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VII. Foreword

5.1 Bus Priority Scheme of Fv.44

O início da tentativa de se criar sistemas de reservas computadorizados para a venda de passagens aéreas se deu no início da década de 50, através de uma parceria entre a American

Airlines e a IBM, que criaram o chamado CRS16, sendo que “os primeiros programas de reservas foram desenvolvidos na forma de sistemas internos de controle para que suas equipes de reservas pudessem administrar a disponibilidade de lugares de forma mais eficiente.”(KNOWLES e GARLAND, 1994 apud O’CONNOR, 1999). HANLON (2002) diz ainda que no início, os CRS’s funcionavam como “dispositivos usados para se economizar tempo e trabalho ao se lidar com grandes e crescentes quantidades de dados relativos às reservas de bilhetes em aeronaves.”

Como a tecnologia da época não era capaz de dar suporte à demanda sempre crescente, o primeiro CRS a entrar em plena operação data de 1968, pela Eastern Airlines (DENG e RYAN, 1992 apud PALHARES, 2001: 76). Até então, todo o procedimento de compra das passagens aéreas se dava via telefone, sendo que, “em caso de disponibilidade de assento no vôo desejado, tanto o agente de viagem quanto o representante da empresa aérea escreviam manualmente o bilhete aéreo, o recibo do pagamento, o itinerário e os dados do passageiro” (PALHARES, 2001: 76), o que dava uma grande margem para erros, além dos altos custos envolvidos com o armazenamento e gerenciamento de uma imensa quantidade de dados.

O barateamento da tecnologia e o seu crescente uso contribuíram em muito para a expansão do uso dos CRS, além de uma padronização para os procedimentos existentes. Segundo POON (1994 apud PALHARES, 2001: 76), em 1988, 96% das agências norte-americanas já possuíam e utilizavam terminais CRS instalados nos escritórios.

Desde 1975 surgiram vários CRS, “patrocinados” por várias empresas aéreas. A United Airlines (maior concorrente da American Airlines, ambas empresas norte-americanas) criou o Apollo, enquanto a American Airlines criou o SABRE (DENG e RYAN, 1992). Surgiu também o PARS da empresa TWA, o Datas II da Delta Airlines, o System-One da Eastern Airlines, que passou a ser operada pela Continental Airlnes após a falência da Eastern, o Reservec da Air Canada, o Pegasus da Canadian Pacific, que depois passou a ser conhecido como Gemini.

Fora do mercado norte-americano, outras empresas também criaram seus próprios CRS, entre elas a British Airways (UK), a KLM (holandesa) e a Swissair (suíça), que se uniram à United e criaram em 1980 o Galileo, que incorporava o sistema Apollo da empresa norte-

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americana. Em 1987 a Lufthansa (alemã), a Air France (francesa), a Iberia (espanhola) e a SAS (escandinava) criaram o chamado sistema Amadeus.

Os CRS originais tinham como função básica evitar os erros cometidos manualmente, otimizando o serviço de reserva e compra de passagens aéreas, passando posteriormente a atuar também em questões financeiras rotineiras. Atualmente, os principais CRS (Amadeus, Galileo, SABRE e Worldspan17) disponibilizam informações sobre vôos e permitem também a reserva em hotéis, trens, locadoras de veículos, cruzeiros marítimos, teatros, eventos esportivos, etc. (PALHARES, 2001: 77)

Para COOPER et al (2001: 464), os sistemas de reserva por computador possibilitaram às empresas aéreas flexibilizar-se em relação aos aspectos de gerenciamento da demanda e oferta das passagens aéreas, além de permitirem uma concorrência mais eficaz através da adaptação dos horários e tarifas a fim de adequar-se à disponibilidade de demanda, coordenando redes hub e spoke e controlando sistemas de determinação de preços para maximizar a rentabilidade, além de introduzirem três benefícios financeiros importantes para as empresas aéreas usuárias: uma grande rede de distribuição, as receitas geradas de serviços para terceiros e os benefícios adicionais provenientes da venda direta para a empresa controladora. Estes sistemas puderam ainda aumentar as vendas das empresas aéreas em relação aos competidores, melhorar a interatividade e construção de relacionamentos com clientes e parceiros, fornecer reservas on-line e emissão eletrônica de passagens, facilidade no gerenciamento de rentabilidade, ofertas eletrônicas de última hora (estratégias competitivas), instigação para a idéia de desintermediação e um novo formato para o esquema de comissão das agências de viagens e a maximização da produtividade dos novos meios de distribuição eletrônica.

A figura 5 abaixo mostra as principais inter-relações existentes entre os sistemas de reservas por computador e as empresas aéreas:

17 A Worldspan entrou em operação em 1994, tendo sido formado em 1990 pela integração do Datas II e do PARS.

FIGURA 5

Inter-relações dos sistemas de reserva por computador entre as empresas aéreas

Fonte: COOPER et al (2001: 466)

Atuando hoje em todo o mundo, estes quatro principais sistemas passaram a ser denominados de GDS (Global Distribution Systems – Sistemas Globais de Distribuição), sendo sistemas que possuem acoplados um ou mais CRS, funcionando para qualquer pessoa/empresa

que queira comprar passagens, reservar hotéis, etc., enfim realizar qualquer tarefa disponibilizada pelos antigos CRS. Estes GDS’s podem ser considerados intermediários entre os agentes de viagens e os fornecedores dos produtos (hotéis, empresas aéreas, etc).

Segundo DOGANIS (2001: 177), os GDS’s são “derivados” dos CRS, que foram desenvolvidos por grupos de empresas aéreas a fim de automatizar e facilitar as reservas e emissões de passagens tanto para as empresas aéreas quanto para as agências de viagens. Já para PAGE (2001: 190), os GDS’s são “sistemas de reservas por computador ligados a companhias aéreas”, sendo que a principal diferença entre os CRS’s e os GDS’s é que os sistemas de reservas por computador só mostram tabelas e informações de uma empresa aérea, enquanto os sistemas de distribuição global mostram os dados das diversas empresas cadastradas, além de dados relativos aos horários de vôos e a disponibilidade de assentos nestes, as informações relativas aos passageiros, quotas de tarifas e normas de viagem e a emissão de passagens. A WTO (2002)18 afirma que os GDSs originalmente apenas controlavam a capacidade de se vender passagens aéreas para os assentos disponíveis, sendo que agora eles se expandiram englobando uma série de produtos turísticos que podem ser reservados, incluindo cruzeiros, aluguel de carros e reservas em hotéis.

Além destes quatro principais sistemas, existem atualmente cinco grandes CRS atuando independentemente um dos outros, sendo eles o Abacus Distribution System, ou simplesmente Abacus, criado em 1988 pela Singapore Airlines, Thai Airlines e Cathay Pacific e atuante na Ásia; o Axess International Network, o principal sistemas de reserva japonês, pertencente à JAL (japonesa) e ao SABRE; o GETS, lançado em 1989 e operado pela SITA, uma das maiores redes de telecomunicações do mundo, sendo a única que não sofre influência direta de uma empresa aérea; a Infini Travel Information, criada em 1990 pela Nippon Airways of Japan (60%) em conjunto com o Abacus (40%), e a TOPAS, o principal sistema de reservas computadorizado da Coréia do Sul. (FRENCH, 1998)

A figura 6 representa como funciona o fluxo de transação nos CRS/GDS:

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FIGURA 6

Fluxo de transação nos CRS/GDS

CRS/GDS Internet Agentes de viagem Corporações Indivíduos Empresas aéreas Hotéis Locadoras de veículos Trens Cruzeiros marítimos Ferries Assinantes Fornecedores Provedores de conteúdo ou

vendedores Usuários ou clientes

Fonte: PALHARES, 2001

A figura acima mostra claramente a gama de serviços possíveis de serem oferecidos por um CRS, devido a diversidade de produtos ofertadas pelos fornecedores. Ao mesmo tempo, a gama de clientes que podem adquirir os produtos é ampla, indo desde pessoas físicas até empresas e corporações. O detalhe principal da figura recai então sobre a Internet, que atua paralelamente aos CRS/GDS, atuando como um novo canal de distribuição dos produtos turísticos ofertados.