Diferentes factores contribuem para eficácia do ataque e, dado que o objectivo do jogo é marcar golo, as atenções dos analistas cedo se centraram no processo ofensivo, tentando estudar e perceber o que contribui para a eficácia da equipa que ataca.
Para Latiskevits (1991) existem diferentes factores que influenciam a eficácia do jogo no ataque, nomeadamente:
1) O ritmo das interacções dos atacantes.
2) A longitude da cadeia das acções consecutivas dos atacantes. 3) Continuidade das acções.
4) A variedade das acções. 5) A complexidade das acções.
Mraz (1989, cit. Sequeira, 1997), para analisar o ataque durante os Jogos Olímpicos de Seul, considerou as seguintes variáveis: os sistemas defensivos utilizados pelos adversários; as acções ofensivas individuais; as combinações preparatórias; as combinações para remate, os livres de 9 metros e o jogo em superioridade numérica.
Antón Garcia (1991) procurou estabelecer correlações entre a utilização mais ou menos equilibrada dos diferentes meios tácticos de grupo e a própria eficácia do jogo colectivo no ataque. Os resultados obtidos permitiram ao autor salientar que o meio táctico de base mais utilizado foi o cruzamento, com valores que oscilaram entre 50% (Cuba) e 25% (Roménia), tendo a Coreia do Sul e a Roménia sido as únicas equipas que registaram uma utilização do cruzamento inferior a 33%, sobre o total de meios tácticos utilizados.
A Coreia do Sul e a França foram as únicas equipas que deram, no seu jogo, maior importância a outro meio táctico. No caso francês, às cortinas e, no caso da Coreia, às penetrações sucessivas.
Os cruzamentos tiveram nos centrais os seus iniciadores em benefício dos laterais12, principalmente o lateral direito; os bloqueios, foram fundamentalmente executados pelos jogadores segundas linhas, em especial o pivot, ou outro jogador que tinha entrado a segundo pivot, também em benefício dos laterais.
Ribeiro & Silva (2002) procuraram caracterizar o processo ofensivo em Andebol, na sua fase de ataque posicional, das equipas de alto nível mundial, observando e analisando sequências tácticas que originaram golo, verificando a existência, ou não, de um padrão de conduta entre as zonas de onde o golo foi obtido e as acções de ruptura que lhes poderão estar na origem.
De acordo com os resultados obtidos, concluíram que as penetrações sucessivas constituem uma conduta excitatória da obtenção do golo na zona dos extremos, tal como o cruzamento e a permuta na obtenção do golo na primeira linha e o bloqueio na obtenção do golo na segunda linha.
Constataram ainda que o ataque posicional é a fase de jogo onde se regista o maior número de golos marcados; que as acções de ruptura defensiva são realizadas, em primeira instância, à custa dos meios tácticos de grupo ofensivos, seguidas das acções individuais; a maioria dos golos obtidos pelas equipas resulta de remates realizados na primeira linha, na zona central; e por último, as penetrações sucessivas são a acção de ruptura que mais se evidencia na obtenção do golo.
12 O cruzamento, meio táctico ofensivo, pressupõe e exige para ser utilizado com sucesso, que o jogador com bola (jogador iniciador) demonstre uma intenção de rematar, utilizando uma trajectória de ataque à baliza, fazendo a fixação do seu adversário e protegendo a bola, faça finta de remate e de deslocamento seguida de mudança de direcção e passe para o colega que, beneficiando da sua acção e
Garrido (2003) observou e analisou as acções (tipo e número de acções) que a equipa com bola realiza em cada jogo, durante os jogos das meias – finais e a final do Campeonato do Mundo 2003. Dos dados que foram obtidos, destacam-se os seguintes:
a) A relação entre o número de ataques e a sua eficácia, em que as equipas com um maior número de posses de bola são as que apresentam uma menor percentagem de eficácia.
b) A média de ataques necessários para obter um golo foi menor na final (2,08) do que nos jogos das meias – finais (2,57 e 2,47). Estes resultados significam que o ataque no jogo da final teve uma eficácia maior, com menor número de perdas da bola, e que as equipas que necessitam de um menor número de ataques para conseguir marcar golo têm menos perdas de bola e as que necessitam de um maior número de ataques têm mais perdas de bola (ver Quadro 15).
Quadro 15 – Valores médios observados por Garrido (2003). Valor médio total
Nº de ataques 63,3
Nº de remates 49,3
Nº de golos marcados 27
Nº de perdas de bola 36,3
Nº de ataques necessários para realizar o remate 1,28 Nº de remates necessários para marcar golo 1,84 Nº de ataques necessários para marcar golo 2,37
Para analisar a eficácia no ataque, habitualmente são utilizados dois coeficientes: um referente à Eficácia ofensiva absoluta (número de golos/ número de ataques x 100) e outro referente à Eficácia ofensiva relativa (número de remates / número de ataques x 100).
Barbosa (1999) refere diversos estudos que utilizam como indicadores as eficácias ofensivas absoluta e relativa, tanto valores médios totais, como valores médios referentes às situações de jogo em superioridade, igualdade e inferioridade numérica (Pontes, 1983; Espeçada e Cruz, 1984; Garcia, 1994; Silva, 1998). O mesmo autor diz ter encontrado, em outros estudos, valores de eficácias ofensivas que se reportavam aos métodos de jogo utilizados, bem como outros que referem a eficácia de remate.
Outro indicador utilizado na eficácia do ataque é o relativo ao número de perdas de bola por falhas táctico-técnicas: no passe e recepção, no drible, na infracção da regra dos três segundos, violação da linha da área de baliza, regra dos passos e falta
atacante. Garrido (2003) refere que as equipas observadas, semifinalistas e finalistas do Campeonato do Mundo 2003, perdiam a bola em média sete vezes por erros no passe e drible e outras sete vezes em média por infracções ao regulamento.
Antón Garcia (2005), ao construir uma escala comparativa de rendimento entre diferentes variáveis do jogo, refere que o número de “perdas de bola” pode oscilar entre quatro e vinte e quatro, defendendo que o nível médio e minimamente aceitável para uma equipa se situa em treze, o que numa escala de zero (0) a dez (10) pontos significaria cinco pontos. No entanto, este autor alerta para o facto de o número de perdas de bola variar com o posto específico, face a diferentes níveis de participação com bola no jogo. Para Antón Garcia (2005), uma equipa que registar 24 perdas de bola será uma equipa com um ataque desastroso, o que a impossibilitaria de ganhar o jogo, a menos que o seu adversário se aproxime igualmente de tal valor.