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Politisk avstand mellom Sametinget og velgere

Após a recepção e leitura dos relatos escritos pelos participantes da pesquisa senti necessidade de aprofundar as reflexões sobre sua relação com as mídias, discutindo com elas o seu conteúdo. Depois de várias tentativas, consegui reunir três das professoras do grupo: Fabiana, Edna, Sandra, em três encontros.

Com esses encontros pretendia criar um espaço diferenciado onde pudesse aprofundar a discussão em torno da apreensão dos elementos

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A respeito da confiança que se estabelece entre pesquisadores e sujeitos da pesquisa, Martins (2004, p. 294) alega que o mergulho do pesquisador na vida dos sujeitos “exige uma aproximação baseada na simpatia, confiança, afeto, amizade, empatia”; cita Mintiz a respeito da relação de amizade entre pesquisador e pesquisado. “Foi por causa de sua inteligência, sua amabilidade e seu desejo de ajudar que ele se tornou meu amigo. Foi porque éramos amigos que me atrevi a propor que, uma vez mais, trabalhasse comigo. Porque éramos amigos, acredito, ele concordou” (id. ibid.).

apresentados no curso e as condições de transposição do aprendizado para a prática tendo em vista as condições de trabalho. O grupo se referiu várias vezes ao fato de que a participação nesse curso lhes deu uma dimensão prática importante que complementava outro sobre o uso das mídias na educação de maior duração que as três professoras cursavam concomitantemente 54.

Os encontros ocorreram nas casas das professoras e seguiram mais ou menos um ritual: um período preliminar de conversas “sem compromisso” onde as professoras falaram espontaneamente sobre as condições de trabalho na escola, relações familiares, sonhos, histórias pessoais, sem a presença até certo ponto intimidadora do gravador, importante para a criação de um clima de descontração e baixa censura por parte de todas nós. Na sequência procurava ter um momento mais formal de discussão relativa ao estudo das mídias e ao final fazíamos o balanço do encontro e o agendamento para a próxima reunião.

No primeiro encontro realizado na casa de Fabiana tratamos do depoimento (dos caderninhos) de Edna e levei um texto55 para que lessem para a próxima reunião. No segundo encontro, realizado na casa de Edna eu quis retomar alguns pontos que apareceram na discussão da reunião anterior. Levei ainda alguns materiais sobre como trabalhar com o rádio na escola (esse texto foi trazido em função das professoras terem expressado o desejo de trabalhar com essa temática na reunião anterior), além disso, enviei-lhes por e-mail um vídeo sobre essa temática. E no terceiro encontro realizado na casa de Sandra conversamos mais sobre suas experiências de formação e Sandra descreveu como utilizou os conhecimentos sobre as mídias para realizar um projeto de aula diferente.

As tentativas de discussão de textos foram prejudicadas, tanto por falhas na forma como conduzi o processo, quanto pelo ambiente mais informal que não me permitiu a realização de certos procedimentos (por exemplo: a discussão do vídeo no segundo encontro ficou prejudicada porque o equipamento disponível não era compatível com o material que eu havia trazido).

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Trata-se do curso Mídias na Educação, um curso a distancia oferecido em nível nacional pelo MEC e realizado em parceria com universidades públicas locais, no caso do Rio Grande do Norte são instituições parceiras a Universidade Federal (UFRN) e a Estadual (UERN). O curso era frequentado inicialmente por Fabiana e Edna, Sandra entrou na turma subsequente.

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BUCKINGHAM, D. A educação para a mídia e a produção de mídia pelos jovens no Reino Unido. In: CARLSSON, U.; FEILITZEN, C. (Orgs.). A criança e a mídia, imagem, educação, participação. São Paulo: Cortez, Brasília: UNESCO, 2002. p. 251-262.

A experiência dos encontros deixou evidente para mim a necessidade de amadurecer mais as minhas intervenções e melhorar a qualidade do contato com as professoras, mas apesar disso ofereceu pontos importantes de reflexão que auxiliaram na compreensão da relação das professoras com as mídias e a questão da emancipação. Ficou claro que esperavam que pudesse oferecer para elas informações, pistas que as auxiliasse a entender melhor o trabalho com as mídias na escola. Percebia em suas ações uma disponibilidade para colaborar, mas também a necessidade de um retorno para o seu fazer pedagógico cotidiano.

Como o tempo era exíguo56 e o espaçamento entre os encontros não favorecia o aprofundamento dessas questões, propus que os encontros continuassem na forma de curso para que aquela atividade não se constituísse em mais uma apropriação indevida de sua mais valia intelectual. Elas gostaram da ideia e pedi que me dissessem quais temáticas gostariam de discutir e fiquei surpresa com o pedido unânime: A utilização da mídia na prática pedagógica. Fabiana foi a mais explicita:

“Olha a gente já sabe tudo na teoria, mas na prática como isso acontece? qual a melhor maneira?”

Apesar da surpresa, sabia o que aquilo queria dizer, mesmo com os conhecimentos adquiridos no curso sobre vídeo observado e de estarem participando adicionalmente de um curso online sobre mídia e educação, queriam se apropriar mais das práticas que encarnavam as teorias, pois não estavam claras as conexões entre os meios e os fins educacionais. Trabalhei juntamente com minha colega de doutorado, Sandra Mara de Oliveira Souza na elaboração do curso, mas por motivos burocráticos não pude implementá-lo antes da ida a Portugal para a realização de um estágio de seis meses na Universidade do Algarve. Mantive contato via e-mail com as professoras durante esse período, mas percebi que além do distanciamento físico havia um desânimo, então lhes escrevi sobre minhas preocupações e se ainda queriam que eu continuasse com os e-mails.

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Os encontros foram realizados nos meses de novembro e dezembro de 2008, um período em que as professoras estavam muito atarefadas com as atividades típicas de encerramento do período letivo. As férias que se seguiram eram um tempo de descanso e reposição de energia para elas e de avaliar o já feito e planejar os próximos passos para mim.

[...] Não fique triste não, com certeza o cansaço por aqui é grande, e talvez as nossas discussões sejam melhores ao vivo e a cores com certeza, quando voltar estaremos aqui te esperando para partilhar o teu aprendizado... (trecho do retorno de Fabiana)

O teor das mensagens trocadas me levou a crer que o desânimo se referia às condições de trabalho, aprofundarei essa discussão mais adiante.