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5. ANALYSIS AND DISCUSSION OF THE FINDINGS

5.5 Power and dependency

Para Robbins (1990, p. 6), “Design organizacional se refere à construção e mudança de uma estrutura organizacional para alcançar as metas da organização.”16

O termo desenho organizacional, diz respeito ao processo de determinar e implementar a estrutura organizacional mais adequada à empresa, tendo em vista seus recursos, missão, objetivos, ambiente, tecnologia, tamanho e outras variáveis que porventura possam interferir nessa escolha.

É importante salientar que ainda não existe uma teoria consolidada sobre desenho organizacional, que obtenha consenso entre os teóricos. Muitas propostas existem e os administradores precisam escolher entre estas o quadro teórico mais adequado à realidade da empresa.

Algumas teorias afirmam que ‘há o melhor método’ para montar e planejar a organização e damos a estas teorias o nome de teorias universais. Outras afirmam que a estrutura ótima pode variar de situação para situação, dependendo de fatores tais como tecnologia e diferenças ambientais e estas teorias recebem o nome de teorias contingenciais. (GIBSON et al, 1981, p. 270).

16

“Organization design is concerned with constructing and changing an organization’s structure to achieve the organization’s goals.”

Dentre as teorias universais estão as correntes de pensamento denominadas administração científica (Taylor, Gilbreth, Gantt), teoria clássica da organização (Fayol, Mooney, Reiley) e teoria burocrática (Weber). As primeiras idéias e tentativas de solucionar os problemas organizacionais de forma mais estruturada surgiram no final do século XIX e deram origem à administração científica. Depois vieram as demais teorias apresentando evoluções, mas tendo como princípio básico a crença de que existe uma maneira “ótima” de organizar.

As teorias contingenciais representam as tentativas mais recentes de entender e solucionar os problemas organizacionais relacionados à estrutura. Elas acreditam que as estruturas precisam ser ajustadas para se adaptar a situações diversas, as quais as organizações são submetidas, e que não há um único modelo, mas sim um modelo diferente para cada situação existente. Dentre essas teorias estão as correntes de pensamento que procuram relacionar como fator determinante da estrutura as variáveis: tecnologia, ambiente, tamanho da organização, poder- controle e estratégias, já comentadas anteriormente.

Um modelo que é representativo das teorias universais e que ainda é amplamente encontrado nas empresas é a burocracia. Pela definição de Max Weber, sociólogo alemão que propôs o modelo, burocracia é um tipo ideal de organização racional e eficiente, cujas características são “[...] divisão do trabalho, uma hierarquia de autoridade bem definida, alta formalização, relações impessoais, decisões sobre o emprego baseadas em mérito, expectativa de carreira do empregado e separação entre a vida pessoal e profissional dos membros.”17 (ROBBINS, 1990, p. 325).

A burocracia possui duas vertentes: burocracia mecanizada e burocracia profissional. Na burocracia mecanizada o ponto chave é a padronização dos processos de trabalho. Segundo Mintzberg (2003, p. 186) essa estrutura se configura da seguinte forma:

Tarefas operacionais rotineiras e altamente especializadas; procedimentos muito formalizados no núcleo operacional; proliferação de normas, regulamentos e comunicação formalizada em toda a organização; grandes unidades no nível operacional; confiança na base funcional para agrupamento das tarefas; poder de tomada de decisão relativamente centralizado; e estrutura administrativa elaborada com nítida distinção entre linha e assessoria.

17

“[...] division of labor, a well-defined authority hierarchy, high formalization, impersonal relations, employment decisions based on merit, career tracks for employees, and distinct separation of members’ organizational and personal lives.”

Na segunda vertente, a burocracia profissional, o trabalho é complexo e deve ser controlado pelas pessoas que o executam, gerando uma estrutura mais descentralizada. O foco da padronização não recai nos processos de trabalho e sim nas habilidades e conhecimentos necessários para realizar os trabalhos complexos. Para Mintzberg (2003, p. 213):

A burocracia profissional baseia-se na coordenação da padronização das habilidades e em seus parâmetros de design associados, o treinamento e a doutrinação. Contrata profissionais especializados, devidamente treinados e doutrinados, para o núcleo operacional e, depois, concede- lhes considerável controle sobre seu próprio trabalho.

Embora exista muita discussão sobre as exigências de flexibilidade para a empresa ser mais dinâmica no ambiente competitivo no qual está inserida, a forma estrutural mais encontrada ainda é a burocracia.

[...] a burocracia mecanizada permanece uma configuração dominante – provavelmente a dominante em nossas sociedades especializadas. Enquanto demandarmos bens e serviços baratos e padronizados e mais pessoas permanecerem tão eficientes quanto máquinas automáticas para fornecê-los – e continuarem dispostas a fazer isso –, a Burocracia Mecanizada, com todos os seus problemas, estará conosco. (Ibid., p. 211).

Outro modelo também encontrado atualmente nas empresas, e que é representativo das teorias contingenciais, é a adhocracia. Robbins (1990, p. 354) a define como um “[...] sistema que muda rapidamente, adaptativo, geralmente temporário, organizado em função de problemas a serem resolvidos por grupos de pessoas relativamente estranhas com habilidades profissionais diversas.”18 Tem como características: de moderada a baixa complexidade, baixa formalização e tomada de decisão centralizada e maior possibilidade de adaptação a ambientes mais dinâmicos e complexos, ou ainda quando as empresas estão nos primeiros anos de vida. É necessário ressaltar que nos últimos anos esse modelo tem sido muito discutido, mas que efetivamente poucas empresas o utilizam. Na maioria das vezes, existe nas empresas um misto entre adhocracia e burocracia.

A literatura apresenta diversas formas estruturais que são na verdade extensões dos modelos burocrático e adhocrático.

As estruturas do tipo funcional, por clientes, por produtos, por processos, entre outras,

18

“[...] a rapidly changing, adaptive, usually temporary system organized around problems to be solved by groups of relative strangers with diverse professional skills.”

consideradas tradicionais, são exemplos de estruturas baseadas no modelo burocrático. Estruturas do tipo matriz, por projetos, consideradas inovativas, são exemplos de estruturas baseadas no modelo adhocrático.

De forma geral, a grande diferença entre essas formas estruturais é a maneira pela qual as atividades desenvolvidas na organização são agrupadas, tendo em vista os objetivos da organização, o que é conhecido como departamentalização. A realidade das empresas demonstra que nenhuma forma específica de departamentalização consegue abranger todas as características necessárias para a estruturação de uma organização. O que se percebe é uma combinação e interação dessas formas estruturais.