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Problemforståelse: Ulike grunner for å la seg begeistre av

Kapittel 2 Om å ta organisatoriske ideer i bruk – håndtering av ideer som

2.3 Problemforståelse: Ulike grunner for å la seg begeistre av

A despeito das dificuldades e da variedade conceitual sobre diversidade apresentadas no item anterior, iniciam-se aqui as discussões sobre diversidade e diferença, procurando compreender diversidade em sua acepção semântica. No senso comum, diversidade refere-se a variedade, multiplicidade, aquilo que é diverso, que se destaca pela diferença. Diferença denota o oposto daquilo que é igual. É comum considerar diversidade como uma expressão contrária a igualdade. Diversidade, portanto, cotidianamente, leva o indivíduo a pensar em termos de diferenças. Tais diferenças marcam, definem, caracterizam, delimitam, distanciam e ou aproximam um grupo de outro(s). Assim, pode-se dizer que refletir sobre as diferenças é esperado no âmbito deste tema. Todavia, a proposta aqui é refletir sobre a diferença na perspectiva derridiana.

Derrida é um pensador contemporâneo que ficou conhecido pelo seu modelo, ou melhor, proposta de desconstrução. Apesar de não ser o único nem o primeiro pensador a abordar o tema, sendo apenas um dos percussores, é, muitas vezes nomeado como o “filósofo da desconstrução” (BENNINGTON, DERRIDA 1996; WOLFREYS, 2009; PEDROSO JR., 2010), mas é oportuno dizer que a ele também é atribuída a denominação de “filósofo da diferença”. Cabe ressaltar que compreender a obra de Derrida mostra-se tarefa árdua, tendo em vista a necessidade de realizar sua leitura e releitura pausadamente. Compartilham desta ideia autores como Handdock-Lobo (2007) e Wolfreys (2009). O segundo ressalta que a dificuldade para compreender o pensamento de Derrida ocorre porque não lhe é possível enquadrá-lo em uma arquitetura clássica, linear e dedutiva, em virtude, inclusive, da

dificuldade de apontar com exatidão qual é o início ou o começo de sua obra. Destaca que alguns de seus textos foram escritos quase que simultaneamente. Além disto, nota-se o entrelaçamento entre eles, na medida em que, frequentemente, remetem-se uns aos outros. Portanto, realizar uma leitura cronológica de Derrida revela-se difícil.

Diante desta impossibilidade, resta ao entrevistador a tentativa de tematizar o estilo, pois o que impressiona em um pensamento como este é a dificuldade de situar o estilo de seu comentário e definir o estatuto de seu discurso. Isto porque o filósofo esforça-se para se manter no limite do discurso filosófico, o que somente é possível através duplo gesto que comporta os dois momentos da atividade desconstrutiva, a saber, a inversão e o deslocamento (HADDOCK-LOBO, 2007, p. 69).

Birman (2007) e Wolfreys (2009) destacam que o leitor de Derrida, para compreendê-lo, deve se permitir romper com as narrativas recebidas, fato que por si só já remete à proposta de desconstrução de Derrida.

Derrida (2002) critica a estrutura rígida do estruturalismo, e nesta crítica o faz merecedor de reflexões, justamente pelas lacunas e irreflexões que apresenta: “nele é preciso pensar no que poderia significar” (p. 14). Sua proposta consiste em pensar em uma alternativa de análise da escritura inserida na estrutura. Para tal utilizou da palavra desconstrução. Segundo Pedroso Jr. (2010), sob a égide da desconstrução coadunam questões de ordens diversas, tais como filosóficas, literárias e políticas, que desafiam o pensamento metafísico ocidental, uma vez que esta rompe com as relações binárias e as ordens hierárquicas ou de supremacia de um termo sobre o outro.

Ressalta-se, portanto, que desconstrução no sentido derridiano difere do oposto do termo construção nem se enquadra como sinônimo de “destruição”, “desmantelar”, “aniquilar”, entre outros, uma vez que não visa destruir, mas sim conferir uma estrutura e funcionamento diferente da usual. Refere-se, pois, a um procedimento de questionamento e reorganização dos discursos. Não representa como um conceito fechado ou concluído e tampouco comporta uma definição precisa ou exata. Pode-se dizer que a desconstrução de Derrida opera no campo da ambiguidade, da dualidade e da dubiedade, recusando o reducionismo binário (dentro/fora, incluir/excluir, corpo/mente, fala/ escrita, presença/ ausência, forma/ sentido, e bom/mau) próprio da metafísica ocidental, considerada logocêntrica e dominadora (PEDROSO JR., 2010; WOLFREYS, 2009; RODRIGUES, 2010).

Wolfreys (2009) destaca que para Derrida o propósito da desconstrução sinaliza uma prática crítica, uma forma de interpretação e, até mesmo, de metodologia (apesar de o próprio Derrida recusar tal conotação). Este autor aponta que a expressão desconstrução é utilizada metaforicamente para implicar uma forma de leitura ou interpretação.

Ao abordar temas tradicionalmente considerados marginais ou secundários (BENNIGTON, DERRIDA,1996; DERRIDA, 2002), tais como signos e a escritura (modalidades de escritas essencialmente não fonéticas), este filósofo se desvia do habitual e propõe uma análise inversa ou deslocada, fato que já se caracteriza como um movimento próprio da desconstrução.

Na inversão, tudo aquilo que foi recalcado, reprimido, abafado ou marginalizado pela filosofia é enfatizado e, deste modo, dá-se em um primeiro momento um olhar especial à escrita, ao significante, à mulher, à loucura etc., em detrimento de tudo que foi defendido pela tradição filosófica: a fala, o falo, a razão, o significado e assim por diante. No entanto, o que a desconstrução almeja mesmo é efetuar um deslocamento das oposições para além da dicotomia da metafísica dualista. Assim, se há antes uma certa “aposta” no feminino, na escritura ou em qualquer um dos pólos esmagados pela tradição, isso se dá em razão deste pólo ser justamente a possibilidade de se romper com a própria polaridade (HADDOCK-LOBO, 2007, p. 69).

Ao conceder às margens um lugar de destaque, Derrida abala a dominação de centro (PEDROSO JR, 2010). Cabe ressaltar que na desconstrução derridiana não há centrismo de qualquer espécie. Como ressalta Haddock-Lobo (2007, p. 71), para isso “é necessário que a escrita literalmente não-queira-nada-dizer”. Para Derrida, isso não significa (se é que isso signifique) que a escrita seja absurda. Longe disso, “simplesmente ela se tenta, ela se tende, ela tenta deter-se no ponto de esgotamento do querer-dizer”. Neste sentido, pode-se dizer que o pensamento de Derrida provoca inquietude, desconforto e, até mesmo, angústia.

[...] Desde então deve-se sem dúvida ter começado a pensar que não havia centro, que o centro não podia ser pensado na forma de um sendo-presente, que o centro não tinha um lugar natural, que não era um lugar fixo mas uma função, uma espécie de não-lugar no qual se faziam indefinidamente substituições de signos. Foi então o momento em que a linguagem invadiu o campo problemático universal; foi então o momento em que, na ausência de centro ou de origem, tudo se torna discurso – com a condição de nos entendermos sobre essa palavra – isto é, sistema no qual o significado central, originário ou transcendental, nunca está absolutamente presente fora de um sistema de diferenças (DERRIDA, 2002, p. 232).

Ao romper com a estrutura centralizada e fechada, Derrida formula uma nova estrutura que é marcada pela abertura. Neste intuito, utilizou novos signos e apresentou os termos différence e différance, distintos apenas graficamente pela letra “a” e dificilmente

traduzidos em sua essência em outros idiomas (desta forma, serão aqui utilizados conforme sua grafia original).

O neografismo de différance, perceptível apenas na escrita e inaudível foneticamente13,

pretende lhe conferir uma conotação que reúne o entrelaçamento de diferentes direções, um sistema geral de economias, como um desvio. A diferença marcada pela alteração das letras “a” substituindo “e” remete-se a uma ordem que resiste à oposição própria da filosofia, entre sensível e o inteligível.

A ordem que resiste a esta oposição, e resiste-lhe porque a sustenta, anuncia-se num movimento da diferance (com um a) entre duas diferenças ou entre duas letras, diferença que não pertence nem á voz nem á escrita no sentido corrente e que se mantém, como um espaço estranho que aqui nos reunirá durante uma hora, entre palavra e escrita mais além da familiaridade tranquila que nos liga a uma e outra e nos apazigua ás vezes na ilusão de que elas são coisas diferentes (DERRIDA, 1991, p. 36)

Différance não pode ser considerada propriamente uma palavra e tampouco um conceito. Em sua análise semântica, aproxima-se ao verbo diferir (considerando seus sentidos tanto no latim como também no grego). Portanto, incorpora, além do sentido de discernível, não ser idêntico e ser outro, o sentido de temporalização e espaçamento. “Através da différance a historicidade seria restabelecida pela dinâmica escritural, que inscreveria o tempo na própria espacialidade da escrita. O espaçamento, como signo eloqüente da escrita, seria marcado, enfim, pela temporalidade do diferir” (BIRMAN, 2007, p. 281).

Para Derrida (2004, p. 34), différance possibilita pensar o processo de diferenciação sem limites de quaisquer espécies, sejam culturais, linguísticos ou humanos. Différance não é uma distinção, oposição ou dialética, mas sim um movimento de espaçamento do tempo, uma referência à alteridade, a uma heterogeneidade que não é essencialmente posicional; “é uma reafirmação do mesmo, uma economia do mesmo em sua relação com o outro, sem que seja necessário, para que ela exista, congelá-la ou fixa-la numa distinção ou num sistema de oposições duais”. Segundo Haddock-Lobo (2007, p. 75) a compreensão do movimento de desconstrução de Derrida ocorre justamente a partir do seu pensamento da différance. “Compreender, tangenciar, ilustrar esta economia é, de fato, pensar a desconstrução. Não é por acaso que este termo é um dos mais recorrentes no léxico derridiano até os dias de hoje”.

Derrida (2002) pensa a diferença em um sentido insólito. Para ele, a diferença não pertence nem à historia nem à estrutura. Estrada (2010) destaca que a diferença derridiana não se configura como diferença opositiva entre coisas; caracteriza-se mais como uma diferencialidade em constante movimento que produz efeitos de sentido. Dito de outra forma, um movimento diferencial. Com base no raciocínio de Derrida, pode-se dizer que não existem verdades absolutas. Estas são encaradas por meio de um viés duplo, como ressalta Pedroso Jr. (2010). Para legitimar tais verdades, utilizam-se termos ou expressão impregnadas de duplicidade, que aqui se refere não à obrigatoriedade de escolhas entre um ou outro, mas à concomitância ou simultaneidade destas.

Para Pedroso Jr. (2010), o movimento de desconstrução de Derrida, ao privilegiar as margens ou as diferenças, abriu espaço para a realização de estudos de literatura emergentes ou de grupos minoritários, o que representou uma abertura revolucionária nos estudos literários, como ideologia democrática, e não preconceituosa. Rodrigues (2010) também destaca a abertura que a proposta de desconstrução de Derrida e seus questionamentos sobre as posições binárias e metafísicas possibilitou para discussões sobre a dualidade do sexo e suas respectivas representações de masculino e feminino. Sobre o antagonismo que envolve as questões de gênero, o filósofo considera ser esta uma oposição convencional sustentada por uma hierarquia social patriarcal que o tem o masculino como universal. Desconstruir a posição metafísica requer a inversão da estrutura hierárquica predominante. Dessa forma, Derrida rompe com os discursos classificatórios de gênero, seja o machista dos heterossexuais ou o libertário feminista ou homossexual (HADDOCK-LOBO, 2007).

Birman (2007) destaca que Derrida, com suas ideias, traz de volta aquilo que foi excluído dos debates e discussões. Ainda nesse sentido, Wolfreys (2009, p. 32) ressalta: “Se pudéssemos resumir Derrida de algum modo, então, é como pensador desta aporia, como um pensador do espaço, da fenda, do desvio ou virada em qualquer ontologia, significado ou identidade”. Ele coloca em discussão temas propositalmente “esquecidos”.

Ao discutir as políticas da diferença, Derrida revela preocupação com movimentos de grupos minoritários, solidarizando-se com estes em suas lutas e em prol do fim de processos de discriminação de qualquer ordem. Mesmo assim, não deixa de assinalar a necessidade de desconfiar das reivindicações identitárias enquanto tal. Justifica que se deve manter atenção tanto ao particularismo quanto ao relativismo (DERRIDA; ROUDINESCO, 2004) A ser

criticado por não empreender esforços na defesa irrestrita em favor destes grupos, o filósofo justifica-se ao manter a coerência com seu processo de desconstrução;

Derrida é criticado por alguns “movimentos” pelo fato de não defendê-los irrestritamente. De fato, o filósofo apóia qualquer movimento das “minorias” até o ponto em que ele se torne realmente um movimento, pois aí sim já deve ser alvo de suspeita, logo, de desconstrução (o que quer dizer que só se deve apoiar uma posição e nunca uma tomada de partido, pois quando uma posição se torna um “partido” ela já está se fazendo representar nos mesmos moldes do “opressor” que tanto fora combatido pelo recém-formado “partido”) (HADDOCK-LOBO, 2007, p 69).

Nota-se que a proposição de estudar diversidade no contexto organizacional manteve-se durante muito tempo à margem dos estudos tradicionais, se é que ainda não o é (conforme a lógica derridiana da différance). Derrida propõe compreender os ditos grupos minoritários no contexto da sociedade para além do reducionismo dicotômico dualista, em uma perspectiva mais ampla, capaz de agregar concomitantemente os demais grupos e seus movimentos de busca de emancipação, mas ressalta que neste processo de inversão deve-se cuidar para que estes, ao conquistarem o polo opositor, não se tornem exatamente igual aqueles que os subordinava. Ou seja, aponta que existe sempre a possibilidade de que estes almejem conquistar a supremacia em termos hierárquicos e, neste movimento, troquem de lugar com aqueles que os oprimia, portanto, tornando-se os novos opressores. Tal como Derrida, pretende-se aqui apoiar claramente uma posição favorável aos grupos minoritários, também denominados “vulneráveis”, na conquista de um espaço nas organizações e no contexto de trabalho, sem, contudo, tomar o partido destes (nota-se que este termo aqui é empregado no sentido derridiano de partidarismo).

No escopo das questões sobre diversidade e seus respectivos grupos, ressalta-se que o pensamento deste filósofo não apenas viabiliza, como também amplia estes debates. Poder-se- ia dizer que questões referentes a etnocentrismo, culturalismo, homossexualismo e feminismo, entre outros, podem ser analisadas no âmbito da différance. Observa-se que différance não se configura como um conceito específico, mas sua aproximação semântica incorpora dois conceitos distintos: diferir (differre no latim) no sentido de mediação temporal e temporizada da consumação e satisfação do desejo, realizando-o de um modo que anula ou minimiza o efeito; e diferir no sentido que lhe confere diferencialidade, visto que realça, destaca, e diferenciar as características de um grupo em relação a outro(s).

Assim, a différance de Derrida incorpora em seu escopo a correspondência de um grupo não ser idêntico a outro, ser justamente um outro. Neste sentido, valoriza suas especificidades, que, por serem próprias a ele a torna um outro, um ser distinto. A expressão différance no título deste trabalho visa, além de conferir uma conotação derridiana na compreensão da diversidade, procurar romper com a análise funcionalista e tenta compreender este fenômeno em uma abordagem mais pós-estruturalista.

O próximo item apresenta a teoria de reconhecimento de Honneth, que também traz contribuições para as discussões sobre identidade e diferença, mas em uma perspectiva que traz no seu cerne a questão do reconhecimento, considerada útil para os propósitos desta pesquisa.