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2.3 Porous media behaviour of polymer solutions

2.3.2 Porous media rheology

As revistas em quadrinhos e outras mídias têm seu uso recomendado pelos PCNs como ferramenta auxiliar da educação do ensino fundamental e médio (BRASIL, 1997, 1998, 2002). Desta forma, houve o aumento da utilização da HQs em sala de aula e os professores já não olham para elas como um simples entretenimento infantil ou como influência negativa para as crianças (CIRNE, 1970; COMBS, 2006; DANTON, 2006; LIRA, 2003; McCLOUD, 2005).

Apesar disso, concretizaram-se algumas tentativas de sucesso que objetivavam aliar quadrinhos e educação por se perceber a forte identificação entre as HQs e o público jovem. Surgiram, então, versões quadrinizadas para clássicos da literatura universal, como ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ e ‘O Corcunda de Notre Dame’. No Brasil, foram produzidas versões, como “Gabriela, cravo e canela” de Jorge Amado e ‘O Guarani’, de José de Alencar. Tais experiências, entretanto, não chegaram até o universo escolar, que mantinha a aura de desconfiança e o preconceito com relação aos quadrinhos (BONIFACIO, 2005, p. 2).

A mentalidade mudou e as práticas das HQs na aprendizagem estão ocorrendo de duas maneiras:

PRIMEIRA PRÁTICA – nesta prática elas estão sendo usadas como publicação já impressa com temas previamente estabelecidos para fomentar a reflexão nos alunos. Neste caso, as revistas são compradas nas bancas ou desenvolvidas com o patrocínio de alguma instituição de forma personalizada, ou ainda utilizadas parcialmente em livros didáticos.

A primeira prática é muito comum de ser encontrada, e vem sendo largamente utilizada, por exemplo, nos livros didáticos nacionais de primeiro e segundo graus (Figura 2.7), neste sentido cita-se o professor Julierme de Abreu e

Castro (1931-1983), considerado pioneiro do uso dos quadrinhos no livro didático (BONIFACIO, 2005).

Figura 2.7: Quadrinhos nos livros de Julierme de Abreu e Castro. Fonte: (BONIFACIO, 2005)

As histórias de cunho educativo de Maurício de Sousa, especialmente a coleção “Você Sabia?” com as edições “Gente Brasileira”, “Festas” e “Natureza”:

Mais do que divertidas, as HQs também são educativas e instrutivas, pois são desenvolvidas a partir das orientações contidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Assim, a publicação também pode ser usada por professores como fonte de informação complementar ao livro didático. A Coleção Você Sabia? reúne em suas edições diversos passatempos ligados ao tema da revista. Além disso, a publicação pode transformar também as pesquisas escolares dos pequenos leitores em uma grande aventura em busca do conhecimento! (SOUSA, 2006, sem paginação).

Os alunos de cursos de línguas — que utilizam diversos tipos de mídias como produtos didáticos — por exemplo, usufruem das HQs desta forma, este é o caso do curso CCAA (EVANS, 1983). Este tipo de utilização é ilimitado e encontra-se HQs em formato de cartilhas em campanhas de conscientização e educação de comunidades. A figura 2.8 é o exemplo de uma cartilha on-line no sitio do IBAMA sobre as questões referentes à pesca (BRASIL, 2006a). É utilizada também na educação corporativa, cita-se as HQs produzidas pela Editora e estúdio Artecétera

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voltadas para a divulgação das ISOs conforme figura 2.9 (ESTÚDIO ARTECÉTERA, 2006).

Figura 2.8: Cartilha on-line Pescando com a Galera. Fonte: (BRASIL, 2006a).

Figura 2.9: Imagens de publicações da Editora e Estúdio Artecétera.

Fonte: (ESTÚDIO ARTECÉTERA, 2006).

O exemplo da European Initiative for Biotechnology Education (EIBE), que tem como principal objetivo promover debates e a educação para todos com temas sobre a biotecnologia, também é um ótimo exemplo do uso das HQs na educação. A instituição entende que quando informadas, as pessoas tomam decisões mais

conscientes, principalmente as crianças que serão, no futuro, aqueles que decidirão os caminhos da tecnologia. Desta forma, a instituição criou o projeto Perci-REDBIO “com o fim de promover a consciência pública e a instrução na agrobiotechnologia” (ROTA; IZQUIERDO, 2003). Nesse projeto, a HQ foi escolhida como meio de educação, por ter sido considerada pela instituição como um meio de comunicação que permite a simplificação sobre o assunto, que é complexo e de difícil explicação.

No curso de Agrobiotecnologia na escola, a narrativa visual serviu como um instrumento da mediação pedagógica, de modo que os estudantes se transformassem não somente como apreciadores críticos da leitura, mas também como agentes e construtores do conhecimento. O uso das histórias em quadrinhos, além de remeter os estudantes a situações da vida diária e da vida social possibilitou a reflexão sobre o tema proposto, a confrontação de idéias, a busca de soluções e alternativas e a autonomia na aprendizagem (ROTA; IZQUIERDO, 2003, tradução nossa).

A história criada sobre a agrobiotecnologia foi apresentada como uma aventura com o título de “Jornada ao centro da folha“6 (Figura 2.10). Os personagens

principais são Genésio um cientista, Nina uma menina que apresenta seu amigo Nilo — um estudante que não vai bem em ciências — ao cientista que lhe ajudará a melhorar seus conhecimentos. A aventura se compõe de cinco capítulos e também foi adaptada para ser apresentada em CD-Rom e hipermídia no sitio da Fundação REDEBIOS. Observa-se que foram incluídos alguns sons e efeitos de animação (ROTA; IZQUIERDO, 2003).

Figura 2.10: Personagens da “Jornada ao centro da folha”. Fonte: (ROTA; IZQUIERDO, 2003).

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SEGUNDA PRÁTICA - a segunda prática da HQ na aprendizagem é aquela em que os alunos criam suas próprias histórias e desenvolvem a representação visual gráfica correspondente. Estruturam, através das HQs, outros conhecimentos e adquirem novas capacidades. Como exemplo desta prática, cita-se o projeto “The

Comic Book Project” que é uma iniciativa da Teachers College, Columbia university

que tem com objetivo a alfabetização e a aprendizagem à base das artes. Os materiais são publicados pela Dark Horse Comics e criados pelas crianças incorporando a escrita, o design e a produção (THE COMIC BOOK PROJECT, 2006).

”The Comic Book Project” coloca as crianças no papel de criadores, e não de meros receptores da informação. As crianças escrevem e desenham sobre as suas experiências pessoais e interesses, desta forma engajam-se motivadas no processo de aprendizagem para terem sucesso na escola, depois da escola, e na vida” (THE COMIC BOOK PROJECT, 2006, tradução nossa).

Outro projeto, a ser ressaltado, é o “Gibi na Escola”, desenvolvido pela Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, instituição do Governo do Estado do Pará que, também, realiza experiências com as HQs como ferramenta para a educação ambiental. O projeto tanto explora a leitura quando a criação das HQs (SALIBA; SANTOS, 2004).

A oficina EDUHQ coordenada pelo professor Francisco Caruso, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Superintendente de Difusão Científica da Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Secti-RJ), vem desenvolvendo trabalhos com a criação das HQs na aprendizagem das ciências (CARUSO, 2002; EDUHQ, 2006).

Com apoio de mais de dez bolsistas do Programa Jovens Talentos e parceria com o Instituto Virtual de Paleontologia da FAPERJ, a oficina funciona na Uerj e mantém uma rede interdisciplinar e multi- institucional, envolvendo profissionais de diversos níveis e áreas que trabalham na orientação de alunos de escolas da rede pública do Rio de Janeiro no sentido de mediar a aprendizagem através das histórias em quadrinhos (NICOLL, 2006, sem paginação).

O material da EDUQH é aproveitado pelo Governo do Estado do Paraná na confecção do material didático do ensino fundamental, ensino médio e educação de

jovens e adultos. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) utilizou o material para a elaboração de duas questões da prova de Física e, ainda, as tirinhas são publicadas no Jornal dos Sports no suplemento Saber Ciência, editado pela Secti- RJ. Para Caruso, a oficina é um programa social que objetiva resgatar a auto-estima dos alunos (NICOL, 2006).

Figura 2.11: Sitio da EDUHQ demonstrando as diversas áreas de atuação e uma tirinha sobre cosmologia.

Fonte: (EDUHQ, 2006)

2.8 Motivos para capacitar professores na Aprendizagem por meio