4. Resultats i discussió
4.1 Efecte del dèficit hídric sobre la tomàtiga ‘de Ramellet’: paràmetres agronòmics i de
4.1.1 Paràmetres agronòmics de la tomàtiga ‘de Ramellet’
Apesar de todas as ressalvas que fizemos ao longo do foi exposta até aqui sobre a relação de Nietzsche com Wagner e a filosofia de Schopenhauer, no que diz respeito a sua adesão e crítica à ambos, não podemos negar que o ano de 1876, ano do primeiro festival de Bayreuth, teve importância decisiva nos rumos que a filosofia de Nietzsche tomou, pois foi a partir de então que o filósofo ousou, dois anos depois com MA/HH, filosofar publicamente por conta própria, já que existiam algumas restrições à metafísica mesmo antes de 1876 como já vimos (KESSLER, 2004, p. 145). O próprio filósofo escreveu sobre isso no capítulo dedicado à MA/HH em EH/EH, sua autobiografia filosófica:
Os começos deste livro [MA/HH] situam-se nas primeiras semanas do primeiro festival de Bayreuth; uma profunda estranheza em relação a tudo que me cercava é um de seus pressupostos. Quem tem ideia das visões que já então me haviam cruzado o caminho pode imaginar o que eu sentia, ao acordar um dia em Bayreuth. Inteiramente como se sonhasse... Onde estava afinal? Não reconhecia nada, mal reconhecia Wagner. Em vão folheava minhas lembranças. Tribschen – uma longínqua ilha de bem-aventurados: nem sombra de semelhança (EH/EH, Humano, demasiado humano, 2).
No fragmento póstumo 30[1] do verão de 1878 Nietzsche avalia sua ida a Bayreuth: “Mi error fue de haber ido a Bayreuth con un ideal: por eso tuve que experimentar el más amargo de los desengaños. El excesso de fealdad, de desfiguración, de especias fuertes me provó una violenta repulsión”. Tal avaliação tardia e mais sóbria sobre o que ocorrera alguns anos antes reforça o impacto que a desilusão de Bayreuth teve sobre o filósofo.
A crença na proposta de revolução cultural a partir do projeto de “arte total” de Wagner, tão caro ao jovem professor de filologia defendido em sua primeira obra, tem seu fim com o primeiro festival de Bayreuth, que deveria significar seu início. A partir de Bayreuth deixa de acreditar na renovação cultural proposta por Wagner (D’IORIO, 2012, p.13). Desse
Démocrite, une ébauche d’essai contre la téleologie et une critique impitoyable de la métaphysique de Schopenhauer (D’IORIO, 2004, p.27).
modo, a desilusão fez com que Nietzsche reavaliasse seus passos anteriores e pensasse em si próprio.
Em 19 de maio de 1876 Nietzsche solicita licença da universidade da Basiléia para cuidar de sua saúde, que lhe é concedida81. Algum tempo antes, Malwida von Meysenbug havia convidado Nietzsche, juntamente com seu ex-aluno Albert Brenner, para passar uma temporada na Itália82. Ao se encontrarem em Bayreuth, decidiram por Sorrento. Junta-se a eles a nova amizade de Nietzsche, Paul Rée. Juntos viajaram para Sorrento e ali viveram de agosto de 1876 até abril de 1877. Em carta de 24 de setembro de 1876, Nietzsche narra seu plano de viagem para Reinhardt von Seydlitz:
No dia primeiro de outubro você [Reinhardt von Seydlitz] parte para Davos, e eu, no mesmo dia, para Itália, para reencontrar minha saúde em Sorrento, onde viverei junto com a minha queridíssima amiga a senhorita von Meysenbug [...]; me acompanham também uma amigo e um aluno – temos uma casa para todos e os mais altos interesses em comum: será uma espécie de monastério para espíritos livres”83 (Carta 554). Além de buscar uma nova perspectiva para sua filosofia, Nietzsche esperava encontrar em Sorrento alguma melhora no seu estado de saúde, porém não é isto que acontece. Neste período passará por graves crises que o impossibilitaram até de ler e escrever, tarefas realizadas, principalmente, por Rée e Brenner. Mesmo assim, o período em Sorrento foi altamente produtivo, e dessa estadia surgem “Papéis de Sorrento” e “Manuscrito de Sorrento” que deram origem, um tempo depois, à MA/HH. Estes escritos são datados do inverno de 1876-1877, e foram transcritos por Albert Brenner.
Nos fragmentos finais do caderno 17 do verão de 1876, vemos aparecer pela primeira vez o projeto de “A relha do arado”84, que toma forma completa no último FP do mesmo
81 No dia 2 de maio de 1879 (Carta 846), Nietzsche pede para Carl Burckhardt seu afastamento de suas atribuições como professor, e lembra do artigo 20 do estatuto da universidade que versa sobre uma indenização por conta de uma aposentadoria forçada. No caso de Nietzsche por conta de sua saúde que não melhora. Apesar de sua licença concedida para tratar de sua saúde, Nietzsche não consegue progredir em tal empreitada. Os diagnósticos dos seus médicos são todos negativos, prevendo cegueira e até a possibilidade de um colapso nervoso. As autoridades na Basiléia acabam lhe dando uma aposentadoria de 3 mil francos anuais como demonstração de gratidão por conta de seus serviços prestados na universidade. As dores e sua doença se mostram incompatíveis com a docência, consequentemente, com a cátedra de filologia clássica na universidade de Basiléia (RUBIO, 2009, p.22-23).
82 Em carta de 11 de maio de 1876 (carta 523), Nietzsche fala com sua amiga Malwida von Meysenbug em tirar licença de um ano de outubro de 1876 a outubro de 1877. Na mesma carta responde ao convite da mesma de viverem um ano juntos na Itália. O primeiro plano era ir para Fano, localizado na costa do adriático.
83 El 1 de octubre parte usted [Reinhardt von Seydlitz] hacia Davos, y yo, el mismo día, hacia Italia, para reencontrar mi salud en Sorrento, donde viviré junto con mi queridísima amiga la señorita von Meysenbug […]; me acompaña también un amigo y un alumno – tenemos una casa para todos y además los más altos intereses en común: será una especie de monasterio para espíritus libres (Carta 554).
84Provavelmente o título “A relha do arado” foi extraído da obra de Wernher de Gartenaere, poeta bávaro do século XIII. A obra em questão é “Meier Helmbrecht” (BARRIOS, M e ASPIUNZA, J , 2008, p. 257, Nota 1).
caderno: “A relha do arado. Um guia para a libertação espiritual”85 (FP 17[105] de 1876). Vemos, portanto, que o subtítulo é semelhante ao que foi escolhido para a redação final de MA/HH, sobretudo no que diz respeito à condução da libertação de espírito. O caderno de anotações de número 18 de setembro de 1876 leva como título “A relha do arado”, e no final deste Nietzsche esclarece o significado desta expressão:
A relha do arado atravessa o terreno duro e o macio, passa pelo que está mais acimas e o que está mais abaixo e os aproxima. Este livro é para o bom e para o mau, para o humilde e para o poderoso. O mau que o leia, melhorará; o bom, se tornará pior; o modesto se fará poderoso, se fará mais modesto86 (FP 18[62] de 1876).
O trabalho de revolver o terreno aproximando o que está acima com o que está abaixo é uma das principais características do pensamento do filósofo na época. Nesse sentido, demonstra como valores considerados superiores, metafísicos e de suposta origem miraculosa têm origem no mundo sensível. Tal pressuposto está em harmonia com as críticas desferidas contra todo o conhecimento metafísico a partir de então. A natureza não possui verdade ou mentira, certo ou errado, são todas criações humanas, e com MA/HH que Nietzsche pretende demonstrar tal hipótese, ao atribuir às coisas de mais alto valor origem “natural”, “imanente”.