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7. EN KOMPARATIV STUDIE AV ELEVER I 9. KLASSE

7.1 INNLEDNING ................................................................................................... l47

7.3.3 Data fra en elevgruppe født 1987

Como resultado do Fórum Formação e Política de Dança no Estado do

Ceará, realizado no terceiro dia da Bienal de Dança, surgiu a Comissão de Dança do

Ceará, da qual jugo importante ressaltar que fiz parte. O depoimento a seguir atesta a criação desta comissão:

Foi quando coloquei minha opinião de que, antes de se criar uma Companhia de Dança em nosso Estado, havia a necessidade de se construir uma escola de capacitação para reciclar professores, abrir espaço para a criação coreográfica e fazer uma ponte entre a formação e a profissionalização de bailarinos. Dessa forma a Companhia poderia nascer forte, fazer frente às outras companhias existentes no País. Nada ficou definido àquela época, mas foi formada uma comissão para analisar as propostas[...] (SAMPAIO apud CHAVES, 2002, p. 245).

55 O bailarino cearense Flávio Sampaio iniciou-se na dança na Escola de Danças Clássica do Sesi,

em Fortaleza, com Dennis Gray e Jane Blauth, em 1974, e completou seus estudos com Tatiana Leskova e Jorge Garcia, no Rio de Janeiro. Profissionalmente dançou no Balé do Teatro Guaíra de Curitiba e no Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu vinte anos. Foi professor da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, mâitre de ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e professor da Escola Estadual de Danças Maria Olenewa. Professor da master class do Studio de Tatiana Leskova e Diretor do Colégio de Dança do Ceará e diretor artístico da Bienal Internacional de Dança do Ceará. Autor dos livros Ballet Essencial, da editora Sprint e Balé Passo a Passo, publicado em 2013 pela Expressão Gráfica e Editora. Idealizador do Projeto “DancaR Paracuru”, que reúne uma Escola de Dança e a Paracuru Companhia de Dança. Recebeu da Fundação Itaú Cultural o Prêmio Rumos Educação – 2011/2012.

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A comissão a qual Flávio Sampaio comentou tratava-se de um coletivo formado por bailarinos, professores, coreógrafos e donos de academias, representantes de vinte e três grupos e/ ou academias de dança locais e do bureau de artes cênicas do Theatro José de Alencar, que se reunia semanalmente no anexo daquela casa de espetáculos.

Declara Serra (2012) que o anexo do TJA é um prédio administrativo e de apoio técnico com equipamentos e atividades para favorecer a formação e pesquisa em artes cênicas, também conhecido por Centro de Artes Cênicas do Ceará (Cena). As reuniões semanais da comissão de dança, que geralmente ocorriam no Cena, tinham como pauta diversas ações para linguagem de dança, tais como proposta de formação para bailarinos, cursos de reciclagem para professores de dança, laboratórios coreográficos e projetos de formação de plateia.

Além das ações já citadas, a comissão de dança do Ceará também cobrava do Estado ações promotoras de suas atividades, tais como o financiamento de cursos para bailarinos, professores e coreógrafos, concessões de pautas de teatro para apresentações artísticas de dança, projetos de formação de plateia para a linguagem de dança, promoção e manutenção de algumas conquistas como a Bienal de Dança. Certamente, a criação de uma companhia de dança subvencionada pela gestão pública e a criação de programas de formação de plateia eram os assuntos mais discutidos nos encontros desta comissão. Influenciados pelos argumentos do bailarino Flávio Sampaio, a comissão entendeu que investir em formação era prioridade para a dança local naquele momento. O curso foi, portanto, inserido na grade dos cursos ofertados pelo Instituto Dragão do Mar, que até então não contemplava a dança. Assim, a Bienal propiciou maior expansão e visibilidade da dança no estado. Sobre este assunto o bailarino cearense Flávio Sampaio, em uma entrevista ao jornal O POVO, dizia:

[...] É uma alegria ver esse projeto em forma de Bienal, de mostra de dança

e não em forma de festival competitivo. Também é importante que tenha continuidade porque vai ser um divisor dos tempos por aqui. (O POVO,

17/10/97)

O depoimento de Flávio Sampaio indica o interesse no investimento de formação artística na dança local. Ele foi a pessoa indicada pela comissão de dança para propor o projeto que se desembocaria posteriormente no Colégio de Dança do Ceará, que funcionou de 1999 a 2002 e contribuiu para formar um novo perfil de

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profissionais no Estado, inserindo o Ceará no mapa da dança nacional e internacional.

A criação do Colégio de Dança do Ceará se efetivou durante a gestão do secretário de cultura Nilton de Melo Almeida, que assumiu a pasta da cultura em abril de 1998 e foi responsável por ela durante os quatro anos subsequentes do terceiro mandato do Governador Tasso Jereissati.56 O secretário Nilton Almeida foi subsecretário de cultura de seu antecessor, Paulo Linhares e seu envolvimento com a pasta da cultura teve início em 1993, o que lhe possibilitou participar da construção de vários projetos, como a criação e implementação do Instituto Dragão do Mar de Arte57 e Cultura, o Centro Cultural que carrega o mesmo nome, a Bienal Cearense do Livro e dos festivais de teatro, música e dança ocorridos no Ceará naquele momento.

Como ex-aluna do Instituto Dragão do Mar, participei da primeira turma de professores do extinto Colégio de Dança do Ceará, que também ofertava cursos para bailarinos e coreógrafos e, diante da escassez de publicações referentes ao Colégio de Dança, compartilho aqui a minha própria experiência através da memória.

Posso intuir que foi graças à articulação da dança, que naquela época já estava organizada e cobrava do estado ações promotoras para suas atividades, que o desdobramento das ações iniciadas por Linhares durante a primeira edição da Bienal de Dança e continuadas por Almeida no campo da dança local tornou possível a efetivação do Colégio de Dança do Ceará. Um dos registros sobre o Colégio de Dança foi encontrado na obra Os Equipamentos Culturais, uma das publicações da Secult alusiva ao seu 40° aniversário sobre o Theatro José de Alencar, que traz a seguinte descrição:

Nas últimas administrações, intensificou-se a preocupação em manter projetos permanentes a fim de alcançar os objetivos a que o Theatro José de Alencar se propõe, na contemporaneidade, quais sejam: a promoção das artes cênicas, assim como da música, a valorização do seu patrimônio, a formação de plateia e a criação de laços com o seu entorno. São projetos voltados para grupos artísticos locais, atores, dançarinos, músicos, brincantes, estudantes (de escolas públicas em especial), crianças e

56 Tasso Ribeiro Jereissati nasceu em Fortaleza, no dia 15 de dezembro de 1948. É líder empresarial

e governou o estado do Ceará em três gestões: 1987-1990, 1995-1998 e 1999-2002. Foi eleito Senador da República em 2002 e em 2014.

57 Durante os sete anos de sua existência (1996 a 2003), o Instituto Dragão do Mar de Arte tornou-se

referência em formação artística e lançou a base para a criação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, hoje gerenciado pelo Instituto de Arte e Cultura do Ceará – IACC.

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adolescentes de famílias de baixa-renda e para a população que transita em seu entorno. O teatro abrigou os colégios de Direção Teatral e de Dança do Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará (NOGUEIRA apud SANTOS, 2006, p. 151).

Oficializado em dezembro de 1998 e efetivado pela Secult - através de uma parceria entre o Instituto Dragão do Mar e a Fundação Nacional de Arte (Funarte) -, o colégio de dança foi estruturado com o intuito de incrementar e incentivar a criação, o ensino, a produção, a crítica e ampliar a performance em dança no Estado. A aula inaugural aconteceu no foyer do TJA, no dia 4 de janeiro de 1999, e foi proferida pelo então Secretário de Cultura Nilton Almeida, depois de um intenso processo de seleção, com entrevistas e audição58. As disciplinas ofertadas de dança e áreas afins, como iniciação musical, eram teóricas e práticas e aconteciam no anexo do TJA, nas manhãs de segunda a sexta-feira, ministradas por renomados professores, especialistas em suas áreas e vindos de diferentes estados brasileiros e até de outros países, graças aos recursos federais do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT), que foram utilizados para financiar os cursos do IDM.

A criação do Colégio de Dança contou ainda com o apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), através do então coordenador de dança local, Alfredo Moreira, que possibilitou uma parceria daquela fundação com a Secretaria da Cultura do Estado, como atesta o depoimento a seguir:

Em maio do ano seguinte fui convidado por Alfredo Moreira, então coordenador de dança da Funarte, para uma conversa onde ele colocou o desejo de contribuir com essa escola, perguntando-me se gostaria de fazer um projeto para a mesma. (SAMPAIO apud CHAVES, 2002, p. 245).

O Colégio de Dança do Ceará foi criado com três diferentes cursos: capacitação de bailarinos, reciclagem de professores e criação coreográfica e capacitou quatro turmas de bailarinos, professores e coreógrafos. O Colégio de Dança transformou a cena da dança cearense pela diversidade de estilos e estética oferecida. Conforme já mencionado, as disciplinas teóricas e práticas ofertadas pelo referido Colégio não eram exclusividade do campo da dança, como história da dança, folclore, balé clássico, dança moderna, dança contemporânea e uma diversidade de técnicas de dança. As disciplinas afins tinham estreita relação com a

58 Foram jurados nesta audição Dennis Gray, Suzana Braga, Ernesto Gadelha, Medley Dib e Ana

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música, o teatro, anatomia humana, cinesiologia, fisiologia e saúde, dentre outras áreas. Portanto, essa diversidade de estilo e estética, contribui para transformar a cena da dança local, conforme será explicitado a seguir.

O reconhecimento da importância do Colégio de Dança do Ceará para o campo da dança local efetivou-se através de prêmios e citações por importantes órgãos de cultura do governo, como a Funarte, além das menções honrosas oferecidas pela Assembleia Legislativa do Ceará em sessão solene por seu trabalho em prol da cultura do nosso Estado. A Câmara Municipal de Fortaleza homenageou o Colégio de Dança pelo resgate cultural promovido com o espetáculo Três Ensaios, como afirma Sampaio (2002).

Outras importantes repercussões referentes às ações do Colégio de Dança do Ceará foram: as seis indicações de representantes daquela escola para a

Revista Você e a dança, que premiava os destaques na dança de todo o País; a

seleção de três alunos pelo Projeto Rumos Dança do Itaú Cultural, com seleção de uma das alunas para apresentar-se na cidade de São Paulo; a aprovação e contratação de um bailarino por uma companhia de dança internacional; a estreia de uma companhia de dança criada por um aluno da turma de coreógrafo daquela escola.

Resumidamente, o Colégio de Dança contribuiu para formação dos bailarinos, que hoje estão inseridos em grupos e companhias de dança locais, nacionais e internacionais. Os professores egressos daquela instituição, e aqui me incluo, contribuíram para formação de muitos profissionais que transformaram a estética da dança local e os coreógrafos formados no Colégio de Dança e que hoje dirigem alguns grupos e companhias, agraciadas pelos editais de dança, cujas produções artísticas se apresentaram em grandes festivais locais, nacionais e internacionais.

Certamente o Colégio de Dança, por todas as ações ali implantadas, marcou a trajetória da dança cênica do Ceará e contribui para o seu reconhecimento a nível nacional e internacional. Posteriormente, muitas outras conquistas foram registradas para o campo da dança, tais como: o fórum de dança do Ceará; o festival de dança do litoral oeste; a Prodança59; o curso técnico de dança; a escola pública de dança; e, mais recentemente, o curso de dança da Universidade Federal

59 Associação de bailarinos, coreógrafos e professores de dança do Ceará, criada em 2002, pelos

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do Ceará.

Como já explicitado, o estado até a década de 1990 apoiou a dança local através de ações pontuais. Entretanto, após a I Bienal de Dança e o Colégio de Dança do Ceará, a dança de Fortaleza continuou se expandindo e parte desta expansão se deveu a política de editais, que será tratada no próximo item.

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