• No results found

Kapittel 4. Strategisk analyse

4.3 Internanalyse

4.3.1 KIKK

Seguindo essa linha de pensamento, a sociedade, responsável pela produção de conhecimentos e divulgação da informação, tem o dever de registrar e preservar sua história e, por meio desta, identificar novas identidades culturais. Para Loweenthal (1989, p. 185) “a memória é, portanto, o único meio de rever o passado no presente”.

Mendes, Santos e Santiago (2010, p. 2) afirmam:

Entendemos que a importância de preservar informações em quaisquer tipos de suporte provém da necessidade de resguardar o passado, no intuito de entender o presente e fazer prospecções ao futuro com base nas experiências vivenciadas anteriormente.

No entanto, junto com a memória surge o esquecimento, assim, para trazer informações que remetam a histórias passadas o uso de suportes para registros da memória é um antigo recurso utilizado. Ferreira e Amaral (2004, p. 138) afirmam que:

A memória não pode existir sem o suporte técnico, como algo puramente cerebral; o passado não pode sobreviver sem os suportes técnicos que nos inscrevem numa determinada cultura, tradição. Posto que a memória não é possível sem artifícios como a linguagem, a escrita, falar de memória é falar de esquecimento. Sob este olhar, a educação e a formação cultural se efetivam tanto nas instituições culturais, espaços próprios para o resgate da memória, quanto na cultura diária da comunidade à qual pertençam. Dessa forma, a memória coletiva é construída e, consequentemente, as identidades sociais também o são. Com base nessa visão, os suportes materiais se tornam referências, testemunham a trajetória histórica e possibilitam o autoconhecimento.

Garcia (1986, p. 43) afirma:

A memória nacional é, em realidade, formada de memórias nacionais. Ela recobre as formas pelas quais as distintas classes e segmentos sociais foram constituindo, nos embates da história, suas identidades.

Isso vai ao encontro das ideias de Benjamim (1985, p. 193), que vê o ato de preservar a memória da história nacional como um ato de democracia.

Se é certo que não há democracia sem preservação de uma memória nacional que ilumine e instrua a ação dos atores sociais no presente e no futuro, não é menos certo que também não haverá democracia se esta memória não for entendida como plural, diferente, contraditória.

Para Pinto (2012, p. 4) “o museu, nesta primeira década do século XXI, não é apenas um espaço para lembrar e contar histórias, mas o lugar em que se constroem memórias”. Pinto (2012, p. 5) ainda ressalta:

O museu pode ser a lembrança de gente deixada pelo objeto, ou lembranças que incitam a busca de outras histórias: história de pessoas, história de lugares [...] Há lugares de memória porque não há meios de memória, essa se torna um sentimento residual aos locais; ou seja, resíduos, restos de um passado já morto.

Neste sentido, os lugares da memória surgem da ideia de que nem sempre a memória é espontânea. Nora (1993, p. 21) destaca que, por isso, “é preciso criar arquivos, manter datas comemorativas, pronunciar elogios fúnebres, organizar atas, porque essas operações não são naturais”.

Em outra perspectiva, Pinto (2012, p. 5) entende que “os lugares de memória se fazem pela experiência, pelos restos, resíduos daqueles que vivem o lugar e pela preocupação em perpetuar uma memória que é viva, mas crê-se no seu desaparecimento”, concordando com a necessidade de um espaço que reviva essa memória.

Nesta ótica, os lugares e suportes da memória impedem o esquecimento e imortalizam os fatos, materializam o imaterial e dão sentido aos símbolos, e é isso que os tornam apaixonantes. Nora (1993, p. 21) afirma:

O lugar de memória é um lugar duplo: de excesso, fechado sobre si mesmo, fechado sobre sua identidade, recolhido sobre seu nome, mas constantemente aberto sobre a extensão de suas significações. No passado os instrumentos de armazenamento da memória estavam ligados a museus, arquivos, livrarias e álbuns fotográficos. Hoje ainda há estes mesmos meios de armazenamento, suas versões digitais e outras ferramentas

digitais como ciberespaços, websites e blogs, entre outros. Além disso, os veículos de massa registram a história da sociedade na contemporaneidade, de forma interativa e dinâmica. Segundo Rodrigues (2002, p. 225):

(...) a mídia apresenta recortes arbitrários dos acontecimentos e se utiliza de estratégias para naturalizar o seu discurso, promovendo ora o esquecimento, ora a rememoração: “O entrelaçamento do esquecimento, resultante da efemeridade dos seus enunciados, com o seu retorno regular, sob a forma de retrospectivas e de citações, é um dos mecanismos fundamentais desta dimensão do discurso midiático”.

Realizando uma análise do comportamento da sociedade atual, que é influenciada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, principalmente no que diz respeito ao uso da Internet, seja no ambiente de trabalho ou nas relações pessoais, o ciberespaço (ou websites) torna-se um suporte de resguardo, divulgação e preservação da memória na contemporaneidade. Contudo, ao registrar a memória no ciberespaço, o acervo deixa de ser particular e passa a ser compartilhado, tornando a memória e a história parte do coletivo, como assegura Lévy (2008, p. 1) ao afirmar que “o ciberespaço é uma tecnologia da memória”.

Dentre os ciberespaços, o passeio virtual e os museus interativos se destacam por estarem diretamente ligados ao espaço físico. O cibermuseu, por exemplo, proporciona passeios virtuais com o objetivo de manter semelhanças daquilo que se conhece como museu.

O aumento de ações e propostas que utilizam as novas mídias de comunicação nos espaços culturais estreita às relações entre o papel educativo das instituições culturais e a formação cultural do indivíduo. Visando atingir as necessidades da sociedade, cabe às instituições buscar novas dinâmicas para divulgar seus acervos e estabelecer contato contínuo com o público, de forma educativa e contemporânea.

Não obstante, o método utilizado pelos espaços culturais para ajudar o visitante durante o passeio ao local é o uso de legendas, guias e mediadores. Algumas instituições ainda oferecem visitas diferenciadas de acordo com a faixa etária de cada público. Assim, por meio de palavras e conversas, o público começa a decodificar a obra. (Barbosa, 2006)

Dentro desta averiguação, o local físico das instituições se torna um templo de memórias, lugar onde é possível o encontro das emoções do presente com o passado. No entanto, a relação do homem com o tempo na sociedade contemporânea mudou, como se pode constatar pelo ritmo acelerado imposto pela nova dinâmica de trabalho e sociabilidade, os quais demandam novas formas de divulgação da informação.

Segundo Barbosa (2006, p. 6) “os tempos evoluíram e, hoje, em cada lar ponteia uma ou mais televisões, consoles de jogos e, claro, o computador ligado à Internet”. Ainda nessa ótica, os aparelhos móveis também se fazem presentes na vida da maioria das pessoas, independentemente da faixa etária, evidenciando o papel das TICs no cotidiano do homem atual.

Neste contexto, a divulgação da informação e a aplicação de atividades educativas com a utilização das novas tecnologias podem facilitar a aproximação dos espaços culturais com o público, tendo o usuário novas oportunidades de experimentações no espaço físico ou no ciberespaço, composto, por exemplo, pelo museu virtual.

Conforme afirma Oliveira (2007, p. 147):

O museu digital está, aqui, ligado diretamente à web, de um lado significando uma interface com os museus presenciais, de outro lado, criando o próprio cibermuseu, aquele que não possui uma interface presencial, num sentido metafórico, ou seja, designando os seus acervos para uma ordem digital e criando uma qualidade que tem o objetivo de manter a relação de semelhança com as origens daquilo que se conhece como museu.

Os museus virtuais, assim como os espaços físicos, desempenham o papel de guardar e preservar a memória cultural, qualificando objetos materiais e imateriais em patrimônio e arte. Sendo assim, o intuito de um passeio virtual é simular as instalações físicas de uma instituição, garantindo que o público realize o mesmo tour que faria presencialmente, podendo interagir e receber informações sobre as obras expostas.

O museu virtual é uma realidade nova na museologia. É preciso compreender o caráter inovador como aquele relacionado ao caráter aberto da informática contemporânea – ou seja, os objetos do museu disponíveis numa perspectiva que é orientada pelos referenciais teóricos de seus autores, mas que permite a sua reconfiguração, conforme os desejos ou interpretações que o visitante possui.

Nesta conjuntura, ao mesmo tempo em que a preservação está fortemente ligada à memória escrita ou a memória oral, as mídias digitais tendem a repensar velhas práticas e postular novos paradigmas para o resgate e preservação da memória.

De acordo com Barbosa (2006, p. 44) “a informação sobre os museus na atualidade prolifera cada vez mais na Internet, os recursos desta tecnologia permitem que seus serviços e coleções possam ser vistos em escala mundial”.

Segundo Gant (2001, p. 231),

A Internet afeta a projeção externa do museu, nomeadamente: melhoria do acesso à informação (permitem visitas virtuais, manipulação de objetos, consulta de catálogos, informação hipertextual e ligações a recursos externos); no desenvolvimento de novas técnicas de mercado (desde publicidade a venda de produtos); podendo, deste modo, incrementar o número de visitantes reais.

Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se dizer que o cibermuseu torna possível que inúmeras pessoas tenham contato com suas obras e produtos por meio da Internet. Em uma perspectiva de sociedade capitalista, o ciberespaço facilita a divulgação e a publicidade das instituições, o que instiga o público a fazer o percurso in loco e tende a aumentar os rendimentos de cada instituição.

1.3 - Podcasting

Podcast pode ser definido como um arquivo multimídia em formato de vídeo

ou áudio, cujo download é feito através da Internet. Segundo Barbosa (2006) os

podcastings (publicações de podcasts na Internet) tiveram início no ano 2000 e

um leque de possibilidades, como a inclusão de áudio guias, conferências e relatos de experiências. Essa tendência, porém, só começou a ser sentida em Portugal e no Brasil a partir de 2006. Um exemplo é ilustrado pela Figura 1.1, na qual o

podcasting do website Museus de Portugal é mostrado.

Figura 1.1: Podcasting Museus de Portugal. Fonte: http://www.museusportugal.org/ (acesso em 17/05/2014).

No ano 2000 os Estados Unidos da América iniciaram o uso de podcasting com o projeto Art Mobs1, desenvolvido na Marymount Manhattan College pelos alunos e professores. Nesse projeto, os alunos desenvolveram áudio guias para as obras do Museum of Modern Art (MOMA), e atualmente todo esse material está disponível na Internet para que qualquer utilizador possa fazer seu download.

O Art Mobs visa a auxiliar na formação cultural e no desenvolvimento crítico do sujeito perante a obra. David Gilbert, um dos professores responsável pelo projeto, em entrevista ao blog do museu, relata:

Hoje ouço alunos que são músicos ou artistas de hip-hop compor músicas e temas sinfônicos para anúncios de televisão, todos inspirados pelas obras do MOMA (http://mod.blogs.com/art_mobs/, acesso em 17/05/2014).

Barbosa (2006, p. 50) expõe que esse projeto “alerta para a importância da relação entre tecnologias, aprendizagem, escola e museu”, criando a proposta de um novo triângulo no ensino escolar, como exposto na Figura 1.2.

Figura 1.2: Relação tecnologia, aprendizagem, escola e museus. Adaptado de Barbosa (2006).

Essa proposta vai ao encontro da abordagem triangular2 que surgiu no Brasil

na década de 90. Sua idealizadora, Ana Mae Barbosa, desenvolveu uma sistematização para o ensino das Artes em museus, sugerindo que a construção do conhecimento acontece quando há a interligação entre a experimentação, a codificação e a informação (Barbosa, 2003). Ela propõe que o programa do ensino seja elaborado a partir de três ações básicas, conhecer, fazer e apreciar, voltando- se para uma perspectiva na qual as tecnologias podem ajudar na aprendizagem, e podem criar um elo entre o conhecer e fazer a partir da experimentação de uma nova prática de ensino, tornando este triangulo um norte para o fazer e a experiência proposta nessa investigação.

2 Barbosa, Ana Mae. A imagem no ensino da Arte: anos oitenta e novos tempos. 8ª edição, Editora

Ainda neste contexto, o podcasting oferece ao educando a possibilidade de conhecer e apreciar uma instituição, como uma forma de apresentação inicial do conteúdo e das propostas oferecidas pelo estabelecimento, estando o mesmo em qualquer local e a qualquer hora.

Para Barbosa (2006, p. 64):

Esta tecnologia abre um mundo novo à criatividade de cada um de nós, pois não estamos limitados aos conteúdos que nos são propostos pelos museus, mas a uma imensa variedade de abordagens (sonoras, gráficas, musicais), que nos dão diferentes perspectivas sobre a mesma realidade.

Sob a ótica de Barbosa (2006, p. 65), a tecnologia oferece um novo sentido à aprendizagem, guiado pela interatividade e criatividade, rompendo com as barreiras do espaço-tempo, levando o indivíduo a visitar qualquer instituição a qualquer hora de qualquer lugar do mundo, desde que esse faça uso adequado das ferramentas de que dispõe. Desse modo, o podcast se apresenta como recurso para preservação da memória dentro do ciberespaço, e vem se afirmando como tal.

Por meio do exposto nas seções anteriores deste capítulo buscou-se mostrar o papel da memória enquanto agente construtor da formação cultural, com papel de norteadora entre as ações passadas e a formação presente da sociedade. Exibiram- se, ainda, os bens patrimoniais enquanto ferramentas da memória, apresentando a função de elo de identificação do indivíduo com o passado.

Também se expôs que a preservação dos bens patrimoniais não garante a preservação da memória, uma vez que cabe à sociedade, responsável pela divulgação da informação, a função de mediadora entre a história do patrimônio e o indivíduo.

Observa-se ainda que as instituições culturais não respondem sozinhas pelo papel de resguardo da memória na contemporaneidade, tendo em vista as mudanças de rotina, os paradigmas do homem e o aumento da utilização das TICs. Dessa maneira, vem surgindo, então, a necessidade de se buscar novos lugares de registro da memória, proporcionada, aqui, pelas novas tecnologias, sobretudo pelas ferramentas interativas e inventivas dispostas pelos ciberespaços.

Por fim é apresentado o podcasting, uma ferramenta atual que possibilita o

download de vídeos, áudios e imagens, dando às instituições culturais a

oportunidade de divulgarem suas histórias e propostas, e de disponibilizá-las para acesso a qualquer momento e em qualquer lugar do mundo.

CAPÍTULO 2

O CENÁRIO VIRTUAL ENQUANTO PALCO DE

DISCURSOS DO HOMEM CONTEMPORÂNEO

Esse capítulo visa apresentar os aspectos referentes às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), especificamente no que diz respeito ao uso da Internet e às relações de sociabilidade e sua inserção no cenário educacional de Brasil e Portugal.

Além disso, destaca-se que o uso crescente de redes como a Internet resulta da criação de um novo tipo de organização social e movimentos de transformações e mudanças políticas, a sociedade em rede, a qual permite a formação de comunidades virtuais, caracterizadas como grupos humanos constituídos pela identificação de interesses comuns.

Além disso, destaca-se que o uso crescente de redes como a Internet resulta na criação de um novo tipo de organização social e de movimentos de transformação, tais como mudanças políticas (Santos e Bizelli, 2012), configurando a chamada sociedade em rede, a qual permite a formação de comunidades virtuais, caracterizadas como grupos humanos constituídos pela identificação de interesses comuns.

2.1 - Comunicação e Sociedade

A sociedade vem passando por transformações rápidas e intensas, assim como em outros momentos de mudanças sociais ao longo da história, em virtude do desenvolvimento tecnológico, especialmente, dos meios de transporte e comunicação que impulsionaram este processo (Gehrke, 2002). Neste contexto, analisando seu retrato atual, dentre os responsáveis pelas mudanças de

paradigmas e fruto das TICs destaca-se a Internet. A mesma promoveu uma reconfiguração cultural e o nascimento de uma nova estrutura de sociabilidade contemporânea, disponibilizando diversos recursos inovadores que conectam as pessoas, viabilizando a ampliação do seu campo de interações sociais quando se considera a comunicação como agente construtor da percepção do mundo para o indivíduo (Scherrer, 2009).

Da mesma forma, Gehrke (2002, p. 12) afirma:

A Internet é a rede de redes de comunicação que demarca o novo nesse efervescente início de século. É a Internet, que inaugurando novas formas de comercio e interação, abala estruturas, antes sedimentadas, para socialização dos indivíduos e para transações financeiras e mercantis.

Nesta conjuntura, a priori evidencia-se como principal agente deste novo modelo de comunicação o correio eletrônico, que tornou possível a troca de mensagens com facilidade e agilidade sem a necessidade de preocupação com seu meio e seu tipo de transporte, independentemente da localização geográfica dos envolvidos. Merecem destaque também os chats, ou salas de bate-papo, que criaram uma nova forma de interação, possibilitando conversas em tempo real entre familiares, amigos ou até desconhecidos, situados em qualquer lugar do mundo. Estes mecanismos, bem como tantos outros hoje existentes, afetaram o homem ao interferir no seu modo de administração do tempo, nas suas relações sócio profissionais e na sua convivência em sociedade. Além disso, ampliaram suas possibilidades e perspectivas, como denotado por Gehrke (2002, p. 14), segundo o qual a Internet abriu caminhos para pessoas com limitações físicas ou emocionais socializarem-se com mais facilidade.

Em decorrência das mudanças nas formas e meios de comunicação, hoje, além dos correios eletrônicos e chats, destacam-se na sociabilidade as comunidades virtuais, pois são espaços que possibilitam o debate de temas específicos por um conjunto de pessoas com interesses e objetivos em comum.

O estudo dessas transformações no presente, principalmente no tocante às práticas comunicativas, base das trocas socioculturais humanas, é importante para o entendimento cultural da sociedade contemporânea, a qual tem sido definida

como cibercultura, em que as palavras-chave são velocidade, conectividade e interatividade, termos que traduzem especificidades da comunicação pela Internet (Gehrke, 2002). Vale ressaltar que a cibercultura não se refere apenas a aspectos tecnológicos, pois se trata de um fenômeno social que reinventa o cotidiano e agrega a tecnologia, tornando possível novas formas de sociabilidade ao usuário (Moura, 2005).

Assim, estudar essas transformações comunicativas também permite compreender as novas formas de sociabilidade, o que contribui para entender a extensão do papel da comunicação nos dias atuais. Nesse cenário, as mudanças de paradigmas da sociedade são retratadas pela interação à distância nos espaços proporcionados pela Internet.

Castells (2003, p. 287) identifica “a Internet como uma criação cultural que gera mudanças na sociedade”, sob este mesmo olhar, pode-se afirmar que os espaços virtuais geram mudanças na forma como os indivíduos interpretam o mundo, tornando o ciberespaço palco para discursos e ressignificações do homem contemporâneo.

No Brasil, a popularização do uso da Internet teve início em 1994, porém até 1998 apenas 1,44% da população tinha acesso a essa tecnologia. Hoje, mais de 42% da população faz uso dos espaços virtuais no seu cotidiano, conforme exposto pela Tabela 2.1.

Tabela 2.1: Evolução da Internet no Brasil.

Data Usuários da Internet (em milhões) (em milhões) População População (%)

Dez/98 2,35 163,20 1,44%

Jan/05 25.90 185,60 13.95%

Dez/12 81,80 193,94 42,2%

Fonte: E-commerce/IBGE e Internet World Stats, Nua Ltda., IDC.

Ainda que em processo de alfabetização digital, a disseminação da Internet ocorreu entre os anos de 2006 e 2007, quando segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil destinou mais de 41% do total de investimentos em mídias do país neste tipo de tecnologia.

Em Portugal, país em que hoje, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 99% dos alunos de escola pública possuem acesso à Internet, a popularização da Internet se deu em meados de 1997, e como exposto pela Tabela 2.2 ao final de 1998 atingia 6,28% da população, segundo a instituição de pesquisa Nielsen Wire. Não obstante, mesmo com cortes no orçamento no ano de 2012, os investimentos em mídias em Portugal não caíram, dando credibilidade à importância do seu uso como ferramenta de trabalho, comunicação e educação.

Tabela 2.2: Evolução da Internet em Portugal.

Data Usuários da Internet (em milhões) (em milhões) População População (%)

Dez/98 6,28 99,79 6,3%

Jan/05 39,74 105,69 37,6%

Jun/12 59,50 107,81 55,2%

Fonte: Internet World Stats, Nua Ltda., IDC.

Desse modo, observa-se uma reconfiguração das culturas universais intensificada pela comunicação e pela interação baseadas na informação e na tecnologia, onde a comunicação é predominante. Os espaços permanecem fixos, mas podem ser atravessados em segundos por meio da Internet (Gehrke, 2002). Nesse cenário, o sentimento de pertencer a um lugar é alterado pela ruptura da distância e do tempo.

A partir da possibilidade de povos e nações interligarem-se rapidamente através de equipamentos eletrônicos, o homem contemporâneo, mais do que em qualquer outro período anterior, pode acessar e conhecer facilmente uma variedade de culturas. É por isso que esse homem pode perder o seu referencial de lugar no mundo, assumindo várias identidades (Gehrke, 2002). Canclini (1995, p. 142) define que “são identidades formadas a partir de repertórios textuais e iconográficos