omprioriteringer i statsbudsjettet for 2010
post 22 (Ny) Sluttoppgjør,
10.14 Kap. 621 Tilskudd til sosiale tjenester og sosial inkluderingsosial inkludering
10.15.2 Post 76 Tiltak for arbeidssøkere .1 S AMMENDRAG
O paradigma qualitativo, enquanto “[…] conjunto aberto de asserções, conceitos ou proposições logicamente relacionados e que orientam o pensamento e a investigação.” (Bogdan e Biklen, 1994: 52), procura desenvolver uma análise estruturada em processos descritivos e interpretativos das realidades sociais, das representações sociais dos sujeitos que monitorizam as suas operações concretas e dos significados percepcionados por estes, face a conceitos, fenómenos, factos e símbolos sociais, por forma a perspectivar modos de entendimento que sustentam os juízos e as práticas dos sujeitos. A este propósito, Flick refere que “A investigação qualitativa é particularmente importante para o estudo das relações sociais, dada a pluralidade dos universos de vida.” (2005: 2), onde o que interessa trabalhar são as práticas sociais em construção.
Considerando o exposto e tendo em conta que a nossa investigação procura estudar as representações que os docentes e o órgão de direcção/gestão possuem da escola, da qualidade em educação e da profissionalidade docente, optámos por orientações metodológicas de cariz qualitativo e interpretativo, com vista a trabalhar os sentidos percepcionados pelos sujeitos e as razões que estes atribuem aos mesmos.
Neste contexto, a nossa investigação aproxima-se de um Estudo de Caso, enquanto modo de investigação, no qual o campo de investigação é o mais real, o mais aberto e, portanto, o menos controlado (Lessard- Hébert et al., 2008), e tem por objecto de estudo uma escola privada da região norte do país (doravante designada ficticiamente por escola Privada do Norte ou, de forma abreviada, escola P.N.), onde procuramos percepcionar não somente o ponto de vista dos actores educativos em investigação, mas também “[…] a compreensão dos comportamentos a partir da perspectiva dos sujeitos da investigação.” (Bogdan e Biklen, 1994: 16). Intentamos, ainda, percepcionar possíveis conexões entre as imagens de escola e os sentidos atribuídos aos conceitos de qualidade e de profissionalidade docente, mobilizados no enquadramento teórico e sistematizados no ponto 4 do terceiro capítulo. Neste sentido, o Estudo de Caso proporciona a análise intensiva de uma realidade singular, ou seja, permite compreender “[…] o particular na sua complexidade, ao mesmo tempo que pode abrir caminho, sob condições muito limitadas, a algumas generalizações empíricas, de validade transitória.” (Pardal e Correia, 1995: 22).
Neste quadro, a selecção da escola P.N. prende-se com a nossa proximidade profissional, com a nossa intenção de compreensão das realidades e representações sociais accionadas pelos referidos actores educativos e, ainda, com as condições de acesso proporcionadas pela direcção administrativa e pela direcção pedagógica da instituição.
Face ao referencial teórico e seus pressupostos e aos objectivos orientadores da presente investigação, (i) percepcionar as representações sociais de escola, de qualidade educativa e de profissionalidade docente de professores e do órgão de direcção/gestão e (ii) apreender possíveis conexões entre os conceitos, seleccionámos como técnicas de recolha de dados a entrevista, a análise de documentos e a observação não participante.
Nesta linha de orientação, consideramos a entrevista33 semi-estruturada34 ou
semidirectiva a técnica mais adequada para a recolha de informações “[…] sobre o pensamento
33 Na nossa perspectiva, também poderia ser interessante aferir a percepção geral da realidade docente, no que respeita aos conceitos em
estudo, através da aplicação de um inquérito por questionário; contudo, por restrições de ordem temporal, optámos por não o fazer.
34 Pardal e Correia referem que “A entrevista semi-estruturada nem é inteiramente livre e aberta - comunicação, entrevistador e entrevistado,
com carácter informal -, nem orientada por um leque inflexível de perguntas estabelecidas a priori. Naturalmente, o entrevistador possui um referencial de perguntas-guia, suficientemente abertas, que serão lançadas à medida do desenrolar da conversa, não necessariamente pela ordem estabelecida no guião, mas, antes, à medida da oportunidade, nem, tão-pouco, tal e qual foram previamente concebidas e formuladas: deseja-se que o discurso do entrevistado vá fluindo livremente […]” (1995: 65-66).
da pessoa que fala e, secundariamente, sobre a realidade que é objecto do discurso.” (Albarello et al., 2005: 85); quer isto dizer, para a captação de opiniões e disposições associadas sobre as imagens de escola percepcionadas e sobre os discursos de qualidade educativa e de profissionalidade docente.
A opção pela entrevista semi-estruturada prende-se com o facto de ser um instrumento de recolha de dados que possibilita aprofundar um tema do qual já temos algum conhecimento, permite ao investigador abordar outros aspectos que se mostrem importantes e, simultaneamente, possibilita ao entrevistado exprimir livremente o seu pensamento, sendo quando necessário (re)orientado pelo entrevistador; noutros termos, permite “[…] que o sujeito discorra e verbalize seus pensamentos, tendências e reflexões sobre os temas apresentados.” (Rosa e Arnoldi, 2008: 30-31), proporcionando ao investigador o acesso a dados com maior profundidade e maior riqueza e a recolha de informações sobre valores, inquietações, medos, preconceitos, sentimentos, fragilidades e desabafos dos actores sociais. Em suma,
“[…] a entrevista é o instrumento mais adequado para delimitar os sistemas de representações, de valores, de normas veiculadas por um indivíduo.” (Albarello et al., 2005: 89).
Tendo em conta que o nosso estudo pretende apreender significados que tendem a ser afectados por medos e inquietações e uma vez que trata uma temática delicada e susceptível de ferir sensibilidades e gerar conflito no contexto da escola P.N., cremos que a entrevista semi- estruturada possibilita a recolha de dados relativos a sentimentos, fragilidades, preocupações, expectativas e conflitos que não poderiam ser captados através de outras técnicas, designadamente através de um inquérito por questionário. Neste sentido, a entrevista pode fornecer “[…] respostas mais profundas para que os resultados da sua pesquisa sejam realmente atingidos e de forma fidedigna.” (Rosa e Arnoldi, 2008: 16, itálico das autoras).
Por outro lado, a entrevista semi-estruturada assenta num guião com um grau de estruturação intermédio, entre o rígido e o flexível, de forma a “[…] explorar livremente o pensamento do outro, permanecendo ao mesmo tempo no quadro do objecto de estudo.” (Albarello et al., 2005: 111). Este facto tende a permitir categorizar as respostas mais facilmente do que a entrevista livre, por um lado, e, por outro, possibilita o acesso a informação mais
detalhada do que a entrevista estruturada. Deste ponto de vista, o nosso papel (como entrevistadora)
“[…] segue a linha de pensamento do seu interlocutor, ao mesmo tempo que zela pela pertinência das afirmações relativamente ao objecto da pesquisa, pela instauração de um clima de confiança e pelo controle do impacte das condições sociais da interacção sobre a entrevista.” (Albarello et al., 2005: 95).
Neste cenário, estamos convictos que esta técnica possibilita a percepção de representações sociais dos agentes educativos e algumas razões para as mesmas e, ainda, a apreensão de possíveis conexões entre os conceitos em estudo, mas também a abordagem de aspectos específicos e particulares com maior profundidade, rigor e riqueza de informação.
Ainda que a entrevista assuma um papel preponderante na recolha de dados, a análise de documentos permite recolher informação que auxilia o investigador a descortinar as evidências e a desvelar algumas percepções que monitorizam as práticas concretas dos sujeitos; noutras palavras, esta técnica serve de meio ao pesquisador para se situar “[…] ao lado daqueles que, de Durkheim a P. Bourdieu passando por Bachelard, querem dizer não «à ilusão da transparência» dos factos sociais, recusando ou tentando afastar os perigos da compreensão espontânea.” (Bardin, 2008: 30).
Acresce ainda que a análise de documentos oficiais da escola Privada do Norte permite formular a visão oficial da matriz axiológica que pauta a construção da escola, pelo menos no plano teórico, possibilitando a captação de eventuais regularidades e contradições entre o plano oficial da escola e o plano prático dos actores educativos em estudo.
Por fim, ainda a respeito das técnicas de recolha de informação, a observação não participante possibilita a percepção, quotidiana, de congruências e incongruências entre o plano discursivo e o plano concreto dos actores educativos, “Neste sentido, o investigador pode estar atento ao aparecimento ou à transformação dos comportamentos, aos efeitos que eles produzem e aos contextos em que são observados, […], que cristalizam sistemas de comunicação e de hierarquia.” (Quivy e Campenhoudt, 2008: 196). Neste quadro, é importante sublinhar que, durante o período a que se reporta a presente investigação (2009/2011), tivemos oportunidade - na qualidade de professora e, portanto, enquanto colega de profissão da maioria
dos sujeitos entrevistados - de viver em conjunto experiências similares a estes e, ainda, privar com o órgão de direcção/gestão.
Nesta lógica, a análise de documentos conjuntamente com a observação não participante auxiliam a interpretação e compreensão da realidade e respectivos significados e, ainda, evitam possíveis enviesamentos das mesmas de modo a “[…] garantir a qualidade dos dados, por um lado, e para validar o mais possível as hipóteses, as propostas ou mesmo os modelos explicativos propostos, por outro.” (Albarello et al., 2005: 149). Mais ainda, possibilitam a triangulação dos dados recolhidos, enquanto “[…] modus operandi para obter uma confirmação de um dado […]“ (Albarello et al., 2005: 151), a fim de assegurar a validade factual da informação recolhida.
Em suma, reiteramos a centralidade da entrevista semi-estruturada na recolha de dados no sentido de apreender as representações da amostra em estudo, referentes às imagens de escola, aos sentidos de qualidade e aos sentidos de profissionalidade docente e sublinhamos a importância das técnicas de análise de documentos e de observação não participante na validação e fiabilidade dos dados e resultados.
Face ao exposto, considerando a pergunta de partida “Que sentidos de escola, de qualidade e de profissionalidade docente cruzam o espaço educativo da escola P.N.?” , os objectivos orientadores e a diversidade de discursos e práticas mobilizados pelos docentes e pelo órgão de direcção/gestão no espaço da escola P.N., partimos das hipóteses de trabalho para a construção da entrevista, afirmando que as representações de escola, de qualidade educativa e de profissionalidade docente diferem entre docentes e entre estes e os elementos que compõem o órgão de direcção/gestão; por outro lado, estamos convictos de que existe uma conexão lógica entre a imagem de escola, o sentido de qualidade educativa e o sentido de profissionalidade docente.