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Plassering  av  legenden  i  Regine  Normanns  forfatterskap

In document Jesus som barn i to legender (sider 73-103)

3   Analyse  av  tekster

3.2.2   Plassering  av  legenden  i  Regine  Normanns  forfatterskap

O Intuito maior desta sessão é alcançarmos a elucidação constitutiva dos líderes em seus aspectos: socioeconômicos e culturais, atuação político partidária, bases eleitorais, linhagem política, relacionamento do político com algum sistema religioso, exercício de cargos não legislativos, elites cujos interesses representa. Temos que, desta forma, como escopo, mostrar que o imaginário, tanto social quanto político, preserva-se como mantenedor de posturas herdadas, mesmo sofrendo as alterações próprias do desenvolvimento temporal. O recorte mostra-se como baluarte das lideranças que iremos analisar, a partir de 1990 até o ano de 2002. Os aspectos teóricos e metodológicos desta presente análise têm por base os estudos fornecidos pela literatura político-partidária nacional, em que se destacam:

B. Lamounier (1981), E. Diniz (1985,1990), Lima, Jr. (1983,1990), M. Kinzo (1990), Fleicher, D.V. (1981), Rodrigues, F. (2006). Este último é responsável pelo empreendimento metodológico da análise posterior que abarcará as eleições de 1998 e 2002, anos de enfoque maior de minha crítica.

Para esta sessão utilizei-me de dados de quatro pesquisas de lideranças. A primeira, de autoria da professora Maria D’Ajuda Gil Kinzo (USP/IDESP), realizada durante o ano de 1989, com o título “A estrutura partidária brasileira, da reforma de 1979 à constituinte: articulação entre os níveis estadual e nacional”. A segunda, denominada “Parlamentares Brasileiros – 1991”, de autoria do professor David Fleicher (UnB). A terceira, pesquisa de autoria da professora Marta Zorzal e Silva (UFES), com o título “Formação das Lideranças Locais no Espírito Santo” que, datada em 1993, muito bem mostrou as principais articulações políticas da República que defendo como facetas de uma mesma ordem estrutural: Coronelismo, Populismo e Autoritarismo. Por fim, a quarta, de responsabilidade do professor Antonio Carlos de Medeiros, datada de 1992 que, com o título “A Pesquisa de Liderança”, constituiu-se anexo da obra “Vitória: Trajetórias de uma Cidade”, publicada em 1993, cujo organizador foi João Gualberto Moreira Vasconcellos. Esta última, com metodologia bem distinta das anteriores, abarcou outras lideranças que não somente as político-eleitorais.

Fica-nos claro, a partir da análise dos dados obtidos (as tabelas constituem o anexo I), que sob reflexo dos condicionamentos eleitorais a Composição da Assembléia Legislativa, no período de 1987 a 1990, tinha a maioria dos membros filiados ao PMDB (40%) e ao PFL (23%) estando, por sua vez, os restantes 37% distribuídos entre os membros dos partidos PDS, PSDB, PT, PDT e PCdoB. Essa força pemedebista, no entanto, constituía-se fator apenas aparente, visto que nas eleições

de 1990 o partido forma uma composição de apenas 13% do total de membros da Assembléia. Tamanho decréscimo revela as fórmulas distorcidas do cálculo de quocientes eleitorais que beneficiavam os grandes partidos, além dos desgastes provocados pela impopularidade do governo Sarney e pelos altos índices inflacionários.

Outros desdobramentos são observáveis quando analisamos o PFL, no pleito de 1990, que elegeu apenas o senador Élcio Álvares, vitória alcançada por seu poder pessoal, não revelando um bom desempenho do partido.

Nesse quadro geral que formamos, ressaltamos, ainda, o crescimento do PSDB que, mesmo tendo pouco tempo de criação, conseguiu eleger 30% da bancada federal. O mesmo aconteceu com o PL, que conseguiu eleger Jones dos Santos Neves Filho. E o PRN, também em 1990, que elegeu três deputados estaduais os quais alcançaram tal empreendimento eleitoral graças à popularidade de Collor no período.

Todavia mais do que um vislumbrar-se diante das composições políticas e perceber o desempenho dos partidos neste período, desejamos traçar os fatores que influenciaram no recrutamento das lideranças políticas, percebendo, desta forma, a topografia gerativa das lideranças.

Pela organização dos dados podemos observar, por exemplo, que o alto grau de flutuação de determinadas lideranças no espectro político-partidário evidencia um oportunismo eleitoreiro muito presente. Trocas de partido que deixam claro o grau de prestígio e credibilidade destes no âmbito nacional. Apenas as lideranças do PT mostram-se antagônicos a este processo, visto que apresentam um alto índice de fidelidade partidária.

As bases político-eleitorais constituem outro aspecto extremamente interessante de ser observado. Fica demonstrada a forte predominância da base interiorana com grande participação das classes tidas como médias e baixas, o que evidencia um eleitorado muito preso ao lastro coronelista e populista, uma vez que esses segmentos aparecem de forma indiferenciada o que nos mostra uma falta de organização no perfil do eleitorado. As lideranças do PT, mais uma vez aparecem na contramão da tendência em que as bases eleitorais identificam-se com setores urbanos da população ligados principalmente ao sindicalismo.

Com relação aos apoios eleitorais o que se relata são os laços pessoais estabelecidos que revelam a falta de vínculos orgânicos da ordem estrutural partidária. As linhagens políticas são elementos essenciais da formação dessas lideranças o que nos permite inferir a herança passada a esses descendentes via laços matrimoniais ou de famílias tradicionalmente políticas. Já o exercício de cargos não governamentais mostra uma maioria ligada à administração pública, às organizações da sociedade civil, com uma trajetória tecnocrata. O PT e o PSB apresentaram trajetórias ligadas às organizações populares e aos sindicatos, característica antagônica à maioria.

A categoria do funcionário público em termos representacionais, aparece em segundo plano, mas também vigoroso. Os padrões de recrutamento das lideranças são muito distintos entre os partidos. O PMDB conta com uma maioria vinda de profissões liberais (médico e advogados); o PFL e o PDT, do setor rural; o PSDB, do funcionalismo público; e o PT, com caráter mais abrangente de recrutamento, conta com professores, líderes religiosos, funcionários públicos e setores vindos do comércio e da agricultura.

Quanto à faixa etária, a maior incidência, ou seja, 86%, têm entre 31 a 60 anos. Os índices de renovação mostraram-se altos, mas altos também foram os índices de longevidade política de algumas lideranças que, desde as eleições de 65 e 70, vêm sendo reconduzidas (20,6%), algumas reminiscências, inclusive anteriores à 1964 (4,3%), expressões consolidadas politicamente num mundo rural de raízes coronelísticas. Bons exemplos disto são, Lúcio Merçon e Alcino Santos.

Os dados mostram que as lideranças possuem, em sua maioria (81,6%), curso superior. As bases religiosas, aspecto fundamental de nossa análise, apontam a religião Católica (90%) como hegemônica dentre as lideranças, mas temos a gênese da ocupação de religiões Evangélicas no cenário político pelos padrões de recrutamento típico – pastor. Neste período, somavam-se 8,5% de evangélicos. Número que crescerá enormemente.

Por fim, um aspecto muito relevante na análise dá-se pela relação das lideranças com parentes que foram ou são políticos. Fica demonstrada, nos dados, uma freqüência relativamente alta desse aspecto que mostra que 45,4% das lideranças tem este tipo de relação de parentesco. O índice dos políticos do PTB chega, inclusive, à casa dos 75%. As taxas de renovação das lideranças tornam-se, portanto, algo aparente, corroborando para a tese de que a continuidade das heranças políticas é uma perene muito forte dentro da construção topográfica de nossas elites.

Diante do todo já dito, verificamos uma continuidade nas relações de tendências coronelistas, sendo apenas a partir de 1950, com o pluripartidarismo, que se verificam práticas com aspectos mais populistas. Mas, mesmo tais processos de relativa mudança, são mais continuadores que de fato reveladores de alteração,

visto que o recrutamento das lideranças segue um padrão oligárquico-elitista agrário vigente desde o Império.

A sociedade modernizou-se, tornou-se mais complexa, a gama de interesses ampliou sua geografia social de representações, o que formou um perfil de lideranças políticas mais diversificado; entretanto, a grande maioria de lideranças defendem os interesses de elites desde há muito presentes na microfísica estrutural de elaboração do poder. Segundo Marta Zorzal e Silva, no texto de sua pesquisa (2003:136) “os velhos caciques e as formas coronelísticas e populistas de mediação e de articulação garantem uma representação mais ampla na medida em que a fragmentação nesse universo é muito menor”. Esse universo rural, menos fragmentado no Espírito Santo, sobreviveu ao tempo e mesmo hoje, depois de mudanças tantas, persiste em outros modelos. As antigas lideranças travestidas com roupagens novas e inoculadas em suas filiações com novos discursos persistem. Temos mesmo em partidos novos o ranço do conservadorismo político e moral. Os novos políticos, portanto, convivem com as antigas e tradicionais manifestações políticas. Pensar o perfil das novas lideranças leva-nos, portanto, indelevelmente à necessidade de revisitarmos as rugas oriundas da Primeira República. Pensar manifestações políticas como as Bancadas Evangélicas é também, portanto, pensar a “Invenção do Coronel”.

Mesmo a pesquisa de Antonio Carlos de Medeiros, que abarcava tantas outras lideranças que não somente as políticas, apresentara-nos uma auto-imagem igualmente reveladora. As lideranças “fazem parte ainda do modelo da cidade onde predominam os nomes vindos da história do burgo tradicional, sob a lógica da coluna social e do compadrio” (1993:157). “Após 1970 o clientelismo continua fator marcante. Há de se notar que a característica atributos do candidato é substituída

pela característica poder econômico, denotando uma mudança na visão da imagem dos políticos” (1993:161). Existe uma “fragmentação das lideranças, gerando uma incerteza quanto aos futuros líderes”. (1993:160).

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