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Kapittel 4. Strategisk analyse

4.2 Ekstern bransjeanalyse

4.2.2 PEST-analyse

ciberespaços em relação à preservação da memória e formação cultural no contexto da aplicação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para o desenvolvimento do processo educacional.

O objetivo do capítulo é contribuir para a construção de um referencial teórico sobre a relação entre as práticas contemporâneas de comunicação e o processo educacional frente à preservação da memória.

1.1 - Memória, Patrimônio e Formação

O registro da memória é um elemento fundamental na formação cultural, seja ela coletiva ou individual, uma vez que todo conhecimento que um indivíduo adquire sobre o mundo ao longo da vida são experiências armazenadas em sua memória.

O aceleramento da história levou os países industrializados a relacionar o consumo do presente com suas raízes no passado, como exemplos se tem a moda retro, o gosto pela história e pela arqueologia, o interesse pelo folclore, o entusiasmo pela fotografia, criadora de memórias e recordações, e o prestígio da noção de patrimônio.

Conforme Le Goff (1990, p. 185):

Compreender o tempo "é essencialmente dar provas e reversibilidade". Desse modo nas sociedades contemporâneas, “a distinção do presente e do passado implica essa escalada na memória e essa libertação do presente que pressupõem a educação”.

Para Mezan (1991, p. 73) “memória é in-quecer, é re-significar o passado na trama simbólica do presente cair dentro da lembrança”, dessa forma, o indivíduo passa a ser expectador da sua própria história por meio de imagens físicas ou mentais. Esse conjunto de informações e memórias trazidas pelas imagens, segundo Pinto (2012, p. 4) “é o que educa e forma, uma vez que provoca reflexões através do que é visto”.

Com vista na educação escolar, é preciso entender a formação da memória da criança. Para Le Goff (1990, p. 185) a criança:

Forma em grande parte a sua memória pessoal, enquanto que a memória social histórica recebe os seus dados da tradição e do ensino, aproximando-se, porém, do passado coletivo enquanto construção organizada.

Sendo assim, a preservação da memória nos diferentes suportes justifica a importância de guardar não apenas os fatos históricos de uma sociedade, mas também a construção da identidade cultural de seus indivíduos. Para Menezes (1894, p. 33) “o suporte fundamental da identidade é a memória”.

Segundo Guarnieri (1989, p. 55):

Preservar a memória cultural de uma sociedade não significa atrelá- la ao passado e impedir o seu desenvolvimento, mas sim conservar seus pilares constituintes a fim de não perder conhecimentos e identidades.

Na ótica de Tomaz (2010, p. 5):

Esse preservar da memória não está ligado apenas à conservação de relíquias antigas ou edificações, mas também à preservação de toda uma história, todo um caminho percorrido pela sociedade, desde seus tempos mais remotos até os dias de hoje, interligando- os pela sua importância nesse processo de contínuo movimento e constante transformação.

Desse modo, o sentido de identidade conferido à memória refere-se ao fato de o ser humano distinguir o que viveu no passado do que vive hoje. Compreender então a história de uma comunidade ou sociedade na qual se está inserido, constrói uma noção de continuidade.

Santos (1997, p. 148) assinala que “a cultura de um grupo social (...) não é compreensível sem a análise da trajetória histórica e da posição desse grupo no sistema mundial”. Portanto, a memória dá sentido de trajetória à identidade cultural.

Segundo Dalmaz e Netto (2004, p. 1):

Somos seres com história, construímos nossa identidade através de um processo que mescla as experiências vividas no ambiente e as nossas vivências interiores; assim, somos quem somos porque aprendemos e lembramos.

Para Castells (2003, p. 23):

A identidade é a fonte de significado e experiência de um povo. (...) Toda e qualquer identidade é construída. A principal questão, na verdade, diz respeito a como, a partir de quê, por quem e para quê isso acontece.

Nesta conjuntura, o conceito de memória se instaura como um processo histórico que resguarda as características culturais de um determinado povo e atua na reorientação da vivencia dos grupos sociais. No entanto, ainda é preciso compreender de que forma é possível acessar a memória e resgatar o passado.

De acordo com Tomaz (2010, p. 2) “ao se contemplar um espaço de relevância histórica, esse espaço evoca lembranças de um passado (...) capaz de produzir sentimentos e sensações”. Nesta concepção, a memória pode ser despertada por lugares, edificações e monumentos, relembrando a forma com a qual eram utilizados no passado.

O patrimônio cultural, material ou imaterial, pensado enquanto agente formador se torna um suporte à construção da memória social. Segundo Mesentier (2003, p. 3) “é um estímulo externo que ajuda a reativar e reavivar certos traços da memória coletiva em uma formação sócio territorial”.

Na análise de Machado e Dias (2009, p. 2) destaca-se:

O patrimônio é o resultado de uma dialética entre o homem e seu meio, entre a comunidade e seu território. Ele não é apenas constituído pelos objetos do passado oficialmente reconhecidos, mas também por tudo que liga o homem ao seu passado, ou seja, tudo que os seres humanos atribuem ao legado material e imaterial de sua nação.

Assim, por meio do patrimônio existente torna-se possível estabelecer elos temporais, com os quais a sociedade possa reconhecer sua história e, ao mesmo, se reconhecer como parte dela. Nesta perspectiva, Machado e Dias (2009, p. 2) trazem a seguinte consideração:

O fortalecimento da identidade cultural permeia a construção de uma nação, e o patrimônio cultural se reconhece como a memória e o modo de vida da sociedade, compreendendo tanto elementos materiais como imateriais. Constitui-se como patrimônio cultural, o conjunto dos elementos para os quais se reconhecem valores que identificam e perpetuam a memória e referências do modo de vida e identidade social.

Para Tomaz (2010, p. 2) “cada edificação, portanto, carrega em si não apenas o material de que é composto, mas toda uma gama de significados e vivências ali experimentados”.

Em tal abordagem, a fala de Mesentier (2003, p. 3) complementa estas afirmações:

Se a sociedade atual traz as marcas das estruturas sociais que lhe antecederam e se estas marcas são potencialmente suportes da memória, então é também pela seleção, pela análise e pela interpretação destes suportes que serão construídas a memória e o esquecimento social.

Em sua investigação Mesentier (2003) avalia a valorização que é dada a diferentes bens patrimoniais, ressaltando a importância da seleção do bem a se preservar. Essa escolha se dá pela preferência do patrimônio que abranger a maior memória conjunta, a fim de que mais pessoas possam se identificar com o bem em questão. Dessa forma, tal seleção torna a sociedade contemporânea uma das maiores responsáveis pela preservação e divulgação da memória, bem como construtora de uma nova história e, também, responsável por parte do esquecimento.

Segundo Santos (1982, p. 10-19) apud Mesentier (2003, p. 1):

O patrimônio, quando associado ao mesmo tempo às noções de memória e futuro, sugere não só uma relação entre memória social e projeto social, isto é, entre a memória social e a construção no presente das perspectivas futuras de uma formação sócio territorial; sugere também que, de alguma forma, o patrimônio histórico-cultural

participa desta relação, da memória social com a construção das soluções dos problemas com os quais se confronta uma sociedade. Neste contexto, é possível observar que a memória social depende do envolvimento entre sujeito e patrimônio, independentemente do suporte ou meio pelo qual o indivíduo terá acesso à história. No mesmo estudo, Mesentier (2013, p. 4) assegura que “a memória é imaterial”, e portanto, não depende exclusivamente da conservação do patrimônio físico.

Para Leão (2009, p. 14), “o patrimônio em sua forma física representa um acervo acumulado, reelaborado e intransferível das experiências vivenciadas pelas diversas gerações antepassadas”. Entretanto, sua preservação não garante a preservação da memória, nem a sua coletividade enquanto história. Desta maneira, a sociedade, especificamente as autoridades, tem o papel de mediadora entre patrimônio, história e indivíduo.

Essas relações e diferenças culturais experimentadas dentro de uma perspectiva atual permitem a ressignificação da cultura, tendo cada indivíduo a função de formador de uma nova cultura dentro de uma história já existente. Nessa mesma visão, Mitchell (1956, p. 27) apud Leão (2009, p. 21) analisa:

[...] a cultura seria um ‘vasto celeiro de significações’ construído pelas pessoas ao longo do tempo e do qual se utilizam de acordo com as seleções situacionais, o que pode tornar os componentes do celeiro cultural diversos e mesmo contraditórios.

Neste aspecto, o indivíduo passa a relacionar a memória e o valor do bem patrimonial à sua realidade e à composição de sua identidade cultural, seja ela pela comunidade a que pertence ou pela comunidade com que se identifica. Para Pelegrini (2007, p. 3) a partir do momento em que a sociedade reconhece o patrimônio como um bem que recebeu do passado admite-se “que o patrimônio é historicamente construído e conjuga o sentimento de pertencimento dos indivíduos a um ou mais grupos”.

Desse modo, o bem patrimonial se torna uma ferramenta da memória, que conduz o sujeito a retomar as experiências passadas e a construir concomitantemente suas memórias dentro da sociedade de hoje.