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5. Analyse av PTV

5.1 Overordnet blikk på PTV

No final do ensaio sobre as paralisias Freud remete seus argumentos ao trabalho

escrito em colaboração com Breuer “Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos” (1893), uma comunicação preliminar em que expõe as teses a serem comprovadas nos “Estudos sobre histeria” (1893-1985) 42. Essa obra tem grande importância para o aprimoramento dessas hipóteses iniciais, quais sejam: o modo de ação do mecanismo psíquico frente à recordação de um evento traumático e o processo terapêutico como ab-reação do afeto aflitivo via expressão verbal. De acordo com essa teoria: toda impressão psíquica está

provida de um montante de afeto, de um valor afetivo (FREUD, 1988g, p.209); ou seja, toda

representação é em si mesma, segundo a ordem de sua constituição, um processo afetivo. Essa tese permite estender a hipótese desse mecanismo psíquico básico em ação nas paralisias histéricas para a formação dos sintomas neuróticos em geral.

42 Devido à extensão e a importância dos “Estudos...” (1893-1895) para a gênese dos conceitos

freudianos, bem como a qualidade da literatura existente, optamos por examinar as hipóteses e conceitos aí estabelecidos na forma em que se encontram desenvolvidos no “Projeto de uma psicologia” (1895), momento em que são correlacionados a constituição e ao funcionamento de um aparelho psíquico representacional (Cf. Parte II, .cap. 6). Para um exame detalhado do alcance desse trabalho em colaboração com Breuer e da transição de suas hipóteses para o “Projeto...” remetemos o leitor ao trabalho de SIMANKE (2004b), ROSSI (2004) e CAROPRESO (2002; 2003).

A comunicação preliminar de 1893 traz os resultados obtidos pelo aprimoramento do método de investigação hipnótica, mas também permite apreciar o alcance dos primeiros trabalhos sobre a representação e o aparelho de associações, bem como da crescente necessidade da elaboração de uma teoria sobre a memória. Investigamos no sintoma (observam os autores), sua causa desencadeante: o processo em virtude do qual o fenômeno se produziu pela primeira vez. Esse método permite verificar que no ponto de origem dos transtornos encontram-se vivências traumáticas que o enfermo, não somente reluta em comentar, mas que, principalmente, realmente não as recorda. (FREUD, BREUER, 1987a, p.29). São traumas psíquicos decorrentes de vivências que suscitaram afetos penosos de horror, vergonha, angústia, medo e dor mental, e que fazem parte de uma história de sofrimento, de uma trama de recordações. Descobrimos, continuam, que os sintomas desapareciam quando conseguíamos evocar nitidamente a recordação do processo que o determinou despertando o afeto envolvido e demandando ao enfermo uma descrição detalhada, uma tradução em palavras: “O decurso do processo psíquico originário tem de ser

repetido com a maior vivacidade possível, deve ser levado de volta a seu status nascendi e então receber expressão verbal. “ (FREUD, BREUER, 1987a, p.32).

Os efeitos decorrentes da tradução do afeto põem em questão a capacidade que as recordações das vivências demonstram em produzir efeitos tão intensos mesmo quando aparentemente esquecidas. Segundo essa teoria, a perda da afetividade de uma lembrança depende de alguns fatores, mas o essencial é saber se diante do evento que provocou o afeto houve ou não uma reação adequada.

Por reação entendemos aqui toda série de reflexos voluntários e involuntários em que, segundo sabemos pela experiência, se descarregam os afetos: desde o choro até a vingança. [...] Se essa reação se produz em escala suficiente, desaparece boa parte do afeto. [...] Se a reação é sufocada, o afeto permanece conectado com a recordação. (FREUD, BREUER, 1987a, p.34).

O acréscimo da soma de excitação afetiva se dá pela vias sensoriais, a diminuição por vias motoras, o que os autores propõem diante da reação sufocada é que o trabalho com a linguagem, por meio da expressão motora verbal e da retificação associativa, possa ser um substituto para a ação. 43 Assim, se o sujeito, por algum motivo não pode ou se recusa a tramitar esse excedente afetivo via reação motora ou por um trabalho associativo, a recordação dessa impressão psíquica continua a existir tomando parte na organização de um grupo de representações afetivas isoladas do comércio associativo. Excluídas e inconscientes elas adquirem uma intensificação excessiva, tornando-se causa para a formação de sintomas.

Mesmo com os avanços obtidos nos “Estudos sobre histeria” ambos os autores hesitam em admitir uma natureza psíquica para os processos inconscientes, por razões declaradas que dizem respeito às suas opções metodológicas e as dificuldades reais inerentes a matéria. Em “Psicoterapia da histeria” (1895), por exemplo, a respeito da hipótese da presença de pensamentos inconscientes impossíveis de serem recordados, afirma que não tem uma idéia definida sobre a natureza dessas representações:

deve-se supor que se trata realmente de pensamentos nunca produzidos, e para os quais haveria uma mera possibilidade de existência, de modo que a terapia consistiria, então, na consumação de uma ato psíquico interceptado ? É evidentemente impossível enunciar algo sobre isto, ou seja, sobre o estado do material patógeno antes da análise. (FREUD, 1987c, p. 304, grifo nosso).

No artigo “As neuropsicoses de defesa” (1894), ao discutir sua teoria da defesa enquanto mecanismo psíquico em ação contra a emergência de idéias sexuais incompatíveis com a vida representacional, a dúvida quanto à natureza do inconsciente é exposta claramente:

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Nesse ponto Freud se apóia na observação espirituosa de Jackson de que o primeiro homem que em vez de lançar uma lança contra seu inimigo lhe lançou um insulto foi o fundador da civilização, desse modo à palavra é o substituto da ação.(FREUD, 1989b,p.38).

a separação da representação sexual e de seu afeto, e o enlace desse último com outra representação, adequada mas não incompatível: são processos que acontecem sem consciência, que somente é possível presumir sua existência, e nenhuma analise clínico-patológica é capaz de demonstrar. Talvez fosse mais correto dizer que tais processos [inconscientes] não são de modo algum de natureza psíquica, mas processos físicos. (FREUD, 1989c, p.54).

Essa problemática levará Freud a uma revisão sobre a natureza da representação sem a qual o psíquico inconsciente, apesar de perfeitamente estabelecido em termos clínicos, permaneceria teoricamente excluído do campo psicológico aberto pela histeria e pela hipnose. Como pretendemos demonstrar 44, a necessária desvinculação entre o psíquico e a consciência se consuma, definitivamente, no texto “Projeto de uma psicologia” (1895), permitindo que a representação possa produzir toda uma série de efeitos e ter seu comportamento descritível em termos psicológicos sem aceder à consciência. (SIMANKE, 2004b, p.59).

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PARTE II:

O SENTIDO E A NATUREZA DA CONCEPÇÃO DE REALIDADE E A TEORIA DA MEMÓRIA NO “PROJETO DE UMA PSICOLOGIA” (1895)

CAPÍTULO 1

A constituição do Aparelho Neuropsíquico

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Nessa segunda etapa da pesquisa iremos situar e analisar os problemas e as hipóteses que estão na origem daquilo que se pode denominar: uma primeira circunscrição do conceito de real pela metapsicologia freudiana. Nesse contexto o “Projeto de uma psicologia” (1895) tem uma importância fundamental devido ao fato de poder ser considerado como uma grande síntese das observações e da teoria desses primeiro anos. Um trabalho cujo problema fundamental é o de fornecer uma justificativa teórica adequada e uma base constitucional para a hipótese clínica da defesa. Esse é núcleo do argumento freudiano a favor do reconhecimento do lugar das causas adquiridas na etiologia das neuroses e na própria constituição do aparelho psíquico. Sendo assim, nosso objetivo neste momento é situar o sentido e a natureza da concepção de realidade que se pode extrair dessa primeira teoria sobre o aparelho, e com isto responder a seguinte questão: Qual é a concepção de realidade manejada no interior da teoria da defesa e da sedução?

No “Projeto...” (1895) também é possível acompanhar a construção da primeira teoria freudiana sobre a memória ou como define Freud, o psíquico propriamente dito, que surge, como observa SIMANKE (2004b, p.59), como conseqüência e culminação do argumento anti-localizacionista desenvolvido desde o “Ensaio sobre as afasias” (1891). Trata-se mesmo de um do estabelecimento do fundamento conceitual

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O termo neuropsíquico se justifica, como será examinado adiante (Cf. Parte II, seção 1.2 Memória e percepção), pelo fato de que Freud nesse trabalho passa a atribuir uma natureza psíquica aos processos neurológicos identificando-os aos processos inconscientes. Uma operação conceitual que implica na ultrapassagem do paralelismo psicofísico problematizado anteriormente. (Cf. Parte I, seção 2.2). Essa identificação e ultrapassagem trazem conseqüências fundamentais para conceituação do laço indissociável entre corpo e representação, principalmente com a introdução da noção de pulsão enquanto a mola impulsiva de toda atividade psíquica. (Cf. Parte II, seção 1.4).

sobre o qual pode-se erigir a teoria de um inconsciente psíquico, representacional, psicologicamente ativo, concedendo, enfim a carta de cidadania metapsicológica às intuições clínicas que já há algum tempo se acumulavam e que tão reticentemente eram consideradas por Freud. (SIMANKE, 2004b, p.59).