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Lindstrøm and Holler versus Evensen and Lange

Durante uma sequência ofensiva, ao mesmo tempo que uma equipa ataca, a outra tenta recuperar a posse da bola, impedir a progressão do adversário para a sua baliza ou, no mínimo, tenta atrasar essa progressão, atacando e lutando directamente com o jogador portador da bola e com recurso a comportamentos no limite do regulamento, sancionados com lançamentos livres, cometendo faltas, que lhes permitem inclusive parar o ataque adversário.

Se é verdade que, em alguns momentos do jogo (situações de inferioridade numérica, de vantagem no marcador perto do final da primeira parte ou do jogo), as equipas tentam prolongar o tempo de ataque o mais possível, procurando a falta de modo a manter a posse desta sem incorrer em jogo passivo, a verdade é que, durante o jogo, a equipa que ataca tem como preocupação garantir a fluidez das acções ofensivas.

A fluidez das acções ofensivas é importante para garantir a eficácia do ataque, procurando este que as suas acções não sejam interrompidas pelos defensores, porque se tal suceder a vantagem será da defesa, que terá assim possibilidade de se colocar no terreno de jogo, tanto individual como colectivamente.

A quantidade de interrupções originadas pelo comportamento dos defensores é suficientemente elevada para merecer a atenção dos treinadores e investigadores, relativamente à sistematização do jogo a partir destas situações, bem como ao estudo da sua influência no rendimento do ataque. Almeida (2004) ao observar 2175 ataques posicionais, referentes a 30 jogos da Primeira Divisão de Elite da época 2001/2002, registou 1471 livres de nove metros assinalados, um número inferior ao referido por Garcia (1998), embora a média de ataques posicionais por jogo seja semelhante em ambos os estudos. Segundo Almeida (2004) apenas 15,2% dos livres são marcados com intenção táctica, enquanto os restantes correspondem a uma mera reposição da bola em jogo, o que confirma os dados de Garcia (1998) que, no entanto, obteve no seu estudo um valor inferior para os livres de nove metros marcados com intenção táctica (7,3%).

Alonso (1995) refere-se ao desaparecimento, na prática, do aproveitamento do “livre de 9 metros” como meio táctico ofensivo, afirmando que a grande maioria das equipas nunca o utiliza, com excepção das situações limite e com pouca convicção,

devido à escassa preparação. No entanto, este autor refere que outras equipas o utilizam com alguma frequência, e com resultados bastante positivos, e até com um índice de eficácia superior ao obtido com o seu ataque posicional.

Alonso (1995) analisou a utilização do “livre de 9 metros” durante o Campeonato da Europa de 1994, e, ao constatar a sua pouca utilização, refere que talvez esse facto tenha a ver com as condições que se requerem para obter rendimento do “livre de 9 metros”, nomeadamente a condição que considera principal: a presença de um jogador brilhante no remate que obrigue a defesa a estar muito preocupada com a sua acção e, por isso, este jogador consiga criar situações de superioridade numérica ofensiva, concentrando em si as atenções de vários defensores e gerando possibilidades de actuação para os restantes colegas de equipa, dando lugar à utilização dos meios tácticos de base como cruzamentos, bloqueios, “passe e vá”, penetrações sucessivas e cortinas.

A constatação da pouca utilização do “livre de 9 metros” leva este autor a interrogar-se sobre a necessidade de reflectir sobre o quadro das sanções técnicas, dado que o ataque não sabe ou não quer deles fazer uso como arma ofensiva e o defensor parece ter como grande objectivo provocar livres de nove metros, para romper e desequilibrar a acção atacante.

O trabalho de Almeida (2004) parece reflectir alguma reabilitação na utilização do “livre de 9 metros” como sendo uma situação vantajosa do ponto de vista ofensivo, confirmando a constatação de Spate (2001), que registou no Campeonato do Mundo de 2001, o renascer da utilização táctica deste lançamento livre.

As situações de “livre de 9 metros” no Campeonato português de 2001/02, em média, atingiram quase os cinquenta (50) por jogo, valor inferior ao registado por Garcia (1998) que obteve uma média de setenta e seis (76) por jogo e trinta e oito (38) por equipa.

A zona central do campo é aquela onde existe maior número de marcação de faltas para “livre de 9 metros”, sendo também a zona que se destaca na marcação de livres com intenção táctica e que resultam em maior número de golos (Almeida, 2004; Antón Garcia, 1998).

A distribuição dos livres de nove metros com intenção táctica por período de dez minutos é maior no final da primeira parte, sendo, no entanto, o seu aproveitamento

(1998) que refere ser no começo da primeira e segunda partes que existe tendência para as equipas tentarem utilizar esta possibilidade táctica.

Relativamente à eficácia na utilização deste meio táctico, não se pode afirmar que seja muito efectiva. Os dados que encontrámos referem valores que diferem, caso de Almeida (2004) que registou uma eficácia de 35% dos livres marcados com intenção táctica, ou seja, que resultaram em golo, enquanto Antón Garcia (1998) registou uma eficácia inferior, de apenas 15,9% nos jogos da Liga espanhola.

Utilizando outro critério de êxito que não apenas o golo, Garcia Herrero (1999) obteve uma eficácia de 35,2% nos jogos do Campeonato do Mundo de 1999, referente igualmente aos livres de nove metros utilizados como meio táctico. No entanto, este autor considerou critério de êxito igualmente o facto de o livre terminar com a marcação de um livre de sete metros ou uma exclusão de um adversário.

A marcação, bem como, a forma de organização utilizada no “livre de 9 metros”, também constituíram objecto de estudo (Marczinka, 1993; Antón Garcia, 1998; Almeida, 2004), podendo distinguir-se dois modelos distintos na forma de marcar: um em que a equipa procura o remate directo e outro em que existe uma tentativa de remate após um ou vários passes.

De acordo com Marczinka (1993) a tentativa de realizar o remate directo, é menos utilizada, embora o aproveitamento do “livre de 9 metros” para finalizar de meia distância se possa depreender do estudo de Antón Garcia (1998) quando refere o facto de, em 78% dos livres marcados, as equipas terem procurado o remate de meia distância e apenas em 22% procurado o remate dos seis metros. Uma opção clara pela possibilidade, oferecida pelo “livre de 9 metros”, de um jogador rematar a uma distância eficaz e “protegido” pela distância a que o regulamento obriga os defensores, que é de três metros.

Quanto à forma de organização utilizada, a mais frequente, é a de dois jogadores que, colocados no lugar da falta, passam a bola e efectuam um passo atrás realizando um écran ou um bloqueio, protegendo assim o rematador (Antón Garcia, 1998; Almeida, 2004).