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Pharmacy Practice (Internet) 2010;8(1):1-17

6.2.1 Análise dos Contextos Sócio-Histórico mais amplo e particular

Dentro de uma perspectiva ISD, acreditamos que toda ação humana deve ser interpretada em correspondência com seu contexto sócio-histórico de emergência, pois é ele que determina e constitui as organizações sociais e as decisões tomadas dentro delas. Sem dúvidas, isso também acontece com os Sistemas Didáticos, que são influenciados, determinados e constituídos pelas decisões tomadas fora de suas dependências.

Partindo, portanto, da necessidade de voltarmos para as questões contextuais e da importância que os Sistemas Didáticos exercem no processo

de transposição dos conhecimentos até tornarem-se ensináveis, faremos a análise dos contextos sócio-histórico mais amplo e particular que emergiu a Nova Proposta Curricular do Estado de São Paulo e as ações realizadas pela SEESP para sua implementação.

Para a análise do contexto sócio-histórico mais amplo, utilizamos os estudos de Coraggio (2000), SALLES, F. & FIDÉLIS, S.(2006), SILVA, C. (org).1996, VALLE (2009), e MACHADO & BRONCKART (2005), os quais relacionam o panorama da educação brasileira com as influências históricas e político-econômicas. Além de discutirmos as representações desses autores sobre o contexto sócio-histórico, exemplificaremos algumas das influências descritas por eles com os conteúdos abordados em dois documentos oficiais do Ensino Médio: Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) e os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM).

Já para a análise do contexto sócio-histórico particular do estado de São Paulo, utilizamos os estudos de Castro (2009) e Barros, Tavares & Massei (2009) que, segundo o que declaram, participaram das investidas da SEESP para a elaboração da Nova Proposta Curricular. Além deles, utilizamos as

informações encontradas no site da SEESP

(http://www.rededosaber.sp.gov.br/portais/spfe2009/HOME/tabid/1208/Default.aspx) para sabermos como e quando foram implantadas as medidas da reforma curricular e, também, outros estudos que discutem os motivos que levaram a ela.

6.2.2 Análise Enunciativo-Semântica da Proposta Curricular do Estado de São Paulo de Língua Portuguesa

Feito o levantamento das representações sobre o contexto sócio- histórico mais amplo e particular da Nova Proposta Curricular do Estado de São Paulo, seguiremos com a análise do próprio texto norteador dessa ação governamental: Proposta Curricular do Estado de São Paulo de Língua Portuguesa – Ensino Fundamental – ciclo II e Ensino Médio.

A análise consistirá na apreensão e compreensão dos conceitos e orientações para o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Médio. Mais

especificamente, sobre os conceitos de linguagem e aprendizagem, sobre o que determinam como objetivo de ensino, objeto de ensino e o encaminhamento didático almejado pela SEESP.

Esta etapa da análise vai ao encontro de duas considerações feitas pelos teóricos genebrinos ISD, quanto à possibilidade de tornar visíveis os movimentos transposicionais dos conhecimentos. O primeiro deles consiste na afirmação de que é através dos textos e dos discursos que os conhecimentos são moldados até tornarem-se ensináveis. O segundo é que, para a formulação de um currículo, é necessário deixar claros quais os objetivos visados, o objeto de ensino privilegiado e as concepções teórico-metodológicas utilizadas para o encaminhamento didático em uma determinada disciplina (BRONCKART, 2004) (SCHNEUWLY, 2009) (DOLZ&SCHNEUWLY, 2010).

Partindo desses princípios norteadores, as análises foram realizadas seguindo os seguintes passos e critérios:

I – Para a compreensão dos objetivos de ensino, do objeto de ensino e do encaminhamento didático:

1º Feita a leitura integral do documento Proposta Curricular do Estado de São Paulo de Língua Portuguesa – Ensino Fundamental – ciclo II e Ensino Médio; 2º Seleção das seguintes páginas:

 Páginas 8 - 20: correspondem aos capítulos Apresentação e Princípios para um currículo comprometido com seu tempo. A seleção se deu, pois são apresentados os motivos que levaram a elaboração da proposta curricular e, também, os princípios didáticos utilizados e seguidos para sua elaboração;

 Páginas 37 - 40: correspondentes ao capítulo A Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que explica a compreensão da importância do ensino da linguagem nas disciplinas de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes e Educação Física;

 Páginas 41 - 44 que introduzem o capítulo Proposta Curricular de São Paulo para a disciplina de Língua Portuguesa, onde encontramos os objetivos e objeto de ensino privilegiados;

 Páginas 59 - 60 que discorrem sobre as orientações para o ensino desta disciplina no Ensino Médio.

3º Seleção dos enunciados que continham modalizações deônticas, lógicas e pragmáticas.

Para compreendermos o que se propunha para o ensino de gêneros textuais, buscamos os enunciados que sugeriam, propunham e determinavam o objetivo de ensino, o objeto de ensino e o encaminhamento didático para o ensino dos gêneros textuais. Percebemos nesse processo que não havia uma definição explícita do que e como isso deveria ser feito, mas através do uso de determinadas expressões modalizadoras (deônticas, que davam a noção de normas a serem seguidas; lógicas, que davam o tom de necessidade de realizar algo, de algo recomendado; e pragmáticas, que sugeriam as ações necessárias para alcançar os objetivos e privilegiar o objeto de ensino prescrito), foi possível chegarmos a possíveis constatações.

II – Para a análise das concepções de linguagem e aprendizagem presentes na proposta curricular:

1º Seguidos os três primeiros passos da análise anterior;

2º Identificação, em todas as páginas elencadas, dos enunciados que continham as expressões “linguagem”, “linguagens” e “aprendizagem”;

3º Seleção dos enunciados cuja função sintática do sujeito era ocupada por tais expressões, buscando compreender o que se enuncia sobre tais conceitos e, assim, chegarmos às concepções de linguagem e aprendizagem defendidas pelos elaboradores da proposta curricular da SEESP para o ensino de gêneros textuais.