5.2 Diskusjon av resultatene
5.2.1 Plan- og bygningslovens betydning for å ivareta naturmangfoldet i planleggingen 71
O Schistosoma mansoni possui um ciclo de vida heteroxêmico (Figura 2), alternando entre um hospedeiro intermediário (caramujos), sendo no Brasil os do gênero Biomphalaria, e um hospedeiro definitivo, o homem, onde ocorre a fase sexuada do ciclo de vida do parasita 8.(Figura 2)
Figura 2 Ciclo de vida do Schistosoma mansoni, S. japonicum e S. haematobium -1 – Os ovos
são liberados na água junto com as fezes do paciente. 2 – Os ovos eclodem na água liberando a larva miracídeo. 3 – O miracídeo penetra no caramujo. 4 – Os miracídeos se transformam em esporocistos primário e, em seguida, esporocistos secundários, que originam as cercarias. 5 - As cercarias são liberadas ao meio e nadam em busca de
um hospedeiro vertebrado. 6 – As cercarias penetram pela pele humana. 7 – A
cercaria perde a cauda e origina um esquistossômulo. 8 – Parasitas vão para o sistema circulatório. 9 – Parasitas se instalam no sistema porta-hepático e tornam-se adultos.
10 – Ovos saem com as fezes do hospedeiro, reiniciando o ciclo. Fonte: Center of
Disease Control and Prevention
Estima-se que o parasita possua um metabolismo bastante ativo, produzindo cerca de centenas a milhares de ovos por dia. Estudos indicam que esta fecundidade persista por anos e, portanto representa um exemplo de uma capacidade biosintética altamente especializada9
A prevenção da contaminação por Schistosoma sp. e do estabelecimento da esquistossomose, como em outros parasitos humanos, consiste na interrupção do ciclo de vida do parasito (Figura 2). No caso de Schistosoma esta abordagem se baseia no fornecimento de água potável tratada, livre de cercarias e ovos para evitar novos casos na população. Quando possível, o controle dos caramujos pode ser considerado uma forma de diminuir ou erradicar o surgimento de novos casos de infecção na população de áreas endêmicas. Este quadro se baseia fundamentalmente em fornecer saneamento básico a população afetada4; 10.
A profilaxia da enfermidade, uma vez estabelecida no paciente e adequadamente diagnosticado o quadro parasitêrmico, consiste na administração do fármaco praziquantel (PQZ) e Oxamniquina (OXA) (Figura 3). O PQZ apresenta ação contra as 3 espécies de Schistosoma e mesmo que de baixo custo – em torno de U$1.00 por tratamento, esse está atualmente limitado pela disponibilidade do medicamento, logística de distribuição e controle de administração. É interessante salientar que o gasto total necessário para o tratamento de populações afetadas em muitos países africanos é superior ao gasto per-capita em programas de saúde pública e saneamento desses países7. No Brasil, adota-se a OXA devido à sua ação
específica contra o Schistosoma mansoni. Dentro desse contexto estima-se que, para atender profilaticamente à África Subsaariana seriam necessários U$200 milhões/ano. O tratamento é puramente esquistossomicida, visando amenizar os sintomas da doença e evitar que esta se desenvolva para a forma severa11.
Entrentando, já é reportado a existência de cepas resistentes a ambos os medicamentos.12
A utilização exclusiva do PZQ no tratamento gera uma situação potencialmente perigosa, visto que o surgimento de formas resistentes já é amplamente reportada12; 13. Esta situação mundial demanda o desenvolvimento de
novos fármacos. Atualmente, por exemplo, é administrada uma mistura racêmica (1:1) das formas R e S de PZQ (Figura 3), porém, foi demonstrado por Meyer e colaboradores14 que o isômero (R)-Praziquantel é o responsável pela atividade
esquistossomicida. A prioridade da produção do isômero ativo isolado com baixo custo encontra-se entre as metas da WHO3.
O relatório recente da Organização Mundial de Saúde aponta que mais de 19 milhões de pessoas foram tratadas para a esquistossomose em 20092. Vê-se a
necessidade de fornecer medicamentos adequados para os quase 180 milhões de enfermos restantes. Fica explicito a necessidade de se investigar novos fármacos tanto para potencializar a ação do PZQ quanto para o início de novas abordagens terapêuticas a fim de evitar o estabelecimento de formas resistentes ao PZQs15.
Entretanto, nesse caso deve ser levado em conta que quando o foco da pesquisa é uma doença negligenciada, como é o caso da esquistossomose, o desenvolvimento de novos fármacos apresenta problemas estruturais graves que limitam os estudos. A capacidade de mover-se da pesquisa para o desenvolvimento e produção em larga- escala já está disponível em vários centros, porém estes não estão voltados para o escalonamento e padronização requeridos para manufatura e início de testes clínicos de fase I e II. Esse gargalo sistemático precisa ser revisto, modificado e receber investimentos o quanto antes para que a busca seja feita de forma eficiente15.
Outro fator a ser considerado é o elevado impacto econômico e social que a esquistossomose tem nas regiões endêmicas. No Brasil, o recente trabalho de Sarvel e colaboradores10 descrevem os resultados das medidas de controle da esquistossomose
adotadas no estado de Minas Gerais nos últimos 25 anos. Tal estudo reforçou a importância das medidas de saneamento básico no controle da doença. Nesse período, o fármaco pós-infecção utilizado foi a oxamniquina, alternativa de segunda escolha ao PZQ, sendo administrado a mais de 13 milhões de pessoas e a relação entre a diminuição no número de casos e sua severidade com a melhora na qualidade de vida das pessoas infectadas é bastante evidente10, reforçando a eficácia de
programas de tratamento.
Ainda como exemplo do impacto social da doença, um estudo feito nas Filipinas reporta que 45,4 dias de trabalho são perdidos por ano por pessoa
contaminada. O Global Burden Report - WHO, de 2004 faz projeções dos cenários de diversas doenças, e ainda extrapola para um cenário otimista e um pessimista. Apêndice A. Nesta tabela, está correlacionado tanto o número total de vítimas fatais quanto à perda em DALYs (Disability-Adjusted Life Years - Anos de vida ajustados por incapacidade), permitindo uma noção global da evolução das principais causas de morte e a evolução de determinadas doenças4.
Para comparação e descrição do cenário, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – SIDA, causada pelo HIV (Human Imunodeficiency Virus) continuará representando a principal doença infecciosa. Dentre as doenças tropicais, a esquistossomose se mantém como a segunda doença com maior impacto social. Mesmo notando um decréscimo nas taxas de mortalidade e de DALYs, fica explicito o problemas decorrentes da falta de uma política mais abrangente e eficiente de combate à esquistossomose. Comparando-se as projeções de 2015 e 2030 verifica-se os óbitos decorrentes de esquistossomose comparada com todas as doenças tropicais aumentam de 30.95% para 35.8% que correspondem a 1.39% e 2.18% respectivamente para a SIDA. A mesma comparação considerando DALYs revela que em 2015, 15,34% dos dos DALYs relativos à doenças tropicais serão causados por infecções por Schistosoma e essa percentagem aumenta para 16,38% em 20301.
Nota-se que os recursos atuais disponíveis bem como as projeções não serão suficientes para melhorar o panorama tanto de doenças tropicais quanto a esquistossomose especificamente. Mesmo com as previsões otimistas, a esquistossomose tende a aumentar seu impacto socioeconômico, principalmente em países africanos que, em 2030, serão responsáveis por mais de 90% das mortes causadas por Schistosoma. No continente americano o cenário se repete, mantendo- se as proporções. Porém, sabe-se que os valores estão subestimados pois os efeitos secundários das doenças, o que poderia aumentar ainda mais os valores não estão contabilizados nas atuais projeções. Alguns autores ainda defendem que DALYs não refletem a real severidade das doenças tropicais nem o decaimento na qualidade de vida, tornando o cenário ainda mais preocupante1.