4. Resultats i discussió
4.2 Comparació de l’impacte que genera el dèficit hídric a la tomàtiga ‘de Ramellet’ i a
4.2.2 Paràmetres de qualitat del fruit
Na páscoa de 1862 Nietzsche escreve um pequeno texto, porém significativo, para comunidade Germania, intitulado “Fado e história”110. Nele podemos vislumbrar, mesmo em estado de crisálida, algumas reflexões que aparecerão nos seus escritos de maturidade. Uma ideia que podemos ligar a reflexão de 1862 a de 1878 é compreender como, desde pequenos, somos condicionados pelos nossos pais, sociedade e educação à pensar de uma determinada maneira. Com o passar dos anos tais pensamentos se tornam tão enraizados que parecem naturais (NIETZSCHE, 1998b, p.164). Nesta época Nietzsche já credita à ciência e à história o papel emancipatório do homem: “Seus fundamentos [emancipatórios e autônomos] devem ser apenas a história e as ciências naturais, para não se perder em ‘especulações estéreis’” (NIETZSCHE, 1998b, p.164).
conhecer como verdade, enquanto um meio para a importantíssima revaloração dos valores. Este é o naturalismo de Nietzsche em sentido amplo e que não será questionado aqui” (JANAWAY Apud LEITER 2011, p.79). 108 Utilizarei, assim como o próprio Leiter (LEITER, 2011, p.80) para facilitar e não se tornar repetitivo demais, Naturalismo-M em substituição do termo Naturalismo Metodológico.
109 Ver o tópico “2.2 Idealismo”, onde foi tratado este tema.
Em 1878 Nietzsche apontará a falta de sentido histórico como o defeito hereditário de todos filósofos111. O fato de partir do homem atual como se fosse uma “verdade eterna” [aeterna veritas], e pudesse ser utilizado de maneira segura para medir todas coisas que o cercam. Porém, não levam em conta que a ideia de homem corresponde à um tipo de homem condicionado à um tempo e espaço bem definidos e limitados. O defeito hereditário dos filósofos é a falta de sentido histórico, pois o homem não é um ser fixo e imutável: “Mas tudo veio a ser; não existem fatos eternos: assim como não existem verdades absolutas” (MA/HH 2). A ferramenta que pode auxiliar Nietzsche na empreitada de desmistificar a ideia de verdades absolutas é a história. Do nosso ponto de vista podemos dizer que a filosofia histórica estaria completa com definição do papel da história tal qual exposta no segundo aforismo, o restante da obra seria a análise de toda a filosofia ocidental, seus valores fundamentais e fundantes.
No FP 23[19] do verão de 1876-1877 vemos uma forma melhor acabada do que é a falta de sentido histórico principalmente relacionada à moral. Neste FP Nietzsche diz que os filósofos que falam sobre moral tentando imprimir caráter universal às suas reflexões, não visualizam que seus pensamentos são condicionados por sua época:
Todos aqueles que formulam máximas caem com facilidade no erro de proclamar algo sobre o ser humano com caráter universal, que, porém, só é válido para determinadas épocas ou classes sociais; mas os mesmo tem feito os filósofos que escreveram sore os homens – somente a História, em conexão com a história animal, permite reconhecer a grande falta de uma consideração sensata a esse respeito112 (FP 23[19] de 1876-1877). Cita Schopenhauer como exemplo: para o filósofo pessimista o homem tem uma finalidade metafísica e que ao final de sua vida toma consciência de suas qualidades morais e de seus pecados. Os sentimentos experimentados com a proximidade da morte podem provar que as representações metafísicas existam, mas não que sejam verdadeiras, ou seja, elas influenciam no agir – nesse caso na reflexão ante o fim iminente –, mas não existem efetivamente. Para concluir o argumento, pensar em pecados é algo condicional, preso à um
111 Nietzsche dedica sua segunda “Consideração extemporânea” (HL/Co. Ext. II) à história. Neste escrito o filósofo ocupa-se essencialmente em criticar a forma como os modernos se relacionam com o saber histórico, criticando o “historicismo” quando o homem se volta para o passado e esquece do presente e do futuro usando a história como mero aparato de erudição, transformando a história em algo estéril. Na “filosofia histórica” a história terá um papel fundamental para criticar o saber metafísico ao apontar que os objetos e conceitos desta têm uma história que pode ser descrita e explicada (ITAPARICA 2005, p. 86).
112 “Todos aquellos que formulan máximas caen con facilidad en el error de proclamar acerca del ser humano algo con carácter universal, que, sin embargo, sólo es válido para determinadas épocas o clases sociales; pero lo mismo han hecho todos los filósofos que han escrito sobre los hombres – únicamente la Historia, en conexión con la historia animal, permite reconocer lo grande que ha sido la carencia de una consideración sensata al respecto” (FP 23[19] de 1876-1877).
tempo e espaço e contexto histórico bem definidos, pois na antiguidade se morria sem pensar nos pecados, pois tal concepção não existia para o povo grego.
Em VM/OS Nietzsche decreta como “um pecado original dos filósofos” a falta de sentido histórico, não conseguir identificar a moral, e seus pensamentos também, como condicionados à um recorte histórico, antes sim como eternos e universalmente válidos:
Em todas as épocas os filósofos se apropriaram das teses dos perscrutadores de homens (moralistas) e as estragaram, tomando-as incondicionalmente e querendo demonstrar como necessário o que eles viam apenas como indicação aproximada ou como verdade de uma década, própria de uma região ou cidade – quando justamente dessa forma acreditavam se pôr acima deles (VM/OS 5)
Outro aspecto importante quando se fala da história enquanto disciplina na longa história da filosofia, é como aquela é compreendida. A história sempre foi, de certa forma, encarada como um saber “menor” por não se ocupar com o que é “necessário”, “eterno” e “imutável”, antes sim com o “contingente”, “perecível” e “transitório”. A metafísica se ocupa com o universal, a história não. Nietzsche valorizará, fundamentalmente, aquilo que era tido como a fraqueza do conhecimento histórico e o transformará em virtude: a história não sacrifica o individual pelo universal; ela se ocupa com o transitório, e essa seria a grande virtude para Nietzsche da história nesse momento de sua produção filosófica (DENAT 2008, p.21-22).
A “filosofia histórica” surge como método alternativo de conhecimento e com o intuito de criticar a filosofia tradicional. A crítica a filosofia metafísica e aos ideais tem que ser realizada a partir dos pressupostos apresentados, fundamentalmente, nos dois primeiros aforismos de MA/HH. Alguns anos mais tarde, este método será aprimorado e denominado “método genealógico”113. Assim, a filosofia histórica seria uma forma “embrionária” do método genealógico que Nietzsche utiliza para descrever o surgimento da moral cristã em GM/GM de 1887 (KESSLER, 2004, p.144).