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cidades.

Com o intuito de facilitar a leitura e compreensão do leitor, alguns dados mencionados anteriormente serão aqui repetidos de forma detalhada e comentada.

Conforme dados do IBGE (1954; 1955; 1955a; 1960; 1970; 1970a; 1980), ambos os sites estudados indicam forte caracterização rural até a década de 1960, quando a indústria calçadista começa a tomar corpo e a crescer em número de empresas e postos de trabalho, passando a figurar nos censos industriais realizados no país. Até então, os estabelecimentos industriais e comerciais apresentavam crescimento modesto, e proporcionavam apenas discreta atração de pessoas para as cidades e a região. Os dois municípios contavam com um crescimento populacional, industrial, comercial e de urbanização, abaixo dos índices do estado de São Paulo. O índice de analfabetismo

estabelecimentos agropecuários perdeu força nos anos 1970, abrindo espaço para o crescimento de estabelecimentos comerciais, de serviços e industriais que, particularmente, começaram a se desenvolver e a empregar mais.

Não existem relatos precisos da instalação da primeira fábrica de calçados. Como já mencionado, existiam alguns curtumes na região que podem ter atraído, de forma involuntária, produtores imigrantes de calçados. Os dados disponíveis mostram que as cidades cresceram à medida que estas concentrações também se desenvolviam.

Sabe-se que em concentrações urbanas é facilitado o acesso a serviços como eletricidade, saneamento básico, escolas, hospitais e outros, além de haver nelas maiores oportunidades de emprego e renda. Isso atrai para os grandes centros as pessoas do campo e de cidades menores, circunvizinhas, e estes acabam por se desenvolver, graças à demanda e a disponibilidade de pessoas.

O crescimento industrial só é possível quando existem consumidores e os insumos necessários à produção, tais como matéria-prima e mão de obra. Portanto, pode-se dizer que a indústria calçadista, nessas duas localidades, desenvolveu-se graças à disponibilidade desses dois componentes e graças, também, num primeiro instante, aos próprios habitantes, que acabavam por consumir o que era produzido na localidade. Numa espiral ascendente e contínua, a fabricação de calçados atraía trabalhadores do campo, que auxiliavam no aumento da produção, do consumo e da demanda por serviços na área urbana. Dessa forma, pode-se concluir que a indústria calçadista teve grande destaque no desenvolvimento social e econômico das cidades estudadas.

A análise comparativa (perfil urbano versus APL), a seguir, mostra de forma mais detalhada o desenvolvimento de Santa Cruz e de Jaú, hospedeiras das aglomerações calçadistas, após seu formal reconhecimento como APLs e sua estruturação no início dos anos 2000.

Os dados expostos no subcapítulo 3.4, os indicadores sócio econômicos das duas cidades hospedeiras mostram um crescimento na população de Jaú de 16% e da de Santa Cruz do Rio Pardo de 7,3% entre os anos de 2000 e 2010. A variação da urbanização também foi positiva no mesmo período: de 18%, em Jaú, e de 14%, em Santa Cruz do Rio Pardo, enquanto o índice de urbanização foi de 6,4%, em Santa Cruz do Rio Pardo, e de 1,3% em Jaú.

O APL de Jaú, entre 2002 e 2010 cresceu em número de empresas 78%, e em número de empregos 108%, enquanto o APL de Santa Cruz do Rio Pardo cresceu 49%

2010. Esses dados nos induzem a acreditar que a urbanização em Santa Cruz do Rio Pardo não foi por conta da atração do APL, e que o inverso pode ter ocorrido em Jaú, uma vez que o APL e o emprego do setor aumentaram significativamente no mesmo período. É importante lembrar que estamos trabalhando com números formais do IBGE e da Rais, não temos relatos do número de empregos gerados informalmente que podem ter acontecido nas duas concentrações durante o período. O índice de analfabetismo diminuiu aproximadamente 36% nas duas localidades.

O Produto Interno Bruto cresceu em termos reais 29%, em Jaú, e 26%, em Santa Cruz do Rio Pardo, entre os anos de 2002 e 2010. Nesse mesmo período, o APL cresceu em número de empresas em Jaú, conforme Tabela 11, em 78%, partindo de 377 estabelecimentos em 2002, para 673 em 2010, enquanto o número de vínculos empregatícios, em conformidade com a mesma tabela, cresceu 108%, saltando de 4264 empregos para 9142. Em Santa Cruz do Rio Pardo, o APL cresceu, em número de empresas, 48%, como mostra a Tabela 16, partindo de 37 estabelecimentos em 2002 para 55 em 2010, enquanto o número de vínculos empregatícios no setor da cidade diminuiu 10%.

Como visto, o número de empresas cresceu em Santa Cruz do Rio Pardo, mas o número de empregos diminuiu. Esse evento pode estar associado ao aumento do uso de tecnologia ou à terceirização informal de parte do processo produtivo. O PIB per capita também cresceu nos dois objetos de estudo, mas em nenhum deles superou o crescimento nacional que foi de 33,8%.

A poupança cresceu em números reais, em Jaú, 46%, e, em Santa Cruz do Rio Pardo, 68%, entre os anos 2006 e 2010, conforme Tabela 25. A renda individual (per capita) também aumentou, assim como o investimento em poupança.

Em Jaú, como vemos na Tabela 26, que traz os dados do IBGE relativos ao número de cadastros de empresas, entre os anos 2006 e 2010, 136 novas empresas se instalaram. Destas, de acordo com a tabela 11, 106 estão relacionadas com o APL, (o que corresponde a 52% das empresas) estando ligadas de alguma forma ao setor calçadista.

As mesmas tabelas apontam um crescimento total do pessoal ocupado em 17%, sendo que 18% dessa mão de obra se refere ao setor calçadista. Em Santa Cruz do Rio Pardo, nesse mesmo período, 2116 novas empresas se instalaram. Destas, de acordo com a Tabela 16, há um aumento de apenas quatro (de 51 empresas em 2006 para 55 em

com relação ao pessoal total ocupado, o crescimento foi de 3438 novos postos.

O setor calçadista, apesar do crescimento em número de empresas (quatro), perdeu 176 postos, passando de 635 em 2006 para 459 em 2010. Se não houve aumento do uso de tecnologia, essa perda de emprego pode estar relacionada com a terceirização de parte do processo produtivo.

O Valor Adicionado da Indústria, apontado na Tabela 27, confirma que a atividade industrial cresceu de forma significativa em Santa Cruz do Rio Pardo (38%).

O rendimento médio dos vínculos empregatícios (apontado na Tabela 28) de Santa Cruz do Rio Pardo é maior em 11 pontos percentuais (40%) quando comparado com o da cidade de Jaú (29%) no período entre 2000 e 2010. O que pode justificar este aumento no rendimento médio é o número maior de empresas que surgiu entre 2006 e 2010, com uma maior quantidade de pessoas ocupadas.

O número de estabelecimentos da indústria cresceu 76%, em Jaú, passando de 466, em 2002, para 823 em 2010, deste crescimento de 357 empresas, 296 correspondem a empresas no setor calçadista, ou seja, 83%, conforme Tabela 11. Jaú tinha 377 estabelecimentos relacionados a calçados em 2002 e 673 em 2010. Em Santa Cruz do Rio Pardo o crescimento do setor industrial foi menor, sendo de apenas 15%. A cidade passou de 121 empresas em 2002 para 139 em 2010. Entretanto, estas 18 novas empresas são todas do setor calçadista, como vemos na tabela 16, que mostra que o setor tinha 37 empresas em 2002 e em 2010 estava com 55. Porém, no mesmo período, a proporção de estabelecimentos industriais no total dos estabelecimentos cresceu 7% em Jaú e decresceu 17% em Santa Cruz do Rio Pardo, chamando a atenção para o tipo de estabelecimento não industrial que se instalou nesta cidade.

As análises que seguem estão relacionadas à criminalidade na região das aglomerações estudadas. Se a criminalidade é baixa, estando dentro dos padrões aceitáveis pelas autoridades responsáveis, certamente é porque, com relação ao nível de ocupação, o local está estável. Se existe alto nível de desemprego, esta situação pode estar relacionada às empresas que não conseguiram se sustentar e pararam suas operações, gerando um alto grau de desocupação repentina e consequentemente favelização (crimes patrimoniais tais como furto e roubo poderiam estar relacionados a isso). Por outro lado, mesmo se a atividade industrial estivesse altamente próspera, o suficiente para atrair trabalhadores de outras localidades seduzidos pela possibilidade de emprego fácil que se deslocassem até estas localidades, mas não conseguissem se

obra, o que poderia gerar os mesmos efeitos negativos relacionados a moradia e criminalidade. Entretanto, pode-se dizer, nos casos estudados por nós, que os APLs estão estáveis com relação a oferta e procura de trabalho, uma vez que nas cidades estudadas não existem favelas e a criminalidade está dentro dos níveis aceitáveis pelas autoridades do setor.

In document Evaluation - Chr. Michelsen Institute (sider 71-77)