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A defesa representa a situação táctica de jogo no qual uma equipa luta para não permitir que os adversários obtenham golos (a defesa da baliza); para entrar na posse da bola (entrada na posse da bola) com vista ao empreendimento de acções ofensivas, sem cometer infracções; adaptando-se à especificidade do ataque, tomando as medidas adequadas a contrariar a iniciativa e a qualidade do ataque adverso, devendo ser organizada de acordo com o sistema e orientação do ataque próprio (adaptação da defesa à especificidade do ataque adversário e próprio); devendo ter um pronunciado e permanente carácter colectivo (entreajuda); de modo a obrigar o adversário a cometer quer erros sancionados pelo regulamento, quer erros de orientação (obrigar o adversário a cometer erros e tirar partido destes), como refere Teodorescu (1984) ao enumerar os princípios da defesa. A luta pela entrada na posse da bola, princípio característico de uma defesa moderna, pressupõe a intenção de resposta ao ataque, a ideia de contra-ataque, segundo o mesmo autor.

As equipas, quando nenhum dos seus jogadores está de posse da bola, procuram de imediato lutar com o portador da mesma, disputando-a, impedindo ou dificultando a sua progressão ou cooperação com os companheiros. Se o êxito deste comportamento for parcial, ou seja, conseguir apenas parar os atacantes, ou retardar a sua progressão, obrigando-os a um jogo de ataque organizado e estruturado, então organizam-se de modo a garantir as melhores condições de luta com o adversário, pela conquista da posse da bola e pelo espaço mais próximo da sua baliza, garantindo as melhores condições para cooperarem entre si.

Essa forma de organização é designada “defesa em sistema” (Ghermanescu, 1976), ou “defesa propriamente dita” (Teodorescu, 1984). O sistema defensivo é referenciado pelo número de jogadores que ocupam as diferentes posições em cada linha defensiva, as quais significam apenas a disposição inicial dos jogadores no terreno de jogo.

Segundo Teodorescu (1984), os sistemas de jogo traduzem a forma geral de organização de uma equipa, as estruturas das acções na defesa e no ataque, a partir

das quais se estabelecem missões precisas e princípios de circulação e colaboração em torno de um dispositivo previamente estabelecido.

No Andebol actual, os sistemas defensivos são cada vez mais flexíveis (Sousa, 2000) e activos, procurando os jogadores defensores intervir sobre a equipa portadora da bola, de modo a recuperá-la o mais cedo possível, actuação que podemos traduzir no “atacar o ataque”.

A eficácia na defesa é um dos indicadores que, na opinião dos especialistas inquiridos por Prudente et al. (2004), juntamente com a “Eficácia no remate” e “Eficácia no contra-ataque”, revelam importância na análise do rendimento das equipas em competição, logo após a “Eficácia do guarda-redes”.

A influência da eficácia do guarda-redes na eficácia defensiva, tal como desta sobre a eficácia do guarda-redes, é um facto sobejamente assinalado (Antón Garcia, 1994, 2002; Constantini, 2003; Czerwinski, 1991, 1998; Medina, 2003). Especialistas como Cercel (1980) e Czerwinski (1991) referem a importância da acção do guarda- redes para a eficácia defensiva, justificando-a com o facto dos erros defensivos serem frequentes. Como demonstram os resultados obtidos por Cercel (1980): 43% dos golos sofridos ocorreram com os defensores nos seis metros; 22% foram obtidos de sete metros; 16% na sequência de erros cometidos na recuperação defensiva; 9% por erros na marcação aos extremos; 6% aos pivots e 4% dos golos foram obtidos de lançamento livre.

A eficácia do guarda-redes em resposta aos remates de primeira linha é um indicador da eficácia defensiva, já que espelha o nível de cooperação guarda-redes/ defensores, sendo referido por Silva (2000) e por Magalhães (1999) como um indicador de sucesso das equipas.

Para a eficácia defensiva, contribuem também o maior ou menor número de erros defensivos cometidos pelos jogadores de campo, não só relativamente à luta directa com um adversário, mas também às falhas ocorridas durante a cooperação entre defensores, como por exemplo as resultantes de falha de comunicação, de atraso na troca de marcação, ou de utilização não adequada de qualquer outra forma básica de cooperação.

Antón Garcia (2005) refere os erros defensivos como variáveis de rendimento, apontando os erros que ocorrem no 1x1, os erros na saída do defensor ao rematador, ficando a uma distância insuficiente e permitindo um remate sem o rematador ser

a recepção e remate ou terminam em sanções disciplinares e marcação de livres de sete metros, os erros ocorridos nas trocas de adversário, que permitem ao atacante rematar sem oposição e ainda as intercepções falhadas. O mesmo autor refere ainda as recuperações da bola – blocos ao remate, intercepções, provocação de erros de passe ou recepção e provocação de faltas atacantes – como indicadores do rendimento defensivo e que contribuem para a eficácia na defesa.

Também Sousa (2000) analisou os erros defensivos utilizados como indicadores do rendimento defensivo, nomeadamente os erros: no bloco, na ajuda, na troca de marcação, no controle defensivo, no deslizamento, no deslocamento, na provocação de um livre de sete metros e na deficiente recuperação defensiva.

O “roubo de bola” (intercepções do passe e o desarme durante o drible), e os “remates blocados” são outros indicadores utilizados na análise do rendimento na defesa, sempre presentes nas estatísticas oficiais dos Campeonatos do Mundo e dos Campeonatos da Europa.

Habitualmente, para quantificar o rendimento defensivo recorre-se ao coeficiente de eficácia absoluta referente ao número de golos sofridos/número de sequências defensivas x 100 e ao índice de eficácia relativa, referente ao número de golos sofridos/número de remates sofridos x 100. Estes coeficientes, que espelham o resultado final da actividade defensiva durante o jogo, não permitem, só por si, uma análise qualitativa, de modo a perceber como se construiu esse resultado final.