Conforme já foi abordado a partir da literatura, a desvalorização é a principal característica que se destaca no que diz respeito à significação social dos serviços domésticos. Amplamente discutida na literatura, essa desvalorização é um fenômeno social que se manifesta concretamente e ideologicamente de diferentes maneiras. A desvalorização dos serviços domésticos atinge de diferentes maneiras as mulheres que executam esse trabalho como ocupação profissional remunerada. Concretamente a desvalorização dos serviços domésticos aparece principalmente nos salários e na precariedade do vínculo empregatício, basta lembrar que os serviços domésticos estão entre as ocupações pior remuneradas no país e entre as mais precárias quanto aos diretos do trabalhador. Ideologicamente essa desvalorização também acontece de várias maneiras: pela falta de status associada a esse trabalho, pela banalização da aprendizagem necessária para sua execução e mais que isso, por muitas vezes sequer ser considerado efetivamente um trabalho, mesmo quando realizado sob remuneração e com carteira assinada e menos ainda uma profissão.
Na base dessa desvalorização, tanto a que se manifesta concretamente nos salários e nos direitos do trabalhador, quanto nas de caráter ideológico, está o lugar que essa atividade ocupa no modo capitalista de produção, à margem do mercado, por não se constituir como uma atividade lucrativa. Mesmo a importância direta dessa atividade para as pessoas, seu caráter premente e a impossibilidade de que seja tornada supérflua não são suficientes nem para garantir o valor no mercado e nem para mudar a valorização social dessa atividade. O
resultado desse quadro é que os serviços domésticos são assumidos principalmente por mulheres pobres, com baixo nível de escolaridade e quase nenhuma qualificação para outras ocupações profissionais. A falta de escolaridade, de qualificação profissional associada à necessidade de uma ocupação remunerada são os motivos apontados por essas mulheres para se colocarem no mercado em uma profissão pouco valorizada.
...eu faço porque eu num fui uma pessoa que tive oportunidade de estudar, porque eu não tive, eu não vou dizer que eu tive, porque eu não tive, porque o meu pai era pobre...meu pai só teve a condição de ensinar nós só fazer o alfabeto (V.)
...se eu tivesse ligado eu já estava em um bom serviço (...) Assim, relaxei para meus estudo, eu tô cansada dessa vida de doméstica (F.).
Dessa maneira, os serviços domésticos remunerados representam uma maneira de ganhar a vida, que pode, inclusive se estender por muitos anos e mesmo ser a única inserção no mercado de trabalho durante a vida toda, mas, mesmo quando é esse o caso, não são tratados efetivamente como uma profissão pelas empregadas domésticas.
...eu era costureira, mas como eu não tinha diploma, num arrumei serviço, arrumei pra trabalhar de faxineira, de passar roupa, de fazer tudo, tudo que viesse eu topava, eu trabalhava, de morar nas casa, eu não sei nem quantas casa eu trabalhei, trabalhei em muitas casas. Como faxineira, fazendo faxina, fazendo, passando roupa, lavando...tudo eu fazia (N.).
Vários fatores concorrem para essa situação, entre os quais a precariedade do vínculo e a falta de seguridade. Esses dois fatores que fazem parte da condição concreta do
emprego doméstico contribuem fortemente para a desvalorização dos serviços domésticos pelo próprio trabalhador.
... doméstica você não tem direito a nada, doméstica você só tem direito, no, no INSS, e veja lá...e mais nada. Você saiu, você pode morar a vida inteira numa casa, você não vai dizer: ah, eu to morando aqui, quando sair eu tenho.... Mesmo pelo mesmo salário, mas pelo menos, se eu passasse, por exemplo, três anos, quando eu saísse de lá, era claro, meus direitos (V.). Mesmo tendo carteira assinada e inscrição no INSS como é o caso da maior parte das entrevistadas, mas não da maior parte das empregadas domésticas no Brasil, a precariedade se faz sentir. A falta de fundo de garantia e de seguro desemprego colocam essa ocupação profissional em posição de desvantagem em relação a outras ocupações no mercado. Esse fato é mencionado mesmo pelas que estão em casas que consideram muito boas para trabalhar, porque está relacionado com o emprego e não com o trabalho (atividade) e suas condições concretas de execução.
...quero terminar os meus estudos, que também, casa de família assim, sei lá, não dá não, um outro emprego assim, mais melhor...pra pessoa tratá você mais bem...que tem mais, mais direito né? Fica, depois você não tem quase direito de nada...aí então fica meio que... (P.)
...ultimamente eu to fazendo o meu trabalho, eu gosto, eu to gostando, mas não é o que eu quero pra mim (M.).
É principalmente na comparação com outros trabalhos que aparecem as diferenças entre ser trabalhador doméstico e ser trabalhador para uma organização. O fundo de garantia e o seguro desemprego, ausentes para a quase totalidade das empregadas são
lembrados como benefícios fundamentais presentes em outras ocupações. A importância atribuída a esses direitos está relacionada à segurança que eles conferem. A seguridade social confere certa independência dos patrões e dá a sensação de amparo para o caso de eventualidades: doença ou mesmo para a demissão. O fundo de garantia tem ainda um efeito subjetivo considerável, porque representa algo que se acumulando com os anos de trabalho, algo que escapa ao consumo diário. Uma reserva acessível para um tempo futuro. Então, não ter fundo de garantia provoca o sentimento de que o trabalho é feito apenas para a sobrevivência imediata, o que na maior parte das vezes, de fato, corresponde à realidade.
...eu saindo, aí ela disse: é, que eu vou mandar bater, tuas contas. Ela... eu não tinha mais nada fia. Eu,... o quê? Eu morei lá doze anos, direitinho que ela me deu, foi duzentos e vinte reais...foi o dinheiro que ela me deu, que era o meu salário do mês...esse dinheiro, ela me deu, e eu também não fui atrás não. Porque assim, não tem justiça melhor do que a de Deus... (V.)
A conta zerada ao final de anos de trabalho na mesma casa concretiza o sentimento de que nada fica desse trabalho. Todo o esforço despendido apenas garantiu os dias que já foram vividos, nada assegura quanto ao futuro. Por maiores que tenham sido o tempo e a dedicação, o momento da saída é a constatação de que se sai da mesma maneira que entrou, sem nenhum acréscimo, uma vez que o que foi ganho também já foi gasto na sobrevivência quotidiana. Em relação às patroas fica o sentimento de que há uma dívida, porque a dedicação de anos de trabalho não foi devidamente valorizada, mesmo que legalmente não haja nenhuma pendência.
...se dedicar àquela família, trabalhando, trabalhando, trabalhando, trabalhando e no final às vezes a gente adoece não tem recompensação de nada....” (A.).
O acerto legal não elimina o ressentimento pelas patroas nessa constatação de que tudo que se tem a receber é o salário do mês e acertos das férias. A raiva, o ressentimento marcam essa situação de ruptura. A freqüência de “colocar a patroa na justiça” pode ser um modo de tentar reparar essa condição, mas somente depois da relação efetivamente encerrada.
A falta de seguridade também contribui para a desvalorização do emprego doméstico por causa da insegurança de saber que em caso de adoecimento só podem contar com a boa vontade da patroa, porque não tem amparo legal. Essa condição dos serviços domésticos provoca ainda uma situação delicada entre patrões e empregadas, porque as empregadas domésticas precisam das patroas mais que os empregados em trabalhos formais. Isso significa dependência direta e a percepção dessa dependência também desvaloriza o emprego doméstico, uma vez que o trabalho é justamente o caminho adulto de adquirir independência e cuidar da própria vida.
Além do tipo de vínculo empregatício e da falta de seguridade, também as limitações quanto às possibilidades de desenvolvimento profissional e de constituição de uma carreira estão entre as condições concretas que contribuem para a desvalorização do emprego doméstico.
Não vale a pena...você não cresce...não é? Profissionalmente, não você estaciona naquilo ali, você não cresce profissionalmente (...) profissionalmente não cresce, como pessoa, você pode crescer, mas profissionalmente você não tem nenhum crescimento, você não vai
chegar a lugar nenhum, a não ser todo dia lavar, passar, cozinhar, e arrumar, limpa o chão...é todo dia você vai fazer, aquela mesma pessoa, aquela mesma coisa ser empregada doméstica não é um trabalho que te realize não (M.).
Portanto, a desvalorização dos serviços domésticos remunerados não está ligada apenas à desvalorização social dos serviços domésticos e da profissão de empregada
doméstica. As oportunidades são efetivamente limitadas nessa área de atuação. Não se pode falar em possibilidades de ascensão a melhores empregos domésticos graças à experiência adquirida. Em termos de remuneração as diferenças são muito pequenas entre os empregos, de modo que trabalhar em uma casa grande, para uma família de alto padrão aquisitivo não é algo que se traduza em status ou remuneração muito diferenciada. Quando os salários são maiores a quantidade de trabalho e o desgaste também costumam ser, não representando verdadeiramente uma ascensão, nem do ponto de vista simbólico, nem objetivo. Em termos salariais as variações parecem ocorrer mais como decorrência da quantidade de serviço que de qualquer outra variável: paga-se mais quando o trabalho é em maior quantidade, mais difícil ou mais penoso.
Quer dizer, ele diz assim, eu pago oitocentos, mas você não tem direito nem de, de dormir, entendeu?(R.).
Era muita coisa para mim. Eu ganhava 800 reais, mas era 800 reais suado. Era muita responsabilidade. Aí tem uma hora que começa a estressar (A.).
O resultado é que, embora a experiência permita mais agilidade e otimização do tempo, por outro não se traduz em oportunidades significativamente melhores. Portanto,
parece não haver nada que se assemelhe a ascensão profissional ou evolução na carreira nos serviços domésticos remunerados.
De fato, a ocupação doméstica oferece poucas possibilidades ascendentes dentro do mesmo ramo. Depois do trajeto inicial de começar como babá ainda menina, fazer serviços de limpeza e passar para serviços gerais, que é um percurso comum, não há alternativas mais atraentes e mesmo essas não representam verdadeiramente uma ascensão e mudanças significativas em remuneração e status. Atualmente, não parece haver algo semelhante ao que Davis (1991) observou a respeito do emprego doméstico na Europa do séc XVIII. Naquela época não apenas a mobilidade, mas também a ascensão era possível devido a existência de casas com vários criados. A estrutura de carreira do serviço doméstico, segundo o autor, era composta por níveis que iniciavam na criada de servir, criada de quarto e chegava até dama de companhia. No nível mais baixo era preciso passar por grande variedade de tarefas lavando, cozinhando e cuidando das roupas. Depois de alguns anos em serviços inferiores que incluíam carregar carvão, água e esfregar o chão era possível tornar-se criada de sala e, melhor ainda, ser criada de quarto ou dama de companhia. De acordo com Davis, havia muita competição para chegar a esses níveis mais elevados na ‘estrutura da carreira’. A ascensão dependia das habilidades e dos contatos pessoais e era uma pequena minoria da força de trabalho doméstica que alcançava essas condições. De acordo com Davis, apesar dessa possibilidade de ascensão, a maioria vivia e trabalhava em condições miseráveis. Atualmente, mesmo as mais bem sucedidas na profissão não ocupam uma posição que possa ser considerada tão diferenciada das demais. Embora ser boa empregada facilite encontrar um emprego melhor, as diferenças não são suficientes para representar algo semelhante a uma ascensão na carreira. É possível encontrar melhores casas para trabalhar, onde haja mais respeito e consideração e até
mesmo mais ganhos secundários. O tempo na mesma casa também pode melhorar as condições do trabalho e do emprego e principalmente os benefícios informais concedidos como retribuição à dedicação pessoal, mas não se pode falar em uma estrutura ascendente nos empregos domésticos atualmente.
Além disso, quando vão ficando mais experientes como empregadas domésticas, as trabalhadoras vão ficando mais velhas também e, devido a demanda de esforço físico nos serviços domésticos, a idade aparece como um fator limitante para as casas que pagam melhor. As que estão há muitos anos na profissão passam a não ter mais condições de fazer os serviços de faxina, de limpeza pesada, ou trabalhar nas casas mais difíceis, que são as que pagam melhor. Essa limitação é ainda mais grave quando se considera que não é um trabalho onde se acumulam direitos. A exclusão do mercado pode tirar a possibilidade de sobrevivência que se define quotidianamente.
A maior vantagem da experiência e do tempo na profissão parece ser a possibilidade de não se submeter ao trabalho em casas onde as condições são ruins e o tratamento é humilhante. A segurança, a auto-confiança no próprio desempenho permite não se submeter a condições degradantes ou altamente desgastantes.
...pra mim também não dá não, eu não sou obrigado ficar me matando de trabalhar pra...eu preciso do dinheiro, eu preciso do dinheiro. Mas também não, num sabe? (...) Num levo. Eu num era obrigado a ficar me matando. (A.).
A experiência permite, portanto, uma escolha, no entanto não chega a representar uma ascensão profissional, é mais uma forma de evitar a submissão e a exploração, não
representando um passo a mais na trajetória profissional. Daí a grande ênfase na mudança de área de atuação quando existe o desejo de evolução no mundo do trabalho.
Além do significado social dos serviços domésticos e das características do vínculo empregatício, também as condições concretas sob as quais esses serviços são feitos em cada residência, estão entre os fatores que concorrem para o sentido pessoal dessa ocupação profissional. Essas condições incluem as relações com os patrões, o tratamento recebido, a quantidade de serviço, a autonomia, o reconhecimento. São essas condições que fazem de cada emprego uma ocupação mais ou menos digna de ser assumida o que pode ter implicações para a saúde física e psicológica do trabalhador. As condições concretas sob as quais se realizam os serviços domésticos serão abordadas detalhadamente em outros capítulos, por ora, o que interessa é que um trabalho com boas condições pode garantir a continuidade na mesma casa e nessa profissão por muitos anos, no entanto, não compensa a precariedade do vínculo, nem a desvalorização social da profissão. Uma casa boa, bons patrões, serviço não muito pesado e principalmente o bom relacionamento com a família contam para a avaliação positiva do trabalho, mas a desvalorização social dos serviços domésticos e suas implicações objetivas e subjetivas, podem camuflar ou anular esses efeitos. A precariedade do vínculo é o grande motivo para desejar ou efetivamente tentar construir condições para abandonar esse tipo de trabalho ainda que sejam boas as condições para sua realização.
Mesmo quando os serviços domésticos remunerados acontecem em casas consideradas muito boas para trabalhar, onde é possível permanecer por muitos anos; seja porque o serviço é muito tranqüilo, seja porque o relacionamento é bom, ainda assim é preciso enfrentar a desvalorização social dos serviços domésticos. Nesse caso, as empregadas domésticas não apenas reconhecem a concepção dominante a respeito dos
serviços domésticos, como ainda tem que discutir com essa concepção. Nessa discussão aparecem as diferenças entre o sentido pessoal do trabalho e o significado social dessa ocupação.
Olha, eu, eu acho assim, para mim mesmo eu não tenho o que reclamar não. Desde que seja, que você pegue um, um serviço bom assim, umas pessoas boas com você, eu não tenho o que reclamar não, tem muita gente que tem preconceito, assim: ah, você faz isso. Ah, mas eu que, que eu, que que eu, que eu sobrevivo entendeu? Pago minhas contas graças a Deus, e recebo o meu dinheiro todo o mês ... é melhor do que ficar parada. Ficar em casa sem fazer nada. Para mim eu acho.(...) Eu jamais eu sairia para mim ficar, é atrás de outra coisa assim que ... num quiser, ééé ... sem intenção de outro trabalho (I.).
Elas mesmas têm que discutir com o preconceito quanto aos serviços domésticos, assumindo, inclusive, a defesa da dignidade da profissão perante as opiniões e a desqualificação com as quais se deparam.
Tem quem diz que empregada doméstica, não sei o quê... Que diferença tem? Não tem alguma, a minha carteira ser assinada como doméstica...eu gosto do meu serviço de doméstica...aí ela disse assim: não, eu sou, meu serviço, é doméstica porque eu não estudei. Eu digo: pois então estuda minha filha...você tá nova, estuda... (R.).
Porque eu digo assim, eu adoro o meu serviço, como é que eu não vou gostar do meu serviço? (...) Eu gosto do meu serviço. Aí muitas dizia assim: não, minha patroa é chata; eu vou me embora, eu eu, vou fazer isso, aquela veia tá chata. Não, muito minha filha, é porque você não quer trabalhar, quando vê, não quer levantar todo dia cedo (R.).
...não consegui ficar em casa, porque num, já tinha costumado a trabalhar, e ficar em casa pra mim era um transtorno, eu queria trabalhar (...) por tudo, porque fazia falta de ter, o dinheiro fez falta, e a atividade pra mim também, eu acho mui eu achava muito bom (D).
Embora os serviços domésticos não sejam considerados propriamente uma profissão, pelas trabalhadoras, mesmo quando feitos de forma remunerada, também não têm a mesma conotação dos serviços feitos no interior do próprio lar. Os serviços domésticos remunerados configuram um outro espaço fora do seu ambiente privado. E não é só pelo dinheiro, mas também pela rotina de sair de casa para trabalhar.
A necessidade de defender o próprio trabalho contra a desqualificação e desvalorização não é a única razão que justifica os argumentos a favor dos serviços domésticos remunerados. A própria socialização de muitas dessas mulheres permite a aceitação dos serviços domésticos e a afinidade com os mesmos. Isso porque os serviços domésticos são aprendidos ainda na infância e na adolescência e esse aprendizado envolve a introjeção de um papel social. Muitas das mulheres que realizam os serviços domésticos remunerados aprenderam com as mães a cuidar da casa e a cozinhar.
Mas muitas vezes eu pego assim, só em olhando, assim, eu presto atenção, eu presto...Aí eu ficava, eu sou a mais velha, aí eu fiquei, sempre naquele...vontade de trabalhar, porque quem trabalha na roça, assim, na fazenda, só se tiver muita preguiça, né? Mas se não tiver, trabalha. Aí minha mãe vendia essas coisas assim, ela faz, a gente fazia muito...é requeijão é, tudo de leite ela fazia, ai eu fui apre... aprendendo com ela... Ela fazia, aí a gente, ela levava pra cidade, a gente vendia. Toda vida assim, foi assim. Eu digo: presto pra fazer (R.).
... eu desde lá que eu às vezes, eu fazia um crochê, a menina ensinava sempre a gente, bordava, assim, mexia com coisa de, de fazenda né? Leite, tijolo, essas coisa, doce, tudo eu fazia, aí ela pegava...muito assim, eu pegava, muitas vezes eu pegava as coisas só em oiá assim. Eu não, eu não estudei muito não, eu só estudei até a quinta série (R.).
A realização de serviços domésticos remunerados acaba sendo uma extensão dessa atividade para fora da própria casa. A aprendizagem que acontece já no exercício dos serviços domésticos como ocupação profissional também é valorizada por elas mesmas.
...eu aprendi assim, eu não tive... que fazer curso nem nada, por receita, por livro que eu fui aprendendo a fazer as comida vegetariana (P.).
...eu aprendi tudo lá...Eu não sabia, quando eu comecei a trabalhar de doméstica, eu só sabia fazer mais o básico... (...) eu aprendi tudo, primeiro pela minha inteligência, porque ninguém nunca me ensinou, eu entrei fazendo copa entendeu? Eu não era cozinheira, era copeira, então como eu vi a outra fazendo eu fui aprendendo...aí outra engravidou saiu...aí eu fiquei no lugar...eu fazia copa, cozinha, cozinhava e passava e lavava, sozinha, ai eu fiquei um bom tempo... (V.).
A evolução nas habilidades, a capacidade de aprendizagem e a competência para fazer bem os serviços são motivo de orgulho. Perder o medo de usar aparelhos eletrodomésticos ou aprender formas mais práticas e eficazes de fazer um serviço é algo que agrada. Ocorre inclusive o acúmulo de experiências, o que permite novas aquisições de uma casa para outra. A mesma pessoa aprende coisas diferentes nas casas que vai passando.
De cada família são adquiridas novas habilidades em função das necessidades e dos hábitos casa.
...lá tinha uma máquina de costura né, eu aprendi a costurar. Aí ela inventava fazer umas cortinas, tanto é que eu, eu aprendi a fazer cocha de cama, cortina, tudo eu aprendi a fazer lá, porque ela comprava, levava pra São Paulo, levava mais medida e trazia, ai eu ia ter que me virar pra, pra