3 Gjennomføring av målekampanjen
3.1 Måleutstyr
3.1.1 Plassering av instrumenter
Na análise de conteúdo das entrevistas de cada uma das subcategorias da categoria
Criação de cursos, obtiveram-se duas subcategorias e os respetivos indicadores. A subcategoria Necessidades e vagas permitiu-nos obter dois indicadores: (i) Escolha dos
cursos de acordo com as necessidades do país (n= 5); (ii) Oferta de cursos de acordo com
a demanda e as vagas disponíveis (n=5). Na subcategoria Grau de satisfação obtivemos dois indicadores: (i) Insatisfação dos estudantes com o curso e a importância do ano
propedêutico (n=4); (ii) Satisfação e orgulho com o curso e a absorção pelas empresas (n=2). Destacaremos apenas os indicadores com mais frequência, ou seja, os indicadores mais referenciados.
Estes indicadores permitiram constatar as preocupações que os nossos entrevistados manifestaram com a oferta disponível dos cursos, sendo mesmo possível observar que a escolha do curso tem a ver com a perceção da falta de recursos humanos formados em determinadas áreas, devido à inexistência dessa oferta formativa no país. Esta ideia vai ao encontro do contexto real vivido e que ainda se vive atualmente em Angola, na medida em os cursos que existiam anteriormente não satisfaziam as necessidades da procura por parte das famílias e dos jovens que se candidatavam ao Ensino Superior com o objetivo de se formar numa área que tivesse aplicabilidade no mercado de trabalho angolano e consequentemente conduzisse a uma inserção profissional qualificada. Com efeito, a oferta formativa disponível por parte das instituições privadas da mesma forma que pretende corresponder às expectativas de muitas famílias e estudantes que procuram fazer da formação superior um projeto de realização profissional pessoal (Brito, 2001). É neste sentido, que os entrevistados referem que a oferta de cursos surgiu para responder à grande
120 demanda, conforme podemos encontrar nos seus discursos: “Nós criamos os cursos em
função das necessidades dos países [do país] em vias de desenvolvimento (…)” (E2).
Assim, nos indicadores Escolha dos cursos de acordo com as necessidades do país (n= 5) e
Oferta de cursos de acordo com a demanda e as vagas disponíveis (n=5), notamos que as opiniões dos nossos entrevistados não divergem, pelo contrário, existe uma aproximação de ideias:
Nós somos a única instituição, penso, em Angola que temos curso do Ambiente, Educação em Engenharia Ambiental (…). (E1)
Para criação dos cursos tivemos em conta esta procura, esta demanda (…) o que nos levou a começar primeiro com a Engenharia Informática, porque hoje é indispensável a informática para o desenvolvimento socioeconómico (…). (E2)
(…) No país não tinha [havia] quase nada nestas áreas e então foi a aposta que se apostou [fez] (…) Estes cursos foram selecionados de acordo com as necessidades. (E2)
Nós propusemos cursos que não existem ou que existem em percentagem bastante mínima, a nossa perspectiva é dar formação naquelas [áreas] que não existem (…) que não há quadros formados para cobrir o défice que o país tem. (E2)
A condição da procura já existia no mercado, porque com a UAN não se resolvia a demanda (…) A procura era tanta e as instituições eram escassas (…) O princípio da procura e da oferta colocou-se (…) [e] as universidades surgiram como cogumelos [tal como os] colégios. (E3)
O país esteve em guerra durante muitos anos e só [existia] a universidade pública (…) que não oferecia todos cursos (…) não tinha arquitetos, informáticos e mesmo na área das Ciências Humana havia poucos Psicólogos (…) A Lusíada foi a primeira universidade a abrir um curso de Relações Internacionais (…). (E4)
Nós avançamos com cursos que raramente se veem em Angola [como por exemplo] Curso de Fisioterapia; Curso de Gestão Hospitalar; Curso de Nutrição e Dietética. (E5)
Constatando estas opiniões dos vice-reitores, é possível fazer algumas leituras sobre a criação e a oferta dos cursos nas instituições de Ensino Superior privado. No geral, segundo os dados do quadro 15, sobre cursos das instituições de Ensino Superior privadas apresentado no capítulo 3, os cursos surgiram para responder e satisfazer a demanda da população estudantil, que exigiam um crescimento da oferta de cursos e de instituições (Queiroz, 2011), que no entender de Cabrito (2002) passaram a ser objeto de procura por parte dos indivíduos ao escolherem determinadas áreas de estudos para garantirem a sua formação superior e adquirirem um estatuto e uma posição social diferente na sociedade. As entrevistas realizadas às famílias também corroboram esta ideia, ao referirem que os seus filhos, com a obtenção do diploma do Ensino Superior, terão um futuro melhor, destacando o facto de as altas qualificações proporcionarem melhores condições de vida para toda a família, na medida em que leva a um equilíbrio “qualificação alta-salário alto”
121 (OCDE, 2013, p. 15).
Na subcategoria Grau de satisfação, nos indicadores (i) Insatisfação dos estudantes
com o curso e a importância do ano propedêutico (n=4); (ii) Satisfação e orgulho com o
curso e a absorção pelas empresas (n=2), os entrevistados apontam que existe uma insatisfação com os cursos, pelo facto de os estudantes estarem constantemente a mudarem de curso. Isto deve-se ao facto de que quando ingressam no Ensino Superior não sabem bem o curso que querem seguir, acabando por escolher em função do que lhes foi dito ou do que ouviram. Quando iniciam a formação, começam a ter as dificuldades, o que lhes faz mudar automaticamente para outro curso. Isto acontece porque não se orientam os estudantes quando concluem o ensino médio. De acordo com Van Vught (2008), os sistemas de Ensino Superior deveriam produzir níveis de orientação vocacional em relação às necessidades do aluno e do mundo de emprego, visto que existe uma certa influência da situação do mercado de trabalho que condiciona a escolha da profissão dos jovens. Relativamente a esta situação, alguns entrevistados atribuem grande importância ao ano propedêutico, por considerarem que é uma forma de preparar melhor os estudantes que entram pela primeira vez neste nível de ensino:
Eu penso que o estudante quando chega ao ensino superior deveria já [saber o curso que quer seguir] (…) O estudante chega ao ensino superior escolhe o curso [de qualquer maneira] (…). Ele procura os cursos em função daquilo que ouve (…) está a dar Gestão então vai para Gestão (…) Olha está a dar Comunicação Social (…) Olha esta a dar Medicina (…) como não há orientação vocacional ele não sabe para onde está vocacionado, portanto isto já devia vir do secundário. (E1)
Nós hoje verificamos nas escolas constantemente mudanças de cursos por parte dos estudantes (…) quando ele vê que reprovou um ano numa determinada área, ele diz epá, então se reprovei vou num outro curso para ver se consigo fazer o outro curso. (E2)
O Ministério pediu para acabar com o ano propedêutico (…) Os alunos que fazem o propedêutico entram na universidade e fazem os 4 ou 5 anos sem reprovarem (…) Eu acho que deveríamos continuar não como propedêutico, mas como um curso de extensão de preparação para a entrada na universidade (…) porque aí é reforçado nas matemáticas, na estatística, na história e na biologia (…) [depois] já está mais preparado, perde um ano mas ganha em fazer a sua formação em 4 ou 5 anos independentemente dos cursos. (E4) Contrariamente, o indicador satisfação e o orgulho com o curso, bem como a absorção dos estudantes por parte das empresas foi um dos aspetos muito pouco referenciado, como podemos observar nos discursos dos entrevistados que a seguir apresentamos. Provavelmente esta situação ocorre porque o que mais frequentemente se nota é o que acabamos de analisar, ou seja é mais visível a insatisfação do que a satisfação por parte dos estudantes relativamente aos cursos que frequentam:
122
Os cursos por si só correspondem às expectativas dos estudantes (…) O maior défice que nós temos é que os nossos estudantes estudam pouco (…) Primeiro é que os estudantes vêm mal preparados dos ensino médio e entram na universidade às vezes com a média baixa (…) quando acabam o curso (…) fizemos uma cerimónia (…) vejo que os alunos têm orgulho, as famílias têm orgulho (…) porque vai o pai, a mãe, o avô, a avó, o tio, os primos (…) As pessoas sentem-se satisfeitas e orgulhosas de verem que o filho (…) um parente terminou uma formação superior (…) Os nossos alunos a maior parte quando entram a partir do segundo, terceiro ano já começam a trabalhar e até pedem para mudar de turno, o estudante começou de manhã arranjou um emprego e pede para passar a tarde no ano seguinte, ou começou à tarde pede para passar para a noite no ano seguinte (…). (E4) Mas hoje a visão não é que a família encaminhe, é mais o desejo que família precisa de ter um filho com um curso superior, pronto ponto final (…) é assim que se concebe (...). (E3)
Estas opiniões refletem o que se passa com os jovens quando terminam a sua formação superior e principalmente com as famílias, na medida em que a obtenção do diploma de um curso superior tem constituído uma alegria para toda a família, que alimenta por esta forma a perspetiva de que todos irão usufruir direta ou indiretamente dos benefícios proporcionados pelo retorno do investimento na formação, em termos de acesso a um trabalho qualificado e a uma boa remuneração salarial. Neste sentido, a UNESCO (2012), sustenta que o investimento na educação ajuda as famílias a superar as suas dificuldades e a investirem em níveis mais elevados de educação. Por outro lado, no dia da formatura, quase toda a família se faz presente, desde os pais, os avôs, os tios, os sobrinhos, os primos, como foi referido por um dos entrevistados, por se tratar de um momento único na vida das pessoas e como tal vive-se com muito mais satisfação quando este membro da família é o primeiro a ter uma licenciatura ou um curso superior. Corroborando Balsa et al. (2007), o facto de alcançarem o Ensino Superior é uma “vitória” que representa uma ascensão importante em relação à sua base social de origem. O recém-formado passa a ser chamado depois, no atual contexto angolano, de doutor por todos, principalmente no seu local de trabalho. Todos estes aspetos, particularmente o último, refletem-se no orgulho da família, dos amigos, dos vizinhos, da comunidade e da sociedade.