5 Petroleumstilsynets tilsynspraksis og myndighetsutøvelse
2. Utføringen av tilsynet
5.3 Petroleumstilsynets bruk av reaksjonsmidler
A relação com as crianças dos outros lugares da rua foi diferente porque estive com elas poucas vezes. Visitei-as só uma vez por semana e em cada semana também visitei outros lugares. De vez em quando encontrava as mesmas crianças em vários lugares, o que mostra mais uma vez a dinâmica entre os grupos, mas o facto de as ver poucas vezes dificultou a construção de uma relação com eles. O contacto era, sobretudo, curto mas, ao mesmo tempo, forte e isto podemos encontrar em várias situações nas notas de campo.
Um outro aspecto que dificultou uma relação era o uso das drogas pois várias crianças estavam drogadas e não estavam muito conscientes das pessoas e actividades que aconteceram ao seu redor. Também o facto de nem todas as crianças saberem o que eu estava a fazer nos lugares por elas frequentados fez com que me abordassem como um educador do Dom Bosco e isto influenciou o contacto com elas. Não podia escapar da minha função como educadora porque não era possível informar os meus propóssitos a cada criança com que me deparava. Além disso, a necessidade de ser educadora era tão premente que me senti obrigada a ter uma função dupla: além da investigadora também era educadora. Por isso, de vez em quando, ajudei na organização das actividades. No natal fui a narradora do teatro que os educadores prepararam para as crianças, mas também tive que ajudar na parte da saúde das crianças. Num início de noite estava junto com a educadora do VIS a visitar crianças no bairro do são Paulo, e uma criança deitou- se no chão para dormir ao lado da rua.
Notas de campo: 20-01-2011
“..A educadora cumprimentou o rapaz que estava a deitar-se para dormir. No chão encontrava-se a casca duma laranja. Ela perguntou se ele estava doente. Ele disse que sim, tinha dor de dente. Ela perguntou se ele sabia onde ficava o centro Don Bosco na Lixeira para tomar medicamentos. Ele não respondeu de modo audível, a resposta ficou mais ou menos imperceptível. Eu disse à educadora que podia trazer medicamentos da casa. Combinámos com o rapaz que íamos voltar para trazer medicamentos. Ele disse que ia ficar no mesmo lugar...”
Nota: estas notas foram feitas no bairro de São Paulo entre as 19:30h e as 20:30h
Encontrei-me numa circunstância em que era preciso assumir o papel de educadora, e como vivia muito perto deste bairro era injusto não ajudar a criança. Ficou claro que o
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duplo papel influenciou o contacto com as crianças, de tal forma que com certas crianças eu era realmente uma investigadora e para outras era mais uma educadora. Mesmo assim faço uma breve consideração do contacto que mantive com estas crianças. Os aspectos marcantes no contacto que tive com as crianças destes lugares são:
O entusiasmo: muitas vezes as crianças mostraram um grande entusiasmo para comigo e para com os outros educadores. Dei-lhes atenção e elas acharam isto valioso no meu comportamento. Também falo de entusiasmo porque elas tiveram uma grande “sede” de mostrar as suas experiências e, por isso confiaram rapidamente em mim. Por também ser de Dom Bosco consegui manter uma boa relação com as crianças. Através do entusiasmo que elas manifestaram em relação ao meu estudo foi possível confiarem- me muitas experiências. Infelizmente, como desempenhei um duplo papel, nunca poderia integrar-me nos seus grupos, ou seja, nunca poderia estar no mesmo plano que elas. O tempo passado junto delas era curto demais para ajudar a construir uma relação de confiança que depois permitisse que elas me entregassem os seus mundos.
A distância: Também havia uma certa distância pois muitas crianças não me conheceram e não era possível fazer uma presentação para cada criança que não conhecia. Por isso, havia sempre crianças que não me conheciam e ficavam a uma certa distância. Um outro tipo de distância tem a ver com o facto de que nunca me poderia integrar nos seus mundos porque era vista como uma adulta de um outro país e na qualidade de educadora, razão pela qual, de vez em quando, as crianças escondiam-se e mostravam bem claro que têm os seus próprios mundos.
O entusiasmo era sobretudo visível no momento em que entrei no campo das crianças. Assim, entrei no campo no Largo 1º de Maio onde recolhemos, juntamente com a educadora do VIS, várias crianças para começar o jogo de futebol. Antes do jogo começar uma criança ficou ao pé de mim e andou comigo.
Notas de campo: 02-12-2010
“…Apareceu um rapaz que me deu flores, eu disse-lhe obrigada mas que as ia colocar ao lado da parede porque, assim, não poderia jogar. Ela não me deu atenção. Apareceu uma bola e um deles disse que era dele. Fizeram balizas com pedras e todos ficavam na parede, disseram que eu também tinha que ficar aí. E assim fiquei ao lado delas. Um dos rapazes que estavam a escolher pessoas para formar um grupo para jogar futebol escolheu directamente o meu nome.
Disseram que eu depois tinha que escolher um rapaz. Escolhi o O porque só me lembrei do nome dele.”
Nota: estas notas de campo foram feitas no estacionamento ao lado do Largo 1º de Maio entre as 19:15h e as 20:45h, um lugar onde um grupo de crianças permanece durante a noite.
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Ao ter-me dado flores, a criança queria mostrar-me que era bem-vinda ao seu lugar, deixando claro através deste presente que eu era uma visitante. Isto foi mais uma vez sublinhado com uma canção que cantaram para mim em que repetiram a frase: “bem- vindo, senhora visitante!” Esta abertura por parte delas ficou demonstrada também pela maneira como elas me incluíram nos seus jogos. Como lemos nas notas de campo, eu fui a primeira pessoa que foi escolhida quando as crianças fizeram grupos, e me ensinaram que depois eu teria que escolher um rapaz. Portanto, mostraram positividade e entusiasmo por as ter visitado.
Além do entusiasmo para comigo como visitante, também havia um entusiasmo pelo trabalho que eu estava a fazer: ouvir as histórias das crianças e criar um “livro” para as outras pessoas lerem sobre as suas vidas. Esta foi a frase que usei sempre com as crianças a fim de explicar o motivo de eu estar presente no seu território. Elas mostraram uma “sede” para contar as suas experiências e sentiram isto como uma oportunidade para falar “a verdade”. Assim, encontrei duas crianças no Largo 1º de Maio que, em vez de participar nas actividades, foram sentar-se comigo.
Notas de campo: 30-12-2010
“…Duas crianças aproximaram-se de mim e olharam para aquilo que estava a escrever. Eu comecei a explicar-lhes o que estava a fazer. Elas disseram que queriam contar-me as suas próprias histórias de vida. Eu perguntei-lhes os nomes: V (13) e M (15). O M disse para V que ele tem que falar tudo! Eu disse a V para irmos um pouco mais para o outro lado porque, onde estávamos, havia muito barulho. Fomos sentar no chão um pouco mais distante do grupo que estava a cantar.
O V disse que vivia no bairro de Golfo II, o pai faleceu há dois anos. Ele disse que ficava com medo em casa e, por isso, saiu de casa. Eu lhe perguntei porque ele tinha medo. O V disse que a mãe o acordava todas as manhãs, às 5H para bater lhe. Depois saiu de casa. Ele disse que ele trabalha no cine atlântico ou nas bombas. Ele disse que na rua também ganhou medo. No dia 24 voltou para casa e tomou um banho em casa. Ele foi dançar em frente da casa, porque gostou muito de dançar, disse ele. Quando eu perguntei o que a mãe lhe disse quando ele chegou em casa, ele disse que a mãe gritava que iria bater-lhe e levá-lo para a polícia. Ele disse que às 20h, depois da novela, a porta da casa se fecha-se, depois já não posso entrar. “A minha mãe estava nervosa comigo por eu viver na rua”, ele disse. Eu perguntei-lhe onde aprendeu a dançar tão bem. Ele disse que ensaiava no Sambizanga junto com amigos. Lá havia um irmão que ensina as danças às crianças. Ele disse que também praticava com amigos que viviam nas casas normais. O irmão chama-se A.B. e trabalha na DPA. Eu perguntei se ele também cantava. Ele disse que sim, kuduro. “ Agora tenho duas canções, disse ele…”
Nota: Estas notas foram feitas no estacionamento ao lado do Largo 1º de Maio entre as 19:00h e as 21:00h.
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Aqui, as crianças sentem uma oportunidade para narrar tudo o que lhes aconteceu na vida, pois acreditam que têm que aproveitar esta oportunidade o que me deixa muito entusiasmada. Através deste entusiasmo depositam em mim uma grande confiança, sem me conhecerem porque foi a primeira vez que me encontrei com estas crianças. O M ainda sublinha o facto que é importante falar tudo para motivar o seu amigo a aproveitar a oportunidade.
Como já referi, também foi confrontada com situações em que eu e os outros educadores não fizemos parte dos grupos das crianças. Assim, chegamos à Avenida Marginal em que um grupo de crianças e jovens estavam sentados no parque, um local onde não íamos fazer actividades com eles, pelo que se afastaram de nós porque ainda não tinham acabado assuas próprias actividades.
Notas de campo 10-02-2011
“…Entramos no parque onde havia um grupo crianças sentadas nos bancos e no chão. Andámos na direcção delas e cumprimentámo-las. O grupo fugiu imediatamente e foi se sentar um pouco mais distante no parque. Algumas educadoras disseram que eles fugiram porque estão a fumar. O grupo sentou-se agora atrás de algumas árvores num lugar muito escuro. Nós ficamos à espera, um pouco afastados das crianças. Uma criança apareceu e ficou de pé atrás duma árvore. Ele voltou ao grupo e segurou algo nos seus dedos, depois voltou para a árvore. Alguns educadores estavam a brincar com a bola que pulou para o lado da criança. A criança apareceu, apanhou a bola e cumprimentou-nos. Depois voltou ao seu grupo. O educador foi buscar as crianças e apareceram juntos, alguns jovens com maior idade, cumprimentaram-nos e fugiram. Três crianças vieram ter connosco. O educador disse: “vamos brincar!..”
Nota: estas notas foram feitas num parque perto da Avenida Marginal (aqui se encontram as ruas principais de Luanda) entre as 19:15h e as 20:30h.
Vimos aqui que as crianças mantêm bem clara a linha onde começa a sua própria vida e a partir da qual um adulto não tem poder. Quando o educador foi ter com elas para as motivar para brincar connosco elas aceitaram o convite.