Imagem 9 - Localizando Natal no Brasil
Fonte: <http://www.guianet.com.br/brasil/mapapolitico.htm>
A pesquisa se desenvolveu na cidade de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, localizada na região nordeste brasileira. A escolha se deu porque ao ingressar no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) tomei conhecimento da tradição de desenvolvimento de
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pesquisas na área de formação de professores através das atividades da Base de Estudos e Pesquisas em Meios de Comunicação e Educação. Além disso, seria uma oportunidade para perceber características que, sendo parecidas com o meu contexto de origem, poderiam se configurar como elementos de diálogo, de análise e de balizamento entre o local e o regional.
O Rio Grande do Norte está na esquina do Brasil, local mais próximo do velho continente e onde o vento literalmente faz a curva. Por sua localização estratégica foi escolhida nos tempos da segunda guerra para a instalação de uma base militar e, posteriormente, designada para ser o palco de um projeto piloto do governo militar no início dos anos 1970 – O SACI – Satélite Avançado de Comunicações Interdisciplinares, que visava a implantação de um sistema de educação a distância com o uso da televisão e satélites integrados.
Foi no Rio Grande do Norte que a escravidão foi abolida primeiro e onde a mulher votou e foi votada pela primeira vez; foi o Rio Grande do Norte o cenário para a primeira experiência do sistema de alfabetização Paulo Freire as conhecidas 40 horas de Angicos; na UFRN surgiu o Centro Regional de Treinamento e Ação Comunitária (CRUTAC); também no Rio Grande do Norte nasceu o Movimento de Educação de Base (MEB), que, com suas escolas radiofônicas, fez o melhor uso do rádio em educação que se tem notícia e que rapidamente se espalhou pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil; e foi ainda no Rio Grande do Norte que aconteceu o projeto De pé no chão também se aprende a ler, uma marca importante na história da educação desse país. Não era, portanto, estranho que o SACI, uma ousadia tecnológica, tivesse lugar no Rio Grande do Norte. (ANDRADE, 2005, p. 133)
Em consequência do trabalho desenvolvido com o projeto SACI foi criado o primeiro mestrado em tecnologia educacional stricto sensu do Brasil. Posteriormente com as demandas nacionais de reorganização do ensino superior foi criada a Base de Estudos e Pesquisas em Meios de Comunicação a COMBASE. Na mesma época foi criada a Oficina de Tecnologia Educacional – OTE. A Oficina foi pensada para ser um espaço de apoio ao curso de pedagogia nas disciplinas do Núcleo de Tecnologia Educacional onde se desenvolviam a experimentação e a produção de vídeos sobre os mais diversos temas, além de contar com um acervo em constante ampliação. Suas coleções de vídeos educativos ficavam disponíveis para uso da comunidade acadêmica da UFRN. Nos últimos anos a OTE foi encampada pelo Centro de Ciências Sociais Aplicada ao qual o Departamento de
Educação está vinculado, assumindo assim outras características desligando-se dos seus propósitos iniciais.
Enquanto esteve vinculada à Base de Pesquisa, suas atividades se constituíram numa importante contribuição para a formação continuada nessa área. Tive a oportunidade de presenciar um encontro entre profissionais da região que estavam desenvolvendo projetos de comunicação e educação em escolas e ONGs, e todos tinham algum tipo de passagem pela Oficina. Pude perceber que não só a OTE e a COMBASE tinham uma tradição em formação nessa área, como também as pessoas que passaram por esses dois espaços de formação assumiam o compromisso da realização de disseminação de projetos de estudo das mídias no cenário local.
Uma dessas pessoas, Elizete50 foi a responsável pelo curso de formação continuada de iniciação ao uso do vídeo na sala de aula para professores do ensino fundamental da rede municipal de ensino e que veio a ser um dos campos da pesquisa. Ela destaca o papel que tanto a COMBASE quanto a OTE tiveram na organização do curso:
A influência foi 100%. Precisava da sistematização das informações que a COMBASE proporcionava e também da influência da Oficina de Tecnologia. O convívio com os estagiários [da OTE] abriu minha mente para muitas coisas. Quando entrei na COMBASE já dava aula como professora substituta na disciplina de Fundamentos da linguagem visual do departamento de artes da UFRN. (Elizete, depoimento escrito).
Seu propósito com o curso foi o de atender a uma demanda que Elizete já percebera durante os seus estudos de mestrado:
[Desejava] Contribuir com a formação de professores da rede municipal, pois achei uma lacuna nessa formação quando ministrei a disciplina de prática de ensino e estagio supervisionado. Também quando houve a chamada de interessados para participar de um curso de produção e leitura de imagem em ocasião da escrita de minha dissertação, apareceram 90 alunos e professores da UFRN interessados em participar do curso, daí percebi que estava no caminho certo. O audiovisual tinha público só faltavam cursos para formar essas pessoas que seriam os futuros profissionais da educação. (Elizete, depoimento escrito)
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Trata-se de uma ex-aluna da OTE e membro da COMBASE que desenvolveu sua dissertação de mestrado com tema referente à relação arte, mídias e educação. Seu perfil será mais detalhado no decorrer deste capítulo.
O curso de introdução à produção de vídeo aconteceu no primeiro semestre de 2008, nas dependências do CEMURE51 e contou com a participação de 20 professores (o número variou no decorrer do período), no qual também me incluí como aluna. Desde o primeiro dia de aula me apresentei como pesquisadora, anunciei a pesquisa e convidei os professores e professoras a participarem. Seis pessoas se propuseram a participar e posteriormente uma professora abandonou o processo alegando problemas de tempo. Ficando desse modo cinco participantes: Patrícia, Fabiana, Sandra, Edna e Júlio.
Expliquei os objetivos da pesquisa e distribuí cadernos de anotações onde os participantes podiam registrar suas experiências e impressões sobre o que estavam aprendendo no curso. À medida que os retornos dos cadernos foram chegando, juntamente com relatos orais espontâneos, percebi que eles registravam na verdade relatos de vida. Partindo dessa constatação, busquei informações que me auxiliassem a compreender essas histórias dentro do contexto no qual foram produzidas.
Para Macedo (2000), a história de vida é uma metodologia particularmente interessante para a educação: “Trata-se, assim de resgatar a riqueza e a importância das recordações dos sujeitos humanos, devolvendo às pessoas que fizeram e fazem a história um lugar fundamental, mediados por suas próprias palavras.” (MACEDO, 2000, p. 176). Os relatos dão também uma contribuição em termos de descrição e detalhamento de situações de um cotidiano que não está registrado, são atores que ao falarem da sua história pessoal auxiliam o entendimento da História de todos, (FERREIRA, 2006). Como foi dito anteriormente, a pesquisa não se orienta por uma única abordagem, mas nesta primeira etapa, foi fundamental perceber o quanto as histórias dos sujeitos eram importantes para a compreensão do que narravam. No caso da pesquisa foi possível resgatar alguns aspectos importantes a respeito da participação da mídia na conformação da visão de mundo das informantes, permitiu ainda perceber como essa presença se reflete nas práticas educativas. Mais adiante discutirei alguns trechos desses relatos que caracterizam a relação dos sujeitos com as mídias no âmbito pessoal e profissional.
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Centro Municipal de Referência em Educação Aluízio Alves pertencente à Secretaria de Educação do município de Natal/RN.