RESEARCH FINDINGS
6.2 Practical implications of using embedded service design labs in healthcare
“De modo geral, é o processo pelo qual os seres individuais se formam e se diferenciam; em particular, é o desenvolvimento de um individuo psicológico como um ser distinto da psicologia geral e coletiva” (SHARP, 1993: 90).
O self contém a totalidade do sujeito, inclusive as características próprias do mesmo a serem desenvolvidas. Cabe ao ego em individuação dar vazão para tais conteúdos se manifestarem, os quais são articulados inconscientemente pelo self. Desta forma, o sujeito estaria realizando a si mesmo, ou seja, o ego correspondendo ao self.
Sobre a dinâmica ego-self: “... no conflito como na colaboração entre ambos é que os diversos componentes da personalidade amadurecem e unem-se numa síntese, na realização de um individuo específico e inteiro” (SILVEIRA, 2003: 77).
No processo de individuação, para o indivíduo tornar-se único, é necessário primeiramente ou mesmo simultaneamente, a estruturação do ego. Essa estruturação do ego não se trata apenas da diferenciação do ego em relação ao self, mas também: do recolhimento dos conteúdos projetados na sombra a serem integrados pelo ego; da diferenciação do ego com a persona; da conscientização e elaboração dos complexos; da integração com a anima (no homem) ou animus (na mulher). Tais processos configuram as condições ideais para o ego proceder a individuação, na qual o ego exerce a conscientização de suas condições psíquicas e realiza as demandas do si-mesmo. O ego estrutura suas condições psiquicas, distinguindo-se da consciência coletiva, a qual tende a identificar os sujeitos com uma massa e não enquanto individuo único, para então se proceder a relação com o self. Serão explicitados os conceitos utilizados acima, que são pressupostos teóricos da Psicologia Analítica, fundamentais a todo ser humano em seu processo de individuação, logo, arquétipos que se articulam no processo de individuação.
Segundo o dicionário junguiano, dirigido por Paolo Francesco Pieri (2002), o processo de individuação é um processo simultâneo de diferenciação e
integração. Apesar de parecer contraditório, a simultaniedade é exercida, tanto em níveis diferentes, quanto, a diferenciação sendo seqüenciada pela sua integração, simultânea ou posteriormente.
A diferenciação se presta a distinguir um conteúdo psíquico de um outro, com os quais estaria inconscientemente identificado, a fim de realizar uma discriminação. A integração seria a incorporação dos conteúdos diferenciados, porém mantendo suas distinções. Sobre essas duas dinâmicas do processo de individuação, o autor cita:
“Portanto, a diferenciação individuativa indica uma passagem à independência e à autonomia da parte, quando se torna possível a referência representativa ao estado originário de indiferenciação psíquica e à sua conseqüente ineficaz dependência e heteronomia em relação ao outro diferente de si próprio e do todo. A integração individuativa indica, ao invés, uma passagem à dependência e à heteronomia da parte, quando se tornar possível a referência, neste caso, ao estado originário de oposição e de conflito e, portanto, de ineficaz independência e autonomia em relação ao outro diferente de si próprio e ao todo” (PIERI, 2002:256).
Uma conseqüência da individuação é a de estabelecer as diferenciações entre distintas estruturas psíquicas, como a persona. Personas são expressões da máscara psíquica que usamos nas relações com o mundo, que servem para ocultar um estado interno e também para revelar traços parciais de nossa personalidade: si-mesmo, centro ordenador da psique total, e ego, centro da personalidade consciente. Para evitar que essas “estruturas psíquicas” estejam inconscientemente identificadas entre si, a individuação, por meio da diferenciação e integração, desenvolve uma articulação entre os distintos operadores da dimensão do mundo interno, possibilitando assim a estruturação de um ser humano “único” e organizado pelo seu próprio processo de integração. O autor cita ainda:
“ ‘É importante para a meta da individuação, isto é, da realização do si-mesmo, que o indivíduo aprenda a distinguir entre o que parece ser para si mesmo e o que é para os outros. É igualmente necessário que conscientize seu invisível sistema de relações com o inconsciente...’ ” (PIERI, 2002: 259).
Existem outras “estruturas psíquicas” na psicologia analítica, como sombra e anima/animus, que serão desenvolvidas posteriormente e que também se incluem no processo descrito acima de discriminação dos operadores do mundo interno.
No mesmo volume destacado acima é salientado que no processo de individuação nós nos tornarmos o nosso próprio si-mesmo. “‘Podemos pois traduzir “individuação” como “tornar-se si-mesmo” ou “o realizar-se do si-mesmo” ’” (PIERI, 2002: 259).
No constante balizamento do mundo interno, no qual o ego é a capacidade de escolha e participação ativa, existem outras entidades internas que influem com mesma ou até maior força. Sendo assim, o ego não tem força para realizar o processo sozinho, pois tem que se articular com seus recursos internos, e nem mesmo tem controle sobre qual é o objetivo a ser alcançado. Segundo (PIERI, 2002: 260), o ego deve realizar com o si-mesmo ou self uma relação, nem de se opor nem de se submeter, mas sim de se conectar ao mesmo, permanecendo em sua órbita. Segundo o autor, o self ou si-mesmo é da ordem do indescritível, sendo assim, sobre a relação do ego com o mesmo e sobre o conteúdo do mesmo, nada se pode afirmar. O autor usa a palavra sentir para fazer referência à relação que o ego estabelece com o self, uma vez que ao ego o si-mesmo é inapreensível, o que exige uma relação num nível irracional e mais sensorial. Sendo assim, o self, de antemão, já bloqueia qualquer tentativa de manipulação racional do ego.
Cabe destacar que a individuação tem importante valor tanto para se assegurar quanto para proteger a individualidade mediante as pressões do externo exercidas
pelo ambiente e meio coletivo. Além de oferecer proteção, a individuação fortalece o ego a não recair no inconsciente ou sucumbir às coações advindas da ligação entre o indivíduo e o ambiente.
Desenvolve-se na individuação: o aspecto interior e subjetivo de integração; e o aspecto exterior objetivo na relação com o outro. Na individuação, o sujeito além de dispor de uma organização articulada interna, empenha-se em uma articulação externa com o outro.
Sobre o sujeito que se encontra no processo de individuação em relação ao ambiente coletivo, o autor cita:
“Desta forma o nível interindividual da individuação é considerado como distinção do Eu em relação aos modelos (presentes no plano da ação interpsíquica além da representação interpsíquica) e, portanto, como expressão da capacidade do indivíduo de perceber-se não mais como executor automático das normas coletivas externas ou dos hábitos já instaurados internamente. Neste sentido pode-se dizer que, na individuação, o Eu – retirando-se do assim chamado ‘coletivo’ – põe-se à margem dele e constitui as bases para possível troca e verdadeira interação com ele...” (PIERI, 2002: 261).
A autora Aniela Jaffé (1995, 76) diz: “O caminho natural para a experiência pessoal do inconsciente coletivo é aberto pelos sonhos e, de forma menos comum, pelas visões, alucinações, fenômenos sincronísticos etc”.
A mesma afirma que no processo de individuação são “invocadas” imagens do inconsciente que devem ser elaboradas conscientemente. O processo não se trata apenas da sucessão dessas imagens, mas sim de uma complementação das mesmas pela realidade exterior. Desta forma, ao se combinar uma imagem interior com uma atitude em relação ao exterior, processa-se o desenvolvimento da individualidade e destino. Como destino é entendido o desenvolver da
individualidade no sentido mais elevado, jamais plenamente realizado e meta contínua da individuação.
“A individuação consiste, basicamente, em tentativas constantemente renovadas, constantemente exigidas, de combinar as imagens interiores com a experiência exterior. Ou, dizendo de outro modo, é o esforço no sentido de ‘fazer tornar-se inteiramente nossa própria intenção aquilo que o destino pretende fazer conosco’ ” (W. Bergengruen apud Jaffé, 1995: 79).
“Nos momentos bem-sucedidos, uma parte do self é realizada como a unidade de interior e exterior. Então o homem pode repousar em si mesmo, porque está auto-realizado e irradia o efeito da autenticidade” (JAFFÉ, 1995: 79).
A autora complementa a citação acima fazendo uma consideração sobre a condição numinosa e indescritível do arquétipo do self, e considera individuação em linguagem religiosa como a realização do divino no homem.
“Pela conscientização das conexões e imagens transpessoais e pela experiência de sua numinosidade, reconhecemos energias que atuam por trás do nosso ser e de nossas ações, assim como por trás da aparente casualidade dos acontecimentos” (JAFFÉ, 1995: 81).
As situações que nos exigem uma escolha, ou que nos fazem lembrar de intimidades, medos e alegrias, mobilizam e atualizam nossa psique, que passará a funcionar a partir deste engajamento. No entanto, nem sempre estamos certos sobre nossas expectativas e por vezes nos frustramos. Esses estados de disposições do sujeito, sempre se constituem de elementos internos psíquicos que se agrupam e se apresentam para o ego, ou pelo mesmo são manejados. A partir das expressões internas advindas das situações que vivemos, temos a
oportunidade de nos dispor para uma ação, nos entender conosco, exercer nossa criatividade e etc. Sendo assim, nossa situação interna sempre é nosso ponto de partida, ou afinação, para as transposições das situações vividas. É o nosso fio condutor, que quando é abalado deve prosseguir a partir desse abalo, ou quando está estável, permanece a partir desse estado até suceder alguma mudança.
A anima, no homem, ou animus, na mulher, são arquétipos interiores que nos revelam a totalidade dos conteúdos sobre o sexo oposto e funcionam como guias da criatividade, permitindo-nos acessar e mesmo expressar articuladamente nossos conteúdos inconscientes. No entanto, este trabalho não irá aprofundar nem mesmo compor uma análise com esses conceitos, pela necessidade de limitar e recortar nosso foco de estudo.
“Mais cedo ou mais tarde, a verdadeira individuação exige do homem uma disposição de abandonar as pretensões da sua personalidade em favor do self como autoridade supra-ordenada, e renunciar a elas sem se perder. A individuação sempre encerra sacrifício, uma ‘paixão do eu’. Mas ‘não significa exatamente deixar-se tomar; é um abrir mão consciente e deliberado, que prova que se é capaz de dispor de si mesmo, isto é, do seu próprio eu’. No entanto, somos conduzidos a essa entrega livre ou voluntária de si pelo self, pelo seu impulso de desenvolvimento e realização própria. A personalidade mais abrangente toma o eu a seu serviço e este torna-se o representante e o realizador do self no mundo da consciência” (JAFFÉ, 1995: 90)
Apesar de as exigências do self soarem como comandos externos, aos quais se devem obedecer com continência, não se trata de uma relação vertical de submissão, mas sim de uma escolha voluntária do eu em se corresponder com as demandas do self. O self é também denominado, como já dito, como o si-mesmo. Sendo assim, trata-se de um diálogo interno, de uma autoridade semelhante à externa, mas sendo um aspecto interno superior da mesma pessoa, o que pode
afirmar que uma pessoa que desempenha tal relação com o self, obedece a si mesma.
A relação com o self ressalta uma distância do mesmo em relação ao ego, advinda da separação primordial para a criação do ego, como foi descrito anteriormente. Tal diálogo com o self parece impor ao ego as limitações e rédeas a serem seguidas e guiadas. Sendo assim, o ego se dispõe ou não a ceder a tais limitações, desempenhando, independentemente de sua escolha, uma luta interna. Segundo a autora, a limitação “imposta” pelo self pode soar desagradável e ameaçadora ao ego, o qual pode se assustar ao se deparar com a falta de liberdade despertada. Ou, em outro caso, a limitação pode ser recebida como um despertar da alma que finalmente chegou.
“O perigo de confundir a individuação com o tornar-se um homem- deus ou um super-homem é evidente. As trágicas ou grotescas conseqüências desse equívoco só podem ser evitadas se o ego- personalidade puder conduzir o entendimento com o self, não perdendo de vista a realidade das nossas limitações humanas e da nossa mediocridade” (JAFFÉ, 1995: 81)
A autora destaca, após a citação acima, a necessidade do ego em resistir à influência do self, para não ser tomado pelo mesmo, para somente assim poder torná-lo consciente em sua divindade. Isso sugere a modéstia e cautela até que se possa de fato se conter no ego uma forma de se relacionar com o self. É citada ainda a necessidade de se abandonar as pretensões do ego, encerrando suas paixões, exercendo assim um sacrifício a fim de se vincular e se relacionar com o self, uma vez que as demandas do self podem não corresponder às aspirações e desejos do ego.
“Como em todas as questões que confinam com o transcendental, a única resposta que a psicologia pode dar é uma resposta contraditória: o homem é livre e não é livre. Não é livre para escolher
o seu destino, mas sua consciência lhe dá a liberdade para aceitá-lo como uma tarefa que lhe foi atribuída pela natureza. Se ele toma a responsabilidade pela individuação, submete-se voluntariamente ao self – em linguagem religiosa, submete-se à vontade de Deus. No entanto, a submissão não anula o sentimento de sua liberdade. Pelo contrário, só o sacrifício o justifica e a responsabilidade por seus atos e decisões lhe dá validade. O sacrifício é uma afirmação da tarefa que a vida representa. Ele aponta para além do homem e, por isso, pode levá-lo a uma autêntica experiência de significado” (JAFFÉ, 1995: 91).
No momento em que o ego escolhe se corresponder com o self, advêm os devires, enquanto metas a serem identificadas para então serem cumpridas pelo ego, uma vez que o ego orientado pelo self abrange suas questões existenciais, tais como: sentido da vida, destino, etc. As implicações do ego no processo de individuação despertam dificuldades e sentimentos irreconciliáveis. No self se contém a totalidade e unidade, enquanto que no ego se contém as contradições e fragmentos do self. No entanto, o ego não “sabe” ou não suporta integrar os opostos, restando-lhe como alternativa “pedir auxílio” para o self, no intuito de se obter uma totalidade ou de haver-se com uma resolução da contradição despertada. As dificuldades, para conciliar tendêcias opostas constelam no sujeito o embate entre liberdade e prisão.
“A liberdade e a prisão acompanham e condicionam a história da evolução do homem. Sua consciência aumentou consideravelmente de alcance, desde seu primeiro despertar, e adquiriu um forte sentimento de liberdade” (JAFFÉ, 1995: 93).
A liberdade pode ser facilmente associada ao cumprimento dos anseios do ego e obtenção da satisfação pelo mesmo, despertando-lhe a idéia de ser livre para permanecer ou não em determinada situação conforme seu livre-arbítrio ou
livre-escolha. Já a idéia de prisão pode ser facilmente associada com a restrição de liberdade, com o confinamento e ausência de escolha, despertando a inevitabilidade de uma situação.
A individuação é a forma pela qual se dá o desenvolvimento da psique humana, por meio da correspondência do ego com o self. “A consciência, ampliando-se ao longo dos milênios, é o prémio maior da evolução, especialmente devido ao sentimento de liberdade que comunica” (JAFFÉ, 1995: 93). A autora complementa dizendo que o maior acesso a liberdade tem como consequência o distanciamento da natureza, que nos protegia dando-nos instintos mais resolutos; e que, sem eles, temos que encontrar dentro de nós mesmos condições que nos protejam, de maneira que não precisemos ficar diluídos nas massas e agrupamentos coletivos, pois a coletividade oferece proteção e exerce influência sugestiva sobre o indivíduo. A autora diz que a individuação tem como significado social o meio pelo qual o sujeito não permanece massificado.
O processo de desenvolvimento e mesmo evolução da consciência humana por meio da realização do self é relacionado pela mesma autora como sendo a “individuação da humanidade” (JAFFÉ, 1995: 113). A individuação não ocorre, portanto, apenas no nível pessoal, já que um sujeito pode tomar para si o “problema dos outros”, ou seja, conteúdos projetados pelos outros ou coletivos, que de alguma forma combinam com o sujeito alvo da projeção devido ao fato dele assumi-los como “problemas seus”. Sendo assim, o sujeito pode identificar seus conteúdos a serem trabalhados a partir de um apontamento exterior dirigido a ele. Dessa forma, o indivíduo irá trabalhar tanto seus conteúdos interiores quanto os conteúdos exteriores projetados nele pelos outros.
“A individuação do homem tomado como indivíduo não se realiza separadamente da individuação coletiva, mas na verdade o espírito do tempo se realiza no indivíduo, e a imagem de Deus, especifica de uma época, está constelada no inconsciente dele como uma imagem da totalidade” (JAFFÉ, 1995: 114).
Cabe salientar que a relação abordada pela autora entre o self e Deus não assimila os dois conceitos como significando a mesma coisa. Logo, o self não é igual a Deus, ele apenas interage com o ego de forma semelhante a como a humanidade se relacionou com a religiosidade e com a imagem de Deus, as quais foram se transformando durante a história.
Apesar de tanto Deus quanto o self serem irrepresentáveis, existe a diferença entre Deus, ou seja, objeto inapreensível, e imagem de Deus e religiosidade, ou seja, objetos apreensíveis; assim como existe a diferença entre self, arquétipo central inapreensível, e imagens arquetípicas, emanações do self apreensíveis. Sendo assim, existe uma dinâmica semelhante entre os conceitos de self e divindade no que concerne ao psiquismo do ser humano. Os conteúdos que são expressos pelo self, imagens arquetípicas, são de uma profundidade que só podem ser verdadeiramente assimilados se forem contemplados em suas demandas emocionais e não apenas racionais, para assim serem assimiladas as características numinosas ou sagradas desses conteúdos inconscientes.
É destacado pela autora que as religiões que as pessoas, desde os primórdios até a atualidade, professavam e a representação que os mesmos faziam de Deus ou divindade, correspondem ao processo de desenvolvimento do self coletivo. A individuação visa à síntese dos opostos no self, concebidos de maneira consciente pelo ego, que por sua vez engendra o processo de lidar com as contradições até se atingir uma situação de resolução, desempenhando assim o apaziguamento das contradições.
No processo de individuação, os ganhos obtidos se dão: na estruturação do ego mediante as questões que o abalavam em determinada fase; e na sucessão de estruturações a serem feitas conforme advierem novas “dificuldades interiores”. Sendo assim, o ego que permanece no processo de individuação, durante sua vida escala diversos níveis interiores, assimilando-os e tomando crescente consciência de nossa realidade psicológica própria, adquirindo continuamente auto-conhecimento. Além disso, o ego em contato com o self é guiado a levar sua vida realizando seu “melhor destino possível”.
Cabe destacar a função compensatória da psique, seu funcionamento padrão, à qual tanto o processo de individuação quanto qualquer outro funcionamento psíquico estão sujeitos. Trata-se do conflito subjacente a qualquer ação psicológica na qual uma tese é contraposta pela sua antítese; e do choque entre as duas cria-se a síntese, que por sua vez pode transformar-se em uma tese para uma nova antítese e síntese. Esse é o mecanismo de auto regulação da psique, na qual qualquer contexto exacerbado irá, como em uma balança, evocar seu oposto, criando assim um conflito interno no qual a síntese seria a resolução e re- estabelecimento de um equilíbrio temporário. A individuação não escapa desse funcionamento, ela apenas prepara o ego para um “melhor desempenho” e permite uma compensação na relação do ego com o self. Essa função compensatória permite ainda a realização da síntese do self, ou seja, a resolução proposta pelo self enquanto personalidade superior que ordena o ego em seus balizamentos de tese e antítese.
Aniela Jaffé afirma que apesar de o ser humano ser diferente dos outros animais por ter maior controle sobre seus instintos e por ter um eu consciente com liberdade de decisão e outras, ainda assim, as ações e idéias do mesmo são moldadas pelos arquétipos, e sua predisposição para vencer o inconsciente é engendrada pelo self.
Capítulo III c: - Considerações sobre os conceitos de Sombra e Complexo