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1.1 Bakgrunn for oppgaven

1.1.2 Plan- og bygningsrettens historie i Norge

Em diversas ocasiões os alunos pareciam criar algumas alternativas de fuga diante da classe de recuperação. Havia as fugas diretas e as que podemos compreender como modos sutis de escapar de tarefas ou lições, mesmo permanecendo dentro da classe. Alguns tentavam ausentar-se e outros, embora presentes, pareciam ausentes do envolvimento com a aprendizagem. Tentar compreender essas fugas pode nos auxiliar na compreensão do sentido da recuperação para aqueles alunos.

Havia as fugas físicas da classe. Alguns alunos se escondiam no pátio, no banheiro ou até na rua. Um aluno chegou a ser trazido de uma rua próxima tentando voltar para casa, ao final da aula regular, ao invés de ir para a classe de recuperação. Segundo a professora que o viu, o mesmo alegou que precisava levar a irmã para casa, mas foi reencaminhado à escola, tendo a irmã menor permanecido no pátio, esperando a aula de recuperação terminar. A transcrição abaixo da narrativa de uma professora da escola que, embora não lecionasse nas classes de recuperação, emitiu sua opinião a respeito, pode ilustrar a concepção e os procedimentos diante das fugas:

“Eles não querem aprender, fogem da escola. Outro dia peguei dois indo embora e trouxe para cá. Outra vez fui pegar uma menina e a irmã do período da manhã lá na rua. Fui até a esquina. Elas disseram que acharam que a irmã mais velha já tinha ido embora e foram. Encontrei e trouxe de volta para a escola. Disse para a menina: „Se você não quer estudar, dê a vaga pra outro que quer e fique em casa enchendo sua mãe‟.”

Alguns alunos chegavam atrasados. Ficavam correndo ou brincando no pátio e só depois de algum tempo após o sinal de início da aula, é que entravam na classe. Fica a indagação: será que fugiam de ter que permanecer todo o tempo na classe de recuperação?

Outro modo de ausentar-se das obrigações na classe de recuperação eram as

enfermidades. Vários alunos alegavam doenças para faltar ou não fazer as tarefas. Foram

que os alunos diziam ter diferentes doenças na tentativa de justificarem o não envolvimento nas atividades da classe de recuperação. Faziam referências constantes a dores de cabeça, sinusite ou dores de barriga. Algumas vezes a dor parecia real (dor de dente com o rosto inchado, dor de cabeça por estar sem os óculos); outras, porém, soavam como tentativas de justificar as dificuldades na escola.

As doenças são várias vezes mencionadas pelos alunos como impeditivos de aprender no reforço, indicando que a medicalização era assumida por eles. Em alguns episódios fingiam doença para não fazer a lição. A produção de leitura e escrita parece, de fato, dolorida!

Eis alguns relatos:

Certo dia Andréia, uma aluna, diz ao colega que ele faltava e fugia da escola até a Dona Maria pegá-lo. Ele responde: “Eu ficava doente por isso não vinha”. Ela, com expressão de descrédito, diz: “Sei... Você não ficava doente tantos dias, você fugia”. Ele admite: “Tá, fugia, mas agora venho!”.

Paulo não trouxe lápis. Diz para mim: “Não gosto do reforço, mesmo que tivesse lápis não ia fazer a lição”. Diante de minha proposta de lhe conseguir um lápis emprestado, ele alega: “É que tenho sinusite e fico com muita dor de cabeça”.

Andréia não faz nenhuma atividade de leitura e escrita durante muito tempo. Brinca, fingindo que também está com dor de cabeça. Fica muito brava quando a professora a chama para fazer a lição em sua mesa. A professora Ana insiste muito para que esta aluna faça a lição. Ficam muito tempo juntas até Andréia escrever algumas palavras.

O cansaço era outra justificativa para o não cumprimento das responsabilidades escolares, uma vez que os alunos ficavam um período na classe regular e depois tinham mais uma hora de aula. As crianças bocejavam, espreguiçavam-se, algumas deitavam a cabeça na carteira para descansar e outras chegaram a dormir em sala de aula, por mais de uma vez.

Durante a elaboração dos desenhos, na entrevista coletiva, um aluno declarou:

“Eu vou fazer uns rabiscos aqui na lousa para fingir que é letra, prá não dar trabalho.”

As manifestações de alegria, ausentes durante as aulas, ficavam evidentes diante do sinal ao fim das mesmas. As comemorações pelo momento de ir embora também eram indicadores do sentido da classe de recuperação. Por mais de uma vez, durante o tempo em que estive no campo, alunos e professora faziam gestos de prece, expressando “Graças a

Deus” pelo término da aula de recuperação. Pareciam libertar-se, aliviados quando podiam sair da sala.

Diversas vezes foram observados alunos anunciando a chegada da perua escolar e de mães, o que também era comemorado pelos demais. Era corriqueira a prática de alguns ficarem olhando na janela e avisarem os colegas, que, de imediato, interrompiam qualquer tarefa e começavam a arrumar o material para a saída, antes mesmo do término da lição.

Em outras ocasiões, saiam imediatamente assim que viam os alunos da outra classe de recuperação indo embora, sem sequer se despedirem dos colegas ou da professora. Isso se explicava porque uma das salas ficava localizada próximo ao pátio, fora do prédio da escola e os alunos tinham receio de não ouvirem o sinal de saída. A ânsia de sair parecia presente todo o tempo de aula na classe de recuperação.

A falta de material também era apontada pelos alunos como razão do não cumprimento das tarefas. Em algumas das situações vivenciadas a este respeito, o fato se dava por esquecimento ou perda de material pelos próprios alunos:

Enquanto isso, dois alunos, entre os quais Nilson, não fazem a tarefa alegando não ter lápis. Quando lhes pergunto porque não estão fazendo, Nilson responde: “A professora é chata porque não deixa a gente pedir lápis emprestado para a Rosana (funcionária da secretaria da escola)”.

Em outras ocasiões a falta de material se dava por haver menos cópias das tarefas do que o número de alunos presentes.

Uma aluna chamada Telma está sem a folha para a tarefa.Avisa a professora, que diz: “Pois é meu amor, vamos ver se tenho mais alguma”.

Quinze minutos depois de a aula ter começado a professora encontra mais uma folha e entrega à aluna.

A falta de material para todos também aparece nos textos dos desenhos das crianças sobre a classe de recuperação, como exemplificado abaixo pela frase que um aluno escreve no seu: “A professora está falando que não tinha folha prá todo mundo.”

Houve também situações em que os alunos se desfaziam das tarefas, rasgando a folha que deveria ser preenchida ou escondendo-a, como retratado no relato de campo:

Um aluno e uma aluna me chamam para dizer que um colega não sabe escrever. Apontam para um garoto muito franzino e tímido que está sentado na carteira da frente. A menina diz: “Ele não sabe nem quanto é 2 + 2”.

Pergunto a ele: “Cadê sua folha de lição?”. A aluna responde por ele: “Ele esconde pra não fazer”. Encontro a folha no vão da carteira, dou a ele, mas continua sem fazer nada até o final da aula.

A persistência de alguns alunos, entretanto, demonstrava que havia interesse em aprender. Certo dia a mãe de uma aluna mandou que ela fosse para a casa da colega na saída da aula, mas ela se recusou porque não queria faltar na aula de recuperação.

Ela me diz: “Minha mãe mandou eu ir pra casa da minha amiga, mas eu não fui porque não posso ter mais faltas aqui no Reforço”.

É curioso que crianças, muitas vezes tidas como irresponsáveis, decidam, por si próprias, evitar faltar na aula de recuperação.

A indisciplina poderia ser considerada outra rota de fuga. Muito tempo de aula é desperdiçado com broncas das professoras diante de ações de indisciplina por parte dos alunos que conversam, distraem-se, jogam bola, correm, brincam em sala de aula, em lugar de fazer as tarefas.

A impotência da professora Ana diante da indisciplina também aparece nos textos dos desenhos dos alunos.

“Vou fazer a professora dizendo: „Vou chamar a dona Maria (coordenadora)‟.” A Ana é que tá dizendo isso.

Parece estabelecer-se um círculo vicioso: frente à indisciplina a professora pede ajuda à coordenação, o que leva à sua desautorização diante dos alunos, que não respeitam suas orientações quanto à necessidade de disciplina no ambiente escolar, afetando negativamente o ambiente para a aprendizagem.