7.2 Weaknesses of Media Laws in Zambia
7.2.9 Obscene Publications Act of 1930
PROCEDIMENTOS USADOS NA DEFINIÇÃO DE REGRAS ESSENCIAIS BASEADAS NA ANÁLISE DAS KANCHAS DE OLLANTAYTAMBO
Introdução
Versão inicial em 2D: desenvolvimento do formato de uma kancha dupla A gramática da forma
Conclusões
Introdução
Lembramos que o conceito da gramática da forma foi inicialmente desenvolvida para projetos artísticos virando mais tarde para ser um atalho na análise da arquitetura. O artista alemão Horst Bartnig, já estava experimentando com a computação gráfica em 1.985. Exemplos da sua arte incluem “Ensaio para um quadrado”, 1.985 (Computação gráfica e Gravura a água forte, 53.10 x 53.10 cm) e “70 variações com quatro quadrados”, 1.985 a 1.988 (Computação gráfica/serigrafia 52.5 x 39.5 cm). Essas gravuras estão integradas na coleção Chagas Freitas e foram apresentadas na Exposição Além do Muro, de nove de novembro de 2.005 a oito de janeiro de 2.006, na Caixa Econômica Federal, Brasília. Bartnig parecia lidar em seu desenho complexo “70 variações com quatro quadrados”, com problemas semelhantes àqueles que Mitchell criou ao gerar múltiplos modelos, partindo das plantas das vilas de Palládio, alcançando como mencionado anteriormente uma quantidade superior a
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210 versões. Este trabalho também procura estabelecer e estudar as variações possíveis derivadas das estruturas retangulares e alguns quadrangulares que chegam ser parte de uma kancha e super-kancha ou quarteirão Inca, como também das versões parciais de kanchas. São variações geradas partindo de um formato específico.
A primeira observação, e, em resumo, no caso de Ollantaytambo é que cada quadrilátero está composto de quatro estruturas retangulares ao redor de um pátio interno e quadrangular. Este agrupamento de quatro estruturas retangulares, distribuídas simetricamente dentro de um formato quadrangular, chega a ser duplicada ou espelhada, criando um formato retangular maior formado pelos dois agrupamentos quase idênticos de quatro estruturas retangulares. Os dois quadriláteros compartilham uma parede divisória que divide o retângulo maior em duas partes virtualmente iguais, simétricas e refletidas (Fig. 23). Em outras palavras, e em termos da gramática da forma, temos uma transformação.
Fig. 23 Plano de uma kancha duplicada, Ollantaytambo. Observar agrupamento
Fonte: Protzen, 2.005, p. 82.
Nessas unidades encontramos uma simetria em termos da distribuição das estruturas e dos espaços internos (Figs. 23, 24 e 25). Estas lembram o ordenamento ortogonal e a proporção do espaço interno como também externo das vilas que Palládio desenhou e fez construir no Veneto, no norte da Itália (Fig. 32).
Existe também, como foi observado anteriormente, parte dessa simetria, talvez influenciada pelos desenhos Incas, nos agrupamentos de estruturas contemporâneas, mais rústicas do Altiplano peruano, chileno e boliviano. Este formato de distribuição de estruturas parece estar gravado como uma fórmula, que foi aplicada por séculos e que ainda tem validade, pelos menos para o(a) arquiteto(a) e construtor(a) contemporâneo(a) da região andina.
a b
Fig. 24a, b Plano descrevendo a simetria, razões e distribuição nas kanchas/superkanchas de Ollantaytambo.
Fonte: Lee, 1.996.
Porta principal, entrada a uma kancha, Ollantaytambo. Fonte: Foto de Mackay, 2.009.
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Nos dois espaços quadriláteros, dentro do retângulo é possível observar uma parte central, aberta ao céu, sem construções, equivalente a pátio interno das casas romanas. Esta, na língua Quéchua de hoje em dia, é considerada uma kancha. É um espaço para atividades, para proteção dos animais, armazenamento de produtos, para iniciar o processo de produção de substancias derivadas dos cereais e tubérculos, como, por exemplo, tarwi, quinoa, milho, olluco, batata seca ou dissecada como chuño, e preparadas como mote ou locro, como também de carnes dissecadas (carne de lhama e alpaca, charqui). (ZAPATA, 2008, p. 8-9.)
Em termos de distribuição, é um pátio interno que fica quase exatamente no meio, e centrado entre do conjunto de quatro estruturas retangulares, possibilitando acesso a cada uma destas estruturas. Era provavelmente um espaço interno dedicado ao uso dos moradores e destinado a grupos específicos de nobres, semelhantemente aos pátios e espaços internos das vilas de Pompéia, Itália e vilas Romanas na Inglaterra. Por exemplo, Ditchley, Oxfordshire é quase Palladiano em termos de distribuição (PERCIVAL, 1976, p.102-103) e Teotihuacán no México, o Alhambra na Espanha, mesquitas na Turquia, e numa escala maior em milhares de mosteiros e conventos na Europa e na América Latina.
Fig. 25 Plano do centro urbano de Ollantaytambo indicando a distribuição das kanchas e superkanchas.
Fonte: INC, Cuzco, 2.007.
No caso de Ollantaytambo, os muros e paredes são altos, as construções de pedra maciça, com uma única e importante entrada / saída do conjunto arquitetônico para cada pátio (Fig. 24b). A parte visual que estava repetida no traçado urbano (Fig. 25), no exterior, implicava poder, ao contrário do espaço interior das estruturas. As quatro habitações retangulares ao redor do pátio interno apresentam um acabamento de menor qualidade. Os espaços internos devem ter sido escuras, isto é o aspecto interno era pelo menos visualmente, menos impressionante.
É possível descrever em poucas palavras a distribuição e relacionamento das estruturas e a sua integração à parte externa e o uso do espaço dentro do pátio interno. Este último se mantém em proporção e está limitado pelas estruturas externas. É possível visualizar um retângulo maior, isto é, as duas kanchas que formam parte de
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uma “superkancha”, com um muro externo e dois quadrados ou pátios paralelos inseridos neste retângulo maior. Existem várias formas de descrever os padrões observados nas kanchas. Ao desenvolver uma gramática da forma para descrever estes conjuntos é possível gerar passos ou várias séries de regras e procedimentos que parecem ser diferentes, mas o resultado final geralmente será o mesmo.
Dentro do espaço quadrangular estão distribuídas quatro estruturas bem proporcionadas que ficam cuidadosamente espaçadas, com entradas e portões voltados ao pátio interno.
É interessante observar, que na maioria dos exemplos de Ollantaytambo, as quatro estruturas retangulares mantêm quase as mesmas proporções, e que em termos do acabamento interno foram completadas de forma artesanal, com pirca, e sem o cuidado normalmente investido nos muros externos. Nas quatro esquinas de cada espaço quadrangular, ou pátio, existe um espaço muito menor, de uso desconhecido que provavelmente ficava a céu aberto, e que talvez fosse usado para armazenar objetos.
Versão inicial em 2D: desenvolvimento do formato de uma kancha dupla.
Esta breve descrição permite definir uma análise das formas visíveis antes de aplicar uma gramática da forma básica com algumas regras simples para definir a planta baixa, em duas dimensões. Observe-se que existem várias formas de aplicar as regras: 1. Os espaços quadrangulares que ficam nos quatro cantos (quatro para um
conjunto ou kancha, ou oito para as duas partes do conjunto super-kancha ou quarteirão, Fig. 26) são como âncoras internas e as estruturas retangulares (regra dois, a ser definida) podem ser inseridas entre estes quatro espaços nas esquinas.
Fig. 26 Regra número um (definição das esquinas quadrangulares de um quarteirão)
2. Logo definimos as estruturas retangulares (Fig. 27), que devem ser das mesmas dimensões em termos de comprimento e que ficam coincidindo com quatro ou oito espaços pequenos nos cantos (definidos na regra um).
Fig. 27 Regra número dois, definição das estruturas retangulares entre esquinas
quadrangulares de um quarteirão
3. O passo seguinte consiste em definir o pátio interno (x2), isto é, um quadrado que fica centrado, e no meio, com as quatro estruturas retangulares em cada uma das faces do pátio interno (Fig. 28). Este deve ficar estabelecido dentro do retângulo maior que define os limites exteriores (que será definido na regra quatro), ou seja, o perímetro do quadrângulo (regra três).
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Fig. 28 Regra número três, definição dos dois pátios internos.
4. Colocar o perímetro, a borda ou parede exterior com referencia às partes estruturais do interior já indicadas (regra quatro, Fig. 29).
Fig. 29 Regra número quatro, definição dos dois muros quadrangulares externos.
Fig. 30 Regra número cinco, definição da integração dos muros externos com as paredes
externas das estruturas retangulares e a inserção das portas principais.
Com esses simples passos e os detalhes correspondentes foi possível fazer uma análise das partes e definir a planta de uma superquadra de Ollantaytambo e, sendo
assim, em apenas quatro passos. É necessário ir muito além destes passos, pois devem ser incluídas outras regras que definem o posicionamento e dimensões das portas (Fig. 30), janelas, nichos, por exemplo.
i ii iii
iv v
Fig. 31b i-v Regras números 1-5, definição dos espaços até a inserção das portas principais.
A gramática da forma (Anexo A para uma discussão mais completa deste tema) Lembramos que em 1.977, William Mitchell começou a formular algumas idéias em torno da computação e a sua aplicação à arquitetura e a partir dos anos de 1.980 estava divulgando ativamente seus conceitos da gramática da forma (shape
grammars) com George Stiny. No capítulo 8, “Language of Architectural Form” em
“The Logic of Architecture”, William Mitchell fez várias comparações tanto da
gramática, quanto da linguagem gerada pela gramática Palladiana e aplica uma série de regras, criando assim grande número de possibilidades dentro dos parâmetros definidos por Palládio. (Variações baseadas nos planos de Palládio, MITCHELL, 1990, Figs. 8.31 a 8.55.) Alguns dos planos gerados são criações ao estilo de Palládio, mas nunca foram desenvolvidas pelo famoso arquiteto (Fig. 32).
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Fig. 32 Variações geradas pela gramática da forma baseadas nos planos de Palládio.
Fonte: MITCHELL, 2008, p.186.
Na Alemanha Oriental havia, dentro da arte socialista, além do muro, artistas seguindo passos não tão diferentes aos dos pesquisadores norte americanos. As duas peças artísticas de Bartnig acima mencionadas (no inicio do capítulo) e agora no acervo de Chagas Freitas asemelham-se aos trabalhos de Mitchell e outros no desenvolvimento de formas derivadas da aplicação computacional à arquitetura e à arte, como também o emprego dos princípios da gramática da forma para gerar uma variedade de possíveis formas. Além disso, sugerem que existe uma relevância na aplicação da gramática da forma à arte moderna.
Pretendemos investigar as regras da arquitetura Inca e especialmente os formatos e desenhos, particularmente das kanchas, que podem ser mudados sem alterações significativas dentro de certos parâmetros como, por exemplo, Bartnig fez com as 70 variações de um quadrado com quatro quadrados, usando a computação
gráfica. O sistema ken de proporções e de distribuição de espaço aplicada no Japão a estruturas domésticas tradicionais deve incluir regras sistemáticas de caráter computacional que poderiam ser desenvolvidas com a aplicação de uma gramática da forma. É também possível observar uma aplicação bem sucedida de regras computacionais às plantas das vilas e a arquitetura doméstica Palladiana. (MITCHELL
op. cit.) Neste trabalho no processo de descobrir as regras que definiram a arquitetura pré-colombiana, e especificamente a arquitetura Inca, precisamos estabelecer as características gerais e principais, refinando a pesquisa para definir um ou vários tipos de estruturas principais, e gerar regras que possam, eventualmente, estabelecer a possibilidade de integrar, fazer interface e aproveitar as vantagens da computação gráfica. Isto é um projeto que pretende ir além da reconstrução virtual imaginada e talvez fantasiosa. A partir de exemplos existentes e intactos daquelas estruturas que podemos considerar que incluem as características principais, vamos procurar verificar se é possível definir regras da gramática da forma que tenham uma interface algorítmica com sistemas computacionais. O objetivo principal deste procedimento seria, gerar reconstruções de estruturas inteiras que já não existem, dependendo em parte dos remanescentes de alicerces existentes e em parte dos conhecimentos derivados dos estudos de padrões na arquitetura andina. Não forma parte deste trabalho, mas como Mitchell chegou comprovar com as plantas Paladianas, também seria possível desenvolver desenhos similares ou “ao estilo” Inca, provavelmente muito além dos que foram desenvolvidos pelos Incas.
Os Incas obviamente não tinham computadores para criar e gerar as variações, gramáticas, linguagens e regras de arquitetura, mas podemos observar que manipulavam certas formas e desenhos com muita habilidade, criando e misturando módulos, girando, reduzindo a formas básicas, como também criando aquelas que são
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de caráter repetitivo e aplicando-as de uma forma consistente. Sem o uso do computador os Incas faziam cálculos com quipus (ou khipus), cordas (Fig. 33), às vezes de várias cores, com nós de várias dimensões e de diferentes cores, etc. (SALAVERRY LLOSA, 2007, p. 60-66.)
Estas cordas eram lidas por pessoas capacitadas na sua leitura conhecidos como os quipucamayoc (Fig. 33). Não temos um entendimento completo de como funcionavam os quipus, mas as versões existentes na nossa era permitem uma idéia geral de como podiam ser aplicadas e qual foi o sistema usado, que provavelmente era decimal. (LEE, V., 1996, p. 5-6.)
Não sabemos com certeza se os quipus foram usados para realizar os cálculos necessários para o projeto, como também a construção de estruturas, mas entendemos que isso teria sido muito provável. Aquela suposta versão inicial de computação permitiria fazer cálculos bastante exatos para medir as dimensões necessárias e medir o material que devia ser usado para criar estruturas novas, como também para permitir variações nas estruturas já construídas pelos Incas.
Fig. 33 Descrição de quipus e dos quipucamayoc em Felipe Huamán Poma de Ayala. Fonte: LEE, 1996, p.11.
Uma observação recente importante é referente à língua Aymara, uma língua similar ao Quéchua dos Incas: esta é falada pelos Aimarás atuais da região andina e do altiplano próximo ao Lago Titicaca. O fato de que a língua Aymara, falada originalmente na Bolívia, no sul do Peru e no norte de Chile, é uma língua que é considerada importante na sua aplicação à programação para uso em computadores.
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Isto é um conceito observado pelos pesquisadores e eles consideram esta vantagem como derivada da lógica da mesma língua. Neste sentido começou a ser desenvolvido um projeto chamado Khopuchawi cujo alvo era usar a língua Aymara como interface com outras línguas especialmente para traduções. O projeto ainda está em desenvolvimento e é provável que precise de mais alguns anos de estudos e testes. Isto implica que a língua Aymara (como também a língua Quéchua) inclui um potencial para uso como interface no mundo computacional e por extenso e importante lembrar isto em termos da arquitetura Andina.
Conclusões
Existem dois sistemas diferentes que poderiam ser desenvolvidos a partir de dados similares:
1. Um sistema para gravar informações referentes às kanchas dos Incas que poderia ser aplicado a computadores, semelhantemente ao que está sendo desenvolvido em relação à língua atual da região (Aymara). Este sistema seria adaptável a computadores.
2. Existem vários motivos para pensar na computacionalidade de outros aspectos da cultura Inca e pré-Inca, por exemplo, os desenhos nos tecidos, na cerâmica e de particular interesse aqui, a influência geométrica na arquitetura Inca. O conteúdo dos tecidos da área Andina é altamente geométrico e padronizado. Por isso está ligado a uma tendência geométrica generalizada que é encontrada tanto na cerâmica, quanto na arte lítica, tecidos, como também na arquitetura.