Várias investigações têm procurado confirmar a estrutura fatorial obtida nos estudos de aferição das Escalas de Inteligência de Wechsler para Crianças e Adultos. Em relação à WAIS- III portuguesa foi obtido um modelo fatorial, mas o mesmo não foi testado em população com incapacidade intelectual (MacLean, McKenzie, Kidd, Murray, & Schwannauer, 2011), objetivo que se formula nesta tese.
Operacionalização e definição do Modelo de Medida
Segundo Hox e Bechger (1998), o método de especificação de um modelo é orientado não só pela agregação de elementos teóricos mas também com base em evidências empíricas resultantes de investigações prévias. Este trabalho de investigação teve em consideração os modelos fatoriais testados no processo de aferição da WAIS-III à população portuguesa, que seguidamente se apresentam, quer em termos de operacionalização e definição, como do ponto de vista gráfico.
Definição do Modelo 1 Fator
A literatura científica indica que, quer em termos teóricos quer em termos de trabalhos empíricos, é possível elaborar um modelo fatorial para um instrumento como a WAIS-III (Gignac, 2004; Wechsler,2008). Segundo a teoria de Wechsler, os subtestes desta prova podem ser agrupados num único resultado, nomeadamente, o QI da Escala Completa (Wechsler, 2008). À semelhança do procedimento utilizado em aferições internacionais e no processo de aferição da WAIS-III à população portuguesa (Wechsler, 2008) testou-se o modelo
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de 1 fator na amostra deste trabalho. Assim, a constituição da variável latente do Modelo ficou organizada em Quociente de Inteligência (Figura 17).
As variáveis observadas foram denominadas de: Subteste 1, Subteste 2, Subteste 3, Subteste 4, Subteste 5, Subteste 6, Subteste 7, Subteste 8, Subteste 9, Subteste 10, Subteste 11, Subteste 12, Subteste 13.
A partir dos pressupostos teóricos sobre os quais o modelo inicial assenta e que nortearam o estabelecimento de relações entre as variáveis atrás referidas, definiu-se a seguinte estrutura para o modelo inicial:
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Figura 17.Modelo teórico de 1 fator operacionalizado a partir do manual da WAIS-III (Wechsler, 2008). (x2=216.72, gl=65, p=.000, RMSEA=.150, CFI=.835, TLI=.769, AIC=294.12)
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Definição do Modelo 2 Fatores
A literatura científica tem sustentado que os subtestes da WAIS-III podem ser agrupados em dois domínios, um verbal e um de realização (Wechsler, 1997, 2008). Tendo em conta este dado e o modelo testado na WAIS-III portuguesa, as variáveis latentes do Modelo foram organizadas em QI Verbal e QI de Realização.
As variáveis observadas foram denominadas de: Subteste 1, Subteste 2, Subteste 3, Subteste 4, Subteste 5, Subteste 6, Subteste 7, Subteste 8, Subteste 9, Subteste 10 e Subteste 11 (Figura 18).
A partir dos pressupostos teóricos sobre os quais o modelo inicial assenta e que nortearam o estabelecimento de relações entre as variáveis atrás referidas, definiu-se a seguinte estrutura para o modelo inicial:
- A variável latente QI Verbal é diretamente influenciada por Subteste 1, Subteste 3, Subteste 5, Subteste 7, Subteste 10.
- A variável latente QI Realização é diretamente influenciada por Subteste 2, Subteste 4, Subteste 6, Subteste 8, Subteste 9, Subteste 11.
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Figura 18. Modelo teórico de 2 fatores operacionalizado a partir do manual da WAIS-III (Wechsler, 2008). (x2=102.80, gl=43, p=.000, RMSEA=.116, CFI=.915, TLI=.870, AIC=170.80)
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Várias investigações empíricas têm apontado a existência de mais do que dois fatores na WAIS-III (Cohen, 1952ª, 1952b, 1957a, 1957b). À semelhança do decorrido na aferição americana, na aferição portuguesa da prova testou-se o modelo de três fatores (Kaufman, Lichtenberger & McLean, 2001; Wechsler, 1997, 2008). A constituição das variáveis latentes do Modelo ficou organizada em Compreensão Verbal, Organização Percetiva e Atenção (Figura 19).
As variáveis observadas foram denominadas de: Subteste 1, Subteste 2, Subteste 3, Subteste 4, Subteste 5, Subteste 6, Subteste 7, Subteste 8, Subteste 9, Subteste 10, Subteste 11, Subteste 12, Subteste 13.
A partir dos pressupostos teóricos sobre os quais o modelo inicial assenta e que nortearam o estabelecimento de relações entre as variáveis atrás referidas, definiu-se a seguinte estrutura para o modelo inicial:
- A variável latente Compreensão Verbal é diretamente influenciada por Subteste 2, Subteste 4, Subteste 6, Subteste 9, Subteste 11.
- A variável latente Organização Percetiva é diretamente influenciada por Subteste 1, Subteste 5, Subteste 7, Subteste 10.
- A variável latente Atenção é diretamente influenciada por Subteste 8, Subteste 3, Subteste 13, Subteste 12.
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Figura 19.Modelo teórico de 3 fatores operacionalizado a partir do manual da WAIS-III (Wechsler, 2008).
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Definição do Modelo 4 Fatores, 13 subtestes
Recorrentemente, encontra-se na literatura científica referência a investigações empíricas que têm sustentado a existência de uma estrutura de 4 fatores na WAIS-III (Holdnack, Zhou, Larrabee, Millis, & Salthouse, 2011). Estas evidências surgem em aferições internacionais da WAIS-III, tal como na aferição portuguesa.
A constituição das variáveis latentes do Modelo ficou organizada em Compreensão Verbal, Velocidade de Processamento, Memória de Trabalho e Organização Percetiva (Figura 20). As variáveis observadas foram denominadas de: Subteste 1, Subteste 2, Subteste 3, Subteste 4, Subteste 5, Subteste 6, Subteste 7, Subteste 8, Subteste 9, Subteste 10, Subteste 11, Subteste 12, Subteste 13.
A partir dos pressupostos teóricos sobre os quais o modelo inicial assenta e que nortearam o estabelecimento de relações entre as variáveis atrás referidas, definiu-se a seguinte estrutura para o modelo inicial:
- A variável latente Compreensão Verbal é diretamente influenciada por Subteste 2, Subteste 4, Subteste 9, Subteste 11.
- A variável latente Organização Percetiva é diretamente influenciada por Subteste 1, Subteste 5, Subteste 7, Subteste 10.
- A variável latente Memória de Trabalho é diretamente influenciada por Subteste 8, Subteste 6, Subteste 13.
- A variável latente Velocidade de Processamento é diretamente influenciada por Subteste 3 e Subteste 12.
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Figura 20.Modelo teórico de 4 fatores (13 subtestes) operacionalizado a partir da revisão de literatura e do manual da WAIS-III (Wechsler, 2008).
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Definição do Modelo 4 Fatores, 11 subtestes
À semelhança do modelo apresentado anteriormente, a constituição das variáveis latentes do Modelo baseou-se no processo de aferição portuguesa da WAIS-III que apresenta um modelo fatorial a partir de 11 subtestes organizados em 4 fatores, ao invés de 13 subtestes. Assim, as variáveis latentes ficaram organizadas em Compreensão Verbal, Velocidade de Processamento, Memória de Trabalho e Organização Percetiva (Figura 21).
As variáveis observadas foram denominadas de: Subteste 1, Subteste 2, Subteste 3, Subteste 4, Subteste 5, Subteste 6, Subteste 7, Subteste 8, Subteste 9, Subteste 10, Subteste 11, Subteste 12, Subteste 13.
A partir dos pressupostos teóricos sobre os quais o modelo inicial assenta e que nortearam o estabelecimento de relações entre as variáveis atrás referidas, definiu-se a seguinte estrutura para o modelo inicial:
- A variável latente Compreensão Verbal é diretamente influenciada por Subteste 2, Subteste 4, Subteste 9.
- A variável latente Organização Percetiva é diretamente influenciada por Subteste 1, Subteste 5, Subteste 7.
- A variável latente Memória de Trabalho é diretamente influenciada por Subteste 8, Subteste 6, Subteste 13.
- A variável latente Velocidade de Processamento é diretamente influenciada por Subteste 3 e Subteste 12.
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Figura 21.Modelo teórico de 4 fatores (11 subtestes) operacionalizado a partir da revisão de literatura e do manual da WAIS-III (Wechsler, 2008).
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Foram testados os cinco modelos acima referidos e analisaram-se vários índices de ajustamento dos resultados (Byrne, 2001; Ullman, 2007). As medidas de ajustamento global do modelo têm como propósito verificar até que ponto a matriz de covariância observada reproduz o modelo global estimado (Bollen & Long, 1993; Chen, Bollen, Paxton, Curran, & Kirby, 2001). Em termos de interpretação e de decisão, considera-se que existe um ajustamento ao modelo sempre que a matriz de covariância da amostra se assemelha à matriz do modelo. Utilizando o AMOS, versão 19.0, foi realizada uma análise fatorial confirmatória (AFC) à WAIS-III de forma a testar os cinco modelos conforme foi realizado no processo de aferição da WAIS-III à população portuguesa. Foi dado um maior destaque aos índices menos sensíveis ao tamanho da amostra ou ao número de graus de liberdade. Quanto à estimação do modelo proposto, de entre as várias técnicas existentes optou-se pelo Método de Máxima Verosimilhança (maximum likelihood), por ser aquela que mais se adequa aos dados. As medidas de avaliação do ajustamento utilizadas para verificar a adequabilidade do modelo aos dados foram as seguintes: ratio chi square statistics/degrees of freedom (X2 /df),
root mean square error of approximation (RMSEA), comparative fit index (CFI),
Tucker-Lewis Index (TLI) e Akaike information criterion (AIC).
A tabela 49 apresenta os valores de ajustamento dos modelos testados nesta amostra permitindo a sua comparação com os resultados do estudo de aferição da versão portuguesa da WAIS-III (N=1181) (x2=281.10, x2/gl=7.4, CFI=.968, AIC=359.1, RMSEA=.074). Observando os resultados, verifica-se que cada modelo apresenta os valores obtidos em várias estatísticas de ajustamento e que à medida que se vão acrescentando mais fatores, os valores de ajustamento vão melhorando. Usando o índice CFI obtém-se um valor de .835 no modelo 1 fator, um valor de .915 no modelo 2 fatores, um valor de .904 no modelo de 3 fatores, um valor de .950 no modelo 4 fatores (13 subtestes) e o melhor valor, de .974, no modelo 4 fatores (11 subtestes).
Tabela 49
Valores de Ajustamento para os Modelos Testados da WAIS-III
Modelos Testados X2 gl X2/gl p RMSEA CFI TLI AIC
1 fator 216.72 65 3.3 .000 .150 .835 .769 294.12 2 fatores 102.80 43 2.4 .000 .116 .915 .870 170.80 3 fatores 150.29 62 2.4 .000 .118 .904 .859 234.29 4 fatores (13 subtestes) 104.79 59 1.8 .000 .087 .950 .923 194.79 4 fatores (11 subtestes) 57.192 38 1.5 .024 .070 .974 .955 135.19 Nota. Índices de Ajustamento: x2 – Qui quadrado; gl – Graus de liberdade; x2/gl – Qui quadrado/graus de
liberdade; p – nível de significância; RMSEA (Root Mean Square Error of Approximation), CFI (Comparative Fit Index); TLI (Tucker-Lewis Index); AIC (Akaike information criterion).
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De todos os modelos testados, o modelo que revelou um bom ajustamento aos dados, de acordo com os índices de parcimónia utilizados é o modelo de 4 fatores (11 subtestes), o mesmo modelo obtido no processo de aferição portuguesa. O valor de .070 no RMSEA aponta para um ajustamento bom, o valor de .974 no CFI e de .955 no TLI para um ajustamento muito bom. No AIC, conceptualiza-se que quanto menor, melhor o ajustamento, verificando- se que o modelo de 4 fatores -11 subtestes é o que apresenta o valor mais baixo, nomeadamente de 135.19. Assim, confirma-se esta organização fatorial, com 4 fatores - 11 subtestes.