VII. Foreword
4.3 Future Plans and Challenges
4.3.1 Sustainable Mobility Transition
4.3.1.3 Parking Policy
A indústria aérea apresenta características que a diferem e tornam única frente aos outros tipos de negócios existentes, devido principalmente à sua taxa e ritmo de mudança a fim de se ajustarem ao meio onde operam. Fatores externos imprevisíveis – a Guerra do Golfo, o aumento do dólar, a crise econômica, o atentado nos Estados Unidos em 2001 – tornam o ambiente empresarial das companhias aéreas extremamente volátil, afetando diretamente suas capacidades de atrair clientes e conseqüentemente prejudicando suas lucratividades, a meta comum a todas as empresas participantes do negócio.
Frente a essa particularidade do setor, seu gerenciamento como um todo se torna extremamente delicado, já que para se atingir a lucratividade esperada diversas variáveis externas e internas devem ser avaliadas conjuntamente, e a possibilidade de existir a necessidade de uma mudança rápida na maneira de se conduzir os negócios é contínua, já que o desafio principal para se gerenciar o negócio das empresas aéreas transforma-se então na capacidade de se assimilar qualquer mudança, responder à altura e paralelamente adaptar-se a ela.
O gerenciamento de uma empresa aérea pode ser definido como um processo onde as empresas aéreas ou grupos delas procuram organizar, dirigir e potencializar seus recursos, seu pessoal e atividades empresariais, a fim de atender às necessidades de cada organização e seus clientes de forma eficiente e eficaz, sendo que este gerenciamento é realizado por profissionais responsáveis que, particularmente neste negócio, possuem suas ações regidas por uma série de regulamentações nacionais e internacionais, de caráter econômico ou não, que podem limitar as ações das empresas. (PAGE, 2001: 71)
Segundo PALHARES (2002: 60), tanto vários setores do turismo quanto a maioria dos tipos de transporte apresentam algumas características de gerenciamento comuns, entre elas:
1- ambos apresentam serviços perecíveis, ou seja, não há como se “estocar” um assento comprado em um ônibus, como não há como ganhar dinheiro sobre uma estadia em um hotel quando a noite já passou. Em ambos os setores, uma vez perdida a oportunidade de se usufruir bem, não há como recuperar o prejuízo;
2- ambos apresentam uma capacidade relativamente fixa, ou seja, existe uma demanda de tempo e dinheiro a fim de se aumentar o número de leitos em um hotel, ou de assentos em aviões, ou ainda para se comprar novas aeronaves para o aumento da frota;
3- custos fixos altos e custos variáveis baixos: os custos fixos altos podem ser exemplificados pela compra (em alguns casos leasing) e manutenção de novas aeronaves, navios, veículos ou mesmo a compra e/ou construção de novos hotéis, pousadas, etc. Já o preço de venda de qualquer um destes produtos (um quarto do hotel, um assento do avião, um aluguel de um carro, etc.) é baixo se comparado ao investimento inicial – custo variável baixo;
4- tanto na indústria do turismo quanto no setor dos transportes é possível se fazer reservas antes de adquirir o bem;
5- existe uma sazonalidade no segmento dos transportes e do turismo. Independente do motivo, há uma demanda maior por ambos os tipos de serviço em certas épocas – férias escolares, finais de semana, etc., ou mesmo em horários;
6- ambos os setores do turismo e transporte apresentam um mercado segmentado em classe (primeira, segunda, executiva, etc.), em diferenciação geográfica, demográfica, etc.;
7- e ambos os setores apresentam uma estrutura de preço e custo definida, diferenciando os preços frente às classes ou categorias diversas, para os diferentes grupos de possíveis clientes que já possuem previamente uma idéia do preço a ser pago pelo bem.
Devido à existência destas características no setor do transporte e turismo, entre outros, desenvolveu-se uma técnica de gerenciamento das receitas para os negócios que se encaixa a estas características, chamada de yield management, ou ainda revenue management, que poderia ser traduzido em português como gerenciamento de receitas.
O yield management é usado principalmente pelas empresas do setor de serviços, encaixando-se perfeitamente com commodities. DONAGHY et al. (apud PALHARES, 2002), define o yield management como sendo ”uma técnica de maximização de receitas, com o objetivo de aumentar o lucro líquido, por meio da alocação prévia da capacidade disponível, para os diversos segmentos de mercado, a um preço ótimo.”
Uma outra definição para os chamados sistemas yield-management é fornecida por um artigo da THE ECONOMIST (2001a), que os define como modelos computadorizados altamente sofisticados que atuam na alteração do preço dos assentos em vôos, refletindo a demanda naquele período, ou seja, este sistema distribui tíquetes mais baratos para clientes que os adquirem previamente e garante que os viajantes de última hora, que necessitam de tíquetes flexíveis – em relação a preço e horário – paguem muito mais por este privilégio, sendo importante que as passagens fossem compradas o mais próximo possível da data da ida, ao mesmo tempo em que não interessa a realização viagens onde os aviões não estivessem lotados. Esta definição pode claramente ser estendida para outras áreas, entre elas a compra de ingressos para concertos, shows, passagens em ônibus, cruzeiros, navios, ou mesmo quartos em hotéis, etc.
O artigo em questão discorre ainda sobre o as situações inusitadas ocorridas do uso deste sistema, onde passageiros viajando lado a lado no mesmo avião podem ter o preço de suas passagens aéreas totalmente diferentes. Nas principais empresas aéreas dos EUA, o tíquete mais caro pode custar até 20 vezes mais que o tíquete mais barato no mesmo vôo.
Este tipo de sistema é útil por vários motivos: é óbvio que qualquer dono de empresa de transporte e/ou turismo quer estar com sua ocupação ou uso beirando os 100%, o que maximizaria o retorno pelo serviço prestado. Não é interessante operar o negócio com uma taxa baixa, ou seja, é melhor vender uma passagem aérea mais barata do que o avião decolar com assentos vagos. O mesmo vale para hotéis, onde é melhor que um hóspede pague menos por uma estadia do que se manter o quarto fechado. O fato do setor de transporte e turismo não permitir
um “teste” do produto antes de sua aquisição, bem como não haver como recuperar o produto após este ter sido usado encaixa-se perfeitamente com o uso do yield management como forma de gerenciamento. Busca-se otimizar o uso dos produtos, serviços e sua infra-estrutura, além de maximizar o preço médio cobrado por estes.
Mas adotar este tipo de sistema envolve otimizar o uso de várias variáveis diferentes, entre elas (DONAGHY et al., 1998 apud PALHARES, 2002): ver se precisam ser exemplificados
1- segmentação de mercado, onde as empresas de serviço precisam conhecer muito bem o perfil de seus consumidores e dividi-los em segmentos, a fim de não oferecerem produtos a clientes não propensos a adquiri-los;
2- histórico da demanda e padrão das reservas, ou seja, um gerente precisa estar ciente e familiar do histórico da demanda de seu produto, bem como o padrão de suas reservas, para poderem então, de posse dessas informações, oferecer as melhores de condições para o cliente disposto a aceitá-lo, sem prejudicar a empresa;
3- conhecimento de preços, pois o yield management é essencialmente uma espécie de discriminação de preços, ou seja, os sistemas operam com faixas de preços, o que torna importante saber quando, quanto e como disponibilizar cada uma dessas “bandas tarifárias”;
4- overbooking12, uma técnica extremamente associada ao yield management, muito usada por empresas de transporte aéreo. Consiste em cadastrar mais clientes no sistema de reserva do que o número de assentos disponíveis, já que é muito comum uma pessoa efetuar uma reserva e não aparecer para o embarque. Sem este recurso, o número de assentos vagos em aeronaves seria muito alto, gerando um prejuízo muito grande para a empresa. Através do overbooking, existe a possibilidade de que potenciais clientes não sejam descartados, pelo uso de assentos disponíveis devido a cancelamentos e desistência. Mas sua utilização deve estar vinculada ao conhecimento do histórico da demanda dos clientes;
5- sistemas de informação, que seria a “base” para o funcionamento de todas as outras variáveis descritas acima.
O setor de transporte aéreo é um dos que seguem este tipo de sistema, adaptando-se perfeitamente a ele. Suas características particulares, tanto em termos de gerenciamento quanto de venda de seus produtos – passagens aéreas – possuem algumas características próprias, que tiveram que ser reestruturadas após os atentados de setembro de 2001, a fim de não falirem.