da Fundação Jari, localizada no município de Suzano, em São Paulo, e duas empresas graduadas do primeiro ciclo de incubação, com a finalidade de analisar a atuação de uma incubadora social de negócio inclusivo por meio de suas atividades, resultados e impactos sociais, a partir da comparação da percepção do
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coordenador da incubadora e dos gestores das duas empresas incubadas (o que corresponde ao objetivo geral deste trabalho).
Para isso, optou-se por uma abordagem “qualitativa” (Severino, 2007, p. 119), que, segundo Flick (2000 apud Günter, 2006, p. 202), aponta “a primazia da compreensão como principio do conhecimento, que prefere estudar relações complexas ao invés de explicá-las por meio do isolamento de variáveis”. Segundo Creswell (2007 apud Creswell, 2010), a pesquisa qualitativa possui as seguintes características, entre outras, que são importantes e consideradas para o presente estudo:
é utilizada uma lente teórica para conduzir o estudo (no caso do presente trabalho, essa lente corresponde aos capítulos sobre negócios inclusivos e incubadoras de empresas); o pesquisador é um instrumento fundamental para coletar os dados, por meio da consulta
a documentos e da entrevista direta com os participantes; o pesquisador elabora seu próprio roteiro de entrevista;
o plano da pesquisa pode ser alterado durante o processo, caso seja adequado para melhor coletar os dados;
deve-se identificar o significado que os participantes dão ao tema estudado, e não apenas considerar o significado que os pesquisadores expressam sobre o assunto;
os dados são examinados e deles são extraídos os sentidos;
a análise dos dados é interpretativa e não pode ser desvinculada da origem, história e conhecimentos anteriores do pesquisador.
3.1. Estratégia de investigação da pesquisa empírica
O método adotado para a pesquisa qualitativa é o estudo de caso, pois:
A essência de um estudo de caso, a tendência central entre todos os tipos de estudo de caso, é que ele tenta iluminar uma decisão ou conjunto de decisões: por que elas são tomadas, como elas são implementadas e com que resultado (SCHRAMM, 1971 apud YIN, 2010, p. 38).
De acordo com Yin (2010), esta pesquisa é um estudo de caso único integrado. É único, pois trata da análise de uma única incubadora, a Escola Empreendedora de Corte e Costura da Fundação Jari, e integrado, pois também analisa, além da incubadora, outras duas empresas que nasceram por meio dela. Para Yin, admite-se o estudo de caso único quando se trata de um estudo revelador. Incluir as empresas graduadas no estudo de caso da incubadora
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é relevante pois o estudo integrado “permite que seja desenvolvido um projeto mais complexo” (YIN, 2010, p. 76).
Para a seleção do estudo de caso, a autora utilizou a ferramenta de busca do Google com as palavras-chave “incubadora social”, “incubadora negócio social” e “incubadora negócio inclusivo”. Em seguida foram realizados contatos telefônicos com as incubadoras localizadas na cidade de São Paulo para identificar o tipo ou modelo de negócio social desenvolvido por elas. A busca estava centrada em uma incubadora que incluísse pessoas em condição vulnerável no sistema produtivo e não pertencesse à economia solidária. Nesse processo, as próprias incubadoras contatadas indicaram outras incubadoras. Porém, o objeto de estudo desta pesquisa, a incubadora da Escola Empreendedora de Corte e Costura da Fundação Jari, foi identificado durante uma visita informal a outra incubadora de negócio social (do tipo I de Yunus), na qual a incubadora estudada participava de um processo de incubação.
A incubadora da Escola Empreendedora de Corte e Costura da Fundação Jari foi selecionada por caracterizar-se como uma incubadora social que desenvolve empreendimentos cujos proprietários são prioritariamente pessoas que estavam em condições de vulnerabilidade social. Além disso, a incubadora já concluiu um ciclo de incubação, e as empresas graduadas estão no mercado há nove meses, sendo assim possível analisar as práticas da incubadora, bem como os resultados do ciclo e os impactos até o momento, da perspectiva da incubadora e de duas empresas já graduadas. Outro fator de seleção dessa incubadora foi a pronta disponibilidade de um dos coordenadores em participar da pesquisa, além da facilitar o contato com as empresas graduadas, que serão chamadas neste trabalho de empresa 1 e empresa 2.
3.2. Método para coleta de dados
Para a coleta dos dados, trabalhou-se com dados primários e secundários. Os dados secundários da incubadora foram obtidos por meio do site da organização, no qual foi possível identificar o ano de fundação, os princípios, os objetivos, a abrangência, uma breve descrição da implantação de uma nova incubadora e o projeto que serviu de referência ao projeto que é objeto de estudo desse trabalho.
Os dados primários da incubadora foram obtidos por meio da realização de uma entrevista com um roteiro semiestruturado (Anexo 7), com 12 questões previamente definidas com base no referencial teórico, no conhecimento prévio da autora e nos objetivos geral e
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específico deste trabalho; algumas questões foram modificadas e outras foram inseridas durante o processo, de modo a não se interromper a fala do entrevistado e facilitar a obtenção das informações desejadas. A entrevista com o coordenador da incubadora foi realizada em 19 de novembro de 2014 e teve duração de aproximadamente 50 minutos, em um local na cidade de São Paulo não vinculado à incubadora, pois aproveitou-se a oportunidade de o coordenador estar na cidade de São Paulo (local de residência da autora). Durante a entrevista foram coletados os dados relativos às etapas do processo de incubação, às práticas da incubadora nas etapas e ao número de empresas graduadas. Ainda sobre a incubadora, uma visita foi realizada pela autora no dia 9 de dezembro de 2014, para verificar e fotografar sua infraestrutura (Anexos 9 a 13).
Em relação aos dados das empresas graduadas, todos são primários. Por meio da realização de entrevistas também feitas pela autora deste trabalho, foi possível obter as informações sobre as empresas, bem como as percepções de suas gestoras em relação à incubadora.
As entrevistas com as gestoras das empresas graduadas foram realizadas nas próprias empresas 1 e 2, também com base no referencial teórico deste trabalho, no conhecimento prévio da autora, nos objetivos geral e específico e nas respostas obtidas na entrevista com o coordenador da incubadora sobre as práticas, resultados e impactos da incubadora. A entrevista com a empresa 1 foi realizada em 29 de novembro de 2014, com duração aproximada de 40 minutos, e a entrevista com a empresa 2, em 9 de dezembro de 2014, com duração aproximada de 30 minutos. Em ambos os casos foi utilizado um roteiro semiestruturado com 24 perguntas (Anexo 8) para guiar a conversa, porém ele foi utilizado apenas para garantir que nenhum ponto que se pretendia cobrir estava sendo esquecido. Pode- se dizer que a entrevista ocorreu mais como uma conversa informal.
Antes da realização das entrevistas, as pessoas entrevistadas foram avisadas de que os dados coletados seriam utilizados neste trabalho e foram colhidas pela autora autorizações assinadas pelos participantes para a utilização dos dados.
3.3. Procedimento de transcrição das entrevistas e apresentação e análise dos dados
As entrevistas foram transcritas de maneira a representar a fala dos entrevistados, e somente após a transcrição foram realizadas correções ortográficas e gramaticais a fim de facilitar a leitura e o entendimento dos dados. Nomes próprios de empresas citadas foram substituídos pelos termos “a empresa” ou “essa empresa”. Após a transcrição, a autora
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eliminou as informações repetidas que foram apresentadas ao longo das entrevistas e agrupou as informações de acordo com categorias criadas com base no referencial teórico e nos objetivos geral e específico, são elas: infraestrutura, etapas do processo de incubação e as práticas dessas etapas, resultados da incubadora e impactos da incubadora. Essas categorias serviram de base também para a análise dos dados.
As informações obtidas pelo coordenador da incubadora foram confrontadas com as recebidas dos participantes das empresas graduadas, por categorias, de modo a verificar se a percepção do coordenador da incubadora correspondia à percepção das gestoras das empresas graduadas. Além disso, as concepções teóricas apresentadas no capítulo 1, sobre incubadoras de empresas, e no capítulo 2, sobre concepções de organizações privadas com objetivos sociais e, especialmente, as melhores práticas, infraestrutura e serviços esperados, foram confrontadas com os dados obtidos para analisar a própria ação da incubadora e os resultados e impactos obtidos.
Para analisar os dados, optou-se pela estratégia analítica, que considera a proposição teórica, uma vez que a proposição ajuda “a focar a atenção em determinados dados e a ignorar outros” (YIN, 2010, p. 159).
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4. O ESTUDO DE CASO: A INCUBADORA DA ESCOLA EMPREENDEDORA DE