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5. KLASSEROMSOBSERV ASJON

5.2 KOMMUNIKASJON

A Cia Dita foi criada efetivamente no dia 23 de março de 2003, portanto, no mesmo período em que o governo Lula e o ministro Gilberto Gil, criaram os editais de fomento.

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Inicialmente chamada “Dita Dança”, a Cia Dita surgiu a partir da iniciativa do bailarino cearense Marcos Fauller Silva de Freitas, um dos representantes desta nova geração de coreógrafos de Fortaleza. O nome é uma alusão ao significado da palavra “Dita”, que, de acordo com seu diretor, traduz-se em felicidade plena, prosperidade, riqueza. Mas, ainda, segundo Fauller, também é uma referência a Dita Parlo, atriz alemã, que fez sucesso nas décadas de 1920 e 1930, e a Dita Von Teese, nome artístico de Heather Renée Sweet, uma artista burlesca. A bailarina Wilemara Barros, assistente de direção da Cia Dita, é esposa do coreógrafo Fauller, idealizador e diretor da companhia. Em entrevista84, afirmou que Madonna também usava o codinome Dita85 e que Fauller tem uma paixão pela artista. São, portanto, múltiplas, as justificativas para escolha do nome da companhia.

Durante a infância, ainda no colégio, Fauller despertou para a carreira artística, conforme descreveu na declaração:

Eu nasci e me criei no Antônio Bezerra, na casa da minha avó. Uma casa grande, com quintal, quadra, muitas árvores e muitos bichos [...] Tive uma infância e uma adolescência extremamente saudáveis. Sempre fiz teatro no colégio e as minhas brincadeiras giravam em torno disso. Desde criança tenho essa coisa de ser o diretor. Eu dizia para as crianças como era que tinha que ser a brincadeira. Eu dizia você faz isso, eu era aquele que lia o texto para a turma toda, mesmo morrendo de vergonha, mas eu gostava de ler e fazia as peças no colégio. Com quinze anos, fui para o Theatro José de Alencar pela primeira vez e fiz um curso de férias no teatro. Passei cinco anos no teatro. Nesse período eu tive uma experiência de dança com a Sílvia Moura. Era uma oficina para atores e pessoas que queriam experimentar a dança. Essa oficina durou oito meses e inclusive me apresentei no TJA pela primeira vez, com o espetáculo da Sílvia, a partir dessa oficina. O espetáculo chamava-se Perdas momentâneas da razão.

(Entrevista do Fauller)

O espetáculo encenado nos palcos do TJA, após a oficina de dança, foi decisivo para que Fauller escolhesse a dança como carreira artística. Motivado com a primeira experiência de dança, o diretor da Cia Dita, aceitou um convite de um colega para fazer aulas gratuitas de dança no Andanças.86 Tratava-se, segundo

84 Entrevista realizada no dia 30 de setembro de 2014, em sua residência.

85 Dita é a personagem de Madonna no livro Sex, e no álbum Erotica, ambos lançados em 1992. 86 Andanças é uma companhia de dança contemporânea, que por muito tempo desenvolveu seus

projetos no Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção. O Alpendre é uma organização não- governamental, fundada em 1999, a partir da iniciativa de artistas de diferentes áreas: Alexandre Veras (videomaker), Eduardo Frota (artista plástico), Solon Ribeiro (fotógrafo), Manuel Ricardo de Lima (escritor), Beatriz Furtado (videomaker e jornalista), Luis Carlos Sabadia (gestor cultural), Alexander Barbalho (escritor e pesquisador) e Andrea Bardawil (coreógrafa). Localizado num galpão de 600 m², na rua José Avelino, próximo ao Centro Cultural Dragão do Mar, o Alpendre se destacou pelos projetos e pesquisas desenvolvidos nas áreas do vídeo e da dança.

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Fauller, de aulas de dança contemporânea, acrobacias, alongamento e outras experiências cênicas, que aconteciam aos sábados. Nesse período, já envolvido com a linguagem de dança, entrou para a comissão de dança do Ceará. Sobre essa experiência, ele relatou:

[...] Então, eu já estava muito envolvido com a dança quando passei todo o ano de 1998, que você acompanhou também, na comissão de dança, naquela movimentação para o Colégio de Dança do Ceará. Eu estava ali nas reuniões e, quando o Colégio foi virando algo concreto, fui aconselhado a fazer audição para lá (Entrevista de Fauller).

O processo de seleção para a primeira turma do colégio de dança foi muito criterioso. Os bailarinos, professores e coreógrafos que apresentaram melhores desempenhos passaram a cursar a primeira turma. De acordo com Fauller, os seus resultados na audição para o Colégio de Dança não foram satisfatórios e seu ingresso só se concretizou a partir do olho clínico de Susane Braga. Tratava-se de uma pianista carioca que fez parte da banca da audição e que, segundo Fauller, disse para a comissão de seleção o seguinte: “Está vendo aquele menino ali? Ele é muito verde, mas dê um voto de confiança para ele, que eu acho que ele vai acontecer”. De acordo com Fauller, o então diretor do Colégio de Dança do Ceará, Flávio Sampaio, em conversa informal, confidenciou que sequer o tinha percebido durante aquela audição, que na época aprovou 54 alunos para os três cursos oferecidos na primeira turma do Colégio de Dança.

O desejo de fazer carreira artística na dança motivou o então bailarino a buscar outras aulas de dança, para suprir suas carências e prevenir lesões no seu corpo. Foi então, por recomendação de Flávio Sampaio, fazer aulas de balé no Conservatório de Dança Denise Galvão, conforme ele explicou:

[...] Eu fui estudar com a Denise Galvão e fiquei dois anos por lá, Foi muito boa essa experiência de terminar a aula do Colégio de Dança, almoçar e ir andando do Centro até a Rui Barbosa, porque não tinha dinheiro para a passagem. Mas valeu a pena porque lá eu tive uma base de dança, de fazer uma aula decomposta. Como eu não tinha a base da dança, cheguei lá muito machucado com os exercícios do Colégio, inclusive com problemas de ligamentos. Por ser fisioterapeuta, a Denise me fez muitas recomendações e com isso consegui acabar com as dores que sentia nos joelhos e a inflamação dos meus ligamentos sarou (Entrevista de Fauller).

Fauller foi um dos poucos bailarinos do Colégio de Dança do Ceará, que entrou na primeira turma, em 1999, e ali permaneceu até 2002, período em que ocorreu o encerramento das atividades do colégio, conforme declarou:

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[...] Eu permaneci os quatro anos do Colégio. Fui pulando de um curso para outro, espertamente. Queria era estar ali até o fim. Entrei como bailarino e fiquei até o segundo ano como bailarino. Passei o terceiro ano como assistente de coreografia e aí, no último ano, eu estava como coreógrafo. Sempre muito pressionado, porque eu não imaginava fazer audição para o Colégio e veio alguém e disse: faça. Me machuquei muito cedo dentro do Colégio porque as aulas eram muito avançadas e eu não tinha uma base de dança (Entrevista de Fauller).

Fauller encerrou seus estudos no Colégio de Dança do Ceará como coreógrafo, com a criação e apresentação do espetáculo De-vir, em 2002. A essência do trabalho de conclusão de curso do Colégio de Dança foi mantida; no entanto, vinte minutos de cena foram acrescentados à montagem original, tornando De-vir o espetáculo que marcou a estreia da Cia Dita na cena da dança local, antes porém da implementação dos editais municipais de fomento.

Considerada a obra de maior repercussão da Cia Dita, De-vir se traduz em interferências do corpo com o seu ambiente. Corpo entendido, segundo o coreógrafo, como mídia que avança por acelerações, rupturas, diminuições de velocidade, desmembrando, constantemente, nova roupagem. O espetáculo De-vir propõe, de acordo com Fauller, “intensificar esses movimentos ondulatórios engendrados à ideia de um novo designer, que pode se recompor à disposição e ordem de elementos essenciais, que compõem as estruturas físicas de uma pessoa”.

A estética apresentada faz referência ao trabalho de Merece Cunningham87, cujas formas expressionistas, herdadas de Martha Graham88, foram

87 Conhecido por Merce Cunningham, Mercier Philip Cunningham nasceu em Centralia no dia 16 de

abril de 1919 e faleceu em Nova Iorque no dia 26 de julho de 2009. Foi bailarino, coreógrafo, diretor de balé e professor norte-americano e possuía, como características marcantes de sua dança, o caráter experimental e o estilo vanguardista. Estudou nas escolas de dança de Bennington e de Belas Artes em Cornish, Seattle e integrou a Companhia de Dança de Martha Graham, onde criou importantes papeis. Posteriormente, criou sua própria companhia, Merce Cunningham Dance Company, responsável por mudar os rumos da dança moderna. Para Cunningham a dança se torna aparentemente um movimento natural, sem finalidade específica, em que não se buscava um encadeamento lógico de movimentos, mas explorar os elementos fornecidos pelo acaso. Cunningham contentava-se em indicar os bailarinos as direções dos deslocamentos e os tempos das paradas. Tal formação coreográfica era o chamado Event, um acontecimento único de dançar com forte ligação com o vivenciar do instante presente, do aqui e agora. Apesar de existir um grau de liberdade elevado, suas obras caracterizavam-se pela sucessão de acentos fortes e fracos e por uma espécie de tempo instintivo. Merce Cunningham criou mais de 200 coreografias. Para um aprofundamento sobre Cunningham ver Faro (1989, p.104).

88 Martha Graham nasceu no dia 11 de maio de 1894 em Condado de Allegheny, na Pensilvânia,

Estados Unidos e faleceu em Nova Iorque, no dia 01 de abril de 1991. Foi dançarina, coreógrafa, professora e diretora. Estudou na Escola Denishawn, onde depois entrou para a companhia. Na busca por uma forma de expressar-se mais honesta e livre, ela fundou a Martha Graham Dance Company, uma das mais conceituadas e antigas companhias de dança dos Estados Unidos. Como

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transformadas em formas esvaziadas na aparência, conforme salienta Gil (2005, p. 27). Parafraseando Gil, pode-se afirmar que em De-vir há formas coreográficas cunninghamianas, que certamente foram apresentadas ao coreógrafo durante sua formação no Colégio de Dança do Ceará.

Fauller apresenta a nudez em suas obras, como proposição estética e política, criando uma estreita relação com a imagem, de forte impacto visual, conforme declarou:

[...] Eu sou uma pessoa extremamente imagética. Os meus trabalhos nascem da imagem. Da criação da imagem. Primeiro eu imagino que quero dançar de determinada maneira [...] Às vezes passo anos até conseguir criar todo um contexto para que isso seja possível, porque também nunca ponho no palco uma coisa que seja só a imagem pela imagem e eu não possa contextualizar (Entrevista de Fauller).

De-vir foi apresentado inicialmente no projeto “Quinta com Dança”89 e ficou em cartaz durante dois meses em Fortaleza. Seus primeiros ensaios aconteceram na Escola de Ballet Goretti Quintela90, em espaço disponibilizado pela diretora para o trabalho da companhia. Foi também nesse local que a Cia Dita se organizou. Mas por tratar-se de uma produção artística, que trabalha o nu, era necessário outro espaço para sua montagem, como afirma Fauller no depoimento a seguir:

[...] Nós fomos para a Goretti Quintela, mas no De-vir nós estamos nus e nós estávamos dentro de uma academia. Passamos ainda três meses lá, mas chegou um momento do trabalho que nós não tínhamos mais para onde ir. Ficou muito complicado. Como é que eu vou criar essas formas do corpo humano, se a pessoa está vestida? A gente está dentro de uma sala de uma academia e a gente não pode tirar a roupa aqui. Isso foi bem delicado e aí, tomando café um dia, com a Wilemara na casa da mãe dela, eu disse; Wila, o que é aquilo ali? Ah, é um depósito[,..] era onde eu dava aula com a minha irmã, a nossa academia[... ]Vi que tinha as barras de um lado a outro da parede. Nós passamos uma semana limpando essa sala e aí o De-vir, finalmente foi construído lá. Essa sala fica em cima de um terreiro de candomblé e nós trabalhamos lá, durante onze anos (Entrevista

de Fauller)

No elenco do espetáculo estavam alguns bailarinos egressos do Colégio de Dança, como Fauller e Wilemara, que se conheceram no Colégio e, após

professora, Graham treinou e inspirou gerações de grandes bailarinos e coreógrafos. Entre seus discípulos estão Alvin Ailey, Twyla Tharp, Paul Taylor, Merce Cunningham e incontáveis outros atores e dançarinos.

89 Projeto de formação de plateia em dança, iniciado em 1999, que acontece todas as quintas-feiras

no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

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estabelecerem parceria na dança, selaram uma união através do casamento. Reinaldo Afonso e Tiago Ribeiro completavam o grupo inicial da Cia Dita. Isso aponta os primeiros movimentos de organização da companhia. A matéria sobre a estreia do espetáculo, publicada no caderno Vida & Arte do Jornal O POVO91 no dia 16 de julho de 2003, apresentava a seguinte descrição:

Na montagem, os corpos dos quatro bailarinos - Fauller, Tiago Ribeiro, Reinaldo Afonso e Wilemara Barros - são colocados em situações não convencionais, pouco habituais. À mostra, um interior orgânico, que se desdobra, que se vira do avesso. Corpos à flor do olhar, à flor da pele, numa postura cênica que subverte a ordem mais sagrada das relações entre alma e corpo, ao revelar um ''não-corpo''. ''Uma alma feita carne, vísceras e órgãos, seguindo o pensamento do ensaísta português José Gil, em seu livro Os Monstros (1994), decisivo na concepção do espetáculo'', afirma o coreógrafo. A pesquisa coreográfica inclui ainda nomes como Lygia Clark, Eugênio Barba, Michael Onfray e Roland Barthes (Crítica do Jornal O POVO).

O espetáculo De-vir é apresentado com corpos nus, que dançam usando sapatilhas de ponta envoltas em meias. Os bailarinos deslocam-se em múltiplas posturas, que desconstroem a figura do humano, conforme mostram as figuras a seguir.

Figura 6: Espetáculo De-vir. Foto: Lia de Paula.

Fonte: Acervo pessoal do coreógrafo Fauller, sem data.

91 Cf.: Caderno Vida & Arte, Jornal O POVO, Quinta-feira 16 de julho de 2003. Disponível em: <http://

www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2003/07/16/noticiasjornalvidaearte,276899/um-vir-a-ser-br-or ganico.shtml>. Acesso em: Abr.2015.

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Figura 7: Espetáculo De-vir. Foto: Lia de Paula.

Fonte: Acervo pessoal do coreógrafo Fauller, sem data.

Apesar de ter sido recebido com polêmica - pelo estranhamento que causou à plateia, com movimentos dos corpos nus em cena -, passado o choque inicial, recebeu aplauso dos críticos, que viram consistência na proposta artística da companhia. Por isso, De-vir foi reapresentado diversas vezes. Em 2003, De-Vir foi apresentado na IV Bienal de Dança do Ceará92, em Fortaleza. E durante a solenidade de abertura deste festival, a Secult lançou um conjunto de editais de fomento para diferentes linguagens artísticas. Nesta época, a política estadual de cultura já estava em consonância com a política de cultura do governo Lula, conforme já explicitado no item anterior desta dissertação.

O espetáculo De-Vir foi também apresentado no ano seguinte, na “Mostra Fora do Eixo”, no Sesc Ipiranga, na cidade de São Paulo, e no V Simpósio Internacional de Filosofia (Nietzsche e Deleuze), em Fortaleza.

Em 2005, após amplo sucesso de crítica e de público, a Cia Dita lançou

92 A IV Bienal de Dança aconteceu em 2003, logo após a extinção do Colégio de Dança do Ceará.

Corpos como espaço coreográfico foi o tema da quarta edição deste espetáculo, que trouxe o coreógrafo suíço Gilles Jobin para ministrar uma residência em Fortaleza. Durante a solenidade de abertura da IV Bienal de Dança ocorreu o lançamento do I Edital de Incentivo às Artes da Secretaria da Cultura do Estado com prêmios para pesquisa, montagem e circulação em dança, anunciado pela então secretaria de cultura Cláudia Leitão.

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seu segundo trabalho. De acordo com Fauller o espetáculo De-vir “foi tão arrebatador que não poderia ser encerrado assim, deixado de lado e pronto. Inc, faz referência a ele, mas é muito diferente”. Inc surgiu com propósitos de preencher as lacunas deixadas por De-Vir. Segundo Fauler, em De-vir interessava um corpo totalmente assexuado. Em Inc, os interesses eram o oposto disso. Na proposta de

Inc, os bailarinos exibem corpos saturados pela manipulação dos objetos, ao mesmo

tempo de desejo e de consumo das massas, como se pode perceber na figura abaixo.

Figuras 8 e 9: Espetáculo Inc. Foto: Renato Mangolin.

Fonte: Acervo pessoal do coreógrafo Fauller, sem data.

Inc tem sua pesquisa estética diretamente influenciada pela cultura pop.

De acordo com Fauller, o espetáculo “propõe um mergulho no nosso tempo, anseios, medos e falta de intimidade consigo mesmo”.

O espetáculo Inc, mesmo sem contar com nenhum apoio financeiro do poder público, ficou em temporada nos meses de junho e julho no Centro Dragão do Mar e também foi apresentado durante a V Bienal Internacional de Dança do Ceará.93 O título faz referência à abreviatura de incorporação. A produção é descrita

93 A quinta edição da Bienal de Dança aconteceu em 2005 e apresentou o seguinte tema: Onde há

fumaça, há fogo. O festival contou com a presença de três co-produções dirigidas por coreógrafos

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pelo coreógrafo Fauller como uma experiência de transição.

Assim, em 2005, embora a pasta de cultura do governo do estado do Ceará já tivesse lançado o III edital de fomento, a Cia Dita estreou seu segundo trabalho, “Inc”, sem contar com nenhum dinheiro público para financiar sua produção. Naquele ano, o então gestor da pasta de cultura do município de Fortaleza, Alexandre Barbalho, como já dito, criou a política de editais, em consonância com a política nacional de cultura, a partir da assinatura do pacto federativo.

Em 2006, embora Inc tenha alcançado sucesso de público e de crítica e

De-Vir tenha encerrado sua primeira temporada, o espetáculo De-vir foi remontado

como parte de um processo pedagógico com os alunos do Curso Técnico em Dança94, onde a bailarina Wilemara Barros foi professora de balé clássico, conforme destacou:

[...] Como eu sou professora do Curso Técnico desde a primeira turma, a

Cia Dita nunca fez audição para escolher bailarinos. Lá, é um encontro de muitos bailarinos jovens e talentosos, que estão surgindo na dança. Quando o Fauller está precisando de algum bailarino para renovar o elenco, ele sempre assiste às aulas do curso técnico e vê quem cabe dentro do trabalho que ele está pensando. Ele gosta de bailarinos técnicos, que façam aulas de balé clássico, gostem de ler e estejam atentos ao que se passa no mundo, não só com a dança, mas com o teatro, com a moda, com a arte de um modo geral. Ele gosta de trabalhar com bailarino que tenha um pensamento bem aberto, quando se trata de arte e de estética (Entrevista

de Wilemara)

Como se pode perceber, a fala de Wilemara indica a forma de organização da Cia Dita, que, diante da diversidade de talentos dos jovens bailarinos do Curso Técnico em dança, seleciona seu elenco a partir dos quesitos pontuados anteriormente. Vale destacar que a organização do primeiro elenco da companhia ocorreu com base nos bailarinos do extinto Colégio de Dança.

Wilemara foi a proponete do prêmio de fomento que ganhou o I Edital da PMF e é bastante conhecida no cenário da dança local. Sua trajetória profissional iniciou aos 10 anos, quando passou na audição para estudar na Escola de Dança do

94 O curso de Habilitação Profissional de Técnico em Dança foi idealizado em 2006 pelo então

coordenador do núcleo de dança do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), Ernesto Gadelha. Era uma parceria da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), com o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), com duração de dois anos e carga horária de 1.340h/aula. Este curso veio preencher, em parte, uma lacuna deixada pelo Colégio de Dança do Ceará (1999-2002), mas atendeu somente a três turmas.

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Sesi. De lá, seguiu para o grupo Vidança, Pano de Boca até chegar ao Colégio de Dança do Ceará. Por um longo período foi assistente de direção da Companhia de Dança da Unifor, onde produziu diversos trabalhos. Artista versátil, tem incursões pelo cinema e pela moda. Atualmente, além das atividades que desenvolve na Cia Dita, como intérprete e assistente de direção, Wilemara é assistente de coordenação do Curso Técnico em Dança da Escola Porto Iracema95 do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

Assim, até o ano de 2006, a Cia Dita havia criado dois espetáculos de