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DEL 4. EMPIRISK UNDERSØKELSE. ANALYSE OG RESULTATER

4.2 Planlegging av intervjuene

O trabalho desenvolvido, a seriedade, o comprometimento que aprendemos a ter com a arte espírita, os diversos depoimentos que recebemos ao longo desses anos, despertando reflexões profundas e possibilitando trocas inigualáveis fez- me acreditar e permanecer. Não se trata apenas de um grupo de teatro, engana-se quem assim pensar; pra mim foi e é uma ferramenta de aperfeiçoamento constante, como profissional, como atriz, como Espírito (Josy).

O depoimento em epígrafe, da atriz Josy Sampaio, com que resolvi abrir este capítulo, dá o tom da discussão apresentada pelos atores e atrizes do Grupo LEMA. Ele foi retirado de relatos, resultantes de observações participantes e entrevistas, feitos na ocasião da comemoração dos vinte anos do grupo.

Quando tivemos a primeira ideia para esta pesquisa, já vinha à nossa mente de forma bem clara o objeto de nosso estudo. Desde o primeiro momento sabíamos que queríamos investigar a relação dialógica entre atores e personagens no teatro espírita. E, claro, tendo em vista a nossa profunda relação com a questão, dentro do ambiente de trabalho em que vivo por tanto tempo, sabia que o lócus da pesquisa era o próprio Grupo LEMA.

Mas ao apropriarmo-nos dos instrumentos de pesquisa, que mais tarde haveríamos de usar, durante o curso do mestrado, descobri que nem tudo está posto quando o pesquisador mergulha no universo da pesquisa social: Partindo da construção teórica do objeto de estudo, o campo torna-se um palco de manifestações de intersubjetividades e interaçõesentre pesquisador e grupos estudados, propiciando a criação de novos conhecimentos (MINAYO. 1994, p. 54).

E em se tratando da Pesquisa, a relação entre pesquisador e sujeito é de cumplicidade, de parceiros diretos no processo de construção do conhecimento a ser produzido, conforme podemos observar em Barbier ao definir a ação-pesquisa (2007, p. 43):

Resulta de uma atividade de pesquisa na qual os atores se debruçam sobre eles mesmos. Se o processo é induzido, em função de modalidades que ele propõe, é pesquisa é efetuada pelos atores em situação e sobre a situação destes. A ação parece prioritária neste tipo de pesquisa, mas as consequências da ação permitem aos pesquisadores explorá-las com fins de pesquisa acadêmica.

Se a priori havia uma condução nossa no sentido de investigar o que constitui o objeto principal desta pesquisa, por outro lado precisava perceber o que os próprios sujeitos me sinalizavam a todo instante como um algo a ser explorado no processo. Precisamos exercitar a escuta e o olhar para as subjetividades das falas que nos chegam. É preciso estar aberto para os achados do caminho, outros olhares que nos sejam sinalizados. Foi dessa forma que o campo nos revelou a necessidade de também nos debruçarmos sobre a importância do grupo no processo de formação dos atores e atrizes do Grupo LEMA.

Buscávamos o caminho da autoformação, na construção de sentido dado pelos sujeitos à sua autotranscendência a partir do teatro espírita. Mas esse processo de formação de si, a todo momento dialogava com o outro, hetoroformação, dentro do ambiente do Grupo LEMA. E ainda dialoga com a sociedade, no sentido da plateia a quem destinam seus espetáculos, com outros grupos e instituições, assumindo seu papel dentro de um movimento social estabelecido e até com a dimensão espiritual, ecoformação, como foi mostrado no primeiro capítulo. Assim define Macedo (2010. p. 50), esses três processos da formação de si:

[...] a formação se realiza na existência de um ser social que, ao transformar em experiências significativas os acontecimentos, informações e conhecimentos que o envolvem e envolvem suas relações, nas suas intinerâncias e errâncias aprendentes, ao aprender com o outro, suas diferenças e identificações (heteroformação/transformação), consigo mesmo (autoformação), com as coisas, os outros seres e as instituições (ecoformação), emergira formando-se na sua incompletude infinita, para saber-refletir, saber-fazer e saber-ser,como realidades inseparáveis, em movimento, porque constantemente desafiadas.

Este capítulo, portanto, trata do processo de formação operadas dentro do ambiente do LEMA, nas interelações que se operam no cotidiano de um grupo de teatro. E por tratarmos da dimensão espiritual, sempre presente dialogando com esse processo formativo na experiência do LEMA, é que me permito pensar no os conceito de heteroformação e ecoformação de Macedo, em que compreende o relação com o outro bem como com as coisas, os outros seres, para compreender também a relação desses atores e atrizes com os seres invisíveis que dentro da lógica espírita assume igualmente a condição de outro nas nossas interelações.

Bastos (2010), discutindo a teoria de Wallon sobre a importância do meio social na transformação dos indivíduos, propõe, por sua vez, que através da interação é que constituímos o nosso eu, e a partir disso produzirmos conhecimento:

A reciprocidade nas interações possibilita a partilha de significados, de conhecimentos e de valores, configurando-se, assim, no contexto social e cultural dos diferentes grupos. Através do partilhar de significados das diferentes interações é que se estrutura o social e o cultural (BASTOS, 2010, p. 162-3).

O LEMA hoje tem um elenco com faixas etárias bem distintas, variando entre dezesseis anos, o mais jovem, e quarenta e nove anos o mais velho. Sendo que uma boa parte dos que tem mais de trinta anos, chegaram ao grupo ainda na juventude, alguns adolescentes mesmos. Isso tem nos dado uma característica bem mais heterogênea que em qualquer outra época, uma diversidade que também tem contribuído para o crescimento do coletivo.

Um grupo se constrói no espaço heterogêneo das diferenças entre cada participante: da timidez de um, do afobamento do outro; da serenidade de um, da explosão do outro; da seriedade desconfiada de um, da ousadia do risco do outro; da mudez de um, da tagarelice de outro; do riso fechado de um,gargalhada debochada do outro; dos olhos miúdos de um, dos olhos esbugalhados do outro; de lividez de um, do encarnado do rosto do outro (FREIRE, s/d, s/p).

Assim temos visto cada um fazer a sua história e contribuir para essa outra que sigo a desvendar, descobrindo o sentido desse grupo para suas vidas. Fundamentados na proposta pedagógica de Paulo Freire (2005), não poderíamos abrir mão desse diálogo que se evidencia na práxis reflexiva, sempre atribuindo ao outro o papel de fundamental importância para qualquer processo de aprendizagem, na formação do sujeito crítico. Conscientes da nossa incompletude, percebemos que é com o outro que aprendemos, é com ele que nos realizamos e nos constituímos.