6 Dynamic analyses of three-terminal HVDC grid connected offshore wind farm
6.3 Dynamic events in HVDC grid
6.3.1 Phase-to-phase short circuits
Não se encontra na literatura um consenso sobre as origens da doença. Em nosso Levantamento Bibliográfico encontramos a obra organizada por Shirakawa (1998), onde são apontadas diversas hipóteses para a etiologia e a evolução da Esquizofrenia. Pelo relato dessa obra, somente com os avanços das pesquisas no campo de Neuroimagem, Genética e Biologia Molecular haverá respostas mais convincentes para os estudos já realizados.
A maior evidência, de acordo com esse autor, tem sido para uma conjunção de componentes genéticos, sociais e pessoais. O autor também ressalta que respostas irão surgir com os estudos que estabelecerem relações neurobiológicas, que puderem possibilitar interfaces entre o surgimento e a expressão social da doença.
O Manual de Psicopatologia, de Isaías Paim (1986), e o trabalho organizado por Shirakawa (1998), mencionam que a doença ataca cerca de 1% da população geral (1 para cada 100 ), e esse número é mais acentuado entre a população jovem, qualquer que seja a região, a cultura ou a situação social em que vivam. Esses dados são corroborados por Dauphinais (1992) e pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria (1991).
Ambos entendem que os critérios de diagnósticos, assim como os procedimentos de tratamento, vêm sofrendo mudanças ao longo de um século. De igual forma apontam novos rumos no sentido de o enfoque terapêutico estar centrado não apenas na reabilitação e na prevenção daquele que padece de tal
doença, como também no controle de surtos agudos. A Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica define os surtos agudos como sintomas psicóticos muito fortes que aparecem repentinamente. Nesses casos, a designação para o estado é Esquizofrenia Aguda.
Quando se procura compreender os diversos caminhos de compreensão do significado dos estados esquizofrênicos vê-se que Razzouk e Shirakawa (1998), citam Emil Kraepelin como sistematizador inicial da Esquizofrenia. Apontam Kraepelin como quem fez a separação entre Demência Precoce, e Psicose Maníaco Depressiva. Kraepelin também é citado como o responsável pela aglutinação dos conceitos de Demência Precoce, estabelecidos antes por Morel em 1860, com os da catatonia, descrita por Kalhbaum em 1874, e com os da Hebefrenia, de Hecker em 1871, sob um único nome - Demência Precoce. Essa sistematização facilitou em muito o reconhecimento de quadros patológicos.
Apontam que o trabalho de Kraepelin foi baseado em três fundamentos principais: sintomatologia, etiologia e evolução.
O fundamento sintomatológico, organizado por Kraepelin, constituía-se na simples descrição dos sintomas observados pelo clínico. Basicamente, se referia aos distúrbios da atenção e da compreensão, as alucinações (principalmente as auditivas), o pensamento sonoro, a vivência da influência, o comprometimento das funções cognitivas, do julgamento e do fluxo de pensamento, o embotamento da afetividade e as conseqüentes mudanças do comportamento.
O fundamento etiológico pressupunha a existência de um quadro anterior endógeno.
Já o fundamento evolutivo, caracterizava-se por curso evolutivo desfavorável e pela invalidez psíquica, o que deu margem à denominação de Demência Precoce.
que em 1911, Eugen Bleuler, reorganizou os critérios para a classificação da Demência Precoce, sob o nome de Esquizofrenia.
Ressalta que Bleuler calcou sua argumentação nos fundamentos: Sintomatologia ( sintomas fundamentais e acessórios ), intensidade e evolução. Dentre os sintomas fundamentais organizados por Bleuler, estava a associação relaxada de idéias que surgem na mente. Ou seja, uma dada desorganização do pensamento e suas seqüelas na estruturação dos relacionamentos. Bleuler faz menção, ainda, ao fato de que nem todos os critérios precisam estar presentes para se configurar Esquizofrenia, favorecendo o diagnóstico mesmo sem a presença dos sintomas de Kraepelin, como delírios e alucinações. O que possibilitou a conceituação da existência de “várias Esquizofrenias” .
Enquanto desenvolvia seu trabalho, Bleuler elaborou uma divisão da Esquizofrenia em subtipos: hebefrênico; catatônico; paranóico e simples.
No tocante a etiologia da doença, entendeu-a como decorrência de um processo fisiógeno-biológico, com forte contribuição da personalidade do indivíduo.
De acordo com essa argumentação de Linda Davidoff, vê-se que Bleuler ampliou a visão do entendimento da Esquizofrenia, daquela anterior descrita em Kraepelin. Principalmente quando possibilitou a recuperação parcial, sobretudo daquele que sofre alguns aspectos apenas. Ao organizar essa compreensão, Bleuler valorizou os sintomas negativos no quadro, como a desorganização do pensamento, e foi um dos pioneiros a enfatizar o modelo de a Esquizofrenia ser heterogênia e de etiologia multifatorial.
Essa é a ótica adotada pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria, conforme já mencionamos anteriormente.
Em se tratando de pesquisas psiquiátricas das últimas décadas, em particular dos anos 60 e 70, Razzouk e Shirakawa (1998), mencionam haver encontrado uma
preocupação com a identificação objetiva desses sintomas para uma possível comparação dos sistemas de diagnósticos existentes até então. Se isso fosse possível, no entender dos pesquisadores, poderia favorecer uma conduta mais consensual.
Atualmente, o resultado das iniciativas supra mencionadas foi a organização da Classificação Internacional de Doenças (CID) assim como do Diagnostic and Statistical Manual (DSM), já em sua 4ª edição.
O DSM IV classifica os transtornos mentais em categorias utilizando critérios politéticos, isto é, para dois indivíduos pertencerem a uma mesma categoria diagnóstica, não precisam preencher exatamente os mesmos critérios, refletindo, assim, o entendimento atual da heterogeneidade na Esquizofrenia.
Os estudos de Crow (1983), apontaram para três principais dimensões da Esquizofrenia:
a forma positiva; a forma negativa; e a forma desorganizada.
A forma negativa foi compreendida como o empobrecimento do discurso no sujeito, como o embotamento do afeto e a diminuição de movimentos espontâneos.
Já a forma desorganizada, foi relacionada ao distúrbio formal do pensamento, ao afeto inadequado e ao empobrecimento do discurso.
A forma positiva ou de distorção da realidade, associou-se a delírios e alucinações.
Quando nos detemos no P.I., em especial, afim de entendermos a extensão de seu comprometimento quanto a esquizofrenia, o fator de maior relevância no olhar do clínico - médico ou psicológico -, acreditamos ser o tempo. Esse dará subsídios para definir quanto um critério ou outro está assimilado no curso da
doença.
Gustavo Turecki elaborou um dos capítulos na obra organizada por Shirakawa (1998), e descreveu consistente argumentação de que a Esquizofrenia possui forte componente genético substancial na sua etiologia. Essa constatação proveio de um grande número de estudos, realizados por pesquisas de Turecki com os familiares, principalmente entre irmãos gêmeos e de adoção, realizados em diversas populações.
Ainda é extremamente difícil, de acordo com Turecki, de se ter uma porcentagem exata e consistente da proporção da variância fenotípica total que teria condições de ser identificada como componente direto dos genes nos familiares. Ou seja, é ainda perigoso afirmar com rigor um valor, ou grau, de quão importante é o componente genético dentre a totalidade dos fatores etiológicos que predispõem à Esquizofrenia. Analisando o que atualmente escreve Turecki, ou mesmo Minuchin (1982) na década dos anos 80 – que também demonstrou essa preocupação de avaliar os componentes genéticos e sociais –, vemos que os estudos com familiares não fornecem uma avaliação direta do componente genético, mas sim uma medida da agregação familiar do caráter, que pode ser determinada por diversos fatores, dentre os quais os hereditários.
Para Turecki, dentre os estudos médicos mais recentes com familiares, o valor médio de 1 é aproximadamente 10, ou seja, 1=11 para filhos e 1=8,6 para irmãos.
Esses dados, no entanto, como já foi ressaltado, não são uma medida direta do componente genético da Esquizofrenia, já que os genes representam um, entre os diversos fatores transmitidos em famílias, que se traduzem em agregação familiar do caráter. Turecki ressalva que as práticas culturais peculiares e o sistemas de comunicação de um determinado grupo e agentes infecciosos, dentre outros, podem
também contribuir.
A psiquiatria, quando enfrenta um quadro de Esquizofrenia e avalia seus procedimentos clínicos, tem o diagnóstico nosográfico como um tema central, de acordo com Denise Razzouk e Itiro Shirakawa (1998). Então, da mesma forma, também não seria central, no psicólogo que ocupa-se das relações familiares, a busca de um diagnóstico próprio da psicologia, que não dependesse, única e exclusivamente, da avaliação médica?
Paulo Rossi Menezes e Andréia F. do Nascimento que também autores de um capítulo sobre a evolução da doença, na obra organizada por Shirakawa (1998), ressaltam que, para a psiquiatria, o prognóstico em um quadro de Esquizofrenia é outra questão primordial na prática clínica médica. Isso por orientar o médico clínico no planejamento de serviços de saúde, como a pesquisa científica, por exemplo.
No desenvolvimento de nossa pesquisa pretendemos repensar a problemática do diagnóstico e do prognóstico para os Psicólogos que, de alguma forma, atuam junto à Esquizofrenia.