• No results found

CONCLUSIONS AND RECOMMENDATIONS

In document Evaluation - Chr. Michelsen Institute (sider 84-96)

 O que este APL significa para o senhor, a cidade e a região?

(Jaú): O APL é que projetou a cidade, é a vitrine de Jaú, fez com que se consolidasse como cidade polo na região - “A capital do calçado feminino”. Isto é devido ao APL que deu condições à cidade em termos de mão de obra (empregos) e conhecimento do setor. Isto transformou a cidade num polo importante na região e também no Estado, como produtor de calçado.

responsável por 15% do PIB. O APL de calçados de Santa Cruz do Rio Pardo fez da cidade um polo na região. Atraiu estudantes, profissionais e acabou por fortalecer a economia da cidade. O APL foi mais consistente enquanto o Sebrae esteve por aqui ajudando a organizar, trazendo os empresários para reuniões, eventos e atividades como treinamento e capacitação.

Ambos empresários reconhecem a importância da concentração para as duas cidades e regiões e atribuem o crescimento e o reconhecimento das cidades hospedeiras aos APLs.

 A proximidade entre empresas auxilia na transferência do conhecimento? (Jaú): Muito pouco, por causa dos interesses individuais. Não digo que não exista, mas é muito pouco, poderia ser muito mais. É bem esporádico, muito restrito.

(SCRP): Sim, a proximidade auxilia na transferência do conhecimento, entretanto isto não acontece com muita frequência, principalmente agora sem o Sebrae que os empresários ficaram meio distantes.

 Quais são os esforços para se manter a união entre as empresas do APL? (Jaú): O sindicato, como praticamente o gestor do APL faz muito esforço pra trazer o pessoal. É o contato pessoal do sindicato com empresas para se manter a união do grupo, trazendo ações como o treinamento e cursos oferecidos em parcerias com as escolas técnicas locais para o Projeto Comprador – que é um showroom para atrair compradores. Aberto duas vezes por ano, as empresas participantes convidam compradores, subsidiando a sua vinda pagando viagem e hotel. Isto também força as empresas participantes a serem inovadoras, porque se o comprador vier e ver os mesmos produtos, mesmos modelos do semestre anterior ele não volta mais e assim cai no descrédito.

Dentro do sindicato existe esforço pra manter o grupo unido, cada diretor liga pra um ou outro empresário convidando para estas ações, divulga o que está acontecendo no APL, mas o retorno é baixo. Não consigo trazer mais pessoas novas, como eu gostaria.

(SCRP): O esforço é muito grande, fazemos reuniões a cada dois meses, tentando manter o empresários unidos, levantando as demandas e dificuldades

Ficou ainda mais difícil depois que o Sebrae parou com os trabalhos, isto prejudicou muito o desenvolvimento do APL. Enquanto o Sebrae estava por aqui até que o pessoal comparecia mais a estes eventos e reuniões.

 Todas as empresas trabalham da mesma maneira, isto é, se utilizam da mesma tecnologia para a produção e gestão?

(Jaú): Não, não. Aqui é muito diversificado, existem algumas empresas que a produção é artesanal, outras empregam um pouco mais de tecnologia. Eu acredito que umas 30 empresas estão mais atualizadas tecnologicamente.

(SCRP): Sim, se utilizam da mesma tecnologia. Uma ou outra tem uma máquina ou equipamento mais atualizado, mas também tem muita fabricação artesanal.

 Existe um caráter de inovação, na produção de sapatos, com a introdução de novas tecnologias?

(Jaú): A inovação atualmente é primordial, quem não investir em inovação, em novas tecnologias, não sobrevive. A data de validade é muito curta.

(SCRP): No começo do APL tinha pouca inovação, tinha mais cópia. Com a vinda do Senai e do Sebrae, oferecendo cursos e consultoria, entenderam a necessidade de inovação. Hoje os empresários têm o conhecimento da necessidade de inovação, individualmente. Tentam acompanhar na matéria- prima e no design, reconhecem que o que é produzido tem uma vida útil muito curta, por ser de moda.

 A tecnologia aqui utilizada é a mesma utilizada em Franca e no Vale dos Sinos? Ou ainda mais inovadora?

(Jaú): A tecnologia aqui utilizada (entre as 30 mais inovadoras, as quais estão, constantemente, buscando novas tecnologias) é basicamente a mesma utilizada em Franca e Vale dos Sinos.

(SCRP): Basicamente sim, é a mesma tecnologia, entretanto no Vale dos Sinos nas empresas onde eu conheço a tecnologia é um pouco melhor, o maquinário é melhor, sem contar que a mão de obra é melhor qualificada.

utilizada na China?

(Jaú): Não é muito diferente do que é aqui, entre as empresas mais avançadas. O que é hoje usado na China é a mesma tecnologia a que nós temos acesso. Eu estive num fornecedor de corte de couro em busca de uma máquina nova e ele me disse que só poderia me entregar em quatro meses porque ele estava vendendo 300 máquinas pra China. A China faz mais barato por conta do custo de mão de obra e volume de produção. Nós não temos aquele patriotismo de optar por produtos nacionais para ajudar o país. O mercado de luxo na Itália se fechou para os produtos chineses.

(SCRP): Não, eu não sei, eu desconheço.

 Qual é o nível médio da escolaridade dos seus empregados?

(Jaú): Hoje eu tenho nível colegial ou universitário formado e estudando, nos escritórios e fábrica em nível de coordenação, chefia e liderança. E a maior parte no chão de fábrica, na produção, cursando ou completo no ensino básico. No máximo o que predomina é o ginasial.

(SCRP): Na média, na fábrica, na produção, é o 2º grau completo. No escritório, eu tenho funcionário cursando faculdade, mas a maioria estuda só até o colegial.

 O senhor oferece cursos de treinamento e capacitação aos seus empregados?

(Jaú): Sim, para os coordenadores, chefes e líderes que são multiplicadores; para os novos empregados, pois muitos vêm das próprias escolas técnicas e aí é o caso do primeiro emprego no setor; e também para os empregados que já estão há algum tempo comigo, quando tem novos cursos ou então para fazer uma reciclagem.

(SCRP): Sim, ofereço pelo Senai os cursos de formação. Nós aqui empregamos os estudantes que estão fazendo curso para produção de sapatos. Os estudantes cursam Senai, de manhã, e, à tarde, trabalham na fábrica ou vice-versa. Existe muita dificuldade de encontrar profissionais qualificados. O Senai oferece cursos de produção e gestão.

(Jaú): Eu acredito que nós estamos passando por um momento de transição, uma recessão interna muito grande em termos de consumo de sapato. A nossa produção em Jaú cresceu de fevereiro de 2013 para março de 2013, mas se olharmos estes números comparados com mesmo mês em 2012, caiu. Não se vê crescimento em curto prazo do APL, isso é opinião minha. Eu vejo um maior número de quebra com empresas fechando, um consumo menor na ponta, a inadimplência no setor aumentando (lojista para produtor), uma alta competitividade no varejo, entre lojistas, e isto acaba refletindo nas fábricas, forçando os preços pra baixo – o que acaba por impulsionar mais ainda a competitividade entre produtores. Não acredito que melhore este ano, acho que ainda deve haver mais quebras.

(SCRP): Atualmente estão mais preparados que no passado. O APL conta com 25 fábricas ativas, e aproximadamente três fábricas de sapato entram no mercado por anos aqui em Santa Cruz do Rio Pardo. Em Jaú, tem fábrica fechando e aqui apesar de pouco, está crescendo.

 O APL é inovador na criação, no design ou na utilização de tecnologias que minimizam os custos de produção?

(Jaú): De um modo geral o APL é inovador, tem que ser, quem está em

atividade e quer permanecer em atividade tem que se esforçar para estar constantemente inovando e agradando o consumidor. O consumidor está cada vez mais exigente e com muita opção, então tem que inovar em produtos e tem que inovar na maneira de produzir, com matérias-primas inovadoras além de novas tecnologias em máquinas, processos e equipamentos de produção.

(SCRP): As fábricas procuram inovar no que é possível, é uma questão até de sobrevivência. Às vezes os custos não permitem. O Sebrae ajudava muito neste ponto, trazia novidade. Nem sempre todos vão às feiras ou outros lugares para saber o que está sendo usado.

 Para onde o APL exporta?

(Jaú): Hoje eu desconheço uma empresa que esteja exportando. Jaú, tradicionalmente, não é exportador, não tem perfil exportador, isto dentro de

insignificantes para Cuba/África, eu desconheço outros.

(SCRP): O APL de Santa Cruz do Rio Pardo já exportou mais. Lá nos anos de 2003 até 2010, até que exportava bem. Atualmente somente eu estou exportando. Exporto, para a Bolívia, 18 mil pares por ano.

 Quais são as instituições de apoio e de que forma elas auxiliam?

(Jaú): Sebrae; Senac; Sesi; Senai; Fatec auxiliam com a formação e cursos técnicos dirigidos ao setor, melhorando o nível de conhecimento dos nossos empregados. O Sebrae também com algumas consultorias e orientações.

(SCRP): A prefeitura e o governo do estado não dão nenhum apoio. O governo federal também não. A nossa ajuda vem da Fiesp, que oferece assessoria e diagnóstico. Do Sebrae, que já esteve mais presente e oferecia subsídios para cursos de design e produção, além de consultoria, e o Senai, que oferece cursos de design, produção e gestão.

 Quais são as maiores dificuldades encontradas pelo APL?

(Jaú): As maiores dificuldades são: a alta competitividade do setor, com empresas cada vez mais competitivas no Brasil e fora (com as importações); disputar mercado com as empresas informais que não pagam os impostos, não têm estrutura e entram e saem do mercado sem grandes perdas; a inadimplência do setor dos lojistas para produtores; crédito caro para produzir produtos com margem apertada; altos impostos do setor (30/35%) e a discrepância do ICMS onde o lojista no Estado é creditado em 12% dos sapatos comprados do Sul do país e em 7% dos produtos comprados de produtores do estado de São Paulo.

(SCRP): Quando o APL foi estruturado, com a ajuda do Sebrae, no começo, (os empresários) não vinham (para os encontros), aos poucos perceberam os benefícios da união e então começaram a comparecer nos encontros. Hoje eu posso dizer que a maior dificuldade está em manter o grupo unido. Apesar de empresários / empresas participantes perceberem a necessidade, manter a união é a maior dificuldade.

(Jaú): O mercado está se realinhando, empresas devem se posicionar melhor no mercado. Dentro do APL cada empresa deve procurar a sua melhor estratégia de negócio e firmar uma posição nele. O posicionamento diante do mercado é que vai determinar o sucesso ou não da empresa.

(SCRP): Apesar da crise que todos sentem e falam a tendência aqui em Santa Cruz do Rio Pardo é de crescimento. Franca e Jaú estão pessimistas, acham que a produção está caindo e que vai haver “quebra”. Aqui as fábricas estão com pouca ociosidade este ano, talvez porque aqui nós produzimos também calçados infantil e masculino. Esta flexibilidade eu acho que está nos ajudando. Os custos aqui também são altos, nós temos apenas um fornecedor local – de sola. As demais se encontram em Franca, Jaú, Novo Hamburgo e Birigui, e isto nos obriga a manter estoque de matéria-prima e isto, você sabe, encarece o sapato. O nosso diferencial é que aqui em Santa Cruz se produz também calçado infantil e masculino, além do feminino, enquanto Birigui produz somente calçado infantil; em Jaú, basicamente só feminino; e em Franca só calçado masculino.

 Que indicadores, dos abaixo apresentados, o senhor utilizaria para apontar os benefícios propiciados pelo APL em ordem decrescente?

 IDH  PIB

 PIB per capita  Número de escolas  Comércio  Urbanização  Rendimento médio  IPRS  Criminalidade  Homicídios  Favelização  Desemprego

escolas, o município está mais urbano que rural, e as pessoas mudaram o comportamento, por exemplo, antes elas vinham trabalhar a pé, ou de bicicleta, hoje elas vêm de moto ou de carro, então elas estão ganhando mais do que no passado, então o PIB per capita poderia também ser um indicador. A criminalidade é baixa, nada que nos assuste como cidadãos, favela não existe e o desemprego também não.

(SCRP): A criminalidade é baixa, só não trabalha quem não quer, favela não tem, é percebido o aumento do comércio e o aumento das pessoas na cidade, muito mais do que no campo, além do que estando na cidade elas procuram escolas. Então eu poderia indicar o PIB, PIB per capita, o IDH, a urbanização, o comércio, a criminalidade, a favelização e o desemprego.

3.4.20.4. Análise das entrevistas com os dirigentes empresariais das duas

In document Evaluation - Chr. Michelsen Institute (sider 84-96)