2. Ecology of the red king crab in the Barents Sea
2.4. Parasites
A agricultura é entendida como um conjunto de operações e atividades designadas a cultivar plantios necessários à humanidade, que ocorre através do uso dos recursos naturais para produzir bens e serviços. Ela representa a atividade humana com a maior capacidade de alteração do meio ambiente, base sobrea qual se desenvolvem as suas atividades.
A produção agrícola e o comércio mundial de produtos agrícolas aumentaram fortemente nas últimas décadas.
A agricultura moderna foi consolidada com maior intensidade a partir de 1970, objetivando alcançar altos níveis de produtividade. Assim a partir do uso intensivo de insumos industriais, conhecidos como Revolução Verde, fez-se com que a agricultura fosse incorporada pela lógica do processo industrial, comercial e financeiro (MÜELLER, 1988).O alcance desse objetivo deu-se por meio de uso excessivo e indiscriminado de contribuições externas, como sementes híbridas, mecanização intensiva, fertilizantes e agrotóxicos, que juntos podem ocasionar a erosão, e a deterioração da qualidade do solo, da água superficial e subterrânea, além de aumentar a resistência das pragas e deixar resíduos nos alimentos.
Esse processo aconteceu de tal modo que a agricultura atual atingiu um nível tecnológico expressivo, podendo ser mensurado pelo aumento da produtividade no campo. Entretanto, para sua sustentabilidade é essencial que a utilização desses insumos não comprometa a qualidade do meio ambiente (MATOS;BRASIL;FONSECA,2003).
Nesse contexto, o Estado de Mato Grosso, e em especial a região de estudo através dos subsídios e incentivos fiscais teve um rápido crescimento de áreas agrícolas, introduzindo a monocultura contínua da soja acompanhada por uma mecanização intensiva, que facilitaram o processo de ocupação humana e o aumento das fronteiras agrícolas (WARNKEN, 1999). Neste processo, as áreas de vegetação nativa de cerrados e florestas foram transformadas em áreas de pastagens e em áreas de culturas anuais com excessiva mecanização no preparo do solo e nas práticas de cultivo. Assim, a intensificação e o acelerado crescimento das atividades agrícolas contribuíram para que o processo de degradação ambiental também aumentasse.
O estabelecimento de uma atividade agrícola acarreta impacto ambiental que envolve uma série de ações que podem influenciar o meio ambiente. Entre elas, a destruição de espécies animais, vegetais, de bancos genéticos, erosão, fertilidade do solo, acúmulo de resíduo de agrotóxico, modificação de umidade do ar, assoreamento dos rios e mudança da qualidade da água (CARPI JR., 2001).
Segundo a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (MACE; MASUNDIRE; BAILLIE, 2005) as principais causas diretas da perda de biodiversidade é a destruição de habitat natural por transformações do uso do solo, particularmente para a conversão em terras agrícolas e de pastagem, além da exploração excessiva de recursos biológicos (pesqueiros e florestais); a difusão de espécies exóticas invasoras; poluição ou enriquecimento nutritivo dos ecossistemas, e as alterações climáticas.
Conforme a Figura 9 pode-se observar que os impactos do setor agrícola no meio ambiente, provêm do processo de expansão de áreas de fronteira agrícola, caracterizado primeiramente pelo desmatamento com a supressão da vegetação nativa e queimadas. Esses impactos conduzem a perda e a fragmentação de habitats, contribuindo para a extinção de espécies da fauna e da flora; para a erosão do solo que assoreia os cursos d’água, reduzindo a disponibilidade hídrica.
Figura 9 ─ Impactos ambientais gerados pelas práticas tradicionais agrícolas.
Fonte: Souza; Barbosa, 2011.
Os impactos diretos do desenvolvimento agrícola ao meio ambiente provêm da falta de um manejo adequado das práticas agrícolas, principalmente pela monocultura, que contribuem para a erosão do solo, salinização da terra e perda de nutrientes, conforme se observa na Figura 10.
Figura 10 ─Impactos ambientais gerados pela prática da monocultura
Fonte: Souza; Barbosa, 2011.
A agricultura pode ter efeitos negativos nos recursos hídricos como contaminação de águas por fertilizantes e agrotóxicos.A agricultura, sendo um dos principais usuários da água doce, é, em contrapartida, uma das principais fontes não pontuais de contaminação e
degradação dos recursos hídricos, ocasionadas pela erosão dos solos, escoamento superficial e lixiviação (ONGLEY, 1997).
Dodds, Madramootoo e Serem (1998) afirmam que quando os fertilizantes são transportados para os estratos inferiores do solo, além de ficarem indisponíveis às plantas, acarretam riscos de contaminação das águas subterrâneas. Dessa forma, a contaminação de nutrientes aplicados em excesso tem-se tornado um sério problema ambiental.
Em relação aos agrotóxicos12 a sua introdução no ambiente agrícola pode provocar perturbações ou impactos, porque pode exercer uma pressão de seleção nos organismos e alterar a dinâmica bioquímica natural, tendo como consequência, mudanças na função do ecossistema (SPADOTTO et al., 2004). Conforme ainda estes autores, os organismos de solo são sensíveis aos agrotóxicos e estão relacionados direta ou indiretamente com funções benéficas, como: armazenamento e disponibilidade de água; decomposição de resíduos de plantas e animais com liberação de nutrientes em formas disponíveis às plantas; manutenção de agregados de partículas; decomposição, transformação e ciclagem de nutrientes; supressão de organismos patógenos para as plantas, e sequestro e degradação de agrotóxicos.
Os agrotóxicos podem alterar não só a diversidade e a composição de espécies, como também a biomassa, isto é, a quantidade total de microrganismos do solo. Como os microrganismos têm atuação fundamental na transformação e liberação de nutrientes para as plantas, a disponibilidade de nutrientes pode ser alterada e a fertilidade do solo pode ficar comprometida (SPADOTTO et al., 2004).
Outro impacto que o setor agrícola ocasiona relaciona-se às mudanças climáticas. A agricultura é um setor com importante contribuição para as mudanças climáticas, com volume de emissões de Gases de Efeito Estufa - GEE comparáveis ao setor de transporte (KIRBY, 2008). Segundo este autor existe o carbono emitido pelo cultivo agrícola e pelo desmatamento. Há, também, o carbono emitido pelo uso de combustíveis fósseis para a produção de fertilizantes ou de outros produtos químicos utilizados na agricultura, para as máquinas da agricultura intensiva, bem como para o transporte de animais e de colheitas das propriedades rurais para o mercado.
Conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL- MAPA, 2012a) de forma resumida pode-se registrar a existência de alguns processos e práticas agrícolas que afetam o balanço do carbono global, como: mudança do uso da terra,
12 Agrotóxicos: são moléculas sintetizadas para afetar determinadas reações bioquímicas de insetos,
microrganismos, animais e plantas que se quer controlar ou eliminar, mas determinados processos bioquímicos são comuns a todos os seres vivos e, assim, o efeito pode então atingir não só o organismo que se espera controlar, como também outros seres do ambiente (SPADOTTO et al., 2004).
desmatamento, queima da biomassa, erosão do solo, superpastejo, degradação de pastagens, mecanização do solo (aração, gradagem etc.), depleção da fertilidade do solo, tratamento de dejetos e resíduos orgânicos, entre outros.
O desmatamento e a subsequente queima de biomassa resultam na injeção de grandes volumes de gases de efeito estufa e aerossóis e podem exacerbar as mudanças já produzidas pela variação climática natural (MARENGO et al., 2011). No Brasil a maior parcela das emissões líquidas estimadas de CO2 é proveniente da mudança no uso da terra, em particular
da conversão de florestas para uso agropecuário (BRASIL, 2010).
Estima-se que 1,6 bilhões de toneladas de carbono por ano foram emitidas para a atmosfera devido às mudanças no uso do solo durante a década de 1990. Em relação às mudanças climáticas, o governo brasileiro apresentou na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima-COP 156, realizada em dezembro de 2009, em Copenhague, metas nacionais voluntárias de reduções de emissões de GEE até 2020 (reduções entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020) definidas na Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC (Lei no 12.187, 2009) , propondo como principal meio para se atingir tal meta, a diminuição da taxa de desmatamento da Amazônia em 80% nesse período (redução estimada de 564 milhões de toneladas de CO2)
(DOMINGUES; CARVALHO; MAGALHÃES, 2013).
3.4.3 Considerações
Verifica-se que o planejamento atual para o setor agrícola no Brasil, centra-se na manutenção da atividade agrícola através do crédito rural para financiamento de insumos e de outros custos para viabilizar o plantio. Estes custos são consignados por meio de planos e programas, como por exemplo, o Plano Agrícola Pecuário (PAP). O PAP é lançado anualmente pelo governo federal para orientar o produtor rural sobre os mecanismos de financiamentos que permitem dar continuidade ao plantio. O Brasil não possui um planejamento de longo prazo para o setor agrícola.
As políticas públicas voltadas para a agricultura têm a finalidade de desenvolver a economia. Assim, os maiores níveis de apoio são para os produtos básicos que concorrem com importados como a soja, o milho, o algodão e o trigo, enfim, as commodities. Estas políticas se encontram difundidas em vários Ministérios, o que acaba gerando desacertos e ineficiências no setor.
A crescente demanda mundial por alimentos e fibras vem resultando, nos últimos anos, num elevado crescimento da área ocupada por grandes culturas, caracterizando a monocultura tais como a soja. A expansão da fronteira agrícola vem ocupando áreas florestais, resultando em elevadas taxas de desmatamento e queimada (contribuindo para o agravamento do efeito estufa), bem como em alterações da qualidade do solo. Além destes, a exploração florestal pelas madeireiras ilegais também atua de forma intensa nestas regiões.
4 METODOLOGIA
Este capítulo descreve a metodologia geral da pesquisa no que tange aos princípios metodológicos adotados no estudo, o método científico em que se enquadram as diretrizes conceituais utilizadas para classificar a pesquisa e os procedimentos para a elaboração de subsídios para proposta de orientações para a etapa do escopo de AAE aplicada a planos e programas do setor agrícola.