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Political Ecology and Critical Agrarian Studies

O debate à volta da questão da atenção e da incapacidade intelectual iniciou-se na década de 60 do século XX com Zeaman e House (1963). Postulavam que a causa do atraso e/ou incapacidade destas pessoas residia num défice atencional. Com o surgimento da teoria do processamento da informação, as investigações sobre a atenção e, especificamente entre atenção e incapacidade intelectual, olhavam para a atenção como um único tipo de défice funcional. Já em 1980, Mosley sugeria, baseado no modelo de memória de armazenamento dual de Atkinson e Shiffrin, que as informações armazenadas em cada processo de armazenamento de memória eram controladas pela atenção e que as pessoas com incapacidade intelectual ao terem problemas de atenção nos sistemas de armazenamento evidenciavam défices ao nível do processamento da informação. Nettelbeck e Brewer (1981) sugeriam que o processamento central da informação é deficitário nesta população, o que prejudica a sua capacidade de direcionar a atenção para um adequado processamento da informação.

A revisão histórica acerca da atenção e incapacidade intelectual não se faz sem o importante contributo da abordagem desenvolvimental e da abordagem do défice, anteriormente apresentadas. Das principais características de cada uma das abordagens, os defensores da teoria do défice tendem a comparar os sujeitos com incapacidade intelectual com sujeitos de igual idade cronológica, o que leva a que facilmente se detetem défices a nível do funcionamento intelectual como em domínios mais específicos, na atenção. Quando se utiliza este tipo de medidas comparativas, os défices atencionais e os sintomas associados à PHDA surgem de forma mais frequente nos sujeitos com incapacidade intelectual que nos participantes com igual idade cronológica (Aman, Pejeau, Osborne, Rojahn, & Handen, 1996; Epstein, Cullinan, & Gadow, 1986; Masi, 1998; Pearson et al., 2000). Quando se utilizam participantes com igual idade mental, os resultados são diferentes e está-se perante a alçada da abordagem desenvolvimental. Os seus defensores sustentam que os défices atencionais não são intrínsecos à incapacidade intelectual e que estas pessoas têm um desenvolvimento similar às restantes pessoas sem incapacidade intelectual, exceto que apresentam maior lentificação nos desempenhos.

Numa meta-análise levada a cabo por Iarocci e Burack (1998), os autores identificaram 26 estudos que comparavam o desempenho atencional de pessoas com incapacidade intelectual de etiologia sociofamiliar e sem incapacidade intelectual. Uma das primeiras conclusões

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obtidas consiste na ideia de que vários estudos suportam a abordagem desenvolvimental visto que o desempenho em tarefas atencionais de participantes com incapacidade intelectual foi considerado similar e, ocasionalmente, até superior ao dos participantes com igual idade mental sem incapacidade. Curiosamente, alguns estudos encontraram algum suporte para a abordagem do défice, através de pesquisas que apresentavam níveis de desempenho similares na amostra de sujeitos com incapacidade intelectual e na amostra de sujeitos com igual idade cronológica. Para além desta conclusão, os autores vêm sustentar que é importante ter em consideração quando se levam a cabo estudos nesta área, bem como nas respetivas conclusões.

Em primeiro lugar, vêm despertar a atenção para a questão de que os resultados podem ser divergentes dependendo do grau de heterogeneidade da incapacidade intelectual. Como já anteriormente foi abordado, dependendo da etiologia da incapacidade intelectual e de síndromes específicos associados os participantes podem manifestar distintos fenótipos comportamentais. No caso particular da meta-análise de Iarocci e Burack (1998), embora fossem contemplados participantes com incapacidade intelectual de origem sociofamiliar, os autores suspeitam que muito provavelmente estariam implícitas diversas condições e/ou síndromes que no momento não estavam diagnosticados nos participantes. Esta situação poderá estar na origem da variabilidade de resultados obtidos nos estudos e, consequentemente haver ou não suporte para a teoria do défice. Um segundo aspeto refere- se ao tipo de tarefa atencional utilizada numa investigação. Como se sabe, existem várias manifestações de atenção e alguns participantes podem ter mais dificuldades em algumas formas atencionais que noutras; assim, é importante operacionalizar o tipo de atenção que se pretende investigar. Por fim, os autores alertam para o conceito de idade mental, sobejamente utilizado nos estudos com esta população, que deve ser perspetivado em função da incapacidade intelectual. É um conceito vulgarmente utilizado na literatura científica tanto a nível teórico como aplicado, mas que pode suscitar algumas ambiguidades, pois não só pode fazer referência a um simples número decorrente de uma pontuação que é transformada em idade equivalente como também a um conjunto de medidas comportamentais. Os autores chegam mesmo a questionar até que ponto a própria atenção e idade mental não podem ser confundidas, dado que a atenção pode configurar uma medida da idade mental.

Na realidade, existem autores que defendem que esta população evidencia um défice atencional geral, outros postulam défices mais específicos como na atenção seletiva (e.g., Cha & Merrill, 1994; Meador & Ellis, 1987; Merrill, 2005; Merrill, Cha, & Moore, 1994; Merrill & O’Dekirk, 1994; Whiteley, Zaparniuk, & Asmundson, 1987) e atenção mantida (e.g., Kirby, Nettelbeck, & Bullock, 1978; Kirby, Nettelbeck, & Thomas, 1979; Semmel, 1965; Tomporowski & Allison, 1988; Tomporowski, Hayden, & Applegate, 1990; Ware, Baker, & Sipowicz, 1962). Quanto aos estudos sobre atenção dividida Oka e Miura (2008) referem que

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são reduzidos e os que existem, não investigam propriamente os défices na atenção dividida mas teorizam sobre a importância de os estudar (Nugent & Mosley, 1987; Stankov, 1989). Para além desta classificação de défices, outros autores optam por apresentar os resultados com base nos paradigmas experimentais utilizados para investigar a atenção nesta população, como a seguir expomos.

Usando uma tarefa de aprendizagem central e incidental descrita de seguida, Hagen e Huntsman (1971) sugerem que as pessoas com incapacidade intelectual revelam défice ao nível da sua regulação. Estas conclusões advêm de um estudo realizado com crianças institucionalizadas e crianças que frequentam classes especiais. Em termos operacionais, a tarefa consiste em reter a localização de determinadas figuras e excluir outras -

aprendizagem central e, numa fase posterior, é solicitado às crianças que identifiquem e

situem as figuras que tinham sido alvo de exclusão das instruções - aprendizagem incidental. Os resultados demonstram que o grupo de crianças institucionalizadas revelou menor capacidade de seletividade comparativamente com o grupo normativo com a mesma idade mental. Para além disso, concluem que prestam menos atenção à informação central e importante, e são menos capazes de ignorarem a informação incidental. Este estudo é corroborado por outros como o de Melnyck e Das (1992).

Usando a técnica da escuta dicótica, Nugent e Mosley (1987) e Merrill e Peacock (1994) solicitaram a um grupo de sujeitos a participação numa tarefa constituída por uma tarefa de deteção auditiva simples e uma tarefa de vigilância auditiva com vista a avaliar a capacidade de resistência à interferência de informação paralela. Comparativamente com as pessoas sem incapacidade intelectual, o grupo de sujeitos com incapacidade intelectual revelou um desempenho atencional inferior. Num outro estudo, o autor Merrill (2006) conclui que já por si, estas pessoas apresentam dificuldades em utilizar processos inibitórios que são agravados quando há um aumento da interferência distrativa. Para o efeito, recorreu a três grupos constituídos por 15 sujeitos com incapacidade intelectual, 15 sujeitos sem incapacidade intelectual e equiparados em termos de idade cronológica e 15 sujeitos sem incapacidade intelectual, mas com a mesma idade mental. Os grupos foram sujeitos a três tarefas atencionais seletivas, que foram escolhidas com o objetivo de suscitar pequenas, médias e grandes diferenças entre os grupos, ao nível da interferência. Conclui que as pessoas com incapacidade intelectual apresentam, comparativamente com pessoas da mesma faixa etária e sem incapacidade, maior interferência visual em tarefas de atenção seletiva, a que o autor Merrill (2006) justifica com diferenças no priming negativo.

Até ao momento viu-se que os défices atencionais podem ser investigados sobre diferentes perspetivas, seja o tipo de manifestação da atenção, isto é, focalizada, mantida e dividida, o paradigma experimental utilizado ou a abordagem subjacente, havendo ainda autores que se dedicam ao estudo dos défices atencionais nas diferentes fases do processamento da

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informação. Iniciando pelo registo sensorial, grosseiramente conceptualiza-se que o input da informação inicia com os registos sensoriais, nas suas várias modalidades sensoriais, em que o estímulo permanece ativo nos registos por um período de tempo reduzido. Paralelamente, é efetuado de forma célere o processamento pré-atencional e seletivo da informação sem controlo consciente. Segundo Fox e Oross (1990), quando se compara o desempenho de pessoas com e sem incapacidade ao nível do registo e organização visual de estímulos (nível pré-atencional), as diferenças são substanciais e são suscetíveis de serem explicadas por alterações visuais, baixa motivação ou inatenção. Existem vários estudos que apontam défices percetivos no nível pré-atencional que poderão estar na base de outras dificuldades evidenciadas no processamento da informação. Estes resultados decorrem de estudos em que se utilizam testes psicofísicos de avaliação de limiares (Dugas & Baumeister, 1968; Thor & Thor, 1970), procedimentos de mascarar estímulos (Spitz & Thor, 1968; Welsandt & Meyer, 1974) e de memória icónica (Pennington & Luszcz, 1975).

Os estudos que se centram na etapa posterior à fase de processamento pré-atencional partem do pressuposto que os estímulos geram uma resposta de orientação que, por sua vez, conduz à etapa de seleção de informação. A literatura científica sugere que os sujeitos com incapacidade apresentam uma resposta de orientação fraca, e que funciona de forma mais lenta, comparativamente com sujeitos sem incapacidade intelectual. Estas ideias advêm dos dados de Luria e Sokolov, que posteriormente foram suportadas empiricamente por outros estudos (Ball, Barber, & Kohler, 1975; Bower & Das, 1972; Elliot & Johnson, 1971; Powazek & Johnson, 1973). Este tipo de resposta influencia todo o subsequente processamento cognitivo, mais especificamente, determina a ativação atencional posterior, que por sua vez determina a integração de informação individual proveniente do estímulo num esquema. Para além da resposta de orientação ser fraca e funcionar de maneira mais lenta nos sujeitos com incapacidade intelectual, habitualmente, a sua atenção focaliza-se em características dos estímulos que podem não ser as mais relevantes para a resolução da tarefa ou problema. No estudo da resposta de orientação para o estímulo tem-se recorrido a testes de tempo de reação, nos quais se avalia a capacidade do sujeito tirar vantagens sobre sinais de aviso de aparecimento do estímulo. Habitualmente, a tarefa do sujeito consiste em responder o mais depressa possível ao estímulo alvo, sendo que em algumas tarefas existe um sinal de aviso que precede ao surgimento dos estímulos. De uma maneira geral verifica-se que, independentemente do grupo de sujeitos com e sem incapacidade intelectual, o tempo de resposta dos sujeitos é mais rápido quando existem sinais de aviso, mas que a capacidade de preparação para responder ao início do estímulo é variável dependendo do QI (Tomporowski & Tinsley, 1997). Para além disso, algumas medidas fisiológicas como a frequência cardíaca e a resposta galvânica da pele alteram-se antes e depois de se apresentar o estímulo alvo (Krupski, 1977). Este dado vai de encontro a resultados obtidos noutros estudos que sugerem diferenças em termos de respostas fisiológicas entre sujeitos com e sem incapacidade

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intelectual (Krupski, 1975; Runcie & O’Bannon, 1975), particularmente quando associam o estímulo objetivo a uma recompensa (Powazek & Johnson, 1973).

Como já referido anteriormente, existem dados que suportam a ideia de que as pessoas com e sem incapacidade intelectual diferem na capacidade para selecionar as dimensões relevantes de um estímulo complexo (Fisher & Zeaman, 1973; Zeaman & House, 1963, 1979). Numa tarefa de discriminação, a velocidade de aprendizagem depende da forma como são selecionados os elementos de um complexo conjunto de estímulos. Nas pessoas com incapacidade intelectual, necessitam de mais ensaios para identificar a dimensão adequada do estímulo. Porém, assim que a dimensão correta é identificada, a velocidade com que as pessoas com incapacidade aprendem a tarefa de discriminação é similar àquela evidenciada pelas pessoas sem incapacidade (Fisher & Zeaman, 1973). Zeaman (1978) chega mesmo a afirmar que o número de dimensões dos estímulos que podem ser assimilados por estas pessoas é relativamente estável e inalterável, e que está relacionada com o nível de inteligência. Neste contexto, surgiram outros estudos como o de Mackie e Mackay (1982) que referem que as diferenças relacionadas com o QI verificadas entre os grupos se devem às capacidades de memória e não à atenção. Porém, outro estudo vem sugerir que o desempenho mais fraco não está relacionado com os processos de recuperação da memória; estas pessoas são capazes de “atender” a múltiplas dimensões estimulares, embora atendam a poucas dimensões comparativamente com crianças com similar idade mental (Whiteley et al., 1987). Para além disso, a distratibilidade é muito acentuada neste tipo de população, que se manifesta em serem mais vulneráveis a estímulos irrelevantes (Cha & Merril, 1994; Crosby & Blatt, 1968; Krupski, 1979).

Segundo alguns dos pressupostos das teorias do processamento da informação, antes dos estímulos serem codificados na memória de curto prazo, estes são atendidos, selecionados e agrupados. A forma como são agrupados tem sido alvo de grande debate, porém, conceptualiza-se que os estímulos com o mesmo foco central de atenção são integrados em objetos unitários, ocorrendo um processamento top-down (Treisman & Paterson, 1984; Treisman & Souther, 1985). Esta hipótese, quando aplicada a pessoas com incapacidade intelectual sugere que estas pessoas têm menos sensibilidade para a aprendizagem de relações arbitrárias entre estímulos (Caruso & Detterman, 1983; Hall, 1971; Soraci, Alpher, Deckner, & Blanton, 1983; Soraci, Deckner, Baumeister, & Carlin, 1990). Após a fase de seleção da informação nos registos sensoriais, a informação é codificada na memória. Este processo envolve uma interação dinâmica entre memória de curto prazo, longo prazo e processos atencionais, bem como o tipo de tarefa utilizada e o QI dos participantes. Sujeitos com ou sem incapacidade codificam informação de forma similar durante tarefas que elicitam algumas formas de processamento atencional automático. As diferenças manifestam-se em tarefas que exigem esforço no processamento atencional, nas quais a codificação dos estímulos é menos eficiente. Em síntese, quanto mais exigente é a tarefa mais dificuldades

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evidenciam. Em termos de capacidade de codificação da informação, a literatura científica referencia o paradigma do tempo de inspeção, pensado por Vickers na década de 70 para avaliar o processamento da informação (Smith, 1986; Vickers & Smith, 1986). Consiste em medir a capacidade de discriminação entre dois estímulos em condições em que a duração da apresentação visual dos estímulos vai variando e tem subjacente a ideia de que a duração da apresentação dos estímulos está diretamente relacionada com o desempenho em termos de capacidade de discriminação.

Este paradigma tem servido de base a outros estudos e investigações também na área da incapacidade intelectual e concluem que as pessoas com incapacidade intelectual requerem o dobro do tempo para aglutinarem a informação necessária para darem uma resposta. Tal deve-se a défices estruturais no seu sistema de processamento da informação, que não está sob o controlo voluntário do sujeito (Nettelbeck & McLean, 1984) ou a défices em mecanismos centrais que direcionam a atenção para as estruturas de processamento da informação (Nettelbeck & Brewer, 1981). Outros autores propõem que as diferenças de resultados, particularmente, os défices em termos de tempo de inspeção na população com incapacidade intelectual também podem ser explicados por dificuldades em selecionar estratégias de processamento que impliquem alternância ou troca22 em termos de rapidez e precisão de resposta (Lally & Nettelbeck, 1980), em suprimir informação intrusiva e ainda diferenças na atividade neural entre sujeitos com e sem incapacidade intelectual (Nettelbeck & McLean, 1984).

Para além dos estudos que avaliam o tempo de inspeção da informação, outros estudos têm- se debruçado sobre a avaliação das diferenças em termos de tempo de codificação. Concretamente, Posner (1980) desenvolveu uma tarefa na qual são efetuadas comparações rápidas entre estímulos visuais, ou seja, os sujeitos são convidados a decidir se dois estímulos apresentados sequencialmente são os mesmos ou diferentes. Nestas tarefas, o intervalo entre o primeiro e o segundo estímulo é variável e baseia-se na hipótese de que o desempenho é ótimo quando o primeiro estímulo do par tenha sido codificado adequadamente. O intervalo mais curto no qual se verifica um desempenho ótimo corresponde ao tempo necessário para codificar o primeiro estímulo do par. Baseado nesta tarefa, os autores Merril et al. (1987) efetuaram algumas adaptações e construíram uma tarefa em que o intervalo de tempo entre os estímulos pares e os tipos de estímulos são manipulados. Especificamente em relação aos estímulos pares, estes eram comparados em termos de características físicas e nomes. Quando esta tarefa foi aplicada num grupo de participantes com incapacidade intelectual, verificou-se que a velocidade de codificação das pessoas com incapacidade era cerca de

22 Um trade-off refere-se, geralmente, a perder uma qualidade ou aspeto de algo, mas ganhando em

troca outra qualidade ou aspeto. Isso implica que uma decisão seja feita com completa compreensão tanto do lado bom, quanto do lado mau de uma escolha em particular.

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100ms mais lenta que a das pessoas sem incapacidade intelectual nos três tipos de condições de pares de estímulos. Estes resultados não são únicos, havendo mais estudos que vão de encontro a estas conclusões (Merrill, 1990, 1992; Merrill & McCauley, 1988).

Ainda no âmbito da temática da codificação da informação, o paradigma da dupla tarefa tem sido utilizado frequentemente nesta população com o intuito de avaliar o seu desempenho em tarefas concorrentes. Basicamente, o sujeito é incitado a realizar duas ou mais tarefas simultaneamente, de tal forma que a deterioração de uma delas é considerada um indício de prestar atenção a outra tarefa. Este tipo de paradigma gera um conhecido fenómeno designado de interferência de uma tarefa sobre outra. Merril (1992) efetuou dois estudos com este paradigma com vista a avaliar a taxa de codificação de estímulos pelos sujeitos enquanto retinham a informação na memória. A primeira tarefa consistia em os sujeitos manterem presentes todos ou metade de um conjunto de dígitos apresentados e, a segunda tarefa, associarem estímulos aos pares de acordo com a sua identidade física ou nome. Os autores verificam que, nos participantes com incapacidade intelectual, a capacidade de codificação e tempo de decisão era mais lenta devido à situação de sobrecarga da memória. Num segundo estudo efetuado pelo mesmo autor apresentou-se a tarefa de correspondência semântica citada anteriormente e uma tarefa de deteção de pistas auditivas. À semelhança dos resultados obtidos no primeiro estudo, o grupo de participantes com incapacidade intelectual evidenciou um tempo de resposta mais lento. Dois anos mais tarde, num outro estudo efetuado por Merrill e Peacock (1994), participantes com e sem incapacidade intelectual eram sujeitos a duas tarefas, uma primeira de decisão categorial que ia aumentando em termos de grau de dificuldade, e uma segunda tarefa de deteção de estímulo auditivo. Comparando os resultados de ambos os grupos, os autores concluem que não se verificam diferenças em termos de tempos de resposta em estímulos simples, quando a tarefa concorrente implicava uma classificação básica. Porém, o tempo de resposta dos participantes com incapacidade intelectual aumentava quando era exigido uma classificação superior da identidade dos estímulos.

Por fim, em relação à capacidade de manter o foco atencional por um longo período de tempo que, é uma capacidade com evidentes vantagens adaptativas, vários métodos têm sido utilizados para investigar esta capacidade, havendo consenso de que as diferenças no desempenho relacionadas com o QI, quando existentes, são melhor explicadas por limitações no processamento da informação. Os estudos efetuados neste âmbito concluem que a vigilância desenvolve-se de forma mais lenta nas crianças com incapacidade intelectual e, à semelhança da memória de curto prazo, a capacidade de manter a atenção está dependente do tipo de tarefa (Tomporowski & Allison, 1988; Tomporowski et al., 1990). As pessoas com incapacidade intelectual apresentam resultados inferiores em medidas da atenção mantida, no entanto, uma das principais limitações à generalização destas conclusões, consiste na existência de estudos com diferentes condições experimentais como sejam, duração da

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tarefa, número de estímulos apresentados, velocidade com que se apresentam os estímulos, entre outras. Esta discrepância dificulta igualmente a comparação entre estudos. A somar a esta limitação é importante referir que este tipo de tarefas e implica diferentes capacidades: do foro sensorial, percetivo e cognitivo.

Um dos métodos mais referenciados na avaliação da atenção mantida é o teste de desempenho contínuo – Continuous Performance Test de Rosvold, Mirsky, Sarason, Bransome