5. Recommendations for future education and training
5.4 From present to the future maritime training
Neste capítulo foi possível conhecer aspectos do lugar de moradia e da vida cotidiana dos/as jovens estudantes participantes dos grupos Contrastes e do Arte por toda parte. Como eles/as se inserem no cotidiano de suas cidades e as relações estabelecidas com o seu meio social.
O grupo Contrastes, realizado na Asa Norte, se caracteriza pela heterogeneidade dos/as seus participantes. Há jovens moradores/as de Sobradinho, condomínios e ainda aqueles/as que passam a semana na Asa Norte e retornam para a casa dos pais nos finais de semana. Assim como há aqueles/as que moram nas quadras próximas à escola, mas que estão circulando por outros espaços e que pouco se identificam com a localidade onde moram. Não
aparece no discurso desses/as jovens elementos sobre a relação com seus vizinhos ou mesmo uma demonstração de que haja o sentimento de comunidade entre eles.
Ao contrário do que se observa acima, o grupo Arte por toda parte caracteriza-se por uma maior homogeneidade de seus/suas participantes. Todos/as moram na Ceilândia ou nas suas imediações. Compartilham da mesma sensação de insegurança e violência, demonstrando que essa percepção é aguçada pela proximidade com esse fenômeno. Paulo fala sobre os tiroteios, Nicolly se remete ao tráfico de drogas e Carla se refere a dois assassinatos ocorridos no ano anterior na sua rua.
Os/as jovens percebem que apesar da violência, há entre os/as moradores/as um sentimento de solidariedade que propicia a sensação de proteção. A relação de vizinhança consolidada com o tempo, na percepção dos/as jovens, resgataria o sentimento de segurança e proteção dessas pessoas.
No grupo Contrastes o cotidiano dos/as jovens aparece como um tempo de obrigações como ir para a escola, freqüentar cursos de línguas, ir para o estágio, fazer “bicos” ou ir para o trabalho e retornar para casa no final do dia. Os/as jovens parecem envolvidos em atividades que os qualificam para acessar futuramente o mercado de trabalho.
Embora a maioria dos/as jovens estudantes do Centro de Ensino A, localizado na Asa Norte, morem nessa região, há jovens como Rides, Marcos e Cristiane que se deslocam de cidades como Sobradinho para irem à escola. No caso de Jorge, mesmo tendo residência em Sobradinho os pais pagam uma quitinete para que o filho fique mais próximo da escola e do estágio.
Entre os/as jovens do Centro de Ensino B, observa-se que todos/as, salvo Lelê, moram na Ceilândia em ruas localizadas nas imediações da escola. Essa proximidade espacial permite que eles tenham experiências comuns em relação, por exemplo, à violência identificada na cidade. Falam sobre as oportunidades de cursos existentes na cidade, mas Paulo e Lelê ressaltam que a qualidade está bastante aquém do que eles encontram em cidades como Taguatinga.
Para esses/as jovens morar na Ceilândia também é ter que conviver com situações de discriminação sócio-espacial. Sentem que são discriminados/as pelos olhares das pessoas quando vão ao Plano Piloto e por algum motivo precisam revelar o local de moradia. Paulo desconfia de que a má qualidade dos cursos oferecidos na cidade é também uma forma de discriminar os seus moradores.
Os grupos Arte por toda parte e Contrastes falam, a partir dos seus referenciais de mundo, sobre as desigualdades sociais existentes no Distrito Federal. O grupo Contrastes se
pauta no exemplo de Dandara para falar sobre as desigualdades encontradas no DF. Ao falar sobre a colega, as falas pendem para o excesso. Demonstra-se a desigualdade existente enfatizando-se o contraste. Ainda que eles/as estejam atentos/as quando às desigualdades sociais que os cercam, eles/as falam a partir de um refencial. São jovens, homens e mulheres, há pardos, brancos e pretos, alguns habitantes do Plano Piloto. O olhar dos/as jovens quanto ao local de moradia de Dandara capta os extremos, as carências, as dificuldades. Caracteriza- se uma visão estereotipada do universo daquela jovem.
Já o grupo Arte por toda parte desenvolve uma análise mais macro sobre a realidade do país, destacando a concentração de poder e dinheiro nas mãos de poucos e a má utilização de recursos públicos, que poderiam ser revestidos para a melhoria das escolas públicas. E embora seja uma fala que pende para a leitura de algo que tem implicações na vida de cada um/a deles/as, fala-se de algo que está distante. Assim como o Grupo Contrastes o Arte por
toda parte se baseia em um refencial de mundo. São jovens, homens e mulheres, há pardos, pretos e brancos moradores de Ceilândia. Destacam problemas como a corrupção, a desonestidade dos políticos, demonstrando pouca credibilidade na política. E também vêem os excessos, também têm uma visão cheia de estereótipos.
5 Juventudes e trajetória escolar
Neste capítulo pretende-se compreender o lugar que a escola ocupa no discurso dos/as jovens das duas escolas pesquisadas. A escola além de um espaço de ensino-aprendizagem, também é ambiente de trocas de saberes entre pares, espaço de construção e consolidação de relações afetivas.
A escola pública aparece como um local de encontro da diversidade cultural, essa que às vezes passa por um processo de homogeneização que impede a manifestação das diferenças nesse espaço. Práticas como “brincadeiras” que atuam no sentido contrário da afirmação, e assumem proporções que implicam na agressão à auto-estima de crianças e jovens escolares, mas que contraditoriamente são afirmadas como manifestações de afetividade e de acolhimento do outro.
Os/as jovens percebem a escola como um lugar de encontro, de descobertas, mas também como um lugar de pouco acolhimento à juventude. À medida que os/as jovens avançam do ensino fundamental para o ensino médio, vão perdendo o interesse pelas aulas, têm o rendimento escolar comprometido e demonstram que gostam de estar na escola, mas nem sempre são aceitos como jovens neste espaço na perspectiva do que diz Dayrell (2007) e Spósito (2005). Neste capítulo apresentam-se análises sobre a trajetória escolar dos/as jovens, onde se procura compreender suas referências e orientações coletivas quanto à escola.
Assim como no capítulo anterior, neste será apresentada a análise das trajetórias escolas dos/as jovens do grupo Contrastes, posteriomente serão apresentadas as análises do grupo Arte por toda a parte sobre essa temática e, por último, empreende-se uma comparação entre as elaborações encontradas nos dois grupos.
5.1 Grupo Contrastes: estudei em colégios muito divertidos, muito engraçados que me