5. ANALYSIS AND DISCUSSION OF THE FINDINGS
5.3 Internal supply chain risks
Antes de explorar detalhes sobre as estruturas das organizações, é necessário entender melhor a própria organização. Dentro desse contexto, adotou-se a seguinte definição de organização:
Uma organização é uma entidade social conscientemente coordenada, com uma fronteira relativamente identificável, que funciona em uma base relativamente contínua para alcançar uma meta comum ou um conjunto de metas.5 (ROBBINS, 1990, p. 4).
5
An organization is a consciously coordinated social entity, with a relatively identifiable boundary, that functions on a relatively continuous basis to achieve a common goal or set of goals.
A expressão conscientemente coordenada implica em gerenciamento e as palavras entidade social significam que as várias unidades da organização são compostas por pessoas ou por grupos de pessoas que interagem entre si, seguindo determinados padrões de interação. É, portanto, necessário, que haja um constante gerenciamento desses padrões de interação a fim de que haja uma certa harmonia que permita a execução das diversas atividades existentes na empresa.
Ter uma fronteira relativamente identificável significa que deve ser possível estabelecer os limites de uma organização, separando as pessoas que fazem parte dela daquelas que não fazem parte.
Finalmente, para alcançar suas metas, a organização utiliza a divisão de trabalho e a hierarquia de autoridade. As atividades são divididas em tarefas e distribuídas entre as pessoas para serem melhor executadas. Também é preciso que haja uma escala de autoridade para que as atividades sejam adequadamente coordenadas.
Uma abordagem válida para iniciar um estudo sobre organizações é tratá-las como um sistema. Existem muitas definições de sistema na literatura, mas é possível observar que todas têm alguns aspectos em comum. Geralmente, em tais definições são citadas: a presença de mais de um elemento, a relação de interação entre esses elementos e a existência de um ou mais objetivos em comum.
Dessa forma, é possível entender sistemas tendo como base a definição proposta por Churchman (1972, p. 50) que, sendo simples e sucinta, expressa adequadamente o conceito: “[...] um sistema é um conjunto de partes coordenadas para realizar um conjunto de finalidades.”
No caso da organização, as partes ou elementos podem ser identificados como sendo seus recursos materiais e financeiros, as pessoas, as tarefas, as informações, as normas, entre outros. Todos esses elementos mantêm entre si uma relação de interdependência e, como resultado dessa interação, os objetivos da organização são alcançados.
A organização pode, portanto, ser considerada como uma série de componentes - a tarefa, os indivíduos, a organização formal e a organização informal. Em qualquer sistema, porém, a questão crítica não é quais são os componentes, mas qual a natureza da sua interação e como as relações entre eles afetam a maneira pela qual se combinam para dar o produto. (NADLER et al, 1994, p. 39).
Nesse sentido, quando se fala em mudança organizacional, é preciso observar o todo, pois, provavelmente, quando um dos componentes da organização é alterado, ocorrerão mudanças nos demais, sendo algumas mais substanciais e outras mais amenas.
Autores como Galliers (1998) e Walton (1993) adotam essa visão sistêmica ao tratar de mudança organizacional. A Figura 2, extraída de Galliers (1998), o qual baseou-se no “diamante de Leavitt”, demonstra a interação dos elementos da organização:
Como demonstrado no quadro acima, a organização é vista como o conjunto de processos, estrutura, tecnologia, pessoas e valores. Esses elementos interagem e sempre que for decidido que haverá mudanças em um deles, deve, ainda na fase de planejamento, ser observado o impacto nos demais, sob pena de fracasso do projeto.
A respeito da variável tecnologia, tratando especificamente de tecnologia de informação, por vezes, a alteração apresenta-se como uma oportunidade para repensar toda a organização e promover a mudança organizacional. Sobre isso Turner (1998, p. 246) comenta:
Processos
Tecnologia
Estrutura Pessoas/Valores
Figura 2 - Interação dos Elementos da Organização
[...] designers de sistema têm sempre usado a implementação de novos sistemas como oportunidade de fazer uma substancial mudança organizacional e operacional. Freqüentemente os fluxos de informação e procedimentos são completamente repensados e cargos reconstituídos antes de um sistema de informação ser implementado.6
Todavia, muitas vezes ocorre o engano em pensar que a simples presença da nova TI promoverá todas as demais mudanças imprescindíveis. Não é um processo simples e automático. É preciso um planejamento para visualizar os impactos, promover os ajustes e reorganizar o sistema de trabalho. Além dos ajustes técnicos, é preciso conquistar o apoio das pessoas que fazem parte da organização, pois, muitas vezes, estas se sentem ameaçadas, com medo de perder o emprego, serem substituídas pelas máquinas, entre outras inseguranças. Para se protegerem, conscientes ou não, acabam por aceitar a mudança, mas sem o comprometimento necessário, o que, a longo prazo, pode levar o projeto a ser abandonado ou implementado com deficiências.
A influência da tecnologia na mudança organizacional é um assunto que desperta muito interesse, mas requer pesquisas que demonstrem como essa relação acontece. “Apesar de ser geralmente conhecido que tecnologia da informação (TI) desempenha um importante papel na mudança organizacional, há pouca concordância em que tipo de papel é, as tecnologias chaves que poderiam ser utilizadas, e como elas podem ser aplicadas.”7 (Ibid., p. 245).
Para Winfield (1991, p. 105) “[...] enquanto nem todos os trabalhos estão sendo radicalmente modificados pela tecnologia de informação, restam poucos que não são influenciados de algum modo.”8 Já Walton (1993, p. 31) afirma que:
As formas de TI avançadas têm conseqüências organizacionais mais amplas e profundas do que as anteriores. Quanto maior a funcionalidade de um sistema de TI, maiores níveis de aprendizado e ajustamento são necessários para sua utilização, indo desde as habilidades dos operadores por meio dos procedimentos e estrutura organizacionais até os aspectos culturais.
6
(...) system designers have always used times of new system implementations as opportunities to make substantial organizational and operational change. Often information flows and procedures are completely rethought and jobs reconstituted before an information system is implemented.
7
Whilst it is generally acknowledged that information technology (IT) plays an important role in organization change, there is little agreement on what that role is, the key technologies that could be used, and how they might be applied.
8
“[...] whilst not all jobs are being radically transformed by information technology, there remain few that are unaffected in some way.”
Para subsidiar adequadamente a análise dos dados obtidos na pesquisa de campo, foi necessário, além dos tópicos já abordados anteriormente, rever os pontos principais referentes à estrutura organizacional, ao design (desenho) organizacional e à estrutura de cargos.