7.2 Weaknesses of Media Laws in Zambia
7.2.6 Prohibited Publications
PRINCÍPIOS E PARÂMETROS DA ARQUITETURA INCA
Descrição da arquitetura Inca
Desenhos, Formatos e Planos Urbanos Materiais
Lugar e Método de Construção Meio ambiente
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Descrição da arquitetura Inca
A arquitetura Inca é sóbria, simples, quase padronizada e é reconhecível, tanto no traçado urbano como nas próprias estruturas. Reflete três conceitos simples, mas muito importantes: organização, permanência e poder, todos integralmente ligados às atividades do império Inca. Portanto, um prédio Inca no extremo norte, por exemplo, em Cuenca, Equador, não é muito diferente daquele construído no extremo sul, em Cusco, Peru.
O fato de que usavam rochas cuidadosamente escolhidas e especialmente bem trabalhadas no caso dos edifícios mais nobres, assentadas e encaixadas na construção de paredes, implicava em uma indiscutível permanência. Hoje em dia, ainda são testemunhas silenciosas dessa expressão Inca de controle do estado. Pode-se comparar a arquitetura Inca, ainda que a função seja diferente, aos oppida, acampamentos e bases fortificados dos Romanos e também aos totalmente diferentes centros de exterminação de Auschwitz, Belsen ou Dachau, onde o visitante, também sem saber muito, apenas observando a arquitetura, compreende que foram centros de controle e, além disso, uma expressão visível de poder organizado. Podemos pensar no caso das Missões jesuíticas (São Miguel do Arcanjo, RS, no Brasil; San Ignacio Mini, na Argentina; Trindad e Jesús, no Paraguai), onde o controle era mais de caráter religioso, econômico e parcialmente estatal.
Fig. 9 Duas reconstruções virtuais de São Miguel das Missões, RS.
No caso dos Incas o nível de controle estatal era uma coisa de admirar. Os espanhóis ficaram admirados ao ver a estrutura, organização e os edifícios monumentais dos Incas e chegaram aproveitar várias partes da estrutura do estado. Devemos lembrar que os espanhóis conquistaram uma cultura que não tinha ferro, nem conhecimento da roda, nem animais de carga, nem transporte por via marítima ou fluvial, como, por exemplo, para as cargas pesadas, e não usavam cimento e outros materiais conhecidos na Europa e Ásia e que desconheciam a escrita. Exemplos da arquitetura Inca abrangem todo o Império Inca e o nível de integração estilístico é impressionante. Inclui partes conquistadas pelos Incas, o que é surpreendente considerando o pouco tempo que a região Andina esteve sob domínio Inca.
Desenhos, Formatos e Planos Urbanos
Os Romanos fizeram planos e mapas gravados em pedra de mármore, cujo objetivo principal era estabelecer as taxas dos terrenos. Incluíam muitos detalhes e, no caso de “Forma Urbis Romana”, de 200 d.C, mesmo danificada é possível observar o planejamento e traçado urbano estritamente ortogonal (peça inclusa na exposição “Magnificent Maps: Power, Propaganda and Art”, na Biblioteca Britânica, Londres, de 30 de abril até 19 de setembro do 2.010). Supõe-se que os Incas tinham um sistema de modelagem e maquetes para o traçado urbano e topografias para planejamento agrícola, mas são poucos os exemplos que chegam confirmar esta teoria. Hoje em dia, existem exemplos etnográficos de estruturas, geralmente em formato de kanchas, e animais em miniatura conhecidos como conopas ou illas. Estes poderiam originalmente ter sido maquetes, mas o uso parece ter mudado, e estes são usados hoje em dia para libações ou oferendas rituais. Ao entrar no vale de Colca, Arequipa, não muito longe de Chivay, existe o que aparenta ser uma maquete de um setor do vale,
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mas é provável que esta tenha sido modelada antes da chegada dos Incas. A cerâmica, de várias culturas pré-Incas, inclui complexos de prédios ou estruturas unitárias modeladas (em particular representadas nas Culturas Recuay, Moche, Fig.10b v), Chancay (Fig. 10a.), Huari (Fig. 10b.) Chimú; e finalmente a cultura Inca (Fig. 10b i- iv).
Fig. 10a. Cerâmica Chancay-Inca da costa norte, Lima, com duas estruturas estilo Inca, no
Museu da Universidade de Manchester, Manchester Reino Unido. O estilo do
telhado é dos Andes e não da costa.
i ii iii
iv v
Fig. 10b. Quatro maquetes de estruturas Incas (i-iv), incluindo uma representação de uma
kancha no Museu de Arqueologia, Cuzco, e uma casa da cultura Mochica (v), de estilo completamente differente e adaptada para o clima cálido da costa norte do Peru.
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Fig. 10c. Cerâmica de origem Chonchopata, Huari (Cultura Huari) Ayacucho. Observar a representação de casas de dois andares. Museo de la Nación, Lima.
Foto: Mackay, 2.009.
Exemplos Incas não são comuns, mas existem certas pedras e formações rochosas de Chincheros (Cusco) que têm representações que são interpretadas como modelagens gerais da utilização de topografias locais para organizar a construção e distribuição de terrenos. No caso da enorme pedra de Saywite, Abancay (Fig.11), algumas interpretações feitas sugerem que a pedra representa planejamento urbano e topográfico dos Incas.
Fig. 11 Pedra escultórica e ritual de Saywite, Abancay. Pode ser interpretada como um maquete.
Fonte: HEMMING, 2009, p.11.
Os dados são insuficientes para confirmar se existiam maquetes e se seria possível supor que o mesmo Inca e conquistador, Inca Pachacútec, teria sido um arquiteto. O que está confirmado é que o Inca Pachacútec ordenou vários projetos arquitetônicos no império, tentando padronizar a arquitetura Inca, mas sempre permitindo mudanças (mínimas) regionais em relação ao traçado urbano, uso de outros materiais e estilos de construção. A maioria das cidades Incas incluía um parque, paço imperial, praça cerimonial, que tinha no centro uma plataforma retangular ou às vezes semipiramidal, conhecida como usno ou ushnu.
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Fig. 12 Centro Inca que inclui um usno, ou plataforma cerimonial, na costa sul do Peru. Conhecido como Tambo Colorado, Ica. As estruturas são de adobe com desenhos de várias cores.
Foto: Mackay, 2.009.
i ii
Fig. 13 Usno de Vilcashuaman, Ayacucho. Observar no plano (i) a distribuição de
estruturas, que sugere uma águia ou condor. Fonte: Carre et al, 1.982, p.54.
Ainda existem exemplos em Huánuco Pampa, Vilcashuamán (Fig. 13), Tambo Colorado (Fig. 12) e muitos outros centros urbanos, além de algumas regiões afastadas em altitude acima de 3.500 metros onde não existiam centros urbanos. Sabemos agora, que havia usnos espalhados em todo o território Inca, em outras cidades como
Cajamarca ou Aypata no extremo norte do Império Inca (J. R. JOFFRE, 2.010), informação obtida através de comunicação pessoal, julho 2.010. No caso de Ollantaytambo, existe uma praça, mas se existiu um usno cerimonial não é óbvio hoje em dia. É possível que, no caso de Ollantaytambo, não se precisasse de um centro cerimonial, ou usno, na praça principal, porque nos andenes, como são conhecidos os terraços próximos a cidade, ao norte do traçado urbano, existe uma parte que hoje se considera um templo, que poderia ter incluído o equivalente de um usno. O traçado urbano varia desde aqueles que estão organizados em padrão similar ao grid-plan (malha) como Ollantaytambo, Pisac, Calca e Yucay, aos que tinham um relacionamento direto com a topografia e os acidentes geográficos. Cusco é um bom exemplo de um centro com uma divisão social bem definida. Esta antiga divisão social no caso dos Incas é entre os Hanan (da parte alta da cidade) e os Hurin (parte baixa da cidade). É um conceito que ainda existe em muitos povoados nos Andes. No caso do traçado urbano de Ollantaytambo observamos uma disposição de estruturas de um plano (ou layout) ligeiramente trapezoidal, um elemento de desenho importantíssimo dos Incas que merece um estudo aparte.
Desenhos, formatos e planejamento urbano
O plano da maioria das estruturas Andinas Incas não muda muito do retangular ou, às vezes, quadrangular. Menção das exceções, que são poucas, deve ser feita antes de entrar na análise detalhada das estruturas retangulares e quadrangulares. Existem poucas variações com a exceção de algumas estruturas consideradas como de uso ritual (Ingapirca no Equador, K ‟enko, Runku Raquay, Tampumachay, Coricancha, perto ou na cidade de Cusco, ou em Machu Picchu e Pisac são alguns outros exemplos) e o
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exemplos são aqueles em que pedras “vivas” recebem formas escultóricas e formam parte não estrutural de um monumento como o Templo da Lua em Machu Picchu; K‟enko, Cusco e Sillustani, Puno. Poderíamos compilar uma série de desenhos de estruturas para um catálogo de arquitetura Inca como aquela feita pela Dra. Kendall (1.976 e 1.984), mas este provavelmente não seria muito extenso devido a reduzida variação estrutural e o limitado número de variações.
Estruturas retangulares geralmente estavam subdivididas numa série de quartos adjacentes conectados por passarelas com portas que levavam a estruturas individuais ou pátios. Geograficamente, estas estruturas, em geral, se situavam nas ladeiras onde o espaço era limitado. Podemos citar como exemplo as estruturas conhecidas como as casas das Acllahuasi (provavelmente armazéns, Fig.171, no fundo da montanha pode- se perceber estas estruturas) em Ollantaytambo, em vários setores de Machu Picchu, Pisac e outros centros. Estas ocupam espaços restritos e evitam ocupar lotes ou terrenos que poderiam ter utilidade agrícola. Existem exceções, como, o Templo de Wiracocha em San Pedro de Casta (Racchi) que fica mais ou menos a 100 Km. ao sul de Cusco (Fig.14).
Fig. 14 Vista da estrutura principal, conhecida como uma kallanka no Templo de
Viracocha, Racchi, Cuzco. Pode-se observar a parte inferior, de pedra, as bases das colunas e a parte superior, de adobe.
Foto: Mackay, 2.009.
Este templo foi construído numa escala enorme sobre terreno e terraços que podiam ter valor para a agricultura. A estrutura principal provavelmente foi uma variação de uma kallanka (salão de eventos e festas) de forma retangular, com uma divisão no meio e paralela a esta, nos dois lados havia uma série de colunas ou pilares, elementos de suporte quase desconhecidos e incomuns na arquitetura Andina, que serviam para dar apoio ao enorme teto de duas águas (Fig. 14). Este templo inclui uma superestrutura, acima da parte clássica Inca em pedra de dois metros de altura, cuja parte restante é de adobe. Estruturas retangulares podiam incluir vários andares ou níveis, excepcionalmente três. Em Yucay, Cusco, Peru (Fig. 45), Huaytará, Huancavelica (Fig. 47 e 53), Huánuco Pampa, e perto de Cochabamba na Bolívia, existem estruturas retangulares que são muito maiores do que aquelas geralmente encontradas em outras partes do Império Inca. A maior é Inkallajta, na Bolívia e media 78 x 28 metros. (LEE, 1996, p. 8-10.) Esses exemplos também provavelmente foram
kallankas, construídos para eventos importantes.
Geralmente as estruturas retangulares e quadrangulares são de uma escala diferente e muito menor. Por exemplo, em Ollantaytambo um agrupamento de quatro a sete estruturas, com um ou dois pátios no meio são comuns. Estas estruturas são conhecidas como kanchas. No caso de quatro estruturas ao redor de um pátio interno o termo usado é kancha, e quando há dois pátios internos e inclui sete estruturas são
kanchas duplas, quarteirões, “superquadras”, ou melhor, ainda superkanchas (Figs. 15
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Fig. 15 Reconstrução de um quarteirão que inclui duas kanchas que forma parte do
traçado urbano dos Incas em Ollantaytambo. Fonte: desenho de J. Guedes, baseado em Protzen, 1.993, p.12.
Fig. 16 Reconstrução 3-D do complexo de um quarteirão de duas kanchas ainda existente
no traçado urbano de Ollantaytambo. Fonte: Protzen, 1.993.
Estas super-kanchas estão distribuídas ordenadamente no centro urbano de Ollantaytambo dentro de um padrão ortogonal. Em termos da distribuição, é possível sugerir que existe uma semelhança, ainda que seja superficial, na distribuição de quartos na Villa Rotonda (1.566, Fig. 17 i) e outras vilas como Villa Malcontenta (Fig. 17 ii) projetadas por Palládio.
i ii
Fig. 17 i.Planos da Vila Malcontenta e ii.Vila Rotonda de Palládio. Observar o espaço no
centro das estruturas e os quartos e cômodos nos entornos. Fonte: Mitchell, 2008 e Marton, 2008, p.118-119.
Estas últimas também parecem estar divididas e distribuídas simetricamente de uma forma similar e possivelmente nas mesmas proporções que as kanchas de Ollantaytambo. Um dado interessante é o fato de que quando comparamos as datas de construção das Vilas de Palládio e as estruturas Incas é possível observar que provavelmente existem apenas cerca de 30 a 50 anos de antecedência da primeira em relação à construção da parte urbana de Ollantaytambo. Palládio foi estudado em detalhe e por muitas gerações de arquitetos ao longo de vários séculos. Em nosso século foi estudado e possivelmente aplicado por Le Corbusier (Charles-Edouard Jeanneret, 1.887-1.965) em Villa Savoie, Poissy (observar o uso e distribuição simétrica de pilotis em Fig. 18) e outros projetos. Devemos lembrar que alguns
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sugerem que não foi o caso de Le Corbusier ter se fundamentado nos estudos de Palládio. (TZONIS, A., 2004, p. 20-21.)
Fig. 18 Villa Savoie, Poissy, de Le Corbusier. Observar o uso de pilotis distribuídos
simetricamente como suporte para uma estrutura com um espaço/pátio interno no segundo andar.
Fonte: GÖSSEL, 2005, p. 232.
Construção em lugares onde havia possibilidades de criar terraços (andenes) para a agricultura não era muito desejável para os Incas, nem para as culturas antecessores. Ollantaytambo é interessante no sentido de que não fica dentro deste padrão, pois a parte urbana foi estabelecida no meio de um vale com potencial agrícola. Centros como Ollantaytambo foram geralmente construídos em lugares altos e com espaços planos como Huánuco Viejo, Patallaqta, Chucuito, Pumpu ou Hatun Cusco.
Materiais
O material preferido dos Incas era a pedra, pois permitia criar estruturas sólidas, resistentes aos terremotos e propagava uma mensagem de poder e permanência. Outro fator que contribuiu para essa escolha e uso desse material foi
simplesmente a disponibilidade de uma variedade de diferentes tipos de pedras. Na maior parte dos Andes centrais existem amplas fontes de basalto, andesita e granito (e no norte do território Inca pedras sedimentáres e calcárias), que foram as pedras prediletas para as construções nobres e de importância política, religiosa e social. As cores dessas pedras, variavam entre preto, cinza, cinza azul, cinza chumbo e verde cinza no caso do basalto, enquanto o granito variava de rosa a branco-cinza e preto. As duas são pedras muito resistentes às intempéries, mas também devem ter sido mais difíceis de trabalhar (especialmente sem instrumentos de ferro). Existem várias estruturas na cidade de Cusco, particularmente aquelas que ficam na Rua Hatunrumiyoc (Fig 19a.) que são exemplos excepcionais de como os Incas chegaram a aproveitar, não somente cores, mas também as dimensões, a textura e o relevo de pedras de origem vulcânica.
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Fig. 19a Rua Hatunrumiyoc na qual pode-se observar o estilo de construção poligonal Inca
na parte inferior da vila e a superposição de uma estrutura colonial de adobe, Cuzco.
Foto: Mackay, 2.009.
Em Ollantaytambo a pedra usada predominantemente é o granito. (BENGTSSON, 1998, p. 41.) Pedras metamórficas como a piçarra foram usadas onde havia disponibilidade, como, por exemplo, em Khari e Iskanwaya, Bolívia e regiões costeiras do Peru. (HUIDOBRO BELLIDO, 1983, p. 4, 10.) O uso de rochas calcárias na construção tem um padrão de uso que (na maioria de casos), está associada com a periferia do Império, por exemplo, na região de Chachapoyas, no norte do império. O uso destas pedras deveria ser acompanhado quase sempre de argamassa. O uso exclusivo de adobe como material de construção era em geral tradicionalmente limitado à costa Pacífica, onde a disponibilidade de pedra apropriada para construção era mais limitada (ver Tambo Colorado, Fig. 12). Existiam depósitos de argila e estes estavam disponíveis principalmente na região costeira e em alguns vales andinos. Construções de adobe tinham vantagens adicionais na costa, onde no verão as temperaturas podiam ser altas, pois o adobe cria ambientes frescos dentro de estruturas. Como anteriormente observamos nos Andes a maior exceção quanto ao uso de adobe é em San Pedro de Casta, Racchi, no Templo de Wiracocha, Sicuani (Fig. 14) e as estruturas em Yucay no Vale Sagrado, Cusco.
O uso de materiais orgânicos na construção se limitava à parte de madeira utilizada na construção de tetos. Estes em geral precisavam de toras grandes. Lembre- se que havia, pelo menos na época dos Incas, poucas árvores nos vales dos Andes com a exceção do pisonay (Fig. 199), polylepis, alnus. (CHEPSTOW-LUSTY, 2010, comunicação pessoal por email, novembro de 2.010.) No altiplano não existiam árvores que pudessem ser usadas, de forma que a madeira utilizada na construção
provavelmente foi obtida da região amazônica (Fig. 19 i). Não existem exemplos hoje em dia, mas é de se supor que a madeira também foi usada na construção de portas. O teto ou sua cobertura seria normalmente de palha da planta ichu (Stipa stipa) que teria que ser trazida das regiões acima de 3.500 metros e do altiplano, onde a planta é comum. Para fixar as portas, como não existiam dobradiças, usavam âncoras e buracos furados nas paredes das passagens (Fig. 19b iii) ou em rochas individuais e furadas, trabalhadas e inseridas nas paredes. E também existiam estacas ou juntas de pedra para fixar tetos (Fig. 19 b. ii, iii e iv).
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iii iv
Fig. 19b. i. Sistema de cobertura (WRIGHT, 2008); ii. Masma reconstruída com telhado e
cobertura Machu Picchu (HEMMING, 2009); iii. Âncora para uma porta, Racchi ; iv. Estacas e âncoras para fixar tetos, Racchi, Cuzco.
Fotos iii e iv: Mackay, 2.009.
Lugar e métodos de construção
A escolha de lugares de construção na região Andina variava entre os vales, planaltos e cumes de montanhas, às vezes incorporando variados níveis topográficos. Na maioria dos casos existe uma ligação ritual entre centros urbanos e o meio ambiente e às vezes, estruturas específicas, com as formações topográficas (rochas, etc.). Acreditava-se que as montanhas eram os senhores (apus), rochas importantes podiam ser santuários (huacas ou wakas), as fontes de água (puquios/pukios), tinham um significado especial, e os rios (mayo ou muyu) podiam incorporar um valor ritual. Yucay, Calca, Pisac, Cusco e Ollantaytambo ficam em vales, mas também possuem nas partes mais altas, estruturas defensivas e sistemas agrícolas. Em parte isto se deve ao que foi definido e denominado por Murra (1.976) "controle máximo vertical de pisos ecológicos" e outros. Aquele conceito de controle se percebe também em outros
centros Incas, como Machu Picchu, Phuyupatamarca, Wiñaywayna, Choquequirao e outras mais, que controlam, desde o alto, os vales e as estradas, além dos sistemas de fornecimento de água. Em relação aos estudos referentes a métodos usados para trabalhar as pedras, ainda não existe um consenso, sobre um método específico de trabalho usado para dar forma e amoldar as pedras usadas nas construções Incas. Alguns sugerem o uso de plantas, ácidos, etc., mas é provável que os Incas simplesmente contratavam grupos substanciais de trabalhadores para cortar, retirar e colocar em posição as pedras, segundo foi descrito por vários cronistas espanhóis tais como Guaman Poma de Ayala, Inca Garcilazo de la Vega.
Os métodos e sistemas de construção que os Incas e povos pré-Incas conheciam foram perdidos após a introdução pelos espanhóis de ferramentas de ferro e metais usados em construção, os quais eram mais resistentes que cobre e bronze. A memória Quéchua, que ainda protege e mantém muitas tradições anteriores à conquista, lamentavelmente não chegou a resgatar os conhecimentos dos antepassados neste caso. Só podemos sugerir quais eram os métodos mais prováveis e na verdade estes não seriam muito complexos David Drew documentário da BBC referente aos Incas. (DREW, 2.009; comunicação pessoal em 2009; PROTZEN, 2.005, p. 353-357.) As excepcionais juntas entre pedras foram efetuadas com muito trabalho e esforço manual e deve ter recebido apoio de uma equipe enorme de técnicos especialistas para cortar pedras em formatos complexos e em quantidades e volumes extraordinários. Ollantaytambo inclui muitos exemplos de pedras trabalhadas, algumas enormes pesando várias toneladas, como as de Sacsayhuamán, perto da cidade de Cusco, que foram trabalhadas a uma distancia de quatro ou mais quilômetros do centro urbano. Algumas ficaram abandonadas no caminho, recebendo o nome de pedras cansadas.
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O meio ambiente
Os povos Inca e pré-Inca, como mencionamos, estavam muito ligados ao mundo ao seu redor, assim como às montanhas, morros, cachoeiras, rios e certas rochas, etc. Até hoje em dia a Pachamama, ou “mãe terra”, é muito reverenciada e está ligada a um ciclo de eventos e crenças, além de outros deuses e divindades. O meio ambiente, a geografia, a topografia, as horas de luz disponíveis, a época da chuva e da seca, o céu noturno eram observados com exatidão, sendo interpretadas para entender ciclos e futuros eventos. As culturas européias perderam estes conceitos com o passar dos séculos, ficando com só alguns para prognosticar o clima e o tempo. Cusco é quase um exagero em termos da interpretação da topografia e a geografia formalizada. Foi uma cidade adaptada pelos Incas cujo formato é interpretado como uma puma, ou um tipo de onça (poma concoloris). Cusco eventualmente chegou ser o centro de poder administrativo e militar do Império (mais tarde compartilhado com Quito, Equador no norte). É possível observar uma semelhança com Roma que foi estabelecida como centro de um império. Ollantaytambo como centro também deve ter sido escolhida por uma série de relacionamentos com os apus, as montanhas ao