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Outlook based on sustainability trends

In document Future skill and competence needs (sider 12-15)

2. Outlook based on global trends

2.1 Outlook based on sustainability trends

A metodologia quantitativa foi utilizada de modo a tornar possível a obtenção de uma percepção, mais geral, sobre o que os/as jovens do 3º ano do ensino médio, das quatro escolas pesquisadas, pensam a respeito da política de cotas da UnB. O objetivo era relacioná-la com os resultados obtidos a partir dos grupos de discussão, contribuindo para o melhor entendimento da temática.

68 Na Ceilândia, as escolas particulares que oferecem o ensino médio costumam ter apenas três turmas desse nível de ensino. Em uma das escolas constatadas obtive a informação de que foram abertas matrículas para o ensino médio, mas a escola não conseguiu atingir um número mínimo de alunos para fechar turmas. A possível escassez de escolas de Ensino Médio particulares em Ceilândia pode ser explicada pela proximidade de Ceilândia e Taguatinga, facilitando a migração de jovens estudantes daquela cidade para essa última; o que pode estar associado à avaliação pelos pais de que em Taguatinga haveria escolas particulares de melhor qualidade em relação às de Ceilândia; aliado ao poder aquisitivo da população de Ceilândia o que impede muitos moradores de matricularem seus filhos, ainda que desejem, em uma escola particular.

A coleta de informações de todos os indivíduos do universo pesquisado é denominada censo. Mas como esses estudos são dispendiosos, opta-se pela seleção de uma amostra representativa do universo (Gil, op. cit., p. 70). Como seria inviável realizar uma pesquisa com um desenho amostral de jovens do 3º ano do ensino médio de todo o DF, foi realizado um pequeno survey com o intuito apenas descritivo a respeito das percepções dos jovens das escolas pesquisadas.

A construção do questionário foi realizada com base em questionários já testados em outras pesquisas com juventude. A questão sobre “cor ou raça” foi elaborada seguindo os critérios do IBGE, utilizando-se as categorias fechadas: “branco”, “pardo”, “preto”, “amarelo”, “indígena”. Na pergunta sobre cor ou raça foram adotadas as categorias do IBGE (pardo, preto, branco, indígena, amarelo). Cabe ressaltar que no mencionado questionário não se adotou uma questão para a auto-declaração da “cor ou raça”.

Uma orientação importante apresentada por Guimarães (2003) é em relação à utilização, para efeito de perguntas de pesquisa, dos termos raça e cor. O autor destaca a necessidade de que o/a pesquisador/a tenha domínio sobre a linguagem nativa dos participantes da pesquisa, sendo capaz de traduzir categorias analíticas em conceitos do senso comum.

As questões 23 e 24 do questionário “Para todos os/as jovens do 3º ano” foram elaboradas com base na pesquisa realizada por Santos (2002) com alunos e docentes dos Programas de Pós-gradruação da UnB, com vistas a conhecer a percepção destes sobre a implementação de cotas para negros na universidade (cf. Santos, 2002, p. 107)

Assim, conforme proposta apresentada no processo de qualificação, foi realizada a aplicação de 560 questionários com jovens de todas as turmas de 3º ano das escolas pesquisadas69. A seguir apresenta-se um quadro com as escolas, as turmas, o número de instrumentos respondidos e as datas de aplicação dos questionários nas escolas. Porém, cabe salientar mais uma vez que os dados coletados a partir do questionário não serão alvos de análise deste relatório.

69 Destaco, aqui, a importante colaboração e auxílio de Ana Paula Meira, atual mestranda do PPGE da UnB, do Lucas Freitas, estudante do curso de Pedagogia da UnB e de Nora Hoffman pesquisadora alemã que, à época realizava estágio na Faculdade de Educação da universidade. Os nossos diálogos sobre as impressões do campo me ajudaram a compreender as limitações da pesquisa. E o trabalho realizado por eles (aplicação de questionários e realização de grupos de discussão) foi imprescindível para o resultado que ora apresentamos neste relatório.

Nome da escola Turma Número de questionários respondidos Data de aplicação 3º A 23 3º B 32 3º C 35 3º D 35 3º E 35 13 de junho de 2007 Centro de Ensino A (pública - Brasília) 3º F70 29 04 de julho de 2007 3º A 32 3º B 34 3º C 23 3º D 26 3º E 33 3º F 29 3º G 27 Centro de Ensino B

(pública - Ceilândia 3º H 26 15 de maio de 2007

301 29 302 32 303 32 Centro de Ensino C

(particular - Brasília) 304 27 11 de maio de 2007

5º sem A 21 Centro de Ensino D

(particular - Ceilândia) 5º sem B 30 16 de maio de 2007

TOTAL 560

QUADRO 2 – Escolas pesquisadas, por turma, número de questionários respondidos e data de aplicação. Fonte: Pesquisa “Para além do ensino médio: a política de cotas da universidade de Brasília e o lugar do/a jovem negro/a na educação, 2007-2008.

A princípio definimos como estratégia para a aplicação dos questionários que, em função do número de turmas por escola e do reduzido número de pesquisadores que poderiam me auxiliar, cada um ficaria responsável por uma turma. Entretanto, como Nora Hoffman era estrangeira e ainda não tinha o domínio do português decidimos que ela entraria nas turmas sempre com alguém. No entanto, as adversidades do campo exigiram que os/as pesquisadores/as entrassem simultaneamente nas turmas, de modo a agilizar o processo e ocupar o tempo de aula o mínimo possível.

De um modo geral, a aplicação desse instrumento foi realizada em, aproximadamente, 15 minutos. Houve algum alvoroço em determinadas turmas, quanto à questão sobre a cor ou raça. No Centro de Ensino A, C e D, éramos três pesquisadores e levamos um ou dois

períodos de aula para aplicar os questionários em todas as turmas. No Centro de Ensino B, éramos 4 pesquisadores, em função de o número de turmas também ser maior, mas levamos o mesmo tempo gasto nas outras escolas para realizar essa atividade.

Realizar atividades com o 3º ano F, do Centro de Ensino A, de Brasília, foi um desafio porque logo que foi realizado o contato com esta escola houve a tentativa da coordenadora de suprimi aquela turma da pesquisa. No primeiro contato telefônico fui informada de que havia seis turmas de 3º ano diurno, o que pude confirmar nas listas fixadas nas portas das salas. Entretanto, no contato pessoal com a coordenadora, fui informada de que a escola tinha apenas cinco turmas. Por várias vezes perguntei sobre a existência de uma sexta turma de 3º ano no turno matutino e ela me afirmou que não havia. Entretanto, em conversas com professores e em entrevista com uma aluna, descobri que o 3º F existia. Ocultar o 3º F era uma tentativa de ocultar o que a comunidade escolar considera a turma “mais bagunceira da escola”. Essa turma é composta por alunos repetentes, desistentes, em dependência, “bagunceiros”.

Trata-se de uma turma extremamente discriminada e outsider do corpo escolar. De acordo com o relato dos jovens, tudo o que acontece na escola é culpa dos/as jovens do 3º F. Ao entrevistá-los/as percebi que eles/as se sentem discriminados na escola, mas, por um momento mostraram-se, bastante orgulhosos/as porque a única aluna da escola aprovada no 2º vestibular de 2007, da UnB, no curso de Enfermagem, era uma colega deles, do 3º F. Chama a atenção que no segundo semestre logo após o recesso de julho, alunos dessa turma foram distribuídos em outras turmas sem serem comunicados. De acordo com uma professora o objetivo era separar os alunos que “davam trabalho”. Cabe ressaltar que aos meus olhos nesta turma se encontrava o maior número de jovens negros do 3º ano.

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