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THE CHANGING CONTEXT

In document Evaluation - Chr. Michelsen Institute (sider 14-19)

Casarotto e Pires (2001) mostram, na figura 2, como as alianças de interesse comercial e de necessidade de sobrevivência vão se formando ao longo do tempo. As fases do ciclo de vida de um cluster são as seguintes: primeiramente, há poucas e isoladas relações de negócio entre poucas empresas; em seguida, passa-se por maior concentração e fortalecimento das relações comercias; depois, aumentam-se a concentração e a verticalização, assim como a formação de consórcios; até o grupo se tornar um cluster estruturado com consórcios formalizados, com sistema local forte e com parcerias público-privadas.

Figura 2: Ciclo de vida de um Cluster.

Fonte: Adaptado de Eurada (1999 in Casarotto; Pires, 2001, p. 70).

Casarotto e Pires (2001) asseguram que um cluster surge e cresce em conformidade com a vocação regional, contendo empresas produtoras de produtos finais e verticalizando-se com empresas de serviço ou com empresas fornecedoras. Lembrando que um cluster não necessariamente contém toda a cadeia produtiva. Membros do aglomerado podem se relacionar com outros atores, tais como fornecedores, que não estão na mesma região geográfica. Zaccarelli (2008) corrobora que, para melhor se compreender clusters, não devemos olhar somente para os fatos geográficos de concentração ou para os processos de fidelização; o Quadro 1 mostra fundamentos adicionais de performance competitiva dos clusters.

Quadro 1 – Fundamentos de performance competitiva dos clusters

Fundamentos Impacto na competitividade Causa Efeito 1 CONCENTRAÇÃO Geográfica Diferencial Competitivo na

atração de clientes, isento de despesas específicas.

Percepção dos clientes de variedade superior, poder de escolha de fornecedor ampliado e maior confiabilidade de preços.

2 ABRANGÊNCIA de negócios viáveis e relevantes Diferencial Competitivo no atendimento (proximidade de fornecedores) e no menor custo

associado ao acesso de

suprimentos.

Custos de busca e acesso menores para clientes; redução da necessidade de estoques elevados ou prazos de reposição (proximidade de fornecedores).

3 ESPECIALIZAÇÃO das empresas Diferencial Competitivo baseado na velocidade de desenvolvimento com investimentos e custos inferiores

Especialização dos negócios favorece redução de despesas agregadas de operação e diminuição do volume de investimento necessário.

4

EQUILÍBRIO

com ausência de posições privilegiadas

Diferencial Competitivo no

menor custo agregado no conjunto dos negócios

Lucros equilibrados e não relativamente altos, devido à competição entre os negócios.

5 COMPLEMENTARIDADE

por utilização de subprodutos

Diferencial Competitivo

associado à redução de custos

decorrente da eficiência

agregada, assim como imagem de conjunto integrado.

Favorecimento da presença e

estabelecimento de novos negócios e aporte de receita adicional.

6

COOPERAÇÃO

entre empresas do cluster de negócios Diferencial Competitivo devido a transferências e desenvolvimento compartilhado de competências.

Aumento da capacidade competitiva do cluster de forma integrada, devido à impossibilidade de contenção de troca de informações entre negócios.

7 SUBSTITUIÇÃO

seletiva de negócios do cluster

Diferencial Competitivo

vinculado à presença efetiva e

permanente de empresas

competentes.

Extinção de negócios com baixa competitividade por fechamento da empresa ou mudança de controle.

8 UNIFORMIDADE

do nível tecnológico

Diferencial Competitivo na

evolução e acesso à tecnologia em produtos e processos na produção e oferta das empresas do cluster.

Estímulo ao desenvolvimento tecnológico e, em função da proximidade geográfica e lógica, transferência de tecnologia para os demais negócios. 9 CULTURA da continuidade adaptada ao cluster Diferencial Competitivo ligado ao sentimento de

inclusão e orgulho dos

trabalhadores das empresas do

cluster.

Aumento da motivação e satisfação com o reconhecimento do grupo em relação ao status atribuído ao trabalho.

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CARÁTER

EVOLUCIONÁRIO

por introdução de novas tecnologias Movimento de intervenção, pois a tendência à uniformidade tecnológica desestimula mudanças de tecnologias.

Diferencial Competitivo resultante de

inovação (com redução de custos, manutenção ou ampliação de mercados, extensão de ofertas, etc.).

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ESTRATÉGIA DE RESULTADO

orientada para o cluster

Movimento de intervenção

como adoção de estratégias de combate a clusters oponentes ou de negociação com “leões” da rede.

Diferencial Competitivo gerido sob a

perspectiva da ampliação da capacidade de

competir ponderada pelo resultado

integrado do cluster em termos de lucro agregado.

Zaccarelli (2008) considera que aspectos como: abrangência de negócios viáveis e relevantes, que aproximam fornecedores, tornando os custos de produção menores; especialização, que auxilia na diminuição das despesas de operação; o equilíbrio, graças às competições internas com lucros similares e sem posições privilegiadas; complementaridade, quando se utilizam subprodutos, complementando a receita; espírito de cooperação entre os atores, que aumenta o potencial dos negócios, permitindo o compartilhamento informações e competências; substituição de negócios de menor competitividade por outros à altura dos participantes do cluster; uniformidade da tecnologia empregada nos processos produtivos, graças à proximidade entre as empresas e à facilidade de transferência de conhecimento entre elas; cultura movida pelo prazer do pertencimento ao grupo; o caráter evolucionário das constantes inovações, novamente em consequência da proximidade; e estratégia de resultado, com ações contra a concorrência externa ao cluster, são fundamentos essenciais e complementares ao desempenho e ao desenvolvimento da vantagem competitiva dos clusters.

Desse modo, este subcapítulo se preocupou em apresentar as visões, as definições e a caracterização dos APLs, conforme conceitualizações de diversos autores, com o intuito de podermos enquadrar nesse conceito o grupo de empresas consideradas neste trabalho. No próximo subcapítulo, são apresentados os arranjos produtivos locais no Brasil e a sua identificação. Em seguida, faz-se o estudo de sua distribuição e concentração, bem como das características econômicas e sociais da região que os abriga.

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