O tema deste capítulo é a relação com as atividades que fazem parte dos serviços domésticos e o que estará em discussão são as afinidades e rejeições quanto a essas atividades. Não se trata, portanto, nem das opiniões e impressões acerca do emprego doméstico e nem a respeito da categoria profissional empregada doméstica. Embora o trabalho, o emprego e a categoria profissional estejam interligados, não podem ser confundidos. Emprego é o vínculo do trabalhador com o empregador firmado a partir de um contrato de trabalho. Emprego envolve a definição de salário e benefícios, o estabelecimento de uma jornada de trabalho, a discriminação das atribuições. A categoria profissional é o grupo social ao qual o trabalhador passa pertencer em função do trabalho que exerce. Como parte desse grupo compartilha com outros trabalhadores o status social que esse trabalho permite. O trabalho é o fazer quotidiano, as atividades que são realizadas quotidianamente em cada casa onde há uma empregada doméstica trabalhando. Essa distinção é importante porque é possível, por exemplo, que um trabalhador considere que tem um emprego bom, porque recebe mais que a média do mercado e tem muitos benefícios, mas não goste das atividades que executa. Ou ainda que goste da ocupação profissional, mas esteja insatisfeito com as condições em que desenvolve a atividade concreta. Pela independência relativa dessas dimensões é importante considerar cada uma separadamente, sem esquecer que não são totalmente independentes. Dessas três dimensões, o emprego e a categoria profissional já foram discutidos no capítulo anterior,
cabe agora abordar a relação com as atividades, sobretudo no que diz respeito às afinidades e rejeições que elas despertam.
Enquanto atividade, os serviços domésticos, como a própria denominação expressa, são na verdade uma composição de atividades bastante variada, conforme já foi discutido anteriormente (Capítulo 4). Boa parte desses serviços deve ser executado quotidianamente, enquanto outros são realizados em intervalos regulares ou ainda esporadicamente. Todos são destinados às pessoas, mas alguns de forma mais direta que outros, como as refeições, por exemplo. Alguns seguem uma rotina fixa, outros acontecem em resposta a demandas específicas. Há aqueles que exigem planejamento anterior e outros que são executados mais diretamente. As variações nas características da atividade podem resultar em afinidades e rejeições específicas
Para discutir as afinidades e rejeições pelas atividades, que é o objetivo desse capítulo, será considerada a diferenciação entre os serviços que aparece nas descrições feitas pelas próprias entrevistadas. Essa divisão fica muito próxima à que é apresentada pela Classificação Brasileira de Ocupações [CBO] (2002), embora não seja totalmente idêntica. As empregadas dividem os seus serviços domésticos em seis grandes modalidades: limpeza e arrumação, lavar roupas, passar roupas, preparação de alimentos, atender diretamente às pessoas e limpeza pesada. Cada uma dessas atividades envolve uma rotina de procedimentos que é distribuída ao longo do dia com flexibilidade delimitada pelas necessidades da casa e pela vontade de seus moradores. Como muitas das necessidades são comuns a diferentes famílias, existe bastante semelhança na seqüência da execução desses serviços, quase como se houvesse uma ordem natural para a sua realização. Mas, nem todas as casas demandam exatamente o mesmo tipo de atividade. Nem sempre as pessoas
almoçam em casa, não necessariamente a limpeza pesada é feita pela empregada e assim por diante.
O primeiro grupo de atividades mencionado pelas entrevistadas - limpeza e arrumação – inclui duas atividade diferentes, mas diretamente relacionadas. A limpeza é atividade básica que dificilmente está ausente, seja qual for o tipo de residência ou tamanho da família, porque as sujeiras se acumulam de um dia para o outro por ação da natureza, embora o movimento da casa intensifique o processo. A arrumação acontece paralelamente, ou antes da limpeza e embora associada a esta, trata-se de uma atividade distinta. Arrumar consiste em recolocar as coisas nos seus lugares: roupas, sapatos, acessórios, objetos de decoração, utensílios. O esforço necessário para a realização dessa atividade depende do número de habitantes, da presença de crianças, do movimento da casa e dos hábitos dos moradores, principalmente se são mais ou menos organizados.
A limpeza e a arrumação quotidianas estão entre os serviços transferidos para terceiros sempre que possível, conforme observado por Kofes (2001). Isso significa que havendo possibilidade é descartado da execução pessoal. Entre as empregadas entrevistadas não é atividade que desperte o interesse:
...eu não gosto muito de ser copeira não...porque em primeiro lugar eu não gosto de lavar banheiro, eu lavo, mas dizer que eu gosto não (V.).
O mais ruim que eu acho...é a limpeza. Também até porque eu gosto de fazer comida também ... (P.).
Apesar das queixas, algumas mulheres preferem esse tipo de serviço pela simplicidade na execução mais que por afinidade legítima com a atividade:
é... de gostar não tem muita coisa assim... que eu gosto também não, mas, tem outras coisas mais fácil (...) arrumar a casa...eu acho mais fácil. Uma coisa que você vai lá limpa, passa pano, não tem que agradar ninguém assim, não vai provar daquilo ali... (I.).
É por implicarem menos possibilidades de falhas que os serviços de limpeza e arrumação estão na preferência de algumas domésticas. Esse serviço pode ser considerado mais tranqüilo porque menos sujeito a dúvidas e reclamações. Como já é pré-definido, trata-se apenas de fazer, não envolve maiores preocupações, a não ser quando o ritmo tem que ser acelerado por causa do restante das atividades ou quando o nível de exigência é muito alto. Por serem menos exigentes, os serviços de limpeza ocupam a pessoa somente no momento em que a atividade é executada. É o corpo em movimento executando uma técnica que envolve esforço físico e cansaço, mas evita a pré-ocupação.
É... gosto mais de tá limpando.(...) porque...cozinhar – tem que pensar o que vai fazer – é um esforço extra – vai pensando no ônibus. Tipo cozinhar, cozinhar; já fiz o almoço hoje né?...Quando eu pego o ônibus aqui pra casa, eu já vou pensando, no que que eu vou fazer pra casa...quando eu vim amanhã dentro do ônibus, eu já vou pensando no quê que eu vou fazer pra qui. Cozinha é uma coisa que a gente, eu gosto cozinhar um pouco, assim, não é muitão, mas cozinhar é uma coisa muito complicada, por causa de, de casa. A gente trabalha, faz em casa, e faz aqui... ai você mistura... (R.).
A preferência pelo serviço considerado mais fácil não significa necessariamente que exista de fato uma afinidade pela atividade. Mesmo porque sem o desafio ficam restritas também as possibilidades de reconhecimento e satisfação. Nesse caso, pode ser a insegurança e não a afinidade que justifica essa preferência pelos serviços considerados mais simples. Essa insegurança pode estar relacionada às dúvidas quanto às próprias competências para fazer o serviço adequadamente. O medo de não atingir resultados satisfatórios e de não corresponder às expectativas pode impedir o gosto por atividades mais exigentes.
A limpeza de manutenção de que se falou até aqui é diferente da limpeza pesada, que pode ser considerada outra categoria de serviço. A limpeza pesada, diferente da limpeza de manutenção é feita em intervalos regulares ou conforme a necessidade. Inclui limpeza de janelas, armários, lavagem de azulejos, do teto etc. É um serviço bem mais pesado que os demais. Esse serviço pode ser realizado pela empregada contratada como mensalista, mas dependendo do tamanho da residência, pode ser feito por uma faxineira diarista, contratada com essa finalidade. A limpeza pesada é transferida para terceiros antes de qualquer outro serviço. Trata-se de um serviço pesado - lavar, esfregar, arrastar móveis, subir em escadas – o que pode explicar o desejo e mesmo a necessidade, de transferir esses serviços, já que nem todas as pessoas estão em condições de fazer esse tipo de atividade, por limitações físicas, inclusive (coluna, articulações etc). Tanto que algumas mulheres deixam esse tipo de serviço como diarista e assumem a função de empregada doméstica, ganhando menos, inclusive, quando já não tem mais condições físicas para uma carga mais pesada de trabalho. Foi o que aconteceu com a A. e com a D., por exemplo.
As empregadas entrevistadas que fazem também a limpeza pesada tentam distribuir esses serviços para diminuir o seu impacto no corpo e o cansaço é a principal queixa.
Apesar das dificuldades, há as que não se importam em fazer esse tipo de serviço, embora manifestações específicas de afinidades também não foram observadas entre as entrevistadas.
Outra atividade que também desperta muita rejeição é passar roupa. Há quem não goste de passar roupa de maneira nenhuma:
...eu só não gosto de passar, lavar eu gosto, chegou em passá (...) Eu faço porque é o jeito, até aqui, é porque é o jeito; (...) mas eu não gosto de passar não. (...) Eu não gosto de passar não (...) Mas só isso que eu não gosto de fazer ... Gosto de limpar a casa e gosto de fazer comida; o que eu mais gosto de fazer comida. (...) Porque eu acho chato (F.).
Eu não gosto muito de passar roupa não... Lavá eu lavo bem lavadinho, lavadinho. Ninguém não reclama nem da roupa... mas... e passá também eu passo, bem passadinho, mas eu não posso ver roupa que eu passo logo, pra mim ficar logo livre delas... Mas eu num...num, num sei porque, né? Que passa é chato...toda vida foi assim...não, passa roupa e num, os outros serviço tá legal. (R.)
Mas nesse caso parece ser de fato uma relação pessoal com a atividade. Isso porque algumas mulheres escolhem ser passadeiras e trabalham como diaristas somente nessa função. Nesse caso, mesmo tendo problemas no pulso em função da repetição dos mesmos movimentos ao longo da jornada, não se queixam da atividade em si. Elas se queixam da quantidade de roupa, quando esta é excessiva, e das patroas que deixam acumular roupa para chamar a diarista de modo que a jornada normal de oito horas acaba sendo insuficiente para dar conta do serviço. Quando passar é uma das atividades da empregada doméstica, costuma ficar para o horário da tarde, depois de cuidar da cozinha, ou ainda pode ser
distribuído em vários dias quando a quantidade é muita. Pode incluir guardar as roupas nos armários ou não, dependendo da vontade das pessoas da casa.
Lavar roupa não desperta o mesmo tipo de rejeição que passar. O nível de dificuldade vai depender muito do tipo de roupa que a família usa, da quantidade e do tipo de exigência. A lavagem pode incluir ou não o uso de lavadora automática o que vai fazer muita diferença. Entre as entrevistadas, todas usam a lavadora para as roupas mais pesadas, mas mesmo quando a exigência era descabida como lavar toda a roupa à mão, inclusive lençóis e toalhas de banho, a queixa é sobre o tipo de exigência, mas não quanto à atividade em si. A queixa específica em relação a lavar roupas não apareceu nenhuma vez.
A cozinha se diferencia dos outros serviços da casa de várias maneiras. Embora, cozinhar tenha também características de labor tanto quanto as outras atividades domésticas, porque seu resultado também é rapidamente consumido e sua realização não poupa aquele que o realiza de fazê-lo sempre mais uma vez, não se trata apenas da repetição. Cozinhar demanda projeto, exige criatividade e inovação. O esforço cognitivo necessário para realizar essa atividade é maior que nos demais serviços, uma vez que não se trata apenas de execução direta. É uma atividade que demanda planejamento, tomada de decisão e por essa razão também gera pré-ocupação. Ocupa antes mesmo do momento da realização efetiva da atividade:
....tipo cozinhar, cozinhar; já fiz o almoço hoje né?...Quando eu pego o ônibus aqui pra casa, eu já vou pensando, no que que eu vou fazer pra casa...quando eu vim amanhã dentro do ônibus, eu já vou pensando no quê que eu vou fazer pra aqui... (R.).
A complexidade e a dificuldade dessa atividade depende dos hábitos da casa - quantas pessoas fazem as refeições, o número das refeições que ficam sob a responsabilidade da empregada - mas depende principalmente das exigências quanto à variedade e a qualidade dos alimentos preparados.
...mas assim, as comida de dia-a-dia ali varia, ali é...faz massa, faz... faz empadão, entendeu? Faz, às vezes, faz um lanche, assim...feito comida né? Ele gosta que a gente varia a comida...tem dia que é bife, que é bife a milanesa, parmegiana...entendeu? (A.).
Aí já não dava pra jantá, eu tinha que fazer outro jantar de novo, pra deixar pra de noite, entendeu? Aí quando eu fazia qualquer coisinha assim, ele ficava, enchendo: ah, que isso não é comida de gente, não sei o que, não sei o que, não sei o que. Sabe? E começava, e... ficar enchendo o saco também. Também eu, também eu...eu também falava também: olha, é o seguinte: arruma uma pessoa que saiba cozinhar, porque eu não sei (A.).
Cozinhar inclui também o cuidado com os utensílios e com o ambiente: lavar a louça, guardar, limpar o chão. Se o número de refeições é grande e a casa é movimentada, de modo que ao término da limpeza após uma refeição, já se segue outra atividade de preparação de alimentos, acaba sendo uma atividade que nunca termina, perdendo um pouco a característica de trabalho (planejamento-atividade-finalização no produto) e aproximando-se mais do labor. Além disso, a movimentação intensa das atividades na cozinha pode comprimir o tempo para a realização dos outros serviços que também fazem parte das atribuições das empregadas domésticas. Mesmo assim, cozinhar é a atividade mais complexa e mais exigente entre os serviços domésticos e exatamente por isso pode ser
a principal fonte de prazer e satisfação. Inclusive na comparação com os demais serviços esta atividade fica em posição de destaque:
Eu num gosto muito assim de tá arrumando casa assim, arruma aí, e varre aqui, espana ali, limpa ali, mas se for só na cozinha amo (N.).
Gosto de limpar a casa e gosto de fazer comida, o que eu mais gosto de fazer comida (F.).
O que se observa é que, embora existam afinidades com várias atividades que fazem parte dos serviços domésticos, nenhuma desperta manifestações apaixonadas, exceto a atividade de cozinhar.
O que eu gosto mais, eu gosto mais de cozinhar. Agora o que eu menos gosto...Eu acho assim, que não tem o que eu menos gosto não. Eu gosto de lavar, e gosto de passar, sabe eu gosto de cozinhar, eu gosto de lavar. Eu gosto, eu não tenho assim...gosto de limpar (S.).
O que eu gosto mais é de cozinhar, eu gosto, eu gosto muito de cozinhar (V.).
Cozinhar está, inclusive, junto com o cuidado dos filhos, entre os últimos serviços que são delegados para terceiros, conforme já foi dito anteriormente. Somente quando todos os demais serviços são terceirizados é que a cozinha também é, e às vezes, nem assim. A cozinha pode, inclusive, ser alvo de disputa entre patroas e empregadas. Nesse sentido, Kofes (2001) traz um depoimento, em seu estudo sobre empregadas domésticas, de uma
patroa que se queixa de que o almoço que a empregada fazia era sempre melhor que o jantar que ela mesma preparava, o que era motivo de desconforto para ela.
Mas, a cozinha não desperta apenas afinidades. Há também quem não goste de cozinhar de maneira alguma e entre as entrevistadas a rejeição por esses serviços também aparece. No entanto, os motivos para a rejeição desses serviços parecem ser o desconforto em relação às suas exigências e a insegurança quanto aos seus resultados, muito mais que a falta de atratividade da atividade. Não se trata de considerar esse serviço chato, como acontece com a atividade de passar para quem não gosta, ou apenas cansativo e repetitivo, sem outros atrativos, como acontece com a limpeza e a arrumação.
No caso da cozinha parece que o que leva à rejeição é o mesmo que desperta afinidade: a complexidade da atividade que exige habilidades específicas e envolve sempre a possibilidade de sucesso ou de fracasso. Dessa maneira a cozinha é rica em oportunidades de obter reconhecimento pelos resultados do trabalho, mas também pode ser motivo de frustração por não conseguir atender às expectativas. As duas possibilidades se apresentam porque na cozinha, o outro é o destinatário imediato do que se faz e o desejo de agradar e a possibilidade de não conseguir é motivo de preocupação e gera insegurança:
...às vezes eu fico ... eu falo ‘ai meu Deus, será que vai gostar? (...) quando a comida não ficou muito boa, eu mesma sinto que a comida não ficou muito boa, ou então está meio feia assim, assim meio...meio...porque não é todo dia que você tá animada entendeu...pra fazer aquilo... tudo né... tem outro dia que você já ta mais animada, pra cima, faz tudo, tranqüilo... (I.).
Essa preocupação em agradar é mencionada não apenas entre as que não gostam desse tipo de atividade, mas também entre as que gostam de cozinhar. O tempo todo está
em questão o gosto da outra pessoa para quem os alimentos são preparados. Se não agrada o esforço foi inútil e o sentimento pode ser de incompetência para a atividade.
Além disso, pela possibilidade de variedade nos resultados, cozinhar é uma atividade que demanda condições para que seja bem feita, inclusive, condições emocionais. O resultado pode não ser bom caso pessoa não esteja bem, como disse I.. Daí também a importância de gostar das pessoas da casa. O relacionamento ruim, o desrespeito e a falta de consideração podem interferir nessa atividade, mesmo porque os alimentos são preparados para elas. Da mesma maneira, outras condições também podem ser importantes como a pressão do tempo e a competição com outras atividades. Cozinhar bem exige atenção, envolvimento, o que nem sempre é possível, dependendo do ritmo necessário para os serviços. Além disso, a confiança na possibilidade de bons resultados também interfere tanto no gosto pela atividade, quanto nas oportunidades de sucesso:
...o que eu acho mais ruim assim é o almoço (...) é ruim porque você...ah...sei lá...você precisa de de...como é que se diz...em primeiro lugar você precisa de...tem que gostar para fazer e é uma coisa que eu não gosto e....você tem que agradar muitas vezes as pessoas assim.. o gosto... o sal, por isso que eu não sou muito...eu não sou muito...eu não sou muito boa com cozinhar, também nunca gostei de cozinhar. Nem em casa mesmo, às vezes eu saio e vou comer em outro lugar... (I.).
Gostar de cozinhar depende da confiança individual na capacidade de fazer bem e agradar, tanto que as que conseguem ser mais seguras são as que gostam mais da atividade.
Eu num ligo pra receita, eu num sei muito é bolo, porque eu nunca fui chegada a bolo... mas se eu for, me der pra fazer, eu faço...mas eu, mas a comida eu faço direitinho...se me dé a receita, eu faço direitinho ela (R.).
...nessa velhinha que eu trabalhei, que era vegetariana, sempre tinha uns livrozinho de receita, como ela sabia fazer, como eu não sabia fazer eu, eu fazia tudo do livrinho, e saia tudo certinho (risos)...então de vez em quando ela vinha com uma receita nova e ela fazia...lá pra ela, era legal (P.).
Eu gosto...principalmente assim, a pessoa chegar com receita nova assim: ah! Faça isso... Ah, eu adoro...eu gosto... (P.).
Por sua vez a confiança também pode ser construída a partir dos acertos e do reconhecimento do sucesso. Na cozinha o feedback tanto positivo quanto negativo são fundamentais e para saber o que deve ser mantido e o que precisa ser modificado. Os elogios aos pratos, quando acontecem são altamente valorizados como será visto no capítulo sobre reconhecimento do trabalho, mas também o feedback negativo é importante para orientar as próximas ações. Mas, depende do modo como é feito. A queixa é quando é humilhante, quando desqualifica e também quando nada do que é feito agrada. As indicações antecipadas de gostos e preferências também são valorizadas porque direcionam a atividade e aumenta a possibilidade de sucesso. A dificuldade de encontrar opções variadas de pratos que agradem para fazer todos os dias aumenta a importância da expressão direta de gostos e preferências e também de pedidos direitos para a refeição daquele dia são considerados bem vindos. A maior parte das entrevistadas, mesmo as que gostam de cozinhar, tem restrições em tomar todos os dias a decisão sobre o tipo de comida a ser servido e a obrigação de ter idéias novas para sempre variar os pratos.
Então, o que se pode dizer sobre a atividade de cozinhar é que, sem dúvida, é o serviço doméstico que mais desperta afinidades. Por outro lado, a rejeição pela cozinha parece ser conseqüência da preocupação e da insegurança que essa atividade provoca mais que do incômodo com a atividade em si, como acontece com outros serviços.
Resta agora dizer algumas palavras sobre um último grupo de atividades que