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CONCLUSÕES

O uso da tecnologia no processo de ensino aprendizagem sobre o resgate da memória cultural orientou o discurso dessa pesquisa. Entende-se a memória como laços entre ações do passado e o presente, que constroem a identidade cultural do sujeito na sociedade. Por outro lado vemos as TICs como agentes sociais contemporâneos caracterizados por três papeis fundamentais: informação, comunicação e integração.

Nesta perspectiva, em um primeiro momento, por meio dos estudos de Barbosa (2006) foi possível analisar o uso das TICs como um recurso para o diálogo entre as instituições culturais e a escola no processo de acesso a acervos ligados a memória.

Em relação a memória verificou-se que 90% dos educadores colaboradores deste trabalho já levantavam questões relacionadas à memória em sua prática pedagógica, enfatizando a formação de identidade do aluno e as relações culturais de sua comunidade. Conquanto, no que diz respeito ao uso das TICs, 55% dos professores nunca tiveram uma formação especifica para tal, e 60% deles afirmam que quando necessário recorrem a televisores com vídeo, o uso do espaço virtual para acesso aos conteúdos e aos espaços de memória não foram citados, como um recurso frequente.

Na sequência do trabalho observa-se na fala dos educadores a dificuldade no planejamento do conteúdo quando este visa trabalhar o ciberespaço como agente educativo no processo de ensino e aprendizagem. Sobre este olhar a totalidade dos educadores acreditava na possibilidade de mudanças na rotina pedagógica por meio do o uso das TICs, desde que se faça uma boa gestão e planejamento do seu uso, conquanto ainda não tinha agregado as propostas da cultura digital a sua prática.

Na realização da prática educativa proposta pela investigação por meio da utilização do passeio virtual 60% dos professores conseguiram desenvolver atividades com seus alunos, relacionando o ciberespaço da instituição em amostra

com o conteúdo didático. Com relação a este aspecto, evidenciaram-se duas diferentes possibilidades de aplicação e emprego deste espaço, o autoconhecimento e a mediação.

No procedimento de autoconhecimento os alunos tinham a possibilidade de investigar e interagir no espaço da instituição individualmente. Já no processo de mediação o professor interagiu no espaço em conjunto com os alunos, utilizando o ciberespaço como um agente agregador a sua fala, uma vez que não havia equipamentos para que todos pudessem interagir ao mesmo tempo no ambiente virtual.

Em relação aos docentes que não conseguiram realizar a atividade, os mesmos apontaram dois fatores limitantes fundamentais para isto, a falta de equipamentos e a falta de conhecimento para a utilização das TICs como recurso de ensino. Neste contexto, o layout e estado dos espaços físicos para o uso das TICs também apareceram como fator de dificuldade para o desenvolvimento dos professores, 3 educadores relatam ambientes com má qualidade para utilização nas escolas, que se caracterizam pela falta de iluminação e ventilação adequada, má disposição do layout da sala, falta de espaço e adaptação para alunos com necessidades especiais, e o mau funcionamento dos equipamentos. Os demais garantem ter bons espaços físicos para trabalhar esta questão, mas o problema voltasse para a distribuição de horários, uma vez que a grande maioria das escolas possui apenas uma sala voltada para o uso de mídias. Este fato dificulta o planejamento do professor em realizar atividades neste espaço e muitas vezes os desestimula, fazendo com que este local seja usado apenas pelo professor de informática em muitas escolas.

Ao abranger o discurso sobre a preservação da memória no espaço virtual, 80% dos educadores participantes acreditam na possibilidade do ciberespaço ser uma ferramenta de preservação e divulgação da memória. Esse número conta com parte dos professores que não realizaram a atividade no ciberespaço da instituição amostra com seus alunos, e a explicação deste fato pode ser elucidada pela fala do P12, por exemplo:

melhor nos ciberespaços do que em qualquer outra mídia de comunicação, fato esse comprovado pelo fenômeno das comunidades virtuais. Temos então um novo espaço de divulgações de informação e troca de memórias”.

Ressalvam-se ao longo desta análise algumas possibilidades de disseminação da memória no espaço virtual, presentes entre as afirmações tanto de ampla divulgação das informações quanto no acervo virtual, que podem ser acessadas de qualquer parte do mundo a qualquer hora. Essa ideia vai ao encontro do objetivo da pesquisa, ratificando o ciberespaço como um recurso de apoio no discurso sobre a memória. Ainda é possível afirmar nesse discurso, que a preservação da memória não esta garantida, pois o ciberespaço é gerenciado por um moderador, que pode atualizar suas informações ou apagá-las. Torna-se necessário então, uma gestão de políticas públicas que vise à manutenção de espaços virtuais voltados para o registro permanente da memória.

Não obstante, as formas de comunicação intermediadas pelos espaços de instituições culturais podem se tornar motivadoras para integração entre o aluno em sala e a instituição por meio de um novo caminho para o saber. É fato que dentro do ensino de Artes, esse processo articula-se aliado ao papel lúdico, cultural e educativo.

No entanto, a forma com a qual as intuições fazem proveito da tecnologia na produção de seus ciberespaços ainda não é totalmente eficiente, pois a maioria das instituições está conectada a sites comerciais, em que a proposta inicial da ferramenta não encontra-se vinculada as questões educativas, as quais estão distribuídas em links dispostos em seus ciberespaços.

Considera-se então o passeio virtual como uma proposta em crescimento de um espaço voltado para questões educativas, no qual o usuário é capaz de fazer uma visita não estando in loco, o que não tira em nenhum momento o valor da experiência de estar no local, mas cria uma nova possibilidade de experimentação, sem limitações temporais ou geográficas, afinal, grande parte das escolas de ensino público não tem recursos para fazer visitas a diferentes instituições. Também nessa reflexão, o espaço virtual, assim como arquivos, álbuns, museus, galerias, monumentos e espaços arquitetônicos, se caracteriza como um lugar da memória.

Os argumentos levantados por este estudo serviram como aprofundamento sobre a reflexão das possibilidades do uso do ciberespaço enquanto agente de resgate da memória, quando agregado a rotina pedagógica do educador. Conquanto algumas indagações ainda persistiram, referentes as possibilidades educativas mediadas pelas tecnologias nos espaços das instituições culturais frente a tantos recursos disponibilizados pela cultura digital.

Nesse sentido, investigações futuras podem realizar estudos sobre algumas questões relevantes levantadas nesse processo como: Qual a dificuldade de propor uma ação educativa de preservação da memória em uma mídia digital? Como manter um acervo? Como abrir o olhar da sociedade para preservação local? Como resgatar o sentindo de pertença?

Um destes pontos se refere ao discurso sobre uma nova metodologia para o ensino, que pode ser configurada no triângulo proposto – Escola, Tecnologia, Instituição Cultural – atrelando ao ensino possibilidades de validar propostas interdisciplinares de ensino aprendizagem.

Outro aspecto que poderá ser trabalhado é o acesso crescente a Internet, a partir dos dados aqui levantados, com base no IBGE e OCDE, os quais podem ser aproveitados para uma análise futura, tendo em vista os novos investimentos em tecnologia no Brasil e a crise econômica, com muitos cortes, vivenciada em Portugal. Os números apresentados no gráfico tendem a mudar, e a relação do homem com as TICs e a educação também.

Em relação a memória, pode-se pensar na memória como agente construtor da identidade por meio das relações sócias, físicas e mesmo as relações lúdicas em torno do discurso de preservação de bens culturais e da história e herança cultural.

Retomando a Tabela 3.1, apresenta por Barbosa (2006) e atualizada nesta pesquisa, ainda é possível uma futura comparação sobre o crescimento das atividades educativas e da participação em comunidades virtuais propostas pelas instituições culturais analisadas.